Fender Hot Rod Deville

Começo aqui uma série de textos sobre este amplificador que vai render mais um ou dois posts. Anos atrás quando morava na europa resolvi comprar o meu primeiro amplificador valvulado. Já tinha tocado em vários modelos e precisava de um para o meu set mas a grana não era aquela fartura no bolso. Após muita pesquisa achei um baita amp em uma super promoção em uma loja e nem pensei duas vezes. Foi aí que começou a minha história com o Fender Hot Rod Deville que hoje coloco aqui no blog.
O amplificador pelo que pude apurar nasceu em 1996 e é uma versão melhorada e mais barata do clássico Fender Deville. O amplificador tem muitas diferenças em relação aos “tops”, mas ainda assim traz muita coisa interessante e de valor. A proposta dos engenheiros da marca foi resgatar o tradicional som dos clássicos valvulados Fender com um preço bem mais em conta. Será que conseguiram? Vamos descobrir isso ao longo destes posts.

É um amplificador para jazz, blues e algum rock não muito pesado. Para quem gosta destes estilos é um prato cheio. Quero fazer aqui não só uma análise aprofundada do aparelho como também colocar problemas e soluções que encontrei ao longo dos anos. Tenho este amplificador a pelo menos uns 7 anos e estudei ele a fundo inúmeras vezes. Antes de entrar em detalhes técnicos vamos falar sobre o amp como ele sai de fábrica e as suas funções.

O painel é bonito, cromado e tem os controles bem organizados. Duas entradas, hi e low, opção de brilho para som limpo, overdrive com dois estágios de ganho, equalização com controle de presença, reverb e loop de efeitos. No painel também tem o jack para o footswich para controlar algumas das funções com o pé. O pedal controla o som limpo, drive e “more drive”. É pena não ter opção de ligar e desligar o reverb nele também.

Além do pedal, acompanha o amplificador uma capa protetora de nylon que é muito boa.
O amplificador já vai na sua terceira versão, e é aqui que começamos a entender como o amplificador funciona e toda a sua evolução.

O meu é da segunda versão e vem acompanhado de dois falantes de 12 que segundo as especificações são “re-issue” projetados pela eminence especialmente para a Fender. Resumindo é uma nova edição recriando detalhes técnicos dos modelos que foram usados nos amplificadores antigos. A versão atual do amplificador conta com um upgrade nos falantes e recebe um par de Celestion G12P-80. Não vou falar muito sobre o modelo atual pois pouco sei sobre ele e nunca toquei em nenhum.
Seria frescura reclamar dos falantes que acompanham o meu amplificador. São ótimos, com um som lindo e definido. Para quem busca um timbre cristalino e equilibrado o upgrade é desnecessário. Quem tiver interesse em um som mais fechado e “cremoso” talvez a troca interesse. Para mim atende bem ao que procuro no amplificador e por enquanto não vou trocar. Detalhe para esse detalhe de falante “genérico” que é o primeiro indício da mentalidade “low cost” que acompanha este projeto e que mencionei lá no início.
Não que seja um fator negativo, mas existem peças muito melhores no mercado mas que iriam deixar o preço do amplificador impraticável. A solução embora barata é ótima e quem não tem grandes exigências com equalização natural do aparelho vai ficar muito satisfeito com a versão original.
O som propriamente dito é lindo, digno de um Fender. Com graves poderosos e agudos límpidos. Uma stratocaster e um tubescreamer podem tornar este amplificador em uma máquina perfeita de blues. A terceira versão só veio por causa de muitas reclamações com o canal de drive. Realmente é um problema pois o drive é muito fraco. É um tubescreamer só que para pior. No meu não uso. Só som limpo e a saturação tiro dos meus pedais. Simplesmente não dá! A nova versão vem com isso melhorado e não pude ainda tocar em um para falar se gosto ou não. O fato é que a graça dos amplificadores da Fender sempre foi o som limpo e deviam seguir mais essa linha. Tentaram inventar uma coisa que não deu muito certo. Para solos até vai, mas para fazer bases é muito pobre.
Agora vamos para os detalhes mais técnicos e onde começam os problemas que surgiram na segunda versão do aparelho que é a que eu tenho.
Visão interna. É só clicar na foto para ampliar:

O controle de volume é um problema crônico nessa versão e todo mundo reclama. No 3 o volume já fica insuportável, e se continuar girando o botão não aumenta muita coisa. Até hoje não entendi qual foi a deles fazer uma besteira assim. Não tem sentido se for pensar em dinheiro. Não sei como criam um projeto e colocam em linha de produção sem antes colocar um guitarrista, por mais novato que seja para testar e dar a sua opinião. Posso estar sendo malvado, mas é o tipo de erro que nenhuma marca deveria deixar passar. O erro foi usar um potenciômetro linear no lugar de um logarítmico. Para quem tem interesse é só fazer a troca e este site AQUI mostra como. Eu fiz, melhorou mas ainda não ficou perfeito. Não alterei o valor resistivo original e isso também foi a causa de não dar tanta diferença. Mas também não vou mais mudar pois eu toco com ele alto mesmo e nunca foi algo muito incômodo para o uso que eu dou.

Agora vamos falar de coisas mais sérias. Logo quando comprei notei nos primeiros dias que enquanto tocava o amplificador dava uns estalos tipo faísca e achei muito estranho. Fiquei encucado e resolvir ter um papo sério com o pai google para saber se era só comigo. Achei esse artigo AQUI que fala sobre um lote mal sucedido de resistores colocados nas placas das válvulas que foram usados nesses amplificadores. Segundo eles, os resistores não são muito bons e “quebram” por dentro gerando faíscas internas e estes estalos no som. Fiquei muito confuso e ao mesmo tempo chateado com isso. Mas não desanimei e resolvi por a mão na massa e resolver o problema. Os resistores originais são de 100k 1/2w. Comprei um pacote de resistores de 100k 1w para garantir. Troquei de todas as placas das válvulas e na inversora por preciosismo coloquei de 2w. Na foto interna que postei os resistores que tanto falo estão destacados com quadros vermelhos.
Não posso afirmar que os estalos eram mesmo disso pois quando fiz essa modificação encontrei algo muito pior e muito mais causador de estalos. As soldas dos sockets das válvulas de power estavam todas rachadas, mal feitas e com bolhas. Foi usado um fio de solda de baixa fusão e com o calor das válvulas ia derretendo e criando mal contato. Removi e refiz todas as soldas com um estanho melhor e com uma fusão mais alta. De qualquer forma os resistores novos e mais potentes não foram um desperdício. Manutenção concluída e estalos nunca mais! Fiz essa manutenção quando o amplificador tinha 15 dias e até hoje ele não dá mais estalos. Era uma coisa ou outra, mas o importante é que ficou resolvido. Tirando esses dois detalhes, os componentes do amplificador são de boa qualidade. Os capacitores são xicon polypropilene. Tem quem mude e coloque uns mallory ou orange drops. Eu até hoje nem me animei de fazer isso já que o som está como eu gosto e estes capacitores que falei são muito grandes e mais chatos de instalar. Um dia com calma quero comprar fio de boa qualidade e substituir por essas fitas de conexão com as válvulas que com o tempo começam a dar mal contato. Não posso falar pois comigo até hoje não deram, mas li que é algo comum de acontecer. O meu amplificador saiu muito pouco de casa e sempre foi muito bem transportado, mas outros que vivem por aí em shows com certeza apresentam problema nas fitas e é bom colocar fios no lugar. A placa do circuito é gigante, toda em fibra de vidro e faz do amplificador um dos mais bem construídos que eu já vi. Adorei a ideia de ligar os transformadores por um sistema bem seguro de encaixes de fios. Para trocar ou fazer manutenção é tudo muito rápido e não compromete a placa com aquela coisa de soldar toda hora. Os capacitores de filtro de alta tensão são horizontais e não temos muito disso no mercado brasileiro. Mas nada que fique caro comprar lá fora e levam muitos anos para serem trocados. O controle dos canais e do “more drive” é feito por relés. Quando se está tocando e pisa para voltar para o limpo ele dá um ligeiro puff, mais uma coisa que não pensaram. Se trocar os canais sem estar tocando a guitarra não existe puff algum. É só quando está tocando. Mas como disse, nem uso o canal de drive dele.
A equalização é tradicional da Fender e não atua tanto quanto as mais atuais que acompanham novos amplificadores. É meio chato de timbrar pois é muito “arcaica”, mas nada negativo e que impossibilite de tirar o timbre desejado.
Após essa introdução ao mundo “HRDV” vamos fazer uma breve pausa e volto com o tema Reverb!

ProcoRat Handmade

Como diriam os “novos antigos”, acho esse pedalzinho supimpa! Uma vez toquei em um original e me deu aquela vontade de ter um. Não que o preço fosse proibitivo, mas achei a construção tão simples que resolvi montar um com componentes selecionados. Não tenho mais paciência para ficar fazendo placa em casa então prefiro comprar pronta. Se fosse fazer muitos pedais ou ganhar dinheiro com isso até pensava no caso.
A caixa de alumínio injetado comprei, medi tudo bonitinho e fiz os furos. Pintei com spray acrílico e finalizei com um verniz mate também em spray. Não adianta, pintar alumínio é complicado mesmo. Qualquer batidinha descasca. Perdi as contas de quantas camadas de tinta coloquei até sentir confiança no resultado final. Até hoje não riscou nem descascou, mas sei por outros projetos que é algo fácil de acontecer. Nada que me preocupe muito pois até acho legal aquele ar “malhado” que alguns pedais usados possuem. Exagerei no azul e nem o led escapou. Coloquei um “zóião” azul de alto brilho que dá para ver de longe se está ligado. Os knobs são um pouco feios e é algo que estou procurando para substituir e ficar com uma estética mais profissional. Os decalques fiz com um papel adesivo transparente e levei para imprimir em uma gráfica. Saiu bem baratinho. Uma folha A4 cheia de in, out, distortion, overdrive, vol, tone, drive custou 2 reais e agora tenho adesivos desses até o final dos tempos. Não fiz nenhum logo ou símbolo “RAT” pois não vejo necessidade uma vez que o pedal é para uso particular e também não ganho nada com isso. E fala sério, é sempre bom manter aquele mistério sobre o que tem dentro! ehehehe

Coloquei um jack DC padrão BOSS para alimentação externa. O clip da bateria está fixado na caixa com cola epoxy. Fiz bases de borracha com os parafusos que suportam a placa e também fixei com cola. Se fosse fazer furos para o clip e suporte da placa acabaria alterando muito a estética final do aparelho. Como não são elementos que suportem grande peso ou pressão foi bem tranquilo. A placa não pesa nada e ficou bem presa dentro da caixa. Utilizei porcas com trava. Nos potenciômetros decidi fazer uma montagem limpa. Uma vez que a placa já estava super firme, fiz as ligações nos potenciômetros com terminais que sobraram dos componentes que soldei na placa. Estava tudo tão perto que não justificava ficar soldando fios. E os fios também quando ficam curvados em tão pouco espaço acabam fazendo bastante força contrária na placa e com o tempo começam a dar mal contato. Todos os componentes foram medidos um a um e soldados. O uso de capacitores de mica no lugar dos cerâmicos deu um som mais macio e menos ruidoso/raspado. Jacks switchcraft que desligam a bateria do pedal quando o jack “in” é retirado, 3pdt garantindo um bypass silencioso sem perdas e fechando a obra um suporte metálico para o led com bordas arredondadas no painel. Saiu muito mais barato que comprar um original e o som ficou incrível. Não alterei nenhum valor do projeto original, só tive um cuidado especial na escolha dos componentes. Ficou igual ou até melhor que o original que me motivou a montar. Já vi gente falando a besteira que pedais handmade são ruidosos. Isso é uma mentira enorme. O problema é que vemos muito serviço porco e realmente só pode dar ruído. No sample que agora apresento usei uma Tagima Strato e o pedal alimentado por uma fonte 9v que fiz e também está aqui no blog. Ruído zero!

Sergio Rosar – Vintage Hot

Quem acompanha o blog sabe que gosto de dar a minha opinião sobre os equipamentos, principalmente nos que possuo pois tenho todo o tempo do mundo para testar e dar a minha sincera opinião.
No passado ano de 2010 resolvi dar um “up” na minha fender. Trata-se de uma fender american standard. Comprei usada e vinha com o captador do braço e do meio originais e na ponte um dimarzio DP-217. O primeiro e antigo dono dela me entregou também o captador da ponte original.  Nunca gostei daquela captação que não contribuía em nada para a guitarra mostrar o que vale. Sempre namorei o set Texas Special da fender e juntei uma grana para colocá-los. Estava certo que iria gastar uns 800 reais +- e a vontade de deixar a guitarra como eu queria era grande. Viola no saco e fui ao luthier. Cheguei e pedi o que desejava. Conversa vai, conversa vem e o profissional guitarreiro me falou….
– Existem estes captadores do Sergio Rosar que são similares e a turma está gostando muito. São nacionais.
Fiquei um pouco confuso e como bom brasileiro que sou não levei muito a sério o negócio. Mas pela metade do que eu ia gastar num Texas resolvi arriscar. Como disse o luthier, na pior das hipóteses vendia e depois comprava os que inicialmente queria.
Até então eu nunca tinha colocado uma captação do gênero em minhas guitarras. Após aqueles longos e agoniantes dias de espera, fui buscar a minha menina…
Gostei muito do que vi e ouvi. Capinhas brancas de boa qualidade e um som muito dinâmico.
O som do set Vintage Hot é realmente quente, tem um ganho bem moderado/alto para singles, apresenta uma equalização super equilibrada com graves redondos e nada percussivos contrariando os captadores realmente vintage. Os médios são equilibrados, uma característica que achei muito boa em comparação aos texas special que recebem uma carga de médios muito acentuada e ligados a um tubescreamer fica ainda mais anasalado e “entubado”. Os agudos não são tão estridentes como na captação original e recebem um toque aveludado e arredondado também influenciado pelo magneto de alnico. Além de todos esses detalhes, reparei que o ruído era inferior aos tradicionais singles que acompanham as guitarras. Praticamente zero.

A construção é profissional e no lugar do plástico injetado usam fibra de vidro que é um material muito mais resistente e não deforma com o tempo. Só tinha visto um acabamento assim nos captadores da marca Seymour Duncan. O banho de verniz que leva é bom e nunca sofri com microfonias mesmo com o volume bem alto.
O set traz os três captadores já calibrados para as suas posições finais, parafusos e borrachas para instalar no escudo. Há quem use molas, mas não é uma solução muito fiável e profissional. Sou tradicional nessas coisas. O ideal é comprar o set pronto para evitar problemas de ganho. Quem quiser mesclar com outros captadores pode consultar um técnico de confiança ou  falar diretamente com o fabricante.
Um dia vi uma citação no mínimo curiosa em um fórum gringo onde na assinatura um dos usuários dizia: “tudo que se diz vintage não tem nada a ver com vintage”.
Como em outras áreas comerciais, o mercado de instrumentos e acessórios sofre com um marketing violento que usa nomes fortes como blues, vintage, rock, 59′ para passar uma ideia que não corresponde em nada com o que era feito antigamente. Esse set de captadores não se parece em nada com um captador vintage, mas ainda assim tem qualidades muito boas e permite ao instrumento moderno ter uma tonalidade mais clássica.
Intrigado com toda essa pressão e propaganda do mercado resolvi investigar pela internet e no site do fabricante para ver até onde encontrava detalhes sobre seus produtos. Foi uma leitura muito agradável onde pude entender como são desenvolvidos. Copiar todo mundo copia, e isso está cada vez mais “cara de pau” em tudo quanto é produto nos tempos que correm. O que mais me chamou a atenção foi o artigo onde falam do estudo que fizeram sobre a forma como as stratocasters foram fabricadas ao longo das décadas para desenvolver captadores mais adequados às medidas praticadas e materiais utilizados atualmente. Principalmente no que diz respeito ao diâmetro, altura e espaçamento dos pólos dos captadores. Aí entendi que não se tratavam de simples cópias. Ficou mais claro que é uma versão melhorada dos texas que eu tanto queria. Para quem gosta de um timbre limpo impecável e um som puramente blues recomendo os captadores. Fiquei feliz ao encontrar um produto nacional tão bom ou melhor do que os fabricados lá fora. Não me arrependo do conselho que segui e hoje tenho mais uma guitarra em fila de espera para receber essa captação. Da marca espero que o preço e a qualidade continuem caminhando juntos e de forma justa.
Segue sample em um show. Overdrive utilizado Scream X:

Boss Blues Driver

E segue a saga dos overdrives! A bola da vez é o Boss Blues Driver.
O Blues Driver foi lançado em 1995 após o ressurgimento da moda do blues nos Estados Unidos. O estilo ficou um pouco apagado nas décadas anteriores e teve um “boom” com artistas como Eric Clapton e Gary Moore. O que contribuiu para isso foi também o falecimento do guitarrista Stevie Ray Vaughan que poucos anos antes fez um verdadeiro estrago neste estilo musical. Do ano de seu lançamento até hoje, o pedal é produzido em Taiwan. Para quem tem um, pode consultar o mês e ano de fabricação inserindo o serial neste site aqui: http://www.bossarea.com/serial/sndecoder.aspx
 Dá para consultar outros pedais da marca também. O meu é de Abril de 2007.
Na época em que foi lançado o BD-2, o Tubescreamer já era um nome de respeito no som de overdrive para blues. A ideia foi criar algo novo. O Blues Driver consiste em um pedal de médio/alto ganho com um overdrive mais ardido e extremamente granulado. Enquanto o TS traz um som aveludado, este traz um som raspado e roncado lembrando muito a saturação de válvulas de potência como as 6L6 e vai de um drive limpo ao fuzz com o ganho no máximo. Como falei no post do Scream X, adorei a ideia da dinâmica ao toque que encontrei nesse pedal. Mostro isso no sample no fim do post. Você toca leve, o som sai limpo, e vai saturando conforme o ataque nas cordas.

O pedal vem muito bem construído no seu padrão “BOSS” de ser, com jacks e potenciômetros de grande qualidade. Os potenciômetros além de serem de boa qualidade, possuem um isolamento incrível e é praticamente impossível entrar alguma sujeira neles. Quanto estragam é por mau uso ou desgaste. O pedal é estiloso, com um azul presente marcando a essência do pedal com serigrafia das letras em amarelo. O compartimento da bateria é de fácil acesso e totalmente independente da parte onde fica a placa, assim evitando contato direto das mãos com o circuito na troca da bateria. O pedal consome muito pouco, cerca de 13mA e uma bateria nova dura vários meses dentro do pedal. Lembrando que quando não for utilizar, tirar o jack do “in” do pedal para não existir consumo do circuito. Também tem entrada DC para ser alimentado por fonte.

A placa é bonita e muito bem acabada com trilhas envernizadas. Infelizmente as marcas adoram poupar e como já é costume o material usado é o fenolite. Só não faço disso uma tempestade maior porque a parte onde fica a placa fica guardada é excelente, então não é algo para se preocupar.
O bypass é ativo, feito através de buffers como em todos os outros pedais da marca. Não altera praticamente nada do sinal, então não vejo necessidade de fazer mods. Já vi vários pedais BOSS interligados sem comer sinal. Foi uma solução que funcionou. Há quem não goste e modifique, mas para mim está bom assim.
No primeiro contato que tive com o pedal a primeira coisa que notei logo quando liguei é uma perda de graves quando o efeito está ligado. Para resolver esse “defeito” entre outros preciosismos, surgiram vários técnicos internacionais oferecendo mods para o pedal. O mais conhecido e respeitado é o “Phat Mod” criado pelo renomado técnico Robert Keeley. Este mod resolve o problema dos graves, dá um tapa no ganho e na definição do pedal e de quebra inclui um led bonitão azul no lugar do vermelho que não combina em nada com o a arte do aparelho. John Mayer entre outros usam Blues Drivers com esse mod. Aqui no Brasil o Eugênio da EFX effects oferece essa modificação. No futuro vou fazer no meu, aí coloco aqui a minha opinião.
O pedal como comentei lembra as 6L6 saturadas e procurando um pouco mais na internet percebi que ele foi muito inspirado nos amplificadores da Fender. Existe em seu circuito um equalizador igual ao dos amplificadores da fender.

A única diferença é que ele é fixo no circuito e não possui potenciômetros para ajustar. Mas a ideia é conseguir uma tonalidade daqueles amplificadores. Realmente lembra bem, só poderia vir com os graves fender bons de fábrica, né?

Não sou um grande fã dos pedais da Boss, mas andei namorando por três anos esse pedal até que um dia ganhei coragem, toquei e comprei o meu. É um overdrive com estilo próprio e é bem por isso que nunca saiu de linha desde o seu lançamento. Não é melhor nem pior que outros overdrives, é unico. É um pedal que tenho e não me desfaço por nada. A única coisa que provavelmente vou fazer nele é um “Phat Mod” para ficar 100%. Ahh, O led azul também é essencial!

Samples (Fender American Strat):

Seymour Duncan Everything Axe Set

Fala Galera! Nas últimas duas semanas estive intensamente envolvido com um projeto no trabalho e infelizmente não deu tempo de atualizar o blog. Penso que agora pode voltar tudo ao normal.
Desde que comprei a minha Tagima Stratocaster em meados de 2002 sempre “reclamei” da sonoridade muito ardida que ela tinha. A captação não ajudava muito. Não era ruim e se eu falasse que era estaria mentindo até porque os resultados que o meu colega de blog consegue com os singles originais dessa série são incríveis. Tá, não era ruim mas também não me agradava na totalidade. O madeiramento destas guitarras é diferente do madeiramento da Fender. São madeiras nacionais, de grande qualidade. Marupá no corpo e marfim no braço. Sempre senti uma falta grande de presença no som dessas guitarras. Coloquei uma captação ativa da Schaller que mais maqueou o som da madeira do que ajudou. O som limpo era impressionante, mas não deixava a guitarra mostrar os seus atributos. Resolvi radicalizar e pensei até em por humbuckers mas desisti pois não tinha espaço e eu não queria escavar o corpo da guitarra por causa disso. Foi aí que fui atrás dos tão famosos hot rails e começou uma grande pesquisa que acabou topando com esse set aqui:

Seymour Duncan Everything Axe Set
Um set de captadores “humbucker” no formato single coil. Fiquei curioso e resolvi ler o release do produto.
A proposta da marca é oferecer um set equilibrado que não tira o som original da stratocaster, mas adiciona bastante ganho sem ruído. Desisti de ter um set de hot rails pois eram captadores de saída altíssima para o que eu procurava e este set me pareceu mais adequado.
O kit consiste em um  SJBJ-1b JB Jr na ponte, um SDBR-1n Duckbucker para o meio e um  SL59-1n Little ’59 no braço. Essa combinação de braço e ponte foi por anos utilizada por vários guitarristas, até que a marca pensou com calma no assunto e criou o set completo. O duckbucker é um single normal mas com duas bobinas separadas por “lote” de cordas. A construção elimina totalmente ruídos e mantém este captador com um som mais single. Os captadores do braço e ponte são de alta saída, com menos ganho que os hot rails mas ainda assim são bem fortes.
Não podemos esperar um som puro de humbucker uma vez que temos uma limitação física em todo esse processo. Um humbucker é muito maior e pode ter um ganho bem superior, e abrange uma área de vibração de cordas muito maior que um single. Quando coloquei o set na guitarra senti uma diferença boa para os singles e a guitarra não deixou de ter um som de strato. O grande truque do set você nota com distorção e é aí que a guitarra se transforma bastante. No som limpo ela tem mais graves e o som é um pouco mais abafado que com os singles, o que me dá algum trabalho quando troco de guitarra e tenho de mudar toda a equalização no amplificador. Realmente o ruído é zero e o som cristalino.
Conclusão: Para quem quer turbinar a strato para tocar do jazz limpo ao metal ultra saturado, esse é o set de captadores mais versátil que existe no mercado. Comprei, resolveu o meu problema e de quebra deu versatilidade para tocar qualquer estilo musical com a minha strato. Existem outras combinações que podem ser feitas, mas sai sempre mais caro e requer um estudo para ver se vai manter um equilíbrio de volumes e ganhos na guitarra.
Samples:



Tube Baby EFX

Boa noite, camaradas.

Já faz algum tempo que eu não passo pra deixar um pouco mais da minha curta mas aproveitável experiência do mundo das guitarras e acessórios!

Neste post estou trazendo um review sobre um pedal já popular, um excelente mod de vários tube screamers em conjunto cujo resultado é o fantástico frankenstein “Tube Baby” fabricado pela EFX custom effects.

Como vocês podem ver na foto, esse pedal possui 6 diferentes controles para timbragem. Na ordem: Bass (controla os graves), Presence (controla os médios), Gain (controla o ganho), Volume (preciso dizer?), Treble (controla os agudos) e clean (mistura o sinal distorcido ao sinal original da guitarra). Os dois acionamentos são: boost e bypass.

Todos esses controles atuam muito bem para complementar o timbre da sua guitarra ou do seu amplificador. Há adição ou subtração razoável das frequências (controles sensíveis) e o interessante dos tube screamers é trabalhar com uma boa adição de médios, o que garante aquele timbre rasgado ou cortante bastante característico.

O ganho desse pedal não é alto já que a proposta não é ser um pedal de distorção e sim uma espécie de booster. Pense em algo como um leve overdrive que ajuda a dar uma rasgada no som sem alterá-lo bruscamente.

A chave de bypass liga ou desliga o pedal (true-bypass, o que garante que você não perca o timbre original da sua guitarra quando ele estiver desligado) e o boost adiciona alguns decibéis para que você possa destacar o som da sua guitarra em um solo, por exemplo. Nada exorbitante.
Há aqui um detalhe bem bacana que é a mudança da cor do led do vermelho para o verde quando se aciona o boost. Evita confusões e problemas com volume.

Antes de falar sobre algumas funções diferenciadas desse pedal, deixo aqui um exemplo que gravei em uma guitarra Tagima 635 com captação original plugada num Vox Pathfinder 15R (ampli transistorado) com leve adição de delay:

Acho que fica claro o que eu quis dizer com rasgar o som, né?
Aviso ainda que esse pedal funciona de forma ainda mais interessante se usado com amplificadores valvulados, mas acho que já deu pra ter uma idéia, né? Comentem e sejam sinceros. Posso fazer mais samples no futuro!

Bom, reservei esse último espaço para falar do “clean”.
Esse controle é algo bastante particular e mistura o sinal limpo sem a adição de ganho ao sinal distorcido que é ativado pelo controle de Gain.

Enquanto o Clean estiver zerado você tem o tubescreamer funcionando normalmente. Quando você girar o controle para a direita, aos poucos o som distorcido vai sendo misturado ao som limpo até que no final ele assume apenas o som limpo, MAS, com todos os outros controles ativos (só corta o gain). Ou seja, o pedal também pode assumir a função de um equalizador com boost. As vantagens de se usar esse pedal dessa forma é que você pode timbrar outros pedais de uma cadeia com poucas opções de controle ( um pedal com 01 único botão de tone, por exemplo).
Além dessa função inesperada você pode trabalhar nos meios termos, enquanto divide o sinal limpo com o distorcido. No pouco que testei não consegui grandes coisas, mas cada um faz o seu próprio som e vale a pena experimentar!

Mudando do assunto timbrístico, lembro que esse é um pedal de custo muito bom para as suas muitas utilidades e embora possa parecer frágil ele aguenta bem a porrada. A construção é simples, o acabamento também, a fonte é do padrão Boss e ele pode ser ligado através de uma bateria 9V. Considero de um excelente custo benefício.

O único contra que encontrei no meu pedal é que ao testá-lo notei que o aterramento não estava perfeito. Ele produzia um leve ruído que cessava quando eu encostava na carcaça metálica. Com paciência refiz algumas soldas e o problema cessou totalmente. Pode ter sido um caso isolado, ou não. Se acontecer com você, deixe um comentário pedindo uma força pra que te ajudemos a resolver ou fale diretamente com o Eugênio, que é a pessoa que produz esses pedais na EFX e é um cara muito solícito e amigável.

Deixo claro que este post reflete as minhas opiniões pessoais e não foi um post encomendado ou pago. Pra quem se interessou, você pode fazer a sua encomenda através do site:

http://efxpedais.com/loja/produtos/overdrivesedistorcoes/tube-baby/

Um abraço!

T-Miranda Scream X

Sou apaixonado por overdrive. Não me canso de testar tudo o que aparece na frente. Mas é engraçado gostar tanto de overdrive e até hoje não ter um definitivo. Isso é algo difícil de conseguir. O guitarrista vive em uma eterna mutação. Eu decidi que queria um tubescreamer definitivo. O que eu já postei aqui no blog eu fiz e ficou muito bom, mas quem acompanhou o post sabe que tem alguns pontos que não gosto muito no modelo original. Queria algo melhorado, com a qualidade de um original, true bypass, preço justo e acessível. A pesquisa foi árdua e me encantei com samples, vídeos e descrições do Scream X da T-Miranda. Foi um tiro no escuro e tinha que ser assim. O Brasil é grande demais para correr de loja em loja e provar tudo que é feito aqui e a internet acaba encurtando distâncias. O pedal chegou e a impressão foi boa:

 O destaque vai para a caixa e qualidade da pintura. Caixa de aço muito robusta e vem com uma espécie de EVA/Borracha colada no fundo para o pedal não ficar solto no chão e também para não riscar. A pintura é grossa e brilhante. Não fiz nenhum mal ao pedal, mas com certeza deve aguentar muita porrada sem descascar a tinta. O painel foge do estilo clássico na disposição dos botões onde o TONE se apresenta na esquerda, VOLUME no centro e GAIN na direita. Não sei se foi por estética ou por motivo de traçado de circuito da placa, que termina diretamente soldada nos potenciômetros do pedal. Existe uma chavinha que nos modelos novos comuta entre “Drive” e “Fzz” pelo que dá para ler. No Drive o pedal funciona como um tubescreamer normal. Chaveando para Fzz ele ganha bastante volume e uma saturação mais leve com um som mais para o médio/agudo e metálico. Realmente algo “Fuzz” só que muito leve e modesto. Satura um pouco nas notas tocadas com mais força. Gostei muito da opção e do leve rasgado que o som dá nessa opção em ataque de notas.
 Falando só de som…
O pedal como o fabricante informa é baseado no clássico TS808 com algumas melhorias. Melhorias que eu senti:
O pedal tem um bom equilíbrio na equalização. Tem graves bonitos e presentes, médios moderados e agudos polidos e “molhados”. A principal melhoria em relação ao circuito original foi essa, uma vez que o original é muito carregado nos médios para o meu gosto.
Outra coisa bacana é que o pedal soa mais limpo e o original satura já macio mesmo com o ganho no zero. Ao tocar com calma nas cordas o som é muito limpinho e vai saturando conforme o ataque. Essa característica vi pela primeira vez no Blues Driver da BOSS e gostei muito. Nunca imaginei um tubescreamer assim e adorei o upgrade.
O controle de tone foi melhorado. No TS original ele praticamente não atua e só altera mesmo o som bem no final. Aqui foi melhorado, mas ainda pode ser aperfeiçoado pois também leva um leve traço dessa resposta mais para o final.
Posso estar errado, mas senti que em relação ao TS original ele tem um pouco menos de drive.
Falando de construção interna…

Já vi pedais só pintados por fora. A caixa foi “mergulhada” na tinta, que existe por dentro na mesma proporção e qualidade da parte externa. Já fiz pedais em que só pintei a parte de fora. Mas usei caixas de alumínio então não me preocupei muito. A chave de bypass é de grande qualidade e está ligada por grossos fios ao circuito. Achei o fio do conector da bateria muito fino e frágil e é a única coisa que eu pensaria em melhorar na construção do pedal. Existem outros conectores com fios mais grossos e resistentes no mercado.
Os jacks também são de alto nível e não dão mal contato. A placa em fibra de vidro tem acabamento profissional com padrão industrial.
Não vou entrar em discussões sobre a resina na placa por cima do circuito. Comprei, gostei e vou usar o pedal. Tenho algum entendimento de eletrônica, mas nada que me desperte o interesse em modificar ou copiar o trabalho feito no pedal. Um pedal dificilmente estraga, e se isso acontecer tem a vantagem do fabricante ser nacional. O contato com o fabricante foi fácil e o envio rápido. Acredito que a assistência técnica deve manter o mesmo padrão de qualidade. Para fechar, um led azul no lugar do vermelho fechava o visual do aparelho. Mas aí é gosto, não conta!
Juízo final:
O pedal custa menos da metade do que o mercado brasileiro pede em um Tubescreamer original. No meu caso o custo x benefício foi ótimo e o pedal compete tranquilamente com qualquer outro e até mesmo com os originais. Encontrei nele o meu Tubescreamer definitivo. É claro que vou continuar fuçando e provavelmente virei a ter outros pedais Screamers pois é da minha natureza guitarrística essa busca sem fim. Mas esse me convenceu e do meu set não sai.
Segue aqui um sample gravado com uma Fender Strat Deluxe Players:

Nuts Parte II

Demorei uma semana para a continuação do post pois queria esperar a minha guitarra ficar pronta para buscar no luthier e assim conseguir aprofundar o assunto roller nut. Já chego lá!
O roller nut foi criado para resolver alguns problemas que existiam com os nuts normais. A ideia era eliminar o atrito e assim manter melhor a afinação, principalmente na utilização do tremolo/alavanca. Os primeiros protótipos foram desenvolvidos pela Wilkinson na década de 70 e um dos pioneiros a utilizar e difundir o produto foi o guitarrista Jeff Beck.

A versão da foto acima foi a primeira que existiu e apoiava as três primeiras cordas em roldanas enquanto as cordas mais agudas ficavam em um suporte metálico. O nome do primeiro roller nut criado foi Wilkinson Split Nut, sendo descontinuado em 1987. O primeiro, assim como os outros “melhorados” que foram lançados equiparam as primeiras Fender Stratocaster Plus Series. A marca lançou outros modelos que ainda existem no mercado onde todas as cordas são apoiadas por roldanas:
A criação realmente resolveu o problema de muitos guitarristas que passaram a ter mais estabilidade na afinação e um uso tranquilo da alavanca sem desafinar o instrumento. O problema é que estes roller nut não suportavam grandes calibres de corda e normalmente paravam no 0.010. Outro fator negativo foi que com a pressão das cordas e o tempo, o eixo das roldanas se deformavam e elas não giravam mais tão soltas quanto antes, assim voltando ao velho problema que deu origem ao desenvolvimento da peça.
A fender depois de estabilizar no mercado de construção de instrumentos, passou a apostar no desenvolvimento de peças e acessórios. E assim foi até que em 1993 lançou o seu próprio nut turbinado que recebeu o nome Fender LSR Roller Nut.
Com uma construção maciça em metal, a peça agrega dentro dela esferas de aço que “seguram” a corda e rodam dentro da cavidade quando a guitarra é tocada/afinada. A peça além de ser menor e mais bonita, resolveu o problema de calibres suportando cordas de 0.008 a 0.056. O problema do desgaste também foi resolvido. Basicamente pegaram no conceito dos rolamentos normais e colocaram na guitarra. O desgaste é praticamente zero, uma vez que as esferas duram anos em um rolamento normal de uma máquina que faz milhares de giros por minuto. Basta pensar que para elas girarem tudo isso em uma guitarra seria preciso anos tocando ininterruptamente para começar a ter algum desgaste relevante. É uma peça para a vida toda. Ela ainda pode ser lubrificada com umas gotinhas minúsculas de óleo para máquina de costura. 
Falei no post anterior sobre o nut de latão. Tenho uma tagima TG-635 das mais antigas que veio com nut de latão. E foi com base nela que afirmei a durabilidade e estabilidade do material para nut de guitarra. Levei na passada semana a guitarra para o meu luthier instalar um roller nut no lugar do nut de latão. Não estava insatisfeito com ele, pelo contrário. Acontece que a guitarra em questão é a minha “xodó” e eu quis presenteá-la com uma regulagem completa, troca de parafusos por inox, e um moderno sistema de nut. Por causa do seu madeiramento configurei a danada com um padrão mais rock. Levou um set de captadores mais fortes e transformei em uma strato com som mais encorpado. O resultado do passeio não poderia ser outro:

 O luthier caprichou e a instalação fico perfeita. O nut se comporta bem e ela segura a afinação tão bem quanto com o nut de latão. Foi um upgrade um pouco “preciosista” devo admitir. Não notei grande diferença no som para ser sincero, mas os bends realmente ficaram mais macios como já haviam me informado antes. Para quem usa alavanca é uma beleza, segura legal. Para quem não usa e pensa em ter bends mais leves é uma boa opção. Além de todas as vantagens que falei, o sistema permite uma fácil troca de cordas e de calibres. Você pode ir de um 0.08 para um 0.011 sem trocar nada na guitarra. Não esqueça de mandar sempre regular a sua guitarra quando for trocar o calibre das cordas. Se for colocar no papel o custo para trocar um nut de osso ou outro material sempre que quiser mudar a bitola das cordas, mais vale pagar um pouco mais e ter um definitivo que suporta praticamente todas as cordas que existem.

Nuts Parte I

Vou dividir em dois posts o tema “nuts” começando pelo básico. O “nut” ou “pestana” é responsável por apoiar as cordas que “saem” das tarrachas sobre a escala da guitarra. É uma peça pequena e barata que pode modificar demais o desempenho do instrumento. Um nut mal feito e/ou mal instalado pode gerar vários problemas como desafinações constantes, quebras de cordas, instabilidade e/ou impossibilidade de ajuste de oitavas, trastejamentos, ação muito alta, distância inadequada entre as cordas ocasionando um desgaste irregular dos trastes. É engraçado como uma pecinha tão pequena que ninguém nota pode dar tanta dor de cabeça. Não faço o post por ter passado por problemas com isso, mas por ser um assunto interessante e relevante na troca de experiências. Não vou divagar sobre os vários tipos de materiais que são utilizados para fabricar um nut. Vamos falar só dos mais conhecidos e utilizados:

Plástico: Muito utilizado em violões com corda de nylon com bom desempenho. Nas guitarras é encontrado em instrumentos de baixo custo e não duram muito tempo. Particularmente não sinto grande diferença no som com diferentes tipos de nut, por isso não vou levantar muito essa questão pois isso é bem pessoal. Devo admitir que não levo muita fé nos nuts de plástico e não discordo quando dizem que os de plástico dão uma sonoridade abafada. Lembrando que só com a corda solta podemos sentir estas nuances entre cada tipo.

Osso: O material mais utilizado nas guitarras. É um material duro e o desgaste é pequeno. Normalmente prendem um pouco as cordas e gera uns estalos ao afinar e devem ser lubrificados. Uma dica é afastar as cordas e passar um lápis bem afiado ou uma lapiseira fina nas ranhuras das cordas como na foto:

Grafite: Sempre ganhando seguidores. É feito em um material auto-lubrificante e tem um desempenho destacado por praticamente não oferecer resistência, assim mantendo bem a afinação do instrumento. Nunca utilizei mas sei que dura bastante. Não tanto como o osso, mas ainda assim bastante durável. É muito apreciado por guitarristas que fazem um uso moderado do tremolo. Me corrijam se estiver errado, mas acho que pela própria característica do material ele só é encontrado na cor preta.

Latão: Falo com propriedade que é um dos melhores materiais para se fazer um nut. Perfeito Custo x benefício. O latão é muito barato e apesar de ser um metal é mole o suficiente para que a tensão das cordas consiga “acamar” as mesmas nos vincos. Segura muito bem a afinação e nunca notei estalos ao afinar. Tenho em uma das minhas guitarras e nunca lubrifiquei. As cordas sempre rodaram bem soltas. Não sou um guitarrista que usa alavanca e não sei até onde consegue-se bons resultados com um nut de latão e tremolo. De qualquer forma vale lembrar que o guitarrista Yngwie Malmsteen tem nuts de latão em suas guitarras e usa bastante o tremolo nas suas execuções.

Na continuação “Nuts Parte II” vou falar sobre roller nut.

Até lá!

Fonte ATX para bancada

Faz um tempão que quero mostrar para a galera uma gambiarra que já me ajudou muito. Basicamente é a adaptação de uma fonte ATX de computador para servir como uma fonte de bancada. Ela pode ser útil para inúmeros testes e também pode ser utilizada como fonte definitiva para alguns equipamentos domésticos e até mesmo para carregar celulares.
Não vou entrar em detalhes sobre as correntes pois vai variar muito da potência da fonte que for utilizar. Mas em resumo… Mesmo as bem baratinhas e fraquinhas dão muito mais corrente do que nós realmente vamos usar. As mais simples conseguem dar 10A nos 12v para ter uma noção. Para o que normalmente usamos no dia-a-dia chega e sobra. Normalmente as fontes de pc têm sempre 3 tensões:
12v, 3,3v e 5v. Todas elas com bastante corrente. Também vem com -12v que não passa de 500mA mas que serve perfeitamente para testar circuitos de pedais com ampops com alimentação negativa. Existem esquemas na internet para modificar o circuito e assim ter tensões mais elevadas. Não recomendo tentar pois as modificações não são muito seguras e a fonte pode em uma falha soltar mais de 30v na saída e aí você queima tudo que estiver ligado nela. As fontes mais antigas necessitam de uma carga resistiva para permanecerem ligadas e os primeiros mods indicavam o uso de um resistor bem grande para isso. Nas fontes novas não é mais necessário e só a ligação correta dos fios faz ela trabalhar direitinho. Vamos ao mod:

A fonte por dentro é bem organizada e não tem muitos fios. A fiarada fica mesmo é para fora e termina nos bornes de conexão de hd e demais dispositivos que um computador precisa. Escolhi a grade traseira da fonte para montar o painel como podem ver na foto.

Para quem chegou até aqui e ficou curioso em como fazer, segue o esquema:

Só quero alertar para uma coisa… Não coloque a mão na fonte se estiver na tomada, nem tente testar ela aberta. Se você não tem conhecimentos para fazer o mod, leve para alguém que tenha. É muito simples fazer, mas o risco sempre existe.
A fonte vem com muitos fios e eu cortei quase tudo. Não tem nenhum fio para fora. Coloquei aqueles dadinhos de parafusos com os leds adaptados. O bacana da fonte é que além de dar três tensões com correntes altas e super estabilizadas, ela também já vem com proteção contra curto que faz ela desligar e assim elimina o uso de fusível.. A maioria das fontes ATX de computador funcionam em qualquer tensão de rede elétrica e são super versáteis por operar em qualquer lugar.

Tudo soldado e organizado bem bonito, é só fechar e testar. Uma fonte assim custa uns 30/50 reais. Para quem quer testar pedais, pode fazer um circuitinho com um regulador de tensão de 9v. Não é o ideal pois 12v é pouco para entrar no regulador, mas para testes é suficiente.