Fender 5e3 – Raphael Lascowski

front

Todos que acompanham o blog sabem como eu gosto de construir coisas e trabalhar com eletrônica. Mas também tenho amigos que possuem os mesmos gostos e sempre trocamos informações sobre isso. Neste mês comparilho com vocês a construção de um cabeçote baseado no famoso Fender 5e3.  Desafiei o meu amigo Raphael Lascowski a replicar de forma integral o circuito deste clássico da Fender, todo ponto a ponto, de forma simples e o mais rústica possível. Ele topou a brincadeira e tempos depois me ligou para conferir o resultado.

back

Para quem não conhece, o Raphael Lascowski é de Curitiba e vem fazendo excelentes réplicas de amplificadores valvulados. Além de um trabalho muito caprichoso, ele utiliza componentes selecionados e tem o cuidado de medir um por um para colocar nos circuitos. Neste amplificador por ser um clássico ele não sossegou enquanto não encontrou todas as válvulas originais para reproduzir com fidelidade o circuito sugerido.

tubesO resultado de todo esse esforço se traduziu em um som impecável. Os transformadores são de produção nacional e se mostraram à altura do circuito.

Como a brincadeira era criar algo extremamente simples e robusto o Raphael decidiu fazer uma construção ponto-a-ponto sem placa, mas com réguas de terminais.

inside

A construção desta forma permite substituições, ajustes, mods e upgrades com uma facilidade enorme. Apesar da simplicidade este exemplar ficou um dos mais silenciosos que já toquei. Mesmo sem aterramento adequado ele não tem ruídos. Fizemos testes com e sem aterramento e os resultados foram excelentes.

Apesar de eu não ser o “Mago” da vez, me interessei de tal forma pelo projeto que decidi estudar mais o circuito. Foi nessa brincadeira que acabei encontrando um site que é uma bíblia sobre o 5e3 e tem todo o tipo de informação possível. Para quem tem, para quem quer ter, para quem quer montar ou então para quem apenas quer adquirir conhecimentos como é o meu caso. Você pode conferir clicando AQUI o site Rob Robinette´s.

Uma das informações mais legais que pude recolher é sobre uma modificação chamada “Switched Negative Feedback”, uma das mais recomendadas do site. O circuito original tem uma dose grande de graves, casando assim com os speakers da época. Hoje em dia a maioria dos speakers possuem muitos graves e com algumas guitarras esse amplificador pode ficar com o som embolado demais. Com uma pequena chave, um resistor e dois fios você pode alternar entre o original e mais duas opções que cortam significativamente os graves e deixam o som bem equilibrado com equipamenos contemporâneos.

Como não poderia faltar, fiz um modesto e pequeno vídeo mostrando as possibilidades sonoras do pequeno gigante 5e3. Aqui vai:

Deixo aqui o contato do Raphael e também fotos de outros projetos feitos por ele. Além de amplificadores ele também faz gabinetes nos mais diversos materiais e acabamentos:

Raphael Lascowski – raphael.lascowski@gmail.com

2016-09-07-07-13-042016-09-07-07-13-082016-09-07-07-53-31-32016-09-07-08-01-14-22016-09-07-08-01-15

TC Electronic – Viscous Vibe

Sempre quis ter um pedal um pedal de “vibe”, mas foi o tipo de efeito que sempre adiei a aquisição graças ao meu vício em overdrives. Cansado dos pedais soltos, montei um pedalboard “definitivo” e antes mesmo de ter todos eles já havia calculado espaço para tudo o que eu queria. Na hora de montar corri atrás do Vibe que me faltava por todos estes anos. Após uma boa dose de pesquisas, o pedal que mais atendia ao leque de sonoridades que eu procurava era o Viscous Vibe da TC Electronic.

vibe

Com quatro ajustes no painel e três modos de efeitos, o pedal vai de um Vibe delicado ao extremo som de Jimi Hendrix. O vibrato é muito macio e profundo. Como a proposta principal do pedal não é ser um Chorus, a função é legal, mas limitada e com poucas possibilidades de ajuste no painel.

O legal do pedal é que vem com a mais nova função “TonePrint” e pode ser ligado por USB ao computador para o usuário criar um ajuste fino e presets que atendam especificamente as necessidades de cada um.

tone

As possibilidades de ajustes são enormes e cada uma muito atuante. Pode-se fazer seus próprios presets e também utilizar os sugeridos no aplicativo, desenvolvidos por guitarristas parceiros da TC.

A única coisa chata é precisar ligar o pedal em um computador, o que permite apenas ajustes em casa. O ideal é ajustar em estúdio, com bom volume, de preferência com a banda junto para dar um destaque legal na Mix. Uma possibilidade é fazer isso com um notebook (mais uma tralha para carregar).

Para quem pode e gosta de efeitos ainda mais destacados, o Viscous Vibe assim como muitos pedais de modulação, vem com entrada e saída Stéreo, o que dá um efeito muito legal de deixar qualquer um tonto.

Para mim hoje a TC Electronic é a Apple das marcas de pedais, procurando sempre o melhor da tecnologia, sem esquecer os conceitos básicos e características que os guitarristas procuram em um equipamento. A construção dos pedais é sempre primorosa, com componentes de grande qualidade e muita robustez no produto final. No Viscous Vibe não poderia ser diferente:

inside

O pedal é todo construído em formato SMD. O bypass da TC já é famoso por ser feito com relés, ser extremamente silencioso (sem click algum), e em alguns efeitos como os de modulção (Incluindo este), quando o pedal é desligado o efeito faz um Fade Out agradável de aproximadamente 2 segundos, evitando uma quebra muito forte no tipo de som da guitarra.

Por ser feito com relés (no caso do Vibe dois por ser Stéreo), o switch que pisamos não é o tradicional DPDT ou 3PDT, e sim um Momentary Switch, que tem um tempo de vida útil muito maior que as chaves comuns. Dura tanto quanto uma tecla de computador, e nunca vi até hoje um dar problema.

Além do True Bypass, você pode escolher se usa ou não um Buffer disponível no pedal que pode ser ligado e desligado através de uma chavinha na parte traseira quando se abre o pedal. Na minha configuração atual já existe outro pedal com buffer então deixei desligado, mas testei em outras oportunidades e é muito bom.

Para quem procura um equipamento moderno, muito bem constrúido, silencioso e que leva muito em conta a qualidade do som da guitarra, os pedais da TC Electronic vão te introduzir a um novo conceito de efeitos para guitarra.

Deixo aqui um sample que gravei do simpático Viscous Vibe:

 

Treble Bleed

bleed

Nos últimos dois meses me dediquei a dar um trato na elétrica de todas as minhas guitarras. Sou um amante de stratocaster e este até o momento é o único modelo de guitarra que tenho em casa. Por gostar tanto desse desenho e suas características, sempre procurei saber mais sobre o assunto. Um certo dia um amigo me pediu que instalasse dois componentes que ele tinha visto na internet que se colocados no potenciômetro de volume impediam que a guitarra perdesse definição com o volume reduzido no Knob. Na época ele me trouxe o escudo da guitarra apenas, e assim o fiz. Não cheguei a testar pois só me veio um pedaço da guitarra, e também não me interessei em fazer nas minhas pois estavam com as cordas instaladas e a preguiça tomava conta do meu corpo.

Recentemente todas as minhas guitarras precisavam de um up geral: Uma que estava com componentes novos e antigos misturados que já apresentavam desgastes, outra que foi totalmente restaurada e uma que precisava ter os potenciômetros substituídos pois eram lineares, inviabilizando qualquer tipo de ajuste do instrumento.

Adquiridas todas as peças, tratei de pesquisar vários esquemas de ligação para strato, mas acabei fazendo o clássico mesmo nas três pois me atendia muito bem. Nessas voltas vi como hoje o pessoal instala e divulga muito mais aquelas duas pecinhas que coloquei na elétrica do escudo que o meu colega me trouxe.

O nome mais comum é Treble Bleed. Consiste em um capacitor e um resistor em paralelo formando um circuito passa-banda que permite que as frequências mais altas “passem”, mesmo quando retiramos o volume da guitarra no knob. Geralmente são trançados um no outro para facilitar a instalação.

bleed

É uma solução muito comum para as Telecasters, mas igualmente útil em stratos e outras guitarras com Single-Coils. Captadores single são muito brilhantes e quando há algum tipo de corte de agudos (no caso do potenciômetro de volume), o instrumento fica sem brilho e parece que o som morre. Existem várias discussões na internet sobre o “usar ou não” o Treble Bleed. Muitos dizem, com alguma razão, que esses componentes podem alterar a impedância de saída e modificar a sonoridade da captação. Considero verdade, em parte.

Quando o potenciômetro está com o volume no máximo o circuito não atua e não interfere na saída dos captadores. Fiz vários testes e medições com e sem o Treble Bleed e o resultado foi sempre o mesmo com o potenciômetro no máximo.

Mas quando tiramos volume, altera?

Sim, altera, mas nesse caso a opinião auditiva é mais relevante. Para mim o instrumento só ganhou com isso. Não perdeu brilho e nem qualidade na resposta dos captadores. Permite dinâmicas maravilhosas com overdrives e distorções mais pesadas.

É preciso por na balança: Colocar um Treble Bleed e usufruir do instrumento em todos os volumes ou não colocar e ter de usar a guitarra com o volume sempre no máximo para não se perder brilho.

Penso que muitas pessoas acabam não gostando dessa mod pelo que vou falor agora: Os valores dos componentes. É preciso testar sem preguiça até encontrar a melhor relação.

Existe na internet muitos valores diferentes e todos prometem o mesmo. Mas como saber qual valor de capacitor e resistor ficará legal com a minha captação? Testando. Foi o que eu fiz. Você tem duas opções:

Com alguns centavos testar inúmeras combinações, ou pagar em média 10 Dólares em um circuito de Treble Bleed ajustável.

adjust

Eu ainda prefiro a primeira opção. Dá mais trabalho, mas além de ser muito mais barata te dá a oportunidade de descobrir cada vez mais o seu instrumento, sem contar que a opção variável tem apenas o valor do resistor ajustável e o capacitor você teria que trocar de qualquer maneira até achar o valor ideal.

Com base nos testes que fiz, vou apenas dar uma SUGESTÃO dos valores que testei e que casaram com as minhas guitarras:

Resistor 100k – Capacitor 1,5nF – Para captadores single com saída padrão mais alta (modernos) – Exemplo: Sergio Rosar Vintage Hot

other

Resistor 220k – Capacitor 470pF – Para captadores single com saída padrão mais baixa (antigos) – Exemplo: Custom 69

3

Os resistores utilizei de Metal Filme e os capacitores que deram os melhores resultados foram os Cerâmicos e os Silver Mica.

Estes sãos o valores que eu testei e deram uma resposta muito boa em cada captação. Para quem tem medo ou receio, ainda é possível montar de forma provisória o circuito com garras “jacaré” para ver se gosta, ou até encontrar o seu valor ideal. Há quem prefira montar com um pequeno switch no escudo ou trocar um dos potenciômetros por um “push-pull” para desligar a mod quando der na telha.

Lembrando sempre de cuidar para soldar tudo sem comprometer os fios já soldados no potenciômetro de volume pois eles são extremamente importantes.

4

Recomendo!🙂

 

Mooer Blues Mood

bluesmoodHoje vou trazer um pedalzinho muito bacana que entrou no meu set no final do ano passado. O Mooer Blues Mood. A marca vem fazendo pedais muito legais em formato miniaturizado para facilitar a instalção no pedalboard, aliviando no tamanho e peso da tralha que o guitarrista precisa carregar.

pedalsO Blues Mood nada mais é que um Blues Driver (BOSS) em formato mini já com a chave de FAT mod que a turma adora fazer no original. Tenho o da BOSS e já comparei. O blues driver me pareceu ter menos ganho. O Blues Mood é mais agressivo, e curiosamente só entrega legal o som quando o volume (level) está da metade para cima. Para mim acabou limitando o pedal apenas para solos, pois só senti que o som ficou realmente bom com bastante volume, o que em bases fica inviável e você acaba encobrindo a banda em um momento que não há necessidade disso.

Ainda assim é uma diversão e tem possibilidades enormes de sonoridades. Vai de um clean muito dinâmico até um Fuzz bem rasgado com o ganho no máximo.

in

Por ser um pedal tão pequeno não poderíamos esperar outra coisa. Ele é 100% feito com SMD. Em alguns pedais fica muito evidente, nesse não senti que tenha sido uma desvantagem e o projeto original não perdeu as características orgânicas do overdrive da BOSS. Os potenciômetros são miniaturizados também e extremamente frágeis. É preciso cuidado no uso para não quebrá-los. Tirando essas inevitáveis fragilidades, o pedal é bem robusto. Feito em uma boa caixa de metal, aguenta bem as pisadas e não apresenta nenhum padrão anormal de ruído. Muito silencioso e traz mais um upgrade que os BOSS não têm, o True Bypass.

Apesar do preço não ser muito distante do original, é uma ótima opção para quem quer algo compacto e que não precisa ficar modificando para compensar pequenas imperfeições que o Blues Driver traz de origem.

Um pouco do que o pequeno Blues Mood é capaz de fazer:

 

Golden Stratocaster – A Reforma

Nunca fui um fanático por instrumentos antigos. Sou um grande apreciador, mas tenho um TOC de sempre substituir componentes gastos ou em evidente oxidação. Um instrumento realmente vintage na minha mão seria um teste de autocontrole imenso. Mas é possível encontrar instrumentos nem antigos demais, nem novos demais. Pelo meio do caminho por assim dizer. Foi o caso dessa guitarra nacional Golden Stratocaster que chegou a minha porta como um cão abandonado, totalmente inesperada. Um belo dia um amigo a levou em um ensaio e me pediu para tocar e dar a minha sincera opinião.

A1Não conhecia essa série de guitarras. Se não fosse esta me chegar em mãos jamais saberia da história. Confesso que não acompanhei a história dos intrumentos nacionais. Em um primeiro momento ele me disse ser uma guitarra antiga, sem saber dizer com precisão o ano ou década. Mas isso pouco importava. Toquei e achei que a guitarra tinha um potencial enorme. Apesar de um hardware muito fraco e já deteriorado, notei que as madeiras pareciam boas e com um acabamento bem feito. Depois de ligar a guitarra no tal ensaio e verificar que para um instrumento naquele triste estado ela tinha um somzão, antes de fazer qualquer tipo de proposta resolvi buscar informações para saber que instrumento era aquele. Até então não sabia que iria ficar com ela, e meu amigo também não tinha oferecido, só pediu uma opinião e eu dei. Busquei na internet até encontrar mais informações. Basicamente são guitarras do final da década de 80, início da década de 90. Até onde consegui descobrir as dos anos 80 seguiam as especificações de madeiras da fender: Alder, Maple e Rosewood. É o caso da minha. A partir da década de 90 ainda fabricaram este modelo (medidas e headstock) mas passaram a utilizar madeiras nacionais como Marfim para o braço. Também soube que os modelos com acabamento sunburst eram normalmente em Alder e modelos em cor sólida compensado. Antes de ficar com ela verifiquei e contrariando as previsões, este exemplar é feito em 3 peças coladas de Alder. Na parte de trás a tinta descascou bastante e deu para ver em dois ângulos que tratava-se de madeira maciça, fato confirmado posteriormente pelo luthier que realizou a reforma. A guitarra estava bastante castigada pelo tempo, mal armazenamento e manutenção.

A4Algumas peças estavam já muito comprometidas. O Nut além de ser de plástico já havia sido alargado demais e os encordamentos normais ficavam tão colados nos trastes que o antigo dono colocou um palito de dentes por baixo para manter as cordas suspensas sobre a escala. O escudo e as capas dos captadores receberam do último proprietário (meu amigo) uma folha de madeira fina colada no plástico, mas sem nenhum tipo de acabamento. A ponte além de ser uma peça chinesa de péssima qualidade, estava completamente tomada pela ferrugem. Saddles e parafusos. Os parafusos dos saddles já nem tinham mais cabeça para a chave. O bloco era de zinco, fino e já tinha uma rachadura. Além disso, quando fui tirar as cordas só consegui remover as bolinhas das cordas com um alicate pois com o tempo elas ficaram presas dentro do bloco.

A3

As tarraxas eram muito fracas e algumas estavam totalmente presas. A elétrica era toda original. Os potenciômetros e chave não eram propriamente ruins e para a idade da guitarra não apresentavam nenhum tipo de ruído, o que me impressionou positivamente. Os trastes estavam totalmente gastos e não era mais possível ajustar a escala. Só dava para aproveitar as madeiras. A captação cerâmica fazia o trabalho sem ruídos, mas era pobre de tudo. Resumo da ópera. Não adiantava limpar, dar um tapa. Era preciso uma reforma completa para por esse instrumento soando bonito. Para qualquer um seria uma loucura comprar peças de qualidade para essa guitarra, mas acreditei e fui até o fim. Foi um projeto realizado com muita calma, e durou quase 2 anos para ter todas as peças e fazer acontecer.

A primeira coisa que separei foi a parte elétrica:

kit

O kit elétrico escolhido foi da stewmac com 3 potenciômetros Alpha 250kA, uma chave CRL 5 Way, Jack, Capacitor Orange Drop e fios.

Os captadores assim como a guitarra também são nacionais. Confesso que comprei em uma oportunidade, mas casaram lindamente com a guitarra:

captadores

Um trio de Malagoli Custom Alnico Blues. Nunca tinha utilizado captadores da marca. Nota 10, tão bons quanto outros importados que já usei.

As tarraxas também comprei em uma oportunidade, não foi proposital a cor mas também casou com o visual:

tuners

Um jogo Gotoh Cosmo Black ficou mais bonito do que eu imaginava e garantiram uma afinação impecável.

A ponte foi o maior problema de todos. Por ser chinesa, não bate nem na furação, muito menos no tamanho dos saddles com os padrões normais de Stratocaster. Nessa parte contei com a preciosa ajuda de duas figuras muito importantes:

O Carlos Manara, que me fez um bloco de aço de grande qualidade, e também fez a base da ponte idêntica à original, mas de boa qualidade e novinha em folha e sem ferrugem.

O Oscar Jr (do excelente blog Louco Por Guitarra), que me conseguiu os saddles da Callaham na medida que precisava.

E assim foi possível montar uma ponte fantástica, que fez uma diferença gigantesca no som final.

9

O bloco além de ser em aço maciço, segue o padrão vintage com as bolinhas no topo, passando um maior comprimento da corda por dentro do bloco.

5

Os trastes já não davam conta de mais reformas e foram substituídos pelos Stewmac 148. A escala foi toda lixada e novamente hidratada. O braço ficou como novo.

4Além das tarraxas pretas super bonitas, essa guitarra recebeu um Nut de latão que deu um som metalizado interessante nas cordas soltas, além de ter ficado chamativo depois de polido.

3

Este belo trabalho de restauro foi realizado pelo meu amigo Carlos Eduardo Luthier em Curitiba. Além de muito caprichoso, é um cara super gente fina e constrói violões de encher os olhos (e ouvidos).

1

Para fechar a brincadeira o escudo também foi lixado e recebeu uma hidratação para que as cores da folha de madeira ficassem bem vivas. Valeu os quase 2 anos de espera e o desafio de restaurar uma guitarra de 450 reais que ficou com qualidade superior a de muitos instrumentos importados disponíveis que custam muito mais. Lembrando que uma das principais vantagens que vi em fazer isso em uma guitarra antiga foi na qualidade e estabilidade das madeiras. No dia em que busquei no luthier estava um calor enorme na cidade, e no dia seguinte a temperatura caiu bastante. O braço extremamente estabilizado não se movimentou e a guitarra permaneceu com a afinação inalterada. Segura absurdamente bem a afinação.

Sim. Foi loucura e poucos aceitariam gastar mais do que o valor da guitarra para ter ela operacional outra vez. Sim, valeu a pena e todas a descobertas que o processo proporcionou.

Não poderia deixar de comemorar com um vídeo da menina em ação:

Amplificador: Fender Blues Junior

Overdrive: Tubescreamer TS9

Vibe: TC Electronics Viscous Vibe

 

 

Stratocaster Rewiring

Já fazia um bom tempo que uma das minhas guitarras pedia uma reforma na parte elétrica. Uma guitarra de 2002, que a última vez que lembro foi trocada a chave seletora em 2005 pois a original era muito fraquinha e já tinha entregado a alma ao criador. Como foi por muitos anos a minha única guitarra, nunca abri para cuidar da elétrica dela, confiando sempre aos luthiers por onde ela andou. É verdade que não fizeram um trabalho ruim, mas foram substituindo as coisas que iam estragando assim no escuro. O resultado foi uma elétrica genérica com potenciômetros diferentes entre si, bem como fios de cores e espessuras diferentes. Resumindo, um carnaval.

FullSizeRenderComo se passaram mais de 10 anos e a guitarra em questão também mudou de país, de casa várias vezes, meses atrás abri apenas afrouxando as cordas e colocando um limpa-contato na chave que já dava ruído ao trocar de captadores. Por fim resolvi refazer toda essa bagunça e por tudo novo da minha maneira. Como é possível ver na foto, além da inconsistência de componentes, aparecem pontos brancos parecidos com poeira na parte preta do escudo. São fungos. A umidade tomou conta de tudo e embora não apareça na foto, os potenciômetros e principalmente a chave seletora escureceram muito o metal por causa disso. Retirei tudo e fiz uma limpeza no escudo e também no interior da guitarra. Hoje moro em um lugar onde não sofro com esse problema, então sei que esta reforma vai durar.

Com as peças em mãos comecei a pesquisar a melhor maneira de montar tudo de uma forma caprichada e o mais limpa possível. Foi quando me deparei com um trabalho de elétrica de luxo do Emerson Custom:

emerson

Muito interessante a qualidade das peças e também o capricho na construção. Um kit como o da foto “Plug and Play” custa em média 75 dólares. Como já tinha as peças e não estava disposto a dar nenhum centavo por algo montado me inspirei nesse rico trabalho e o resultado foi muito interessante.

2

Para quem tem interesse em realizar esse procedimento ou apenas estudar, aqui fica o modelo de ligação para Stratocaster que usei:

2001

Achados do Gambiarras

Em alguns Achados do Gambiarras anteriores tentei trazer um site informativo sobre pedais da Boss que era um dos mais completos que eu conhecia. O Boss Area. Tentei muitas vezes entrar no site e nada. Até que descobri que o site foi desativado. Lá existia uma lista completa com praticamente todos os modelos de pedais da Boss e em cada um informações históricas e técnicas, além de fotos e detalhes sobre versões. Era o paraíso para quem queria saber tudo sobre um pedal da Boss. Do seu consumo de corrente até descobrir a data de fabricação a partir do Serial. Infelizmente o site acabou. Mas algumas almas caridosas se uniram e criaram algo ainda mais legal, o StompBoxZone. Um site baseado no Wikipedia para catalogar pedais de várias marcas. Conseguiram restaurar o conteúdo do falecido “Boss Area” e ainda adicionaram pedais de outras marcas como MXR e EH. Se a galera abraçar a causa e contribuir, este pode vir a ser o maior portal “wiki” de pedais do mundo e ajudar milhões de guitarristas. Além da parte “wiki” o domínio possui um forum super completo sobre pedais, amps e guitarras. Vale conferir!

logo

Dissecamos o Gamba!

front

É sempre com alegria que coloco neste espaço produtos nacionais que trazem orgulho para o nosso país. Não é o primeiro e com toda a certeza não será o último. Hoje o blog traz o amplificador Gamba desenvolvido pela empresa Gato Preto Classics que aposta em produtos totalmente valvulados, com respeito e inspirado no antigo com projetos totalmente originais. Além da eletrônica ser toda de autoria própria, o design exterior também é pensado para ter uma identidade única.

Assim nasceu um dos produtos da GPC, o Gamba com as seguintes especificações:

30 Watts ou  15 watts

Válvulas de Potência: 2 x KT77 ou 2 x 6L6

Válvulas de Pré: 2 x ECC83S, 1 x EF-86

Entradas: Low e High – Saídas: 4 ohms / 8 ohms / 16 ohms

Voltagem: 110 ~127V / 220 ~ 240V

Controles: Volume, Bass, Mid, Treble, Freq.(Presence), Pepper (Gain)

Loop de Efeitos Valvulado com controle de MIX

head

Uma das coisas mais bacanas é o desenho inspirado em um rádio valvulado antigo, com traços modernos arredondados e um acabamento em uma folha de madeira muito bem finalizada. Em um primeiro olhar parece antigo, mas rapidamente vê-se que é algo novo e com um acabamento contemporâneo impecável. O chassi recebe uma serigrafia bonita e divertida. Alguns controles possuem nomes pouco usuais, o que deixa o amplificador ainda mais descolado. Como exemplo o Stand By, que quando ativado não fica “on” e sim “fun”.

A chave 30w/15w é muito útil não apenas por uma questão de potência, mas a resposta sonora muda bastante, principalmente para quem tem a oportunidade de tocar o bichano bem alto.

A equalização é bastante sensível e te ajuda a encontrar uma gama enorme de combinações e sonoridades possíveis. O som limpo é um dos mais belos que já ouvi e faz jus à citação “entupido de harmônicos” presente no site da marca.

O drive é tímido, de baixo ganho, mas muito robusto. Bonito para solos de jazz e blues mas para bases não achei tão versátil e ainda prefiro um pedal de overdrive ou mesmo um clean boost para dar uma empurrada no do amplificador mesmo.

head back

Na parte traseira encontram-se as três saídas para alto-falante nas três impedâncias citadas anteriormente.

Os primeiros modelos vinham com uma saída de linha, que nesta versão mais recente foi eliminada e deu lugar ao footswitch que permite trocar entre limpo e o controle de ganho que gera o overdrive.

Um loop paralelo passivo com controle de MIX fecha a festa trazendo a possibilidade de utilizar efeitos moduladores como Delay e Reverb.

Bivolt, tem chave para escolher a tensão da rede e a conexão é feita por uma tomada tripolar de painel muito comum em computadores e que traz junto o fusível.

O amplificador não poderia passar pelo blog sem mostrar a sua alma e beleza interior.

Interna

Construído com componentes de alta qualidade como Orange Drops, Silver Mica, Xicon Polypropylene, resistores Metal Oxide. As placas em fibra de vidro de alto padrão com todos os soquetes soldados diretamente fazem da montagem algo muito clean com poucos fios dentro do aparelho. É daqueles raros circuitos que você abre e diz “não tem nada para melhorar aqui” e volta a fechar. Uma produção de primeira que não só compete como bate muitos amplificadores importados que já passaram por aqui. Por ser uma construção toda baseada nas placas, ficou muito compacto e silencioso. O aterramento que se pode fazer em uma placa dupla-face dá um resultado incrível no nível de ruído natural de um amplificador. Quando não se toca nada o bicho fica mudo.

O danado conta ainda com mais uma particularidade. Feito com polarização catódica, dispensa o ajuste de bias. Qualquer um pode substituir rapidamente as válvulas de potência deste amplificador.

Para quem compra o conjunto Cabeçote + Gabinete recebe instalado o FAT12, um alto-falante projeto próprio da GPC.

falante

No conjunto vem tudo o que é necessário para o amplificador funcionar, menos a guitarra.😛

Um cabo profissional Tecniforte para a conexão Head-Caixa faz a ligação campeã que deixa todo mundo feliz. A caixa pode ser utilizada fechada ou aberta, vai do gosto e necessidade de cada um. Por ter um acabamento tão bonito e delicado o amplificador fica sensível a batidas e quedas. A GPC produz e manda junto capinhas de nylon com zíper para facilitar o transporte.

back

Conclusão: Um amplificador totalmente nacional, desenvolvido com bastante carinho e com uma sonoridade muito particular. Não dá para dizer som do quê ele tem. Tem som de Gamba, e é muito bom!

Para quem procura um amplificador parceiro para ensaios, gravações e shows este será um grande companheiro.

Que o mercado nacional continue acreditando, mesmo com tantas dificuldades, e oferecendo aos guitarristas brasileiros o melhor pois nós merecemos. glass

Para fechar um humilde vídeo do Gamba em ação:

Desafio Blues Junior

De todos os amplificadores que tive a oportunidade de montar este foi o primeiro que documentei. Os outros foram construídos muito antes da existência deste blog e infelizmente não fiquei com registros para publicação. Quando comprei o meu Blues Junior falei dele aqui e também das modificações possíveis para conseguir o máximo deste pequeno gigante. Na época em que fiz as modificações fiquei com aquela pulga atrás da orelha me perguntando se seria muita loucura construir um amplificador baseado neste fantástico projeto, só que totalmente “handmade”. Foi então que mergulhei no desafio e lentamente comecei um amplo estudo sobre o esquema. Dois motivos me impulsionaram. O desafio de conseguir fazer funcionar e a aquisição de conhecimento em eletrônica. Tive muitas dúvidas sobre o sucesso da missão e enquanto não vi tudo funcionando não publiquei nada. Hoje com o protótipo finalizado e funcionando resolvi colocar neste humilde espaço como um incentivo para quem quer aprimorar seus conhecimentos. Não é nenhum projeto impossível, mas os detalhes são determinantes pois as chances de dar errado ou funcionar com uma baita chiadeira são altíssimas no mundo das válvulas.

mesa

Comecei por rabiscos no esquema. É preciso ter atenção nestes projetos pois tanto os amplificadores antigos como os modernos possuem várias versões que os fabricantes foram melhorando com o tempo. Em alguns casos as mudanças são drásticas e é preciso escolher apenas uma delas para montar. Tentar fundir o melhor de dois mundos pode dar muita dor de cabeça.

1

O segundo ponto do desafio foi conseguir um chassi barato, no meu caso uma forma industrial para bolos. Dela saiu um delicioso amplificador. A parte que mais odeio de qualquer montagem é fazer os intermináveis furos das mais diversas espessuras e quando não se consegue o número desejado, vai na mão com uma lima mesmo. É trabalho para dias só furando e limando. O transformador de potência foi produzido em solo tupiniquim e bem dimensionado faz o seu papel com maestria. O de saída aproveitei o original do meu amplificador que removi após o conjunto de upgrades que fiz.

placa

A placa foi feita de forma artesanal. Depois de pronta o pepino que eu não previa…. Encontrar todos os componentes necessários. Foram meses de pesquisas e compras na internet para conseguir todos os valores ideais e assim o melhor resultado possível. Alguns componentes possuem valores nada comerciais e foi uma tortura para encontrar, mas tive a felicidade de não utilizar nenhum componente de valor aproximado. Todos bateram certinho e tive o cuidado de medir e escolher os que tinham o valor mais preciso. Sim, foi coisa de maluco.

4

O sistema de reverb foi um dos mais chatinhos de acertar. Em vários pontos do circuito não utilizei cabos blindados como deveria ser. Foi proposital. Primeiro por ser um protótipo e eu queria fazer as coisas de forma rápida. Outro ponto que pesou foi a vontade de dar ao circuito as piores condições possíveis para ver como se comportava. E nisso incluiu até testes malucos no sistema de aterramento que mesmo assim funcionou bem e em momento algum tive problemas com ruídos.

3

O único e mais comum problema que tive foi o da falta de atenção com as ligações. São muitos fios e uma ligação errada compromete tudo, ainda mais em um projeto jamais testado antes. Foi um tiro ao alvo na escuridão.

2

Mas é com alegria que compartilho esse amplificador  “super-gambiarras” que no futuro passará por uma troca de casco e uma melhoria geral nos fios, soldas, soquetes e tudo mais que faltar para torná-lo um senhor de primeira grandeza.

Quero agradecer ao pessoal que deu força para essa pesquisa e assim como eu acreditou que ficaria perfeito. Em breve volto com ele em ação para a apreciação de todos.

Até lá🙂