Achados do Gambiarras

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Faz um bom tempo que não falo de construções e kits aqui no blog. O achado da vez é um site que vende kits de pedais e também de amplificadores valvulados com tudo o que é necessário para montar. O site vende também kits de outros sites de pedais da Europa e dos Estados Unidos. Existe também a opção de adquirir apenas as placas do kit, o que para quem mora no Brasil sai mais em conta. Recomendo todos os kits pois são projetos muito legais e com componentes de ótima qualidade. Fica a dica, e aqui o link.

Fender Blues Junior IV

Quem der uma procurada pelo blog vai ver que tenho uma longa história com esse modelo de amplificador da Fender que em minha humilde opinião vem melhorando a cada nova versão. Este ano a Fender lançou o modelo IV que conta com muitas novidades que considero fantásticas para um dos modelos de menor custo dentro da gama de valvulados da marca.

Aparentemente as versões especiais (Tweed e edições limitadas coloridas) foram deixadas de lado e o foco foi trazer um único produto que reúne tudo de melhor que o tradicional som “fender” pode oferecer.

Esta versão veio apenas com acabamento preto, com medidas ligeiramente diferentes ao antigo modelo.

Blues Junior III:

Medidas: 40.64 x 45.72 x 23.31 cm
Peso: 14.06 kg

Blues Junior IV:

Medidas: 40.8 x 45.72 x 23.31 cm
Peso: 14.3 kg

Uma diferença para o antigo modelo é que ao menos no exemplar que pude verificar pessoalmente, foi utilizado madeira na construção e não aglomerado.

No visual geral, pouco mudou. A única mudança visual foi o painel com a serigrafia muito mais destacada e knobs brancos que são muito mais fáceis de ver a posição em ambientes com pouca luz como um palco.

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Mas as melhores coisas estão por dentro…

Essa nova série já vem de fábrica com um falante Celestion A-Type que casa perfeitamente com esse amplificador. O modelo anterior vinha com um mais genérico e a maioria dos proprietários acabava mudando.

Mas não ficou por aí:

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De todas as versões essa é a mais robusta. Abandonaram as placas em fenolite que eram muito delicadas, e tanto a placa central como a dos soquetes das válvulas são agora em fibra de vidro. Um problema antigo que se tinha com as de fenolite era o de trilhas soltando por causa do calor das válvulas.

O circuito recebeu uma melhoria significativa na resposta em graves, que antes era um problema e obrigava a fazer alguns mods. O amplificador agora já vem com isso corrigido e soa com grande presença.

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Outro motivo de reclamações e mods era o bias que vinha muito alto e não trazia benefício algum para o som, só gastava mais as válvulas. A versão IV continua com bias não regulável, mas com um ajuste de operação muito mais baixo. Basicamente a marca adotou o “27k bias mod” que já era conhecido do pessoal que modifica este amplificador.

A função FAT segue igual adicionando overdrive, com um ligeiro incremento de médios nesse novo update.

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Reverb. Para mim essa foi a maior modificação de todas, e a mais discutível também. O reverb dos modelos anteriores era profundo, bem ao estilo dos grandes amplificadores da Fender. O problema é que quanto mais reverb se adicionava, menos punch o amplificador tinha. O som ia ficando magro demais e perdendo todo o ataque.

Nessa nova versão o reverb é muito mais “raso”, mas em todo o curso do controle o amplificador permanece com a mesma resposta, o mesmo punch. Para muitas pessoas foi um tiro no pé, para o meu estilo de tocar, uma tacada de mestre. De qualquer forma para quem gosta do reverb antigo sempre é possível modificar para ficar como o das versões anteriores. Foi um dos pontos que tocou muito no gosto pessoal. Ou você ama, ou odeia. Na pior das hipóteses pode-se usar um pedal externo de reverb e manter o knob do amp no zero.

Um útimo detalhe que não passa batido foi a gentileza em a partir de agora vir já com o amplificador o footswitch para acionar a função FAT. Muito legal!

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Conclusão:

Recomendo! A Fender não mediu esforços para trazer um amplificador muito melhor, muito mais bem construído e com o mesmo preço do modelo anterior. Para quem procura um valvulado pequeno, com um som muito clean esta é uma das melhores opções dentro dos valvulados mais “baratos” que existem no mercado. Indico para todos, mas nunca esqueçam de testar um antes de comprar. Comprar por catálogo continua sendo uma das coisas mais perigosas que se pode fazer ao adquirir instrumentos musicais.

Achados do Gambiarras

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Infelizmente as mulheres ainda são minoria no nosso mundo da guitarra, o que é uma pena! São inteligentes, dedicadas e com sentidos muito sensíveis. Recentemente me chegou através de um amigo a indicação de uma grande mulher que desde 1994 presenteia o nosso mundo com maravilhosos pedais handmade.

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Ela se chama Fran e desenvolve os circuitos, solda e finaliza os pedais de sua marca, a Frantone.

Não tive a oportunidade de tocar em nenhum pedal da marca, mas tenho a certeza que pelo carinho, originalidade e dedicação, são maravilhosos!

Mais do trabalho desta grande mulher você pode conferir (e comprar) aqui.

Comparando Guitarras

Não há nada mais divertido do que um bom final de semana com os amigos em um estúdio recheado de guitarras para tocar. Foi assim sem pretensão alguma que tive a oportunidade de experimentar diversos instrumentos, dos mais variados preços e configurações, e reafirmar o que sempre falo aqui no blog. É sim possível ter um ótimo som sem ter de vender o carro. Não podemos esquecer que muito do valor agregado é por fetiche ou pelo carimbo de alguma série especial. Para a grande maioria dos músicos os instrumentos de preço intermediário dão e sobra para ensaios, gravações e shows. Alguns precisam de um bom ajuste ou pequenos upgrades e você chega lá da mesma forma.

Sendo assim, compartilho um pouco da experiência e dos sons que cada instrumento é capaz de entregar. O amplificador utilizado foi um Mesa Boogie Mini Mark V sempre com os mesmos ajustes ligado em um gabinete Lascowsky baseado no mesa 1×12 WideBody Closed Back. Falante Eminence Lynch Super V12. As guitarras utilizadas e suas respectivas especificações seguem aqui na ordem em que aparecem no vídeo:

Vintage Les Paul Paradise: Elétrica CTS, captadores Sérgio Rosar Rock King na ponte e Mojo13 no braço. Nut Graphteck Tusk. Top de maple e back de mogno, braço em mogno.

Epiphone Les Paul Standard: Elétrica CTS, captadores Sérgio Rosar Hot Mojo na ponte e Mojo13 no braço. Escala em rosewood. Nut original. Top de maple e back de mogno, braço em mogno.

Les Paul Music Maker: Guitarra nacional do luthier Ivan Freitas. Corpo e braço em mogno nacional, top em flamed maple. Acabamento Honey Burst. Captação Music Maker. Elétrica CTS. Trastes aço inox.

Squier Stratocaster Classic Vibe: Corpo, braço e trastes originais, captação TE-03 Big City ’69 Blues Strat Pickup Set, ponte com bloco Manara. Elétrica CTS.

Warmoth Stratocaster: Corpo em Alder com Quilt Maple. Braço em Flamed Maple. Captação Edu Fullertone 69. Ponte vintage Gotoh com bloco Manara. Tarraxas fender Lock Tuner. Elétrica CTS. Trastes aço inox. Guitarra com Treble Bleed.

Telecaster  Paulo May: Corpo em Hard Ash, braço em maple com escala de maple colada, Sergio Rosar V-Hot na ponte e Malagoli no braço. Tarraxas Grover mini rotomatics. Ponte ferrosa com saddles Fender.

Corradi SL: Guitarra nacional produzida pelo luthier André Corradi. Corpo em mogno, braço em maple quarter sawn, escala em ébano, ponte Christian Bove, nut Graphtech Tusk, elétrica CTS, captadores Sérgio Rosar Rock King na ponte e Mojo13 no braço. Guitarra com Treble Bleed.

 

Collateral FX – Landgraff Overdrive

Tempos atrás em uma conversa com o Guilherme da Collateral FX eu contava que buscava um Tubescreamer mais moderno e versátil que o circuito tradicional do Ts808.

Foi nesta ocasião que ele me falou dos pedais Landgraff e descobri a possibilidade de ter um Ts com muito mais ganho, volume e controles mais funcionais.

A missão ficou também nas mãos do Guilherme, que além de produzir pedais lindos e bem organizados, só utiliza o que há de melhor em componentes. Assim surgiu este LandGraff Overdrive.

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Uma das coisas mais legais nos pedais da Collateral é a possibilidade de colocar o Led na chave, o que facilita a utilização em palco. Alguns pedais dependendo do ângulo você não vê o led no meio dos knobs. Ótima solução!

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Como sempre o capricho interno é notável. Assim como no Klon que postei anteriormente, este pedal também possui componentes selecionados e uma arrumação dos fios interna super limpa.

Para não passar batido, segue um vídeo da brincadeira com este exemplar:

Les Paul Rewiring

Já compartilhei aqui pelo site dois “rewiring” em Stratocaster que realizei. Hoje falo um pouco sobre Les Paul. Após adquirir a minha atual Les Paul, senti a necessidade de utilizar todo o potencial dela através da parte elétrica. A ligação original dos captadores não permitia “Splittar”, ou seja, selecionar uma única bobina de cada captador. Eu também não tinha potenciômetros “push” adequados para isso. Foi então que comprei um kit completo na StewMac para realizar esta cirurgia:

Como o kit traz tudo que é necessário e da mais alta qualidade, removi toda a elétrica antiga, incluindo fios e jack e instalei todos os componentes zero km. Como falei anteriormente, esta modificação necessita de potenciômetros com uma chave, que é acionada quando puxamos o knob para cima. Já comprei o kit que contempla isso e os dois potenciômetros de Tone possuem esta função.

Aproveitei e comprei também um par de “Treble Bleed” que assim como os capacitores de tone, são Orange Drop.

A StewMac oferece um esquema super simples e bem organizado de como realizar todas as ligações. Lembrando que este esquema sugerido faz o Split apenas da parte de fora dos captadores. Para a parte interna a ligação muda, mas para o meu uso ficou legal o som assim e por enquanto não vou alterar.

O resultado antes de colocar aqui, publiquei em alguns grupos no Facebook para debate. A dica que dou é fazer com muita calma e estudar bastante o esquema antes e entender o que cada ligação faz. O risco de erro diminui muito e o negócio funciona de primeira!

 

Klon KTR vs Klon Collateral FX

Até hoje a única referência ao Klon Centaur que fiz no blog foi a construção de um buffer deste aclamado pedal. Recentemente tive a oportunidade de ter em mãos um dos maravilhosos clones produzidos pelo Guilherme da Collateral FX, que já ganharam a galera pela grande qualidade de construção e componentes dos pedais da marca.

Pensei em fazer apenas um review, mas surgiu a oportunidade de comparar com o pedal original do qual foi baseada a sua construção.

O diferencial dos pedais da Collateral é que são todos feitos manualmente, com componentes de altíssima qualidade como capacitores Panasonic, Wiva e potenciômetros Alpha e CTS em alguns modelos.

O Klon é um dos pedais mais vendidos, com diversos acabamentos disponíveis. A marca já vendeu mais de 300 pedais Klon.

Além de componentes de alta qualidade, muitos pedais recebem peças NOS, como é o caso do Klon com diodos de clipping.

O Klon alvo deste vídeo comparativo é a reedição KTR.

O pedal foi gentilmente cedido pelo meu amigo Oscar Isaka do blog Louco por guitarra.

Como sempre sou muito bem recebido por lá e ficamos horas batendo papo sobre este vício chamado guitarra!

A nova versão do Klon, também conhecida como KTR, é em SMD e recebe também diodos NOS selecionados. O fabricante garante que o pedal soa exatamente como os anteriores que eram construídos com componentes normais. Não tenho o anterior para testar, mas não duvido da afirmação pois na comparação que fizemos, o da Collateral é feito com componentes normais e os dois apresentaram o mesmo escopo do áudio, sem variações audíveis na EQ.

Para o teste utilizamos uma A/B box para comparar também buffer bypass clássico deste circuito. Soaram exatamente iguais nesta função.

Não preciso dizer que os dois pedais são maravilhosos e soam igualmente muito bem. O Klon KTR com um pouco mais de entrega de ganho e volume, mas os dois apresentaram a mesma qualidade de overdrive. Na metade do vídeo os ajustes foram alterados até que os pedais entregassem o mesmo som. A guitarra utilizada no teste foi uma  Fender Stratocaster em um amplificador nacional Explend EXP-30. Como ouvido e gosto é algo muito particular, deixo aqui o vídeo para apreciação de todos.

Guitar Center Hollywood

Nas inúmeras voltas que dei pela Califórnia visitei tranquilamente mais de quinze lojas de instrumentos musicais. Fotografei quase todas. O problema é que não criei um registro detalhado disso, e publicar seria uma grande confusão pois não saberia informar onde cada fotografia foi tirada. Como ir na Guitar Center Hollywood foi inesquecível e inconfundível, resgatei este passeio para compartilhar aqui com vocês.

Na entrada da loja existe logo de cara uma vitrine nostálgica com vários instrumentos doados por artistas ou por familiares para a loja exibir de forma permanente. Eles costumam mudar estas exposições de lugar entre a entrada e vitrines no interior da loja.

Para quem é fã incondicional do SRV como eu, a loja possui alguns itens raros do artista que vale ver de pertinho e registrar o momento.

A primeira visão que temos da loja é de um grande galpão com um andar superior onde encontramos cordas e pedais. Nesta loja a variedade destes itens é pequena, pois o foco é em instrumentos.

Ainda neste salão podemos encontrar instrumentos de entrada de marcas como Fender, Epiphone e Gibson.

A coisa começa a ficar divertida quando entramos nas áreas de produtos diferenciados, como a PLATINUM.

Nesta parte ficam as guitarras Signature e Custom Shop, bem como algumas Master Built.

Saindo desta parte que faz doer o bolso e entrando no subsolo, a loja tem um ambiente climatizado com uma grande variedade de instrumentos acústicos.

Tudo muito legal, mas o que realmente faz desta loja um lugar especial é o salão de instrumentos vintage!

Para cada guitarra disponível, vem junto o seu respectivo Hard Case original também guardado na loja.

Os amplificadores antigos também foram lembrados e estão disponíveis para todos os gostos e bolsos.

Para quem ama instrumentos musicais assim como eu, visitar as lojas de instrumentos musicais na Califórnia é muito mais do que a realização de um sonho para todo músico, é uma viagem nostálgica no tempo e na história da música moderna. Recomendo!

(Guitar Center Pasadena)

 

Kraftman Power Supply

Feliz 2018 para todos que desde 2012 acompanham este blog. Como o tempo passa!

Sempre dei bastante foco aqui no blog sobre o coração de qualquer circuito: a fonte.

Seja ela do amplificador, dos pedais, ou até mesmo uma dedicada apenas para os filamentos das válvulas. Ela faz toda a diferença.

Vivemos em um mundo moderno e globalizado onde nunca se cuidou tanto da saúde. “Você é aquilo que come” virou o mantra das novas gerações. No sentido oposto, curiosamente o mesmo não se aplica para a tecnologia. Parece que as pessoas estão cada vez mais conformadas com o “Made in China” e acham que todos os produtos eletrônicos desde que funcionando aparentemente bem são a mesma coisa.

Se você se alimenta bem para ter saúde, por qual motivo não irá alimentar bem os preciosos circuitos que possui? Isso vai desde um carregador de celular original até a fonte dos seus pedais.

Vejo com preocupação a negligência dos guitarristas quando o assunto é fonte de alimentação para pedais. Tenho amigos que possuem pedais de 2 mil reais, mas se recusam a gastar mais de 150 reais com uma fonte de qualidade. De nada adianta um pedal de qualidade com os melhores componentes selecionados plugado em uma fonte instável e ruidosa.

Além do fator qualidade, observo o fator quantidade. É preciso pesquisar, buscar um conhecimento mínimo sobre o consumo dos pedais que você utiliza e escolher uma fonte que não só suporte com alguma folga, mas que também esteja preparada para alterações e upgrades de novos pedais ao set.

Se formos olhar com carinho para o pedalboard e somarmos os valores de cada pedalzinho que compramos, temos fácil o valor da nossa melhor guitarra, ou até mais. Então não tem sentido não cuidar bem deles, pois de longe é o tipo de equipamento que os guitarristas mais compram, vendem e trocam. Estou em alguns grupos no Facebook onde a galera publica o pedalboard no início do ano e depois no final do ano com todas as mutações que ocorreram ao longo de 12 meses. O mais curioso? A fonte é sempre a mesma, e muitas vezes o set sai de dois ou três tímidos pedais para layouts complexos com mais de 10.

Ao longo dos últimos anos mantive o meu set de pedais intocado, exceto a fonte que troquei muitas vezes.

Comecei com uma fonte que eu montei com um 7809 e que em pouco tempo se mostrou ineficiente para os pedais que eu tinha, aquecendo bastante e apresentando alguma instabilidade ao regular a tensão nos 9v após algum tempo de uso. Ela tinha uma tendência de oscilar bastante a tensão e apenas servia para utilizar com um ou dois pedais.

Em 2013 comprei nos Estados Unidos uma OneSpot da VisualSound, com uma capacidade de entrega de corrente de até 1700mA, o que é bastante para uma fonte de pedais.

A fonte é muito legal e funciona bem com poucos pedais, mas testes me mostraram que a sua saída de tensão estava na casa dos 9.22v, com ou sem pedais ligados nela. Pedais mais sensíveis podem não funcionar bem, ou até mesmo estragar passado algum tempo. Apesar de ter muita corrente disponível, tinha apenas uma saída, o que obrigava o uso de cabos Daisy Chain e com mais de 5 pedais começavam os problemas com ruídos com pedais de alto ganho e instabilidades relacionadas com os circuitos de Bypass eletrônicos dos pedais.

Como sempre tive um pedalboard enxuto, fui levando essa situação por dois anos até que viajei para a Europa e comprei uma fonte de uma loja da Alemanha que parecia me atender melhor, só que não…

Em um primeiro olhar a fonte funcionava muito bem e era silenciosa. Também não apresentava problemas de interferências entre os pedais. Tinha um regulador de tensão para cada saída e aos meus ouvidos não tinha problema algum. Mas nem todo o problema se esconde no som.

Sempre me atento aos detalhes e antes de qualquer coisa resolvi medir a tensão de cada saída para verificar a qualidade da mesma. Foi aí que começaram as surpresas.

As saídas variavam entre 8.60v e 8.80v, claramente distantes dos 9v que precisamos para os pedais. O pior era quando ligava pedais com consumo mais elevado e estes valores caíam ainda mais.

Prontamente entrei na internet e resolvi pesquisar reviews de usuários desta fonte. Sim, fiz a burrada de comprar sem verificar na internet o que outros proprietários falavam dela. Várias pessoas reclamavam da imprecisão da tensão. Basicamente todas as saídas utilizavam um regulador de tensão com os respectivos resistores de ajuste de tensão de saída fixos e bem calculados para a uma saída de 9v. O problema é que apesar de bem calculados e nos valores corretos, não eram resistores de precisão. E isso se traduzia em uma variação enorme na tensão regulada no final de cada porta.

Bem, era a fonte que eu tinha, né? Precisava resolver de alguma maneira para continuar normalmente com os ensaios e shows.

Abri, removi cada resistor de cada regulador e instalei trimpots multivoltas para um ajuste extremamente fino de cada saída. O empenho deu certo. Consegui 9v em cada saída, mas quando ligava os pedais em suas respectivas portas, ela ainda apresentava alguma queda na tensão. Tive a brilhante ideia de ligar cada pedal em sua porta de destino, e com eles ligados ajustei novamente para cada saída entregar os 9v prometidos. Funcionou, e utilizei por um ano a fonte assim pois era o que eu tinha para o momento. Mas isso não é saudável para os pedais. Não é legal o circuito receber mais tensão do que deve, e contar com o seu próprio consumo para levar a fonte para o patamar de tensão adequado. Toda vez que você liga o pedal na fonte ele toma uma porrada por conta disso.

Mas os problemas não ficaram por aí… A fonte nunca estragou, nem apresentou ruídos. Mas além deste problema de instabilidade, o fator Europa atrapalhou bastante as coisas.

Temos duas tensões de rede Elétrica no brasil: 127v e 220v.

A fonte tinha um transformador com primários 115v e 230v.

A saída deste transformador entregava 12v. Quando em 127v, ele entregava 13,25. O que não era um problema para os reguladores, mas o transformador acabava aquecendo bastante por trabalhar muito acima dos 115v e também em uma frequência diferente dos 50Hz para que foi construído. Lembrando que no Brasil a frequência é de 60Hz.

Quando em 220v as coisas pioravam bastante, pois ele entregava 11.45, e os reguladores apresentavam dificuldades em estabilizar a tensão de saída em 9v.

Fiquei um ano com esta fonte até o ano de 2016 quando recebi um e-mail do Ricardo através do blog que me contou que estava desenvolvendo um projeto de fontes personalizadas para pedais e gostaria de trocar figurinhas sobre o assunto comigo.

Fiquei muito feliz pois finalmente encontrei alguém que falava a mesma língua e que tinha o mesmo (e muito mais) grau de exigência que eu sobre este assunto.

Para mim uma fonte não basta funcionar e manter os pedais sem ruído. Ela precisa ser confiável pois na utilização de longo prazo uma fonte instável pode danificar tudo.

De problemas relacionados com tensão, já basta os que encontramos em cada local de show que vamos.

Uma fonte ruim é uma doença silenciosa e que pode ser fatal para todo e qualquer circuito conectado nela.

Após alguns meses de muitos e-mails trocados com muitos testes feitos dos dois lados em circuitos de fontes, o Ricardo me enviou um protótipo do que ele estava desenvolvendo.

A caixa foi feita em uma impressora 3D para testar todas as possibilidades de posicionamento do circuito interno. Debatemos muito isso, inclusive a melhor disposição dos jacks e chaves de painel.

É importante lembrar que não se trata de uma fonte convencional com um regulador simples para pedais. Além de ser desenvolvida para ter o melhor filtro, estabilidade e proteção, conta também com componentes de alto desempenho. A fonte passou por testes de stress com carga máxima para sempre oferecer o menor ripple possível, e sem variar a tensão com ou sem carga.

Quando chegou, fiz todos os testes possíveis, e cheguei a ligar todos os pedais que tenho em casa para ver como se comportava. Deixei por semanas todos os pedais ligados nela e fiz medições em vários horários diferentes, inclusive com chuveiros e torneiras elétricas ligados pela casa.

Os 9v nunca oscilaram nem um ponto. Nem para cima, nem para baixo. Coloquei o protótipo no meu pedalboard e utilizei durante todo o ano de 2017 em ensaios e shows.

O tempo passou, o projeto cresceu e o que então era uma pesquisa virou uma marca, com um projeto final com várias novas funções e melhorias, mas mantendo a mesma estabilidade do protótipo que eu tinha em casa.

Recebi no final do ano a versão final, que prontamente integrou o meu pedalboard de forma permanente e resolvi de uma vez por todas todos os problemas que algum dia tive com fontes para pedais, que não foram poucos.

O mais legal é que as fontes da Kraftman podem ser personalizadas, pensadas com cuidado para os pedais que o guitarrista possui. Hoje temos vários fabricantes de fontes nacionais e internacionais, mas nenhuma marca com projeto dedicado para cada caso particular.

Muitas marcas permitem personalizar a guitarra, o amplificador e o pedal que irá compor o seu set, e hoje ter uma marca que também entrega uma fonte na medida é algo que todo o guitarrista deve buscar.

Tive a honra de participar dando ideias, impressões, testando e comparando as evoluções dos circuitos. Nunca tinha utilizado nada feito exclusivamente para a cadeia de pedais que eu utilizo, o que foi sensacional.

Evitei até aqui entrar em detalhes técnicos, pois ninguém melhor que o desenvolvedor para falar com precisão o leque de características que as fontes Kraftman possuem. Pensando nisso pedi para o Ricardo fazer um texto falando com carinho sobre todo esse universo e disponibilizo aqui junto com este primeiro prelúdio que fiz, com carinha e tamanho de testamento.


Um pouco sobre fontes de alimentação e a fonte Handamade Kraftman Pedal Power Supply

Conhecimentos técnicos

Todo músico profissional deve possuir conhecimentos além de sua formação principal, pois algumas outras áreas que não fazem parte de sua formação fazem parte do seu dia-a-dia na música, e um deles é relacionado com a energia que alimenta seus equipamentos.

Para aqueles que buscam um conhecimento mais aprofundado sobre fontes de alimentação, esse tópico é uma excelente fonte de consulta e que pode responder direta e indiretamente algumas questões relacionadas.

 Como funciona o áudio e a fonte de energia

A fonte de alimentação, seja ela um conversor AC para DC (fontes propriamente ditas) ou uma bateria, são referência de potência que qualquer circuito de áudio precisa para fornecer um sinal na saída (empurrar o sinal modulado para a saída).

Todo circuito de áudio que faz algum processamento de sinal, como um pedal de efeito por exemplo, que a partir um sinal de entrada processa o efeito e entrega na sua saída o resultado desejado. Esse processo faz uso de uma fonte de energia. Para isso, no caso do pedal,  ele usa o sinal de áudio para dar o formato e a alimentação para dar potência para esse sinal, (empurrar o sinal é o termo popularmente conhecido).

Resumindo, isso quer dizer que todo circuito de áudio transfere a potência da fonte para a saída, só que no formato do sinal de áudio, seja ele de ganho 1 ou ganho infinito, em outras palavras, independente da potência.

Só para fazer um paralelo, um amplificador de potência na verdade não tem potência nenhuma, a potência vem da fonte. O que um amplificador tem é a capacidade de transferir determinada potência da fonte para a sua saída a partir de um sinal de áudio.

Isso quer dizer que se você tem um amplificador de 100W, você só terá essa potência se sua fonte de alimentação tiver no mínimo 100W. Na prática, a fonte deve ter potência maior, mas se sua fonte fornecer apenas 50W, ao aumentar o volume você vai ter um som muito distorcido na saída e nunca terá 100W pois não tem de onde vir essa energia, a não ser da fonte, e se a fonte não tem esse potencial seu amplificador muito menos.

Fonte de alimentação tem potência?

Sim, as fontes de alimentação fornecem uma tensão em volts até um certo limite de corrente, que é dado em amperes. A potência é o produto dessas duas grandezas corrente(A) x tensão(V) = potência (W).

Exemplo

Se a fonte do seu pedal fornece 9V com até 500mA de corrente, quer dizer que sua fonte tem uma potência máxima de 4,5W, como 500mA=0,5A você tem 9V x 0,5A = 4,5W.
Ao ultrapassar os 500mA a tensão tende a cair, pois a fonte não tem mais potência para fornecer, se você medir e perceber que a corrente subiu mas a tensão diminuiu, e fizer os cálculos, vai ver no resultado que a potência é a mesma. Mas essa condição extrema implica diretamente na qualidade do sinal que a fonte está fornecendo, que passa a ter ondulações e consequentemente ruído no seu áudio.

Fontes

Quanto mais limpa (silenciosa) for uma fonte de alimentação, melhor será a qualidade do sinal de saída. Toda fonte de tensão contínua não pode ter variações do seu nível ao decorrer do tempo, isso quer dizer que ao decorrer do tempo sua tensão não varia, com isso ela apresenta uma reta, caracterizanda como contínua. Ao contrário da tensão alternada que varia no tempo, por isso apresenta um sinal em forma de senóide, que em momentos alternados a tensão é positiva e negativa. Assim como mostra a figura.

Na figura abaixo; A: Tensão alternada B: Tensão contínua

Se uma fonte tiver alguma ondulação no seu sinal, seja ela de baixa ou alta frequência, ela deixa de ser silenciosa, pois isso é considerado ruído. Uma fonte que apresenta essas características de ondulações, quando o sinal de áudio for modulado a partir dela, essas ondulações na tensão vão se somar com o do áudio na saída. No caso de um pedal de guitarra esse ruído será percebido no amplificador.

Ruídos em fontes

O ruído na saída da fonte pode vir diferente origens que podem ser:
Ondulações de ripple, ocasionadas por instabilidades na tensão de saída de uma fonte.
Ruído eletromagnético, provenientes da rede elétrica local ou de componentes internos da fonte.
Ruído de RF, são ruídos de alta frequência do espectro eletromagnético dentro da faixa de rádio, seja AM ou FM. Algumas vezes uma estação de rádio próxima pode ocasionar essa interferência ou mesmo uma fonte chaveada próxima pode gerar portadoras de ondas de rádio que provocam oscilações quando o circuito de áudio entra em ressonância com certas frequências.

A figura A mostra: Tensão contínua com ripple de tensão, ocasionada por excesso de consumo de corrente ou por falha de filtragem. Essa ondulação provoca ruído. B: Tensão contínua ideal, sem ruídos.

As Fontes Kraftman Pedal Power Supply

Nossas fontes possuem uma excelente filtragem e regulagem e isso garante a entrega de uma energia silenciosa, livre de variações que possam se transformar em ruído na saída.
Para garantir isso as fontes Kraftman possuem filtros na etapa anterior à regulagem, que atenuam essas variações, e para o problema de interferência eletromagnética, o case feito em alumínio fundido impede a permeabilidade de ondas eletromagnéticas.

Tudo isso associado ao regulador de tensão usado em nossas fontes, que é de uma tecnologia mais atual que garante uma excelente qualidade de energia de saída, pois tem um melhor rendimento garantindo e uma energia mais estável e silenciosa.
Por se tratar de uma fonte linear, tem baixíssimos níveis de emissão de ondas eletromagnéticas e zero emissão de RF, pois tem uma frequência máxima de operação da ordem de 120Hz da parte de filtragem e 60Hz do transformador, que não interferem no sinal de saída que é contínuo e reto.

Proteção contra sobrecarga e curto-circuito

O que torna nossas fontes um grande diferencial das demais do mercado é o circuito de proteção contra sobrecarga e curto-circuito que faz parte de todos os modelos.
Esse circuito monitora a corrente de saída da fonte, que ao atingir um limite, desabilita a saída que está nessa condição.

Um curto em um cabo faz com que a energia não chegue aos pedais, mas por outro lado, a corrente dentro da fonte tende a subir bruscamente gerando muito calor. Como na grande maioria das fontes lineares a proteção contra curto-circuito é térmica e não por excesso de corrente diretamente, alguns componentes podem não suportar a corrente instantânea e queimar.

Foi pensando nisso que fizemos nossa proteção atuar no instante do aumento da corrente e não no da temperatura. Isso garante uma estabilidade de baixa temperatura de trabalho e uma maior vida útil dos componentes da fonte, não dando tempo para aquecimentos desnecessários e assim evitando a queima da fonte.

Dada uma condição de sobrecarga ou curto-circuito, um LED acende indicando essa condição, deixando a saída em modo de proteção. Para retornar à condição de funcionamento normal, basta desligar a fonte, esperar o LED se apagar e religar a fonte após 3s, ou no caso de uma saída independente basta tirar o cabo que vai para o pedal e esperar o LED se apagar.

Como nossas fontes possuem no mínimo duas saídas isoladas, se uma entrar nessa condição, a outra continua funcionando normalmente, pois esse circuito é independente para cada saída determinada isolada.

 Proteção de sobre tensão e picos de energia

Como toda fonte linear (analógicas), elas possuem uma chave de seleção de tensão da rede, nominalmente 127v ou 220V. Essa proteção atua da seguinte forma: caso a chave esteja na posição 127V e a fonte é ligada em uma tomada 220V, a proteção cria um desvio dessa tensão que incide diretamente para um fusível, isso faz com que o fusível queime interrompendo o fornecimento de energia para a fonte, garantindo que a fonte não se queime. Nesse caso basta substituir o fusível por um de mesma corrente e mudar a chave para a tensão correta e a fonte vai funcionar novamente.

Transientes de energia acontecem e são muito comuns, mas eles podem danificar um circuito. Esses transientes são picos de tensão que ocorrem na rede, e possuem uma tensão muito maior que a tensão nominal.

Algumas pessoas já tiveram uma experiência de acordar e pela manhã verificar que tal equipamento não está funcionando. Esse equipamento pode ter queimado devido a um pico momentâneo de energia, e isso pode acontecer a qualquer momento e não somente de madrugada.

Na figura abaixo, A: Forma de onda senoidal da rede elétrica em condições normais. B: Picos de tensão momentâneos na rede que podem provocar a queima de equipamentos.

A fonte Kraftman possui um dispositivo que funciona permanentemente de acordo com a tensão selecionada na chave, que limita a tensão que entra na fonte, evitando assim a queima do transformador e consequentemente da fonte. Esse dispositivo limita esses picos de tensão, reduzindo-os para um valor de tensão suportado pela fonte. Nenhuma outra fonte linear para pedais no mercado nacional possui esse recurso.

Referência Imagens:

https://www.quora.com/What-is-transient-in-electrical-power-systems



A marca continua investindo e inovando, e já tem fontes com 9v e 12v selecionáveis.

Se você gostou e se interessou, saiba que está rolando um sorteio de uma fonte dessas na página da Kraftman no Facebook!

Quem curtir a página e deixar um comentário já estará concorrendo!

Segue o link: https://www.facebook.com/KraftmanPowerSupply