AB BOX

Dias atrás em um grupo de guitarristas amigos conversávamos sobre pedais para chavear sinal. Foram poucas as vezes que fiz pedais do tipo, mas são os mais simples e baratos de montar. Definitivamente os prontos que encontramos no mercado não valem o que pesam pois custam o mesmo que um pedal com circuito, mas por dentro é só fios.

Foi depois desse saudável papo que decidi montar um AB BOX para testes. O tempo anda muito curto, mas por ser um projeto tão simples consegui fazer em uma hora.

Antes de entrar em detalhes, uma explicação geral sobre este tipo de pedal.

São pedais muito úteis e customizáveis para cada necessidade em particular. Com estes pedais pode-se utilizar a mesma guitarra em dois amplificadores sem a necessidade de trocar de cabo toda hora. Com uma pisada na caixa você seleciona um, ou outro. Sim, dá para mandar o mesmo sinal para os dois, mas aí entra um circuito de splitter de sinal para esta função.

O caminho inverso também é possível, ter duas guitarras com o respectivo cabo plugado, e com um pisão escolher uma ou outra para o sinal ir para o amplificador. Existem pedais deste tipo também desenhados para quem por algum motivo quer um TrueBypass sem modificar o pedal original. Existem até boards para Wah Wah com esta função:

No meu caso, queria poder testar dois amplificadores com a mesma guitarra, ou então utilizar duas entradas independentes no mesmo amplificador sem trocar o cabo no painel.

O projeto começou com uma caixa com alguns furos que já existiam de outros projetos de pedais abandonados. Na verdade a caixa tinha mais furos do que eu precisava, e o que aparentemente seria um problema, foi a solução para colocar mais uma função no pedal: Um boost!

Eu tinha em casa sobrando um boost que comprei a placa e nunca tinha encontrado um projeto legal para colocar. Ficou na gaveta e foi muito útil nessa situação.

A diferença de ganho entre uma Strato e uma Les Paul é gigante, e sempre que mudo de guitarra tenho que alterar o volume no amplificador. Com o boost, compenso o ganho inferior da Strato e posso trocar de guitarra sem mudar nada no amplificador. Já tenho essa função no meu pedalboard com um Ep Boost, mas ter essa função no AB BOX ajuda muito para testar amps e canais com duas guitarras diferentes sem perder tempo com esse pequeno “detalhe”.

Como o furo central já estava feito, não havia espaço na caixa para mais de uma chave de pisar. O acionamento do boost ficou manual, o que não é um problema pois quem tem o trabalho de trocar de guitarra, não custa nada dar um toque na chavinha e acionar o boost. Neste caso ele entra como um circuito para compensar diferenças de ganho, não para empurrar o amp na hora de um solo, por isso ficou assim mesmo.

Os esquemas de ligações do boost e da função de AB BOX utilizei do site Beavis Audio Research

O resultado ficou ótimo e agora consigo brincar com dois amplificadores sem aquela complicação de troca de cabos.

O visual ficou bacana. Os leds indicam qual amplificador ou canal está em uso.

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Achados do Gambiarras

O site do mês não é bem um achado, na verdade é um resgatado. Todos os amantes de Fuzz Face e Tubescreamer precisam ler e conhecer toda a história e aspectos técnicos envolvendo estes pedais. Trata-se de um grande guru que além de disponibilizar no site muita informação, oferece mods e pedais já modificados para todos os gostos. Hoje um pedal que passou pela analogMan chega a valer o dobro do valor novo em loja. E realmente são incríveis!

Boa leitura, e se tiver a oportunidade tenha também um dia um pedal modificado ou construído por eles!

www.analogman.com

Clip para Cabos!

O post de hoje vem da colaboração do meu amigo Sidney Lima, que assim como eu gosta muito dos elásticos com clip que a Planet Waves coloca em seus cabos. Nós dois somos apreciadores da marca, e gostaríamos de ter esta avançada tecnologia disponível em cabos de marcas que não fabricam este tipo de acessório. Comprar até é uma opção, mas encontrar no mercado nacional é difícil, em um preço legal pior ainda, e tem também o problema da espessura do cabo entre marcas que varia, bem como o acabamento externo (tecido).

Então, pensando nesse útil acessório, o meu amigo Sid após alguns testes desenvolveu uma forma simples de fabricar em casa estes elásticos e colocar em todos os cabos de guitarra de todas as marcas que existe. Como adoro uma invenção, não poderia deixar de publicar aqui para todos fazerem em casa e terem os seus cabos devidamente organizados e guardados. Lembrando que o correto armazenamento está diretamente ligado com a vida útil dos cabos. Quanto mais você cuida, mais eles duram. Com este sisteminha, sempre penduro os meus cabos na porta do meu escritório, e tenho eles funcionando sem problemas faz muito tempo, uns 10 anos já.

O conceito é simples, basta conseguir alguns materiais muito baratos e fáceis de encontrar:

Palito para churrasco

Cola Super Bonder

Régua

Elástico de roupa de 2,8mm

Uma lixa de unha

Opcional: Para quem quiser tingir de preto o palito para tudo ficar com um visual bacana: Anilina e Álcool etílico (quanto maior a graduação, melhor. A partir de 90GL).

Fotos do processo:

E para fechar, um vídeo de como tingir o palito e como fica o “sistema” funcionando depois de tudo feito.

Boa dica, ótima Gambiarra!

 

Post do Leitor – Fonte 9v

O leitor Ciê decidiu montar uma fonte que sugeri aqui no blog e o seu feedback é que a fonte ficou muito boa. Realmente o projetinho que publiquei anos atrás aqui segue super atual e pode ser feito em projetos maiores, com transformador com várias saídas, conseguindo assim conectores isolados. A imaginação é o limite.

O Ciê mandou algumas fotos que publico aqui. Como bom gambiarreiro achou uma solução para a “caixa” e agora pode usufruir dos seus efeitos na maior alegria e sem ruídos!

Conseguir um “lar” para o circuito é sempre um grande problema. Já usei de tudo, mas esta ideia de um cano de PVC nunca tinha pensado. Dependendo do circuito e da aplicação, é uma opção.

Segue a ideia do leitor:

Radio Blues – Mundo Livre FM

Olá pessoal,

Como sabem o blog trata sempre de assuntos de guitarra, mas pela primeira vez vou desviar rapidamente o foco para algo que até hoje não compartilhei por aqui.

Quem acompanha os vídeos de pedais, guitarras e amplificadores que publico já deve ter notado como sou fã de Blues. E não é só na guitarra, vai muito além…

Nos últimos três anos faço semanalmente o programa Radio Blues na rádio Mundo Livre FM Curitiba e também na Mundo Livre FM Maringá.

Toda segunda-feira 20hs. Se você está por Curitiba, 93.9FM, se está em Maringá 102.5FM.

Para quem está em qualquer outro lugar do planeta pode ouvir pelo aplicativo da rádio Mundo Livre para Android e iOS e também no site: www.mundolivrefm.com.br

Hoje é segunda, então… Te espero lá!

 

Les Paul – Music Maker (Ivan Freitas)

Para quem não conhece, apresento no blog o trabalho do Luthier Ivan Freitas. Para quem já conhece, é só diversão.

Não desmerecendo a competência de todos os outros, mas hoje os instrumentos da Music Maker para mim são os melhores fabricados no Brasil. Da seleção de madeiras ao acabamento, são um colírio para os olhos.

A guitarra que me chegou em mãos e hoje é assunto aqui no blog trata-se de uma Les Paul padrão da marca sem nenhuma customização. É um dos exemplares “padrão” da empresa com as seguintes características:

Corpo:     Mahogany w/ Maple Top Honey Burst Finish
Braço:     Mahogany Standard ’60s Shape
Escala: Brazilian Rosewood w/ real pearl inlay 24.75″ (629 mm)
Trastes: Stainless Steel Jescar 57110
Ponte: Gotoh GE-101/GE103B-T Chrome
Tarraxas: Gotoh SG381 Chrome
Captadores: Music Maker Pickups Classic ’60 (neck and bridge)

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A guitarra basicamente segue o projeto da Gibson com algumas melhorias, como é o caso dos trastes inox que possuem uma duração superior aos normais e deixam a guitarra muito macia de se tocar

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O top figurado muito bem selecionado, a pintura Honey Burst que além de muito bonita muda de tonalidade conforme a iluminação.

img_20170302_092745631Acompanha o instrumento um belo Hard Case castanho e uma correia de couro bordada com a Marca.

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Sem dúvidas é um instrumento do mesmo nível que as guitarras da Gibson, para músicos que sabem o que procuram. Quem compra um instrumento pensando em preço de revenda deve sempre correr para as marcas, pois é o garantido. Um instrumento customizado é algo único e que não se compra pensando em vender, e onde o fetiche da marca deve ser colocado de lado.

Para quem tem curiosidade, existem instrumentos no ShowRoom da Music Maker em São Paulo para apreciação da galera.

O vídeo de sempre que não pode faltar!

TC Electronic – Hall of Fame Mini Reverb

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Quem acompanha o blog sabe o quanto gosto dos produtos da TC Electronic e o quanto a marca representa inovação tecnológica em pedais de guitarra sem perder a essência que todo guitarrista procura. Tive muitos amplificadores com Reverb de mola e posso dizer que gosto muito, mas por questões de tamanho, peso agregado e recorrentes problemas com os tanques, decidi ter apenas amplificadores sem Reverb e utilizar um pedal na entrada ou no loop de efeitos do amplificador. Como todo consumidor, fiz uma busca bem grande visando o equilíbrio entre preço e qualidade.

Foi então que mais uma vez me deparei com os produtos da TC Electronic. O pedal de tamanho “normal” Hall Of Fame (HOF) já é um grande sucesso e tem infinitas possibilidades. Mas como eu dizia anteriormente, eu queria praticidade, tamanho reduzido e pouco peso agregado ao equipamento. Foi então que escolhi este pequeno grande pedal que é capaz de fazer maravilhas com o seu som. Da série “Tone Print”, pode-se customizar de inúmeras maneiras ao ligar em um computador, ou então através do celular descarregar presets disponibilizados pela marca onde você estiver. Lembrando que as definições customizadas apenas podem ser inseridas no pedal por USB. A TC ainda não liberou salvar no aplicativo do celular os seus próprios ajustes para posteriormente introduzir no pedal. Ainda assim a versatilidade é enorme. Procurava um Reverb com a simplicidade de um de molas. Sim, apenas um botão, como no painel de qualquer amplificador de guitarra normal. Para mim a falta de mais opções físicas no painel não são dor de cabeça, já que ajusto em casa com calma exatamente como quero o Reverb e normalmente utilizo apenas esta definição que vou controlando no botão do pedal o nível de efeito.

editorO painel de edição é simples e recheado de opções. Pode-se até atribuir outras funções aos botões físicos no pedal. No caso deste mini pedal, existe apenas um que mesmo solitário é possível alterar o seu funcionamento. Sobre o Tone Print, já falei anteriormente no post do pedal Viscous Vibe aqui no blog.

Construído em uma caixa estilo Hammond 1590A a marca se posiciona juntamente com outras como a Mooer na invasão dos mini pedais no mercado. Com um circuito extremamente compacto feito com componentes SMD e totalmente digital, é claro que um pedal de Reverb tão pequeno não poderia ser construído de outra maneira.

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O pedal é composto por duas placas que se encaixam através de pinos. Não existe nenhum fio na construção. O potenciômetro além de excelente qualidade, é protegido contra a entrada de pó e umidade.

img-20161212-wa0030Como em quase todos os pedais da TC o Bypass é feito através de um relé de grande qualidade das marcas Omron ou Takamisawa, que garante o True Bypass e um chaveamento extremamente silencioso e muito mais durável que uma chave 3PDT tradicional. Em modelos mais simples como este a marca não inseriu a opção de Bypass com buffer, provavelmente por falta de espaço e também pelo nicho de mercado que a mesma procura atingir.

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E para fechar o pacote alegria é claro, Jacks Neutrik.

É incrível como conseguiram em uma caixa tão pequena colocar tantas funções sem esquecer dos componentes de alta qualidade.

Sim, é um pedal totalmente digital. A única coisa realmente analógica é o chaveamento físico do sinal através de um relé. Isso não significa que o som seja robótico ou pior. Vai da necessidade de cada um. Para mim o Reverb é sim diferente das molas, e por ser digital permite uma grande customização e controle, algo que as molas não proporcionam.

Um pedal pequeno, com um preço muito aceitável para o efeito que entrega e que se encaixa em qualquer estilo musical. Recomendo para todos os guitarristas, com as mais diferentes necessidades musicais.

Para não perder o costume, este que vos escreve sempre faz um humilde vídeo do funcionamento das “coisas”. Desta feita não poderia ser diferente. Um pequeno teste com o pedal ligado no Loop de efeitos do amplificador. A guitarra escolhida foi a minha companheira de guerra, uma Stratocaster Golden que também tem a sua história contada por aqui.

 

 

Novo x Usado – Pedais

Os pedais resolvi deixar como o último assunto para fechar as publicações sobre Novo X Usado. Como qualquer produto também merecem atenção, mas penso que seja um universo bem mais fácil de lidar e o preço médio não é tão alto como o de guitarras e amplificadores.

Novo

Prós:

1 – Um pedal novo vem com garantia e troca direta em caso de defeito.

2 – Vem com caixa e manual, que é algo que nas vendas de pedais conta muito se você tiver. É um chamariz tradicional para se vender um pedal.

3 – Sem marcas de uso.

4- Sem desgastes nos componentes como potenciômetros, jacks e chaves.

5 – Você sabe que pode ir sem medo pessoalmente e realizar a compra na loja.

Contras:

1 – Preço. Os pedais não costumam ser tão caros, mas ainda assim o preço novo na loja é mais alto que um seminovo ou usado.

2 – Se for um pedal muito caro e você concluir que não precisa dele, vai perder um dinheiro considerável para revender.

3 – Por ser um pedal novo e sem marcas, você precisa ter cuidado e pensar bem ao instalar no pedalboard. Se cola um velcro, se coloca braçadeiras que riscam a pintura. Na fase de testes não dá para sair colocando pois se quiser vender ele já entra como usado se tiver velcro ou riscos na pintura, mesmo que tenha uma semana de uso. É um fator limitador.

4 – Modificações. Só compensa fazer mod em pedal novo se você for realmente ficar com ele. Para vender, se não for um mod oficial de alguém conhecido, você além de perder a garantia de fábrica perde também valor na venda. Por mais bem feito que fique e que realmente melhore o pedal, os compradores pensam com o bolso e fazem de tudo para por o valor lá no chão.

5 – Não dá muita margem para arrependimentos. As lojas não aceitam devoluções se não for por defeito.

Usado

Prós:

1 – Preço. São bem mais em conta que os pedais novos e você consegue negócios bons se comprar mais de um pedal do mesmo vendedor. Por ser mais em conta, você consegue montar um pedalboard inteiro com um valor muito interessante.

2 – Pedal que já tem algumas marcas não vai ter uma alteração significativa no valor de revenda se for instalar no pedalboard.

3 – Modificações. Por ser usado é o tipo ideal de aparelho para se fazer modificações, pois não se paga tão caro como um novo. Também se conseguem bons pedais usados já com modificações relevantes como por exemplo upgrade para True Bypass, muito útil nos Wah-Wah.

4 – Você pode se arrepender, trocar por outro, colocar em um rolo com outros equipamentos. É o tipo de produto que entra e sai e dificilmente ficará meses anunciado sem propostas de compras ou trocas.

5 – Disponibilidade. As lojas não costumam ter estoques grandes de pedais novos. Já me aconteceu de ver o preço de um novo, correr na loja e terem vendido a única unidade. Nos pedais usados você entra em qualquer site de vendas e digita o modelo que procura. Com certeza encontra no mínimo três pessoas vendendo. Pode escolher o melhor preço e em melhores condições.

Contras:

1 – Preço. Obviamente o pedal passando de mão em mão vai desvalorizar cada vez mais. É o tipo de artigo que se não for raro, só perde valor. Tenha atenção em comprar usado com boa aparência e perfeito funcionamento. Cuide bem, para no mínimo vender pelo mesmo preço que pagou se um dia for desapegar.

2 – Marcas. Pedais usados obviamente vão ter sempre marcas de uso. Falei sobre o velcro, que com o tempo fica velho, a variação de temperatura faz ele soltar a cola toda no pedal e não sai mais. Fica uma coisa grudenta. Muitos pedais são mal armazenados, ficando pelos cantos e apresentam sérios problemas com entrada de umidade. No caso de placas em fenolite a umidade faz estragos relevantes e deixa a placa ainda mais frágil, podendo quebrar com uma pequena queda do pedal. A maioria dos pedais usados não possuem caixa.

 

3 – Desgastes. Pedal foi feito para ficar no chão. Seja solto ou em um pedalboard, ele sofre com a poeira, batidas, derramamento de líquidos, pisadas, chutes e umidade. Pedais usados normalmente apresentam manchas de líquidos e mofo. Os potenciômetros, jacks e chaves são muito sensíveis e dependendo do estado do pedal apresentam ruídos e mal contato. Se for comprar um pedal com muito uso não esqueça de pedir sempre fotos internas pois ele pode esconder uma condição bem pior por dentro.

4 – Modificações. Como disse nos prós, as mods podem ser boas. Mas tenha especial atenção em modificações feitas que são irreversíveis. Como exemplo, pedais com bypass eletrônico convertidos para 3PDT através de um novo furo na caixa. Até é reversível, mas ficará eternamente aquele buraco na caixa e isso além de ser uma porta de entrada para sujeira e umidade, transforma o seu pedal em um artigo praticamente sem preço de venda. Verifique sempre de quem está comprando, pois o mundo dos usados não te dá a segurança das lojas que mesmo com alguns produtos seminovos fazem revisões e dão alguma garantia.

5 – Custo-benefício. Só você com sua experiência poderá fazer o cálculo do valor do pedal que quer novo e usado, bem como o estado do usado que estão te oferecendo. Coloque na balança juntamente com as possibilidades de pagamento. Por vezes o usado deixa de compensar por não poder parcelar.

Espero nestes três artigos ter ajudado um pouco os colegas guitarristas. Escrevi tudo com base em experiências que vivi ao longo de todos estes anos de guitarra. Não sou dono de nenhuma verdade e quem tiver algo para acrescentar, sinta-se livre para o fazer. Juntos podemos construir um grupo cada vez maior de vendedores e compradores satisfeitos com seus negócios e equipamentos.

Novo x Usado – Amplificadores

Continuo aqui a análise que fiz sobre equipamentos novos e usados. Qual comprar?

Hoje o assunto é sobre os amplificadores, sejam eles valvulados ou transistorizados. Vamos direto ao ponto.

Novo

Prós:

1 – Produto zerado na caixa. Muitas lojas deixam apenas um para teste, e ao comprar você leva um produto novo no plástico. Por esse motivo a garantia é um diferencial. Não só possui garantia, como em caso de defeito a substituição é simples e imediata. Trocou, problema resolvido. O mesmo não acontece com as guitarras.

2 – Produto sem marcas de uso. Aqui vale lembrar que marcas de uso não são apenas batidas e riscos como nas guitarras, mas também poeira e umidade que normalmente tomam conta do acabamento. Um amplificador novinho não tem nada disso.

3 – Equipamento sem desgastes. Você sabe que o amplificador é novo, o alto-falante é novo e no caso de um valvulado, as válvulas tecnicamente estão em perfeito estado. De todos os benefícios de um amplificador novo esse creio ser o mais importante de todos. O aparelho está à mercê dos seus bons cuidados para mostrar onde ele pode chegar.

4 – Acessórios. Normalmente o mercado de amplificadores não é como as guitarras onde tudo é vendido de forma separada. A maioria dos amplificadores já acompanha Footswitch + cabo, capa, manuais, speaker cable, etiquetas de garantia, adaptadores de tomada e em alguns raros casos uma lâmpada reserva para o painel.

5 – Assim como no post das guitarras: Procedência. Você sai da loja com um documento, uma nota fiscal. É seu e você sabe de onde veio. A maioria dos amplificadores hoje também já possuem número de série. Sempre tenha salvo online fotos do seu equipamento e de todas as numerações de série existentes neles. Pode ser de grande utilidade no futuro. Eu particularmente salvo até as notas fiscais. Se você costuma viajar, é imprescindível ter isso em mãos.

Contras:

1 – Preço. As guitarras já desvalorizam como vimos anteriormente, os amplificadores por serem produtos eletrônicos desvalorizam ainda mais. O preço dele novo é incrivelmente mais alto que um idêntico, comprado no dia anterior e disponibilizado à venda por algum arrependimento. Resumindo. Novo é caro, importado é mais caro ainda.

2 – Um amplificador novo também é um “kinder-ovo”. Apesar de não dar dores de cabeça com madeiras, pode dar outras tão incômodas quanto. Um amplificador novo não significa que é perfeito. Foi testado por alguns segundos na linha de produção e só vai ser ligado novamente nas mãos do cliente final. O contra de ser vendido embalado novo na caixa é este. Tive um valvulado que comprei novo. Toquei com ele em casa e desde o primeiro dia dava estalos no som. Li na internet que era um problema comum causado por soldas defeituosas. Levar na loja não iria resolver. Só iriam me dar outro zerado com o mesmo problema pois foi uma série grande que veio com isso.  Um dia com a ajuda de um amigo abri e refiz todas as soldas e nunca mais deu estalos no som. Hoje ele já não está comigo, mas até onde sei continua firme e forte sem nenhum problema, mas aprendi a lição sobre amplificadores novos. Alguns amplificadores saem de fábrica com problemas muito mais sérios, como transformadores mal dimensionados. Então lembre-se. Amplificador novo pode sim trazer muitas surpresas.

3 – Componentes. Tanto os transistorizados como os valvulados podem não vir de fábrica com os componentes de maior qualidade disponíveis no mercado. Então dependendo do amplificador que for comprar, considere um gasto adicional para algum upgrade. Seja ele capacitores, válvulas, transformadores e principalmente alto falantes. Embora não precisem de uma regulagem como as guitarras, eu recomendo vivamente levar para um técnico um amplificador novo de fábrica para conferir o ajuste de Bias das válvulas. Faça isso antes de descobrir que estava tudo desregulado torrando as válvulas novinhas e consequentemente o seu dinheiro.

4 – Um amplificador novo você não pode pegar emprestado para testar em casa, no estúdio ou no palco. Tenha a certeza que ele realmente atende o que você procura. Na loja no meio da emoção, muitas vezes sem a sua própria guitarra e com a pressão do vendedor você acaba achando que o amplificador atende todas as suas necessidades. Não compre na pressa. Toque em mais de um, em outras lojas, com várias guitarras ou com as suas. Tenha em mente o que você precisa e se ele realmente vai resolver o seu problema. A internet pode te ajudar muito, então pesquise!

5 – Revenda. Como já disse, você perde uma grana legal na revenda. E o problema não para por aí. Simplesmente anunciar algo seminovo não resolve. Vejo que muitas pessoas preferem comprar algo mais usado em algum negócio “bem-bolado” do que pegar um amplificador seminovo sem nenhum a mais. A maioria dos anúncios que vejo os vendedores são obrigados a fazer promoções com produtos adicionais para impulsionar a venda como pedais, cordas, afinadores ou até hard cases personalizados. Então já sabe. Se pegar um amplificador novo e quiser revender, tenha paciência ou então monte um combo legal senão o povo não pega.

Usado:

Prós:

1 – Preço. Sempre mais em conta e você pode tentar um rolo que é mais fácil que com instrumentos.

2 – Um amplificador usado já não traz tantas surpresas do ponto de vista da fábrica. Se não tem problemas, passou no teste, se já teve e foi reparado por uma pessoa qualificada, pode ter a certeza que ficou melhor do que o original. São amplificadores mais confiáveis por esse motivo. Claro, se bem cuidados. Mas um amplificador é fácil ver se foi bem cuidado, tanto pela estética como pelo funcionamento. É só ter atenção.

3 – Componentes. Muitos já passaram por alguma melhoria, e os que não passaram, já estão “amaciados”, como é o caso dos alto-falantes. Você amaciar um do zero leva um bom tempo. Para quem toca bastante, creio que em uns três meses para saber definitivamente como o amplificador irá soar dali para a frente. Para os que tocam pouco, esse dia nunca chega. É aí que muitas pessoas se arrependem ao comprar um amplificador novo. Não esperam o tempo mínimo para começar a amaciar o bicho, acham o som duro e vendem pensando que ele não é bom. Por isso os usados já são mais plug-and-play.

4 – Um amplificador usado é mais tranquilo para testar com calma. Você conversa diretamente com o vendedor, leva a sua guitarra para testar, ou até mesmo traz o amplificador para gravar, tocar ao vivo, ensaiar… É mais tranquilo para uma tomada de decisão.

5 – “Achado”. No mundo dos anúncios de amplificadores usados encontram-se verdadeiros achados. É possível encontrar modelos que nenhuma loja tem, e isso não significa propriamente que serão caros por serem mais raros. Existem ótimos negócios à espera daquele que tem paciência para fuçar e negociar.

Contras:

1 – Revenda. Como comprador é pró, como vendedor é contra. Você precisa praticar um preço de mercado, não aquele que acha justo em relação ao que pagou e o cuidado que teve com amplificador. Não importa se você cuidou dele muito bem e até dormiu abraçado com ele. O mercado irá ditar o preço médio que ele vale. E muitas vezes o que dita o preço do mercado é a situação econômica do país e o desespero das pessoas em se recapitalizar. Muito cuidado.

2 – Assim como quem compra um usado tem a praticidade de testar com mais facilidade, quem vende precisa ser flexível e se colocar no lugar do comprador. Nem sempre é fácil ficar correndo atrás, acompanhando o músico em ensaios ou shows para ele testar o equipamento que você está vendendo. Mas dependendo da situação, do produto e do comprador, você terá que engolir esse sapo e colaborar se quiser mesmo vender o equipamento. Eu sugiro ser flexível, mas não uma mãe. Tome a frente sempre em sugerir um teste, em algum local público, um estúdio de ensaios de confiança de preferência. Cuidado com a internet, você não sabe quem responde lá do outro lado. Os mesmos cuidados que você teria ao conhecer uma pessoa deve ter ao vender um produto.

3 – Estado do equipamento. Eu disse que os usados normalmente já possuem alguma melhoria e tal. Mas não podemos esquecer do outro lado da moeda. Muitos vendedores irão descrever os seus produtos como “zeradinho”, “revisado” ou então “com upgrades” por pura conveniência. É nessa hora que quem for comprar precisa ter um olho clínico. Primeiro check: Potenciômetros. Teste e sinta na mão se todos estão com o curso macio e igual. É possível perceber quando foi substituído ou se tem um desgaste maior em relação aos outros. Ele gira mais solto e seco. Ligue o amplificador em um volume consistente e veja se nenhum desses potenciômetros gera ruídos no som durante o curso.

4 – Estado das válvulas. Separei um tópico só para elas pois é um assunto importante. Um amplificador valvulado usado você não tem como adivinhar o real estado das válvulas. Mas vou tentar dar algumas dicas que podem ajudar, mas que não são de maneira alguma um veredito sobre o tema. O ideal seria levar um testador de válvulas, tirar uma por uma e testar. Mas nem todo mundo tem um, eu mesmo não tenho. Então nesse caso específico recomendo a dica de aproveitar a flexibilização do vendedor e pedir para levar para um técnico de confiança dar a opinião dele sobre as condições gerais do amplificador para você. Mas em um primeiro momento toque no amplificador, veja se o comportamento dele é bom em todos os volumes, inclusive no máximo. Certifique-se que as válvulas não estão gerando apitos quando em volumes altos ou com o ganho no máximo. Dê pequenos toques nas válvulas com uma caneta e veja se não estão criando ressonâncias, apitos ou ruídos parecidos com o de um chocalho. As válvulas já muito desgastadas apresentam todos estes problemas.

Tenha cuidado ao comprar amplificadores com válvulas de várias marcas misturadas. Existem curiosos como eu que fazem essas misturas procurando determinadas sonoridades, mas muitos vão em autênticos balaios de válvulas velhas buscar as menos piores só para deixar o amplificador funcional para a venda.

Repare se o brilho das válvulas é o mesmo. Um par de válvulas de potência por exemplo deve ter o mesmo brilho. Com todas as válvulas desligadas veja se nenhuma possui trincado no vidro perto dos terminais de encaixe no soquete. Esbranquiçados no vidro também são sinais de válvulas com problemas ou com fugas pelo vidro. Alguns amplificadores híbridos a detecção é mais difícil pois as válvulas deixam de funcionar, mas o amplificador continua com som.

5 – Alto falante. Em um amplificador usado você não sabe o real estado do Alto Falante. Não sabe pelo que o coitado passou. Se foi sempre utilizado da forma correta, na impedância correta e potência, tudo bem. Mas muitos espertinhos aproveitam para outros amplificadores, com potências superiores à suportada pelo alto falante, gerando danos irreversíveis no mesmo. Nesse caso a única dica que posso dar é testar muito bem. Com o som limpo no máximo e distorção no máximo. Veja se ele não apresenta um som recortado, típico de falante estourado. E se não apresentar nenhum problema, toque e sinta se ele soa bem, se as frequências são definidas e o som é bom. O seu ouvido é o seu grande aliado nessas horas. Por isso sugiro o teste em um estúdio. Em palco você não vai ouvir nada, é muito barulho. Reserve um momento íntimo a dois com o seu possível futuro amplificador.