Novo x Usado – Amplificadores

Continuo aqui a análise que fiz sobre equipamentos novos e usados. Qual comprar?

Hoje o assunto é sobre os amplificadores, sejam eles valvulados ou transistorizados. Vamos direto ao ponto.

Novo

Prós:

1 – Produto zerado na caixa. Muitas lojas deixam apenas um para teste, e ao comprar você leva um produto novo no plástico. Por esse motivo a garantia é um diferencial. Não só possui garantia, como em caso de defeito a substituição é simples e imediata. Trocou, problema resolvido. O mesmo não acontece com as guitarras.

2 – Produto sem marcas de uso. Aqui vale lembrar que marcas de uso não são apenas batidas e riscos como nas guitarras, mas também poeira e umidade que normalmente tomam conta do acabamento. Um amplificador novinho não tem nada disso.

3 – Equipamento sem desgastes. Você sabe que o amplificador é novo, o alto-falante é novo e no caso de um valvulado, as válvulas tecnicamente estão em perfeito estado. De todos os benefícios de um amplificador novo esse creio ser o mais importante de todos. O aparelho está à mercê dos seus bons cuidados para mostrar onde ele pode chegar.

4 – Acessórios. Normalmente o mercado de amplificadores não é como as guitarras onde tudo é vendido de forma separada. A maioria dos amplificadores já acompanha Footswitch + cabo, capa, manuais, speaker cable, etiquetas de garantia, adaptadores de tomada e em alguns raros casos uma lâmpada reserva para o painel.

5 – Assim como no post das guitarras: Procedência. Você sai da loja com um documento, uma nota fiscal. É seu e você sabe de onde veio. A maioria dos amplificadores hoje também já possuem número de série. Sempre tenha salvo online fotos do seu equipamento e de todas as numerações de série existentes neles. Pode ser de grande utilidade no futuro. Eu particularmente salvo até as notas fiscais. Se você costuma viajar, é imprescindível ter isso em mãos.

Contras:

1 – Preço. As guitarras já desvalorizam como vimos anteriormente, os amplificadores por serem produtos eletrônicos desvalorizam ainda mais. O preço dele novo é incrivelmente mais alto que um idêntico, comprado no dia anterior e disponibilizado à venda por algum arrependimento. Resumindo. Novo é caro, importado é mais caro ainda.

2 – Um amplificador novo também é um “kinder-ovo”. Apesar de não dar dores de cabeça com madeiras, pode dar outras tão incômodas quanto. Um amplificador novo não significa que é perfeito. Foi testado por alguns segundos na linha de produção e só vai ser ligado novamente nas mãos do cliente final. O contra de ser vendido embalado novo na caixa é este. Tive um valvulado que comprei novo. Toquei com ele em casa e desde o primeiro dia dava estalos no som. Li na internet que era um problema comum causado por soldas defeituosas. Levar na loja não iria resolver. Só iriam me dar outro zerado com o mesmo problema pois foi uma série grande que veio com isso.  Um dia com a ajuda de um amigo abri e refiz todas as soldas e nunca mais deu estalos no som. Hoje ele já não está comigo, mas até onde sei continua firme e forte sem nenhum problema, mas aprendi a lição sobre amplificadores novos. Alguns amplificadores saem de fábrica com problemas muito mais sérios, como transformadores mal dimensionados. Então lembre-se. Amplificador novo pode sim trazer muitas surpresas.

3 – Componentes. Tanto os transistorizados como os valvulados podem não vir de fábrica com os componentes de maior qualidade disponíveis no mercado. Então dependendo do amplificador que for comprar, considere um gasto adicional para algum upgrade. Seja ele capacitores, válvulas, transformadores e principalmente alto falantes. Embora não precisem de uma regulagem como as guitarras, eu recomendo vivamente levar para um técnico um amplificador novo de fábrica para conferir o ajuste de Bias das válvulas. Faça isso antes de descobrir que estava tudo desregulado torrando as válvulas novinhas e consequentemente o seu dinheiro.

4 – Um amplificador novo você não pode pegar emprestado para testar em casa, no estúdio ou no palco. Tenha a certeza que ele realmente atende o que você procura. Na loja no meio da emoção, muitas vezes sem a sua própria guitarra e com a pressão do vendedor você acaba achando que o amplificador atende todas as suas necessidades. Não compre na pressa. Toque em mais de um, em outras lojas, com várias guitarras ou com as suas. Tenha em mente o que você precisa e se ele realmente vai resolver o seu problema. A internet pode te ajudar muito, então pesquise!

5 – Revenda. Como já disse, você perde uma grana legal na revenda. E o problema não para por aí. Simplesmente anunciar algo seminovo não resolve. Vejo que muitas pessoas preferem comprar algo mais usado em algum negócio “bem-bolado” do que pegar um amplificador seminovo sem nenhum a mais. A maioria dos anúncios que vejo os vendedores são obrigados a fazer promoções com produtos adicionais para impulsionar a venda como pedais, cordas, afinadores ou até hard cases personalizados. Então já sabe. Se pegar um amplificador novo e quiser revender, tenha paciência ou então monte um combo legal senão o povo não pega.

Usado:

Prós:

1 – Preço. Sempre mais em conta e você pode tentar um rolo que é mais fácil que com instrumentos.

2 – Um amplificador usado já não traz tantas surpresas do ponto de vista da fábrica. Se não tem problemas, passou no teste, se já teve e foi reparado por uma pessoa qualificada, pode ter a certeza que ficou melhor do que o original. São amplificadores mais confiáveis por esse motivo. Claro, se bem cuidados. Mas um amplificador é fácil ver se foi bem cuidado, tanto pela estética como pelo funcionamento. É só ter atenção.

3 – Componentes. Muitos já passaram por alguma melhoria, e os que não passaram, já estão “amaciados”, como é o caso dos alto-falantes. Você amaciar um do zero leva um bom tempo. Para quem toca bastante, creio que em uns três meses para saber definitivamente como o amplificador irá soar dali para a frente. Para os que tocam pouco, esse dia nunca chega. É aí que muitas pessoas se arrependem ao comprar um amplificador novo. Não esperam o tempo mínimo para começar a amaciar o bicho, acham o som duro e vendem pensando que ele não é bom. Por isso os usados já são mais plug-and-play.

4 – Um amplificador usado é mais tranquilo para testar com calma. Você conversa diretamente com o vendedor, leva a sua guitarra para testar, ou até mesmo traz o amplificador para gravar, tocar ao vivo, ensaiar… É mais tranquilo para uma tomada de decisão.

5 – “Achado”. No mundo dos anúncios de amplificadores usados encontram-se verdadeiros achados. É possível encontrar modelos que nenhuma loja tem, e isso não significa propriamente que serão caros por serem mais raros. Existem ótimos negócios à espera daquele que tem paciência para fuçar e negociar.

Contras:

1 – Revenda. Como comprador é pró, como vendedor é contra. Você precisa praticar um preço de mercado, não aquele que acha justo em relação ao que pagou e o cuidado que teve com amplificador. Não importa se você cuidou dele muito bem e até dormiu abraçado com ele. O mercado irá ditar o preço médio que ele vale. E muitas vezes o que dita o preço do mercado é a situação econômica do país e o desespero das pessoas em se recapitalizar. Muito cuidado.

2 – Assim como quem compra um usado tem a praticidade de testar com mais facilidade, quem vende precisa ser flexível e se colocar no lugar do comprador. Nem sempre é fácil ficar correndo atrás, acompanhando o músico em ensaios ou shows para ele testar o equipamento que você está vendendo. Mas dependendo da situação, do produto e do comprador, você terá que engolir esse sapo e colaborar se quiser mesmo vender o equipamento. Eu sugiro ser flexível, mas não uma mãe. Tome a frente sempre em sugerir um teste, em algum local público, um estúdio de ensaios de confiança de preferência. Cuidado com a internet, você não sabe quem responde lá do outro lado. Os mesmos cuidados que você teria ao conhecer uma pessoa deve ter ao vender um produto.

3 – Estado do equipamento. Eu disse que os usados normalmente já possuem alguma melhoria e tal. Mas não podemos esquecer do outro lado da moeda. Muitos vendedores irão descrever os seus produtos como “zeradinho”, “revisado” ou então “com upgrades” por pura conveniência. É nessa hora que quem for comprar precisa ter um olho clínico. Primeiro check: Potenciômetros. Teste e sinta na mão se todos estão com o curso macio e igual. É possível perceber quando foi substituído ou se tem um desgaste maior em relação aos outros. Ele gira mais solto e seco. Ligue o amplificador em um volume consistente e veja se nenhum desses potenciômetros gera ruídos no som durante o curso.

4 – Estado das válvulas. Separei um tópico só para elas pois é um assunto importante. Um amplificador valvulado usado você não tem como adivinhar o real estado das válvulas. Mas vou tentar dar algumas dicas que podem ajudar, mas que não são de maneira alguma um veredito sobre o tema. O ideal seria levar um testador de válvulas, tirar uma por uma e testar. Mas nem todo mundo tem um, eu mesmo não tenho. Então nesse caso específico recomendo a dica de aproveitar a flexibilização do vendedor e pedir para levar para um técnico de confiança dar a opinião dele sobre as condições gerais do amplificador para você. Mas em um primeiro momento toque no amplificador, veja se o comportamento dele é bom em todos os volumes, inclusive no máximo. Certifique-se que as válvulas não estão gerando apitos quando em volumes altos ou com o ganho no máximo. Dê pequenos toques nas válvulas com uma caneta e veja se não estão criando ressonâncias, apitos ou ruídos parecidos com o de um chocalho. As válvulas já muito desgastadas apresentam todos estes problemas.

Tenha cuidado ao comprar amplificadores com válvulas de várias marcas misturadas. Existem curiosos como eu que fazem essas misturas procurando determinadas sonoridades, mas muitos vão em autênticos balaios de válvulas velhas buscar as menos piores só para deixar o amplificador funcional para a venda.

Repare se o brilho das válvulas é o mesmo. Um par de válvulas de potência por exemplo deve ter o mesmo brilho. Com todas as válvulas desligadas veja se nenhuma possui trincado no vidro perto dos terminais de encaixe no soquete. Esbranquiçados no vidro também são sinais de válvulas com problemas ou com fugas pelo vidro. Alguns amplificadores híbridos a detecção é mais difícil pois as válvulas deixam de funcionar, mas o amplificador continua com som.

5 – Alto falante. Em um amplificador usado você não sabe o real estado do Alto Falante. Não sabe pelo que o coitado passou. Se foi sempre utilizado da forma correta, na impedância correta e potência, tudo bem. Mas muitos espertinhos aproveitam para outros amplificadores, com potências superiores à suportada pelo alto falante, gerando danos irreversíveis no mesmo. Nesse caso a única dica que posso dar é testar muito bem. Com o som limpo no máximo e distorção no máximo. Veja se ele não apresenta um som recortado, típico de falante estourado. E se não apresentar nenhum problema, toque e sinta se ele soa bem, se as frequências são definidas e o som é bom. O seu ouvido é o seu grande aliado nessas horas. Por isso sugiro o teste em um estúdio. Em palco você não vai ouvir nada, é muito barulho. Reserve um momento íntimo a dois com o seu possível futuro amplificador.

Novo x Usado – Guitarras

Neste post começo uma série de três publicações sobre a aquisição de equipamentos. Novos ou usados? É a pergunta que muitas vezes me fazem, e que eu também em alguns momentos balanço na hora de comprar algo para o meu set. Em conversa com amigos e leitores do blog, decidi colocar aqui algumas observações que considero relevantes. Longe de ser uma verdade única, espero que ajude quem normalmente não troca de equipamento ou está naquela dúvida cruel do que fazer. E começando é claro pelo objeto de maior desejo de todos, as guitarras!

Temos um mercado de usados muito forte em nosso país, e pesquisando bem aparecem oportunidades incríveis de negócio mas muitas vezes acabamos optando por algo novo e mais caro, mas também com opções mais razoáveis de pagamento.

Infelizmente vivemos um momento delicado da economia onde os equipamentos profissionais importados atingem valores altíssimos e o sonho de ter uma guitarra “top” zero km fica cada vez mais distante. Em uma rápida opinião, vejo que apelar para o mercado de usados é a melhor solução. Apesar de dificultar a forma de pagamento, você pode dar sorte de encontrar alguém também à procura de algo que você tenha como moeda de troca.

Quem não acompanha o blog pode encontrar na busca “Golden Stratocaster” e verá que com muita pesquisa, boa vontade e algum investimento você pode ter uma guitarra excelente com um preço muito amigável. Para citar, esta guitarra é a minha principal companheira hoje em shows e gravações.

Elaborei aqui uma lista rápida de prós e contras que considero muito importantes na compra de um instrumento novo ou usado:

Novo

Prós:

1 – Você será o primeiro dono. Sabe de cara que estará comprando um produto com uma garantia mínima de 6 meses que as lojas oferecem. Tem os seus direitos resguardados.

2 – Instrumento sem riscos e detalhes no acabamento. Se tiver e você ainda assim quiser o instrumento, não esqueça de negociar o valor pois não é justo comprar algo novo já com marcas.

3 – Instrumento sem nenhum tipo de desgaste. Seja ele nos trastes, eletrônica (chave e potenciômetros), no nut ou no cromado das peças de metal.

4 – Revenda. Embora seja difícil revender no preço que se pagou, por ser um instrumento de único dono e bem cuidado é “pão quentinho” no mercado, vende fácil.

5 – Procedência. Você sai da loja com um documento, uma nota fiscal. É seu e você sabe de onde veio.

Contras:

1 – Valor. Sem dúvidas o valor pedido em um instrumento importado novo nas lojas é de se fazer pensar duas vezes. Não vou entrar no mérito da questão dos preços pois sabemos que a vida do empresário não é mole no Brasil. Mas sim, é caro e muitas vezes você vê o mesmo instrumento na internet, com uma semana de uso, algumas vezes quase pela metade do valor da loja. Por isso pesquisar exaustivamente é a melhor orientação sempre.

2 –  Um instrumento novo é um “kinder-ovo”, uma surpresa. Você não consegue precisar a data em que foi fabricado, quanto tempo ficou na loja até ser vendido e o tipo de armazenamento que foi feito.

3 – O braço é o ponto de fragilidade de um instrumento de cordas. Em uma guitarra nova você não consegue prever o comportamento que ele vai ter. Embora o empeno seja sempre “controlável” com um bom ajuste do tensor, no caso de torção da madeira o problema muda de nível e só um bom Luthier poderá resolver. É um serviço caro e em alguns casos um pouco demorado pois o profissional depende tão somente da resposta da madeira para entregar o instrumento ao músico.

4 – Upgrades. Além de pagar caro em uma guitarra nova, a maioria precisa de upgrades. Seja uma correção na instalação dos trastes ou até mesmo a troca de todos os captadores. E sim, isso vale até para as guitarras mais caras. Por mais cara que seja, nem sempre recebe as peças mais adequadas, ou as que atendem totalmente o som que você procura. Além disso tudo sempre tem um gastinho a mais com acessórios como hard case, pois quem quer o seu instrumento novinho em folha jogado pelos cantos?

5 – Da loja para a revisão. Nunca peguei um instrumento novo na loja pronto para os palcos. É da loja para a manutenção, aí sim você vai conhecer de verdade o instrumento que acabou de comprar.

Usado

Prós:

1 – Valor. Sempre muito mais em conta que qualquer instrumento novo. É o grande motivador da compra de um instrumento usado.

2 – Instrumento com madeiras já estabilizadas. Um instrumento antigo já passou pela fase de adaptação da madeira. Não está livre de problemas pois tudo depende da forma como é cuidado, mas já não há tanta instabilidade, e sim mais previsibilidade.

3 – O braço já recebeu várias trocas de cordas e ajustes de tensor. Se passou por um tapa completo por um Luthier melhor ainda. Segurança para quem for tocar.

4 – Normalmente guitarras usadas já passaram por algum tipo de melhoria, e muitas vezes mesmo com estes “upgrades” a guitarra ainda fica muito mais barata que a nova na loja. Poupa o esforço de importar peças e gastar para mandar instalar tudo e regular o instrumento do zero. Além das melhorias, as guitarras usadas sempre acompanham um bag ou case. Em alguns casos o vendedor opta por vender separadamente, mas não é tão frequente. Conversando bem você pega o pacote “alegria” completo.

5 – A maioria dos instrumentos usados de boa qualidade disponíveis para a venda os donos têm o cuidado de mandar para uma revisão completa e entregam a guitarra totalmente funcional para o seu novo proprietário. É uma mão na roda para você sair tocando.

Contras:

1 – Falta de garantia. Instrumentos usados não possuem nenhum tipo de garantia. Se comprados em loja, você ainda tem algo, mas no mercado informal sabe que se da noite para o dia tiver algum problema, a bola está com você. Não existe nenhum direito do consumidor para reclamar.

2 – Um instrumento usado sempre tem algum detalhe de uso. Alguns um pouco sérios quando batem em algum objeto duro. A pintura não só lasca como afunda a madeira. Se é o tipo de coisa que não te incomoda e o visual das guitarras surradas te agrada, pule este tópico.

3 – Desgaste. Aqui peço uma especial atenção. Acho que de toda a matéria esse tópico é o mais relevante pois senti na pele isso. MUITO cuidado ao adquirir um instrumento usado pois existem desgastes que podem te custar muito caro. Sim, estou falando dos trastes. Os trastes costumam durar muito, mas tudo tem a sua vida útil e chega o momento em que eles não aguentam mais ser retificados e precisam ser trocados. É nessa hora que você que vai comprar um instrumento usado precisa ter o seguinte na balança:

O braço tem escala clara ou escala escura?

Se o braço for em escala escura, tudo certo. Você terá um gasto relevante com a troca de trastes, mas nenhum problema futuro com isso.

Agora se você pondera comprar um instrumento importado usado com escala clara redobre a atenção com o estado dos trastes.

Escala clara normalmente recebe um acabamento em verniz. Toda a troca de trastes bem feita requer retificar toda a escala do instrumento para um alinhamento perfeito dos trastes depois de instalados. É aí que mora o problema. Nem sempre se consegue o mesmo pigmento do verniz, e uma troca de trastes em escala clara quase sempre fica visível que foi feita. É o tipo de serviço que não dá para fazer com qualquer um. Sai caro, e por mais bem feito que seja vai comprometer seriamente o preço de revenda do seu instrumento se um dia for desapegar dele. Por isso pense muito bem, e avalie a real condição dos trastes quando for comprar. Tive uma guitarra que precisava de troca de trastes, mas a dor de cabeça, gasto e a desvalorização do instrumento eram tão grandes que preferi vender como estava e decidi então montar uma guitarra do zero para mim. Outra dica valiosa, trastes inox. Se você colocar, nunca mais vai se incomodar. A durabilidade é ignorante compara aos normais.

4 – Preço de revenda. Você já está pagando menos em um instrumento usado, então para passar ele no futuro para outra pessoa você sabe que depende de muitos fatores para ele não desvalorizar. Depende do preço praticado no mercado, da valorização da moeda ou então de algum fator adicional como saída de modelo de linha. Você pode dar a sorte da sua guitarra sair de linha e virar artigo de coleção, ou ter a reputação daquela série queimada pela explosão de casos de problemas relatados na internet, muito comum no mundo dos smartphones. Resumindo. Para desvalorizar ou valorizar você depende tão somente de fatores externos que você não pode prever e muito menos controlar. Por isso compre para você usar, não para vender pois as chances de valorizar estão apenas em instrumentos que já são raros, e que consequentemente você já paga um valor altíssimo neles também. Você decide se compra para tocar ou como um investimento financeiro para o futuro.

5 – Você sabe que não é o primeiro dono. Não sabe com certeza absoluta de quem foi, de onde veio e como chegou até você. Em alguns casos você consegue um documento, uma nota fiscal. Duvide de tudo e pesquise muito. O mercado de instrumentos roubados é muito forte pois ainda não existe uma plataforma tecnológica robusta para instrumentos musicais como se tem  para automóveis e equipamentos eletrônicos. Procedência é tudo!

Cantinho da Guitarra

Compartilho com vocês uma solução que encontrei para resolver o problema de falta de espaço para os equipamentos. Sempre tive um misto de quarto+escritório+laboratório. Com o tempo a família de instrumentos foi aumentando e fui comprando suportes de chão. O problema é que foi tomando muito espaço e em alguns momentos a cama já tinha virado refúgio das guitarras.

Além de trancar canto, os acidentes envolvendo os suportes se tornaram frequentes. Foi então que decidi reservar um espaço próprio para as coisas de guitarra e eletrônica que tenho em casa.

Comecei pela escolha do local, o quartinho de tranqueiras do apartamento. Ali ficavam reunidos os restos de mudança, de reformas, coisas da família e objetos de origem desconhecida que ninguém consegue explicar como foram parar lá.

foto-01Templo escolhido, tirei tudo o que tinha dentro e iniciei as adaptações para o novo espaço eletrônico-guitarrístico que tanto necessitava. Por ser um espaço minúsculo a única forma de armazenar os instrumentos seria através de suportes de parede. Eu já tinha dois que estavam guardados, mas como iria precisar de mais acabei comprando um suporte para 5 instrumentos.

suporte

Esse tipo de suporte é facilmente encontrado em lojas de instrumentos musicais e o valor não passa de 80 reais em média. É possível ajustar o lado e o ângulo em que os instrumentos irão ficar. A dica que dou é alargar os furos do suporte. Inicialmente ele vem com 4mm, achei pouco e utilizei parafusos de 6mm para suportar melhor o peso de várias guitarras. Para quem tem coleção de baixos essa modificação considero obrigatória.

Como o espaço não tem nenhuma janela para a rua e a ideia era armazenar instrumentos musicais, procurei torná-lo o mais hermético possível. Para isso além de um controle da umidade, adicionei um vedador de porta que ajuda na tarefa e ainda impede a sujeira de entrar. Para quem tem animais em casa é muito bom contra os pelos.

vedador

Como disse, o tratamento do ambiente é imprescindível ao armazenar instrumentos sensíveis como guitarras e violões. Depois de esvaziar o espaço e instalar os suportes, as paredes foram lavadas e a umidade controlada com um desumidificador durante algumas horas antes de colocar os móveis e instrumentos em seus devidos lugares.

foto-02A porta normalmente é sempre esquecida, mas pode ser uma grande aliada para a organização dos cabos.

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Para finalizar organizei tudo e coloquei os instrumentos em seus novos lugares.

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É o tipo de espaço que não precisa ser grande nem ter isolamento acústico. É para trabalhar e guardar as coisas em segurança. Recomendo!

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Fender 5e3 – Raphael Lascowski

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Todos que acompanham o blog sabem como eu gosto de construir coisas e trabalhar com eletrônica. Mas também tenho amigos que possuem os mesmos gostos e sempre trocamos informações sobre isso. Neste mês comparilho com vocês a construção de um cabeçote baseado no famoso Fender 5e3.  Desafiei o meu amigo Raphael Lascowski a replicar de forma integral o circuito deste clássico da Fender, todo ponto a ponto, de forma simples e o mais rústica possível. Ele topou a brincadeira e tempos depois me ligou para conferir o resultado.

back

Para quem não conhece, o Raphael Lascowski é de Curitiba e vem fazendo excelentes réplicas de amplificadores valvulados. Além de um trabalho muito caprichoso, ele utiliza componentes selecionados e tem o cuidado de medir um por um para colocar nos circuitos. Neste amplificador por ser um clássico ele não sossegou enquanto não encontrou todas as válvulas originais para reproduzir com fidelidade o circuito sugerido.

tubesO resultado de todo esse esforço se traduziu em um som impecável. Os transformadores são de produção nacional e se mostraram à altura do circuito.

Como a brincadeira era criar algo extremamente simples e robusto o Raphael decidiu fazer uma construção ponto-a-ponto sem placa, mas com réguas de terminais.

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A construção desta forma permite substituições, ajustes, mods e upgrades com uma facilidade enorme. Apesar da simplicidade este exemplar ficou um dos mais silenciosos que já toquei. Mesmo sem aterramento adequado ele não tem ruídos. Fizemos testes com e sem aterramento e os resultados foram excelentes.

Apesar de eu não ser o “Mago” da vez, me interessei de tal forma pelo projeto que decidi estudar mais o circuito. Foi nessa brincadeira que acabei encontrando um site que é uma bíblia sobre o 5e3 e tem todo o tipo de informação possível. Para quem tem, para quem quer ter, para quem quer montar ou então para quem apenas quer adquirir conhecimentos como é o meu caso. Você pode conferir clicando AQUI o site Rob Robinette´s.

Uma das informações mais legais que pude recolher é sobre uma modificação chamada “Switched Negative Feedback”, uma das mais recomendadas do site. O circuito original tem uma dose grande de graves, casando assim com os speakers da época. Hoje em dia a maioria dos speakers possuem muitos graves e com algumas guitarras esse amplificador pode ficar com o som embolado demais. Com uma pequena chave, um resistor e dois fios você pode alternar entre o original e mais duas opções que cortam significativamente os graves e deixam o som bem equilibrado com equipamenos contemporâneos.

Como não poderia faltar, fiz um modesto e pequeno vídeo mostrando as possibilidades sonoras do pequeno gigante 5e3. Aqui vai:

Deixo aqui o contato do Raphael e também fotos de outros projetos feitos por ele. Além de amplificadores ele também faz gabinetes nos mais diversos materiais e acabamentos:

Raphael Lascowski – raphael.lascowski@gmail.com

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TC Electronic – Viscous Vibe

Sempre quis ter um pedal um pedal de “vibe”, mas foi o tipo de efeito que sempre adiei a aquisição graças ao meu vício em overdrives. Cansado dos pedais soltos, montei um pedalboard “definitivo” e antes mesmo de ter todos eles já havia calculado espaço para tudo o que eu queria. Na hora de montar corri atrás do Vibe que me faltava por todos estes anos. Após uma boa dose de pesquisas, o pedal que mais atendia ao leque de sonoridades que eu procurava era o Viscous Vibe da TC Electronic.

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Com quatro ajustes no painel e três modos de efeitos, o pedal vai de um Vibe delicado ao extremo som de Jimi Hendrix. O vibrato é muito macio e profundo. Como a proposta principal do pedal não é ser um Chorus, a função é legal, mas limitada e com poucas possibilidades de ajuste no painel.

O legal do pedal é que vem com a mais nova função “TonePrint” e pode ser ligado por USB ao computador para o usuário criar um ajuste fino e presets que atendam especificamente as necessidades de cada um.

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As possibilidades de ajustes são enormes e cada uma muito atuante. Pode-se fazer seus próprios presets e também utilizar os sugeridos no aplicativo, desenvolvidos por guitarristas parceiros da TC.

A única coisa chata é precisar ligar o pedal em um computador, o que permite apenas ajustes em casa. O ideal é ajustar em estúdio, com bom volume, de preferência com a banda junto para dar um destaque legal na Mix. Uma possibilidade é fazer isso com um notebook (mais uma tralha para carregar).

Para quem pode e gosta de efeitos ainda mais destacados, o Viscous Vibe assim como muitos pedais de modulação, vem com entrada e saída Stéreo, o que dá um efeito muito legal de deixar qualquer um tonto.

Para mim hoje a TC Electronic é a Apple das marcas de pedais, procurando sempre o melhor da tecnologia, sem esquecer os conceitos básicos e características que os guitarristas procuram em um equipamento. A construção dos pedais é sempre primorosa, com componentes de grande qualidade e muita robustez no produto final. No Viscous Vibe não poderia ser diferente:

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O pedal é todo construído em formato SMD. O bypass da TC já é famoso por ser feito com relés, ser extremamente silencioso (sem click algum), e em alguns efeitos como os de modulção (Incluindo este), quando o pedal é desligado o efeito faz um Fade Out agradável de aproximadamente 2 segundos, evitando uma quebra muito forte no tipo de som da guitarra.

Por ser feito com relés (no caso do Vibe dois por ser Stéreo), o switch que pisamos não é o tradicional DPDT ou 3PDT, e sim um Momentary Switch, que tem um tempo de vida útil muito maior que as chaves comuns. Dura tanto quanto uma tecla de computador, e nunca vi até hoje um dar problema.

Além do True Bypass, você pode escolher se usa ou não um Buffer disponível no pedal que pode ser ligado e desligado através de uma chavinha na parte traseira quando se abre o pedal. Na minha configuração atual já existe outro pedal com buffer então deixei desligado, mas testei em outras oportunidades e é muito bom.

Para quem procura um equipamento moderno, muito bem constrúido, silencioso e que leva muito em conta a qualidade do som da guitarra, os pedais da TC Electronic vão te introduzir a um novo conceito de efeitos para guitarra.

Deixo aqui um sample que gravei do simpático Viscous Vibe:

 

Treble Bleed

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Nos últimos dois meses me dediquei a dar um trato na elétrica de todas as minhas guitarras. Sou um amante de stratocaster e este até o momento é o único modelo de guitarra que tenho em casa. Por gostar tanto desse desenho e suas características, sempre procurei saber mais sobre o assunto. Um certo dia um amigo me pediu que instalasse dois componentes que ele tinha visto na internet que se colocados no potenciômetro de volume impediam que a guitarra perdesse definição com o volume reduzido no Knob. Na época ele me trouxe o escudo da guitarra apenas, e assim o fiz. Não cheguei a testar pois só me veio um pedaço da guitarra, e também não me interessei em fazer nas minhas pois estavam com as cordas instaladas e a preguiça tomava conta do meu corpo.

Recentemente todas as minhas guitarras precisavam de um up geral: Uma que estava com componentes novos e antigos misturados que já apresentavam desgastes, outra que foi totalmente restaurada e uma que precisava ter os potenciômetros substituídos pois eram lineares, inviabilizando qualquer tipo de ajuste do instrumento.

Adquiridas todas as peças, tratei de pesquisar vários esquemas de ligação para strato, mas acabei fazendo o clássico mesmo nas três pois me atendia muito bem. Nessas voltas vi como hoje o pessoal instala e divulga muito mais aquelas duas pecinhas que coloquei na elétrica do escudo que o meu colega me trouxe.

O nome mais comum é Treble Bleed. Consiste em um capacitor e um resistor em paralelo formando um circuito passa-banda que permite que as frequências mais altas “passem”, mesmo quando retiramos o volume da guitarra no knob. Geralmente são trançados um no outro para facilitar a instalação.

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É uma solução muito comum para as Telecasters, mas igualmente útil em stratos e outras guitarras com Single-Coils. Captadores single são muito brilhantes e quando há algum tipo de corte de agudos (no caso do potenciômetro de volume), o instrumento fica sem brilho e parece que o som morre. Existem várias discussões na internet sobre o “usar ou não” o Treble Bleed. Muitos dizem, com alguma razão, que esses componentes podem alterar a impedância de saída e modificar a sonoridade da captação. Considero verdade, em parte.

Quando o potenciômetro está com o volume no máximo o circuito não atua e não interfere na saída dos captadores. Fiz vários testes e medições com e sem o Treble Bleed e o resultado foi sempre o mesmo com o potenciômetro no máximo.

Mas quando tiramos volume, altera?

Sim, altera, mas nesse caso a opinião auditiva é mais relevante. Para mim o instrumento só ganhou com isso. Não perdeu brilho e nem qualidade na resposta dos captadores. Permite dinâmicas maravilhosas com overdrives e distorções mais pesadas.

É preciso por na balança: Colocar um Treble Bleed e usufruir do instrumento em todos os volumes ou não colocar e ter de usar a guitarra com o volume sempre no máximo para não se perder brilho.

Penso que muitas pessoas acabam não gostando dessa mod pelo que vou falor agora: Os valores dos componentes. É preciso testar sem preguiça até encontrar a melhor relação.

Existe na internet muitos valores diferentes e todos prometem o mesmo. Mas como saber qual valor de capacitor e resistor ficará legal com a minha captação? Testando. Foi o que eu fiz. Você tem duas opções:

Com alguns centavos testar inúmeras combinações, ou pagar em média 10 Dólares em um circuito de Treble Bleed ajustável.

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Eu ainda prefiro a primeira opção. Dá mais trabalho, mas além de ser muito mais barata te dá a oportunidade de descobrir cada vez mais o seu instrumento, sem contar que a opção variável tem apenas o valor do resistor ajustável e o capacitor você teria que trocar de qualquer maneira até achar o valor ideal.

Com base nos testes que fiz, vou apenas dar uma SUGESTÃO dos valores que testei e que casaram com as minhas guitarras:

Resistor 100k – Capacitor 1,5nF – Para captadores single com saída padrão mais alta (modernos) – Exemplo: Sergio Rosar Vintage Hot

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Resistor 220k – Capacitor 470pF – Para captadores single com saída padrão mais baixa (antigos) – Exemplo: Custom 69

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Os resistores utilizei de Metal Filme e os capacitores que deram os melhores resultados foram os Cerâmicos e os Silver Mica.

Estes sãos o valores que eu testei e deram uma resposta muito boa em cada captação. Para quem tem medo ou receio, ainda é possível montar de forma provisória o circuito com garras “jacaré” para ver se gosta, ou até encontrar o seu valor ideal. Há quem prefira montar com um pequeno switch no escudo ou trocar um dos potenciômetros por um “push-pull” para desligar a mod quando der na telha.

Lembrando sempre de cuidar para soldar tudo sem comprometer os fios já soldados no potenciômetro de volume pois eles são extremamente importantes.

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Recomendo!🙂

 

Mooer Blues Mood

bluesmoodHoje vou trazer um pedalzinho muito bacana que entrou no meu set no final do ano passado. O Mooer Blues Mood. A marca vem fazendo pedais muito legais em formato miniaturizado para facilitar a instalção no pedalboard, aliviando no tamanho e peso da tralha que o guitarrista precisa carregar.

pedalsO Blues Mood nada mais é que um Blues Driver (BOSS) em formato mini já com a chave de FAT mod que a turma adora fazer no original. Tenho o da BOSS e já comparei. O blues driver me pareceu ter menos ganho. O Blues Mood é mais agressivo, e curiosamente só entrega legal o som quando o volume (level) está da metade para cima. Para mim acabou limitando o pedal apenas para solos, pois só senti que o som ficou realmente bom com bastante volume, o que em bases fica inviável e você acaba encobrindo a banda em um momento que não há necessidade disso.

Ainda assim é uma diversão e tem possibilidades enormes de sonoridades. Vai de um clean muito dinâmico até um Fuzz bem rasgado com o ganho no máximo.

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Por ser um pedal tão pequeno não poderíamos esperar outra coisa. Ele é 100% feito com SMD. Em alguns pedais fica muito evidente, nesse não senti que tenha sido uma desvantagem e o projeto original não perdeu as características orgânicas do overdrive da BOSS. Os potenciômetros são miniaturizados também e extremamente frágeis. É preciso cuidado no uso para não quebrá-los. Tirando essas inevitáveis fragilidades, o pedal é bem robusto. Feito em uma boa caixa de metal, aguenta bem as pisadas e não apresenta nenhum padrão anormal de ruído. Muito silencioso e traz mais um upgrade que os BOSS não têm, o True Bypass.

Apesar do preço não ser muito distante do original, é uma ótima opção para quem quer algo compacto e que não precisa ficar modificando para compensar pequenas imperfeições que o Blues Driver traz de origem.

Um pouco do que o pequeno Blues Mood é capaz de fazer:

 

Golden Stratocaster – A Reforma

Nunca fui um fanático por instrumentos antigos. Sou um grande apreciador, mas tenho um TOC de sempre substituir componentes gastos ou em evidente oxidação. Um instrumento realmente vintage na minha mão seria um teste de autocontrole imenso. Mas é possível encontrar instrumentos nem antigos demais, nem novos demais. Pelo meio do caminho por assim dizer. Foi o caso dessa guitarra nacional Golden Stratocaster que chegou a minha porta como um cão abandonado, totalmente inesperada. Um belo dia um amigo a levou em um ensaio e me pediu para tocar e dar a minha sincera opinião.

A1Não conhecia essa série de guitarras. Se não fosse esta me chegar em mãos jamais saberia da história. Confesso que não acompanhei a história dos intrumentos nacionais. Em um primeiro momento ele me disse ser uma guitarra antiga, sem saber dizer com precisão o ano ou década. Mas isso pouco importava. Toquei e achei que a guitarra tinha um potencial enorme. Apesar de um hardware muito fraco e já deteriorado, notei que as madeiras pareciam boas e com um acabamento bem feito. Depois de ligar a guitarra no tal ensaio e verificar que para um instrumento naquele triste estado ela tinha um somzão, antes de fazer qualquer tipo de proposta resolvi buscar informações para saber que instrumento era aquele. Até então não sabia que iria ficar com ela, e meu amigo também não tinha oferecido, só pediu uma opinião e eu dei. Busquei na internet até encontrar mais informações. Basicamente são guitarras do final da década de 80, início da década de 90. Até onde consegui descobrir as dos anos 80 seguiam as especificações de madeiras da fender: Alder, Maple e Rosewood. É o caso da minha. A partir da década de 90 ainda fabricaram este modelo (medidas e headstock) mas passaram a utilizar madeiras nacionais como Marfim para o braço. Também soube que os modelos com acabamento sunburst eram normalmente em Alder e modelos em cor sólida compensado. Antes de ficar com ela verifiquei e contrariando as previsões, este exemplar é feito em 3 peças coladas de Alder. Na parte de trás a tinta descascou bastante e deu para ver em dois ângulos que tratava-se de madeira maciça, fato confirmado posteriormente pelo luthier que realizou a reforma. A guitarra estava bastante castigada pelo tempo, mal armazenamento e manutenção.

A4Algumas peças estavam já muito comprometidas. O Nut além de ser de plástico já havia sido alargado demais e os encordamentos normais ficavam tão colados nos trastes que o antigo dono colocou um palito de dentes por baixo para manter as cordas suspensas sobre a escala. O escudo e as capas dos captadores receberam do último proprietário (meu amigo) uma folha de madeira fina colada no plástico, mas sem nenhum tipo de acabamento. A ponte além de ser uma peça chinesa de péssima qualidade, estava completamente tomada pela ferrugem. Saddles e parafusos. Os parafusos dos saddles já nem tinham mais cabeça para a chave. O bloco era de zinco, fino e já tinha uma rachadura. Além disso, quando fui tirar as cordas só consegui remover as bolinhas das cordas com um alicate pois com o tempo elas ficaram presas dentro do bloco.

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As tarraxas eram muito fracas e algumas estavam totalmente presas. A elétrica era toda original. Os potenciômetros e chave não eram propriamente ruins e para a idade da guitarra não apresentavam nenhum tipo de ruído, o que me impressionou positivamente. Os trastes estavam totalmente gastos e não era mais possível ajustar a escala. Só dava para aproveitar as madeiras. A captação cerâmica fazia o trabalho sem ruídos, mas era pobre de tudo. Resumo da ópera. Não adiantava limpar, dar um tapa. Era preciso uma reforma completa para por esse instrumento soando bonito. Para qualquer um seria uma loucura comprar peças de qualidade para essa guitarra, mas acreditei e fui até o fim. Foi um projeto realizado com muita calma, e durou quase 2 anos para ter todas as peças e fazer acontecer.

A primeira coisa que separei foi a parte elétrica:

kit

O kit elétrico escolhido foi da stewmac com 3 potenciômetros Alpha 250kA, uma chave CRL 5 Way, Jack, Capacitor Orange Drop e fios.

Os captadores assim como a guitarra também são nacionais. Confesso que comprei em uma oportunidade, mas casaram lindamente com a guitarra:

captadores

Um trio de Malagoli Custom Alnico Blues. Nunca tinha utilizado captadores da marca. Nota 10, tão bons quanto outros importados que já usei.

As tarraxas também comprei em uma oportunidade, não foi proposital a cor mas também casou com o visual:

tuners

Um jogo Gotoh Cosmo Black ficou mais bonito do que eu imaginava e garantiram uma afinação impecável.

A ponte foi o maior problema de todos. Por ser chinesa, não bate nem na furação, muito menos no tamanho dos saddles com os padrões normais de Stratocaster. Nessa parte contei com a preciosa ajuda de duas figuras muito importantes:

O Carlos Manara, que me fez um bloco de aço de grande qualidade, e também fez a base da ponte idêntica à original, mas de boa qualidade e novinha em folha e sem ferrugem.

O Oscar Jr (do excelente blog Louco Por Guitarra), que me conseguiu os saddles da Callaham na medida que precisava.

E assim foi possível montar uma ponte fantástica, que fez uma diferença gigantesca no som final.

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O bloco além de ser em aço maciço, segue o padrão vintage com as bolinhas no topo, passando um maior comprimento da corda por dentro do bloco.

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Os trastes já não davam conta de mais reformas e foram substituídos pelos Stewmac 148. A escala foi toda lixada e novamente hidratada. O braço ficou como novo.

4Além das tarraxas pretas super bonitas, essa guitarra recebeu um Nut de latão que deu um som metalizado interessante nas cordas soltas, além de ter ficado chamativo depois de polido.

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Este belo trabalho de restauro foi realizado pelo meu amigo Carlos Eduardo Luthier em Curitiba. Além de muito caprichoso, é um cara super gente fina e constrói violões de encher os olhos (e ouvidos).

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Para fechar a brincadeira o escudo também foi lixado e recebeu uma hidratação para que as cores da folha de madeira ficassem bem vivas. Valeu os quase 2 anos de espera e o desafio de restaurar uma guitarra de 450 reais que ficou com qualidade superior a de muitos instrumentos importados disponíveis que custam muito mais. Lembrando que uma das principais vantagens que vi em fazer isso em uma guitarra antiga foi na qualidade e estabilidade das madeiras. No dia em que busquei no luthier estava um calor enorme na cidade, e no dia seguinte a temperatura caiu bastante. O braço extremamente estabilizado não se movimentou e a guitarra permaneceu com a afinação inalterada. Segura absurdamente bem a afinação.

Sim. Foi loucura e poucos aceitariam gastar mais do que o valor da guitarra para ter ela operacional outra vez. Sim, valeu a pena e todas a descobertas que o processo proporcionou.

Não poderia deixar de comemorar com um vídeo da menina em ação:

Amplificador: Fender Blues Junior

Overdrive: Tubescreamer TS9

Vibe: TC Electronics Viscous Vibe

 

 

Stratocaster Rewiring

Já fazia um bom tempo que uma das minhas guitarras pedia uma reforma na parte elétrica. Uma guitarra de 2002, que a última vez que lembro foi trocada a chave seletora em 2005 pois a original era muito fraquinha e já tinha entregado a alma ao criador. Como foi por muitos anos a minha única guitarra, nunca abri para cuidar da elétrica dela, confiando sempre aos luthiers por onde ela andou. É verdade que não fizeram um trabalho ruim, mas foram substituindo as coisas que iam estragando assim no escuro. O resultado foi uma elétrica genérica com potenciômetros diferentes entre si, bem como fios de cores e espessuras diferentes. Resumindo, um carnaval.

FullSizeRenderComo se passaram mais de 10 anos e a guitarra em questão também mudou de país, de casa várias vezes, meses atrás abri apenas afrouxando as cordas e colocando um limpa-contato na chave que já dava ruído ao trocar de captadores. Por fim resolvi refazer toda essa bagunça e por tudo novo da minha maneira. Como é possível ver na foto, além da inconsistência de componentes, aparecem pontos brancos parecidos com poeira na parte preta do escudo. São fungos. A umidade tomou conta de tudo e embora não apareça na foto, os potenciômetros e principalmente a chave seletora escureceram muito o metal por causa disso. Retirei tudo e fiz uma limpeza no escudo e também no interior da guitarra. Hoje moro em um lugar onde não sofro com esse problema, então sei que esta reforma vai durar.

Com as peças em mãos comecei a pesquisar a melhor maneira de montar tudo de uma forma caprichada e o mais limpa possível. Foi quando me deparei com um trabalho de elétrica de luxo do Emerson Custom:

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Muito interessante a qualidade das peças e também o capricho na construção. Um kit como o da foto “Plug and Play” custa em média 75 dólares. Como já tinha as peças e não estava disposto a dar nenhum centavo por algo montado me inspirei nesse rico trabalho e o resultado foi muito interessante.

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Para quem tem interesse em realizar esse procedimento ou apenas estudar, aqui fica o modelo de ligação para Stratocaster que usei:

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Achados do Gambiarras

Em alguns Achados do Gambiarras anteriores tentei trazer um site informativo sobre pedais da Boss que era um dos mais completos que eu conhecia. O Boss Area. Tentei muitas vezes entrar no site e nada. Até que descobri que o site foi desativado. Lá existia uma lista completa com praticamente todos os modelos de pedais da Boss e em cada um informações históricas e técnicas, além de fotos e detalhes sobre versões. Era o paraíso para quem queria saber tudo sobre um pedal da Boss. Do seu consumo de corrente até descobrir a data de fabricação a partir do Serial. Infelizmente o site acabou. Mas algumas almas caridosas se uniram e criaram algo ainda mais legal, o StompBoxZone. Um site baseado no Wikipedia para catalogar pedais de várias marcas. Conseguiram restaurar o conteúdo do falecido “Boss Area” e ainda adicionaram pedais de outras marcas como MXR e EH. Se a galera abraçar a causa e contribuir, este pode vir a ser o maior portal “wiki” de pedais do mundo e ajudar milhões de guitarristas. Além da parte “wiki” o domínio possui um forum super completo sobre pedais, amps e guitarras. Vale conferir!

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