Deluxe Reverb – Um amplificador de Butique

Tirando um pouco da poeira do blog, estes últimos meses foram de muito trabalho e este espaço tem ficado um pouco mais parado mas nunca abandonado.

O post de hoje é muito especial pois ele começou faz tempo, com o desejo de montar um amplificador ponto a ponto com componentes selecionados.

O projeto em si começou a tomar forma em Maio de 2020, quando lentamente comecei a estudar qual amplificador gostaria de montar e também iniciei a compra dos componentes.

Sim, existem muitos kits disponíveis e neste caso foi a parte vital para esse amplificador:

(basta clicar nas imagens para ver em alta resolução)

Adquiri o Kit normal do Deluxe Reverb da Tube Amp Doctor sem alto falante.

Normalmente aqui no blog sempre tento disponibilizar o máximo possível de dicas sobre projetos de eletrônica, e este post não é diferente, com a diferença de que a minha intenção não é trazer um passo a passo.

Um projeto deste tamanho, custo e complexidade envolve um longo contato com a eletrônica, bem como o domínio de técnicas de solda e manipulação de componentes eletrônicos.

Um passo a passo ficaria gigantesco e não iria solucionar todas as questões que aparecem, para isso quem tiver alguma dúvida específica pode enviar um e-mail para o blog (ver topo da página).

Antes de chegar no projeto propriamente dito, acho importante lembrar que antes de começar a construir é necessário ter as ferramentas para todas as etapas da construção.

Além da estação de solda (com temperatura controlada de preferência), pinças, alicates de corte e demais acessórios para a manipulação dos componentes, é necessário também organizar a bancada com instrumentos que vão ajudar na finalização e ajuste.

Um multímetro, básico não só para ajustes e medições, mas também para verificação de ligações e valores de componentes.

Outra ferramenta essencial para os primeiros testes é uma carga fictícia, para em um primeiro momento não ligar o amplificador direto no falante pois caso alguma coisa esteja errada pode danificá-lo, sem contar na praticidade de poder fazer todas as medições e anotações iniciais apenas com o chassis na bancada.

Basicamente montei uma carga fictícia com um resistor de 8 Ohm 100w, um cabo de alto falante e um jack P10.

É o tipo de ferramenta que só se faz uma vez e ajuda na construção e manutenção de outros amplificadores no futuro.

Um osciloscópio é bem-vindo, e no meu caso tenho acesso à uma oficina completa por isso não adquiri um especialmente para este projeto.

Uma bancada limpa e organizada é essencial pois lembrando, envolve altas tensões que podem ser letais e um local de trabalho bagunçado aumenta o risco de desastres.

Sim, pode ser montado no conforto da sua sala, desde que tome todos os cuidados.

Recomendo ter um medidor de Bias externo.

Existem muitas formas de medir e inclusive montar o medidor dentro do amplificador de forma permanente ou provisória para os primeiros ajustes.

No meu caso eu queria ter um acessório externo pois procurei ser fiel ao projeto e também preciso de um medidor que possa ser utilizado em outros amplificadores que me aparecem para montar, modificar ou reparar.

Para isso comprei um Kit que consiste em um soquete Octal, uma base de plástico igual à base da válvula e um resistor de 1 Ohm para realizar a leitura em mV.

O kit traz um resistor de 1% de precisão, o que é legal, mas decidi ir um pouco mais além e encomendei alguns resistores Vishay com 0.5% para maior precisão na medição.

Medidor montado, tudo pronto para o projeto.

Falando em Kit, eu poderia ter simplesmente montado um desses disponíveis mas tive a vontade de fazer diferente personalizar algumas partes.

Isso obviamente encareceu muito o projeto, a ponto de ser mais caro que um amplificador pronto na loja.

A diferença é que os amps novos dessa série produzidos pela fender possuem um som muito diferente que não lembra o amplificador original, além de não utilizarem componentes de grande qualidade.

Comprar um original e deixar ele soando realmente bem é sim um investimento alto e que para o meu caso não vale o esforço, então melhor começar do zero e fazer algo como se deseja.

Questão pessoal, quem já teve contato com um amplificador feito com componentes selecionados não se contenta em montar um kit simples, que embora tenha ótimos componentes pode ser amplamente melhorado.

Para isso tive de comprar peças de várias fontes diferentes e vou passar aqui os sites das empresas que adquiri partes específicas:

www.tube-town.de

www.tubeampdoctor.com

www.tedweber.com

www.mercurymagnetics.com

www.mouser.com

Como gosto muito dos amplificadores da Fender e gosto de tocar Blues, decidi construir a versão AB763 Deluxe Reverb com 22w de potência, um combo com 1×12.

Apesar de não “concordar” com algumas partes do kit e substituí-las, é a forma mais fácil de adquirir as peças em quantidade ideal, próprias para este projeto e sem ter de comprar ainda mais separado do que já foi.

O preço final também acaba por ser melhor pois comprar tudo separado fica ainda mais caro.

Não havia a necessidade, mas comprei o kit completo, o que me permitiu guardar muitos componentes e tenho praticamente o suficiente para montar mais um amplificador.

Neste caso já vem com várias peças de qualidade como:

Chassis

Gabinete de madeira com finger joints, tolex instalado assim como tecido ortofônico.

Válvulas selecionadas Tube Amp Doctor que dispensam comentários. Mesmo que não comprasse o kit deles, com certeza compraria o set pois são realmente sensacionais.

Chapa do painel frontal e traseiro com serigrafia.

Jacks Switchcraft

Switches, conectores, knobs

Placas de circuito ponto a ponto

Fios, todos os parafusos necessários, porcas, etc..

Potenciômetros, capacitores, resistores.

Soquetes

Tudo isso com a praticidade de receber cada componente em um saquinho, devidamente catalogado.

Todos os componentes listados são de qualidade como já falei, mas dei um passo um pouco maior e defini que queria algumas coisas diferentes:

Transformadores:

Os originais são de boa qualidade, feitos nos EUA e o som desses amps são incríveis com eles.

A questão é que preferi recorrer à marca que faz os melhores transformadores “fender-like” no mercado, a Mercury Magnetics.

Guardei os originais do Kit e comprei todos da série Tone Clone que possuem todo um trabalho de pesquisa e engenharia reversa para serem equivalentes aos originais. Estes transformadores são vendidos também para substituir nos amplificadores antigos.

Pensar no futuro também é uma coisa interessante, e como nunca sabemos o dia de amanhã e que maluquice vamos inventar, adquiri o transformador com o primário universal que contempla as seguintes tensões: 100v, 120v, 220v, 230v, 240v.

Além do transformador de potência ser “multivolt”, o transformador de saída também é versátil com saídas de 4, 8 e 16 Ohm.

Soquetes:

Fiz questão de comprar e utilizar soquetes Belton, guardando os cerâmicos de marca desconhecida que acompanham o kit. É o tipo de investimento que não altera muito o preço final, mas traz o benefício de ter algo que realmente dura uma vida.

Resistores:

De uma maneira geral utilizei os da TAD que são Carbon comp, mas por questão de gosto pessoal e estabilidade, decidi utilizar alguns diferentes na fonte (óxido metal).

Como referi anteriormente, a ideia era deixar fiel ao projeto original, o que foi feito, apenas os tipos de alguns componentes são diferentes do amplificador original por segurança.

Há quem não goste e queira utilizar tudo como na época.

É impossível replicar totalmente como da época, começando pelos capacitores eletrolíticos que eram fracos, com alta taxa de falha e uma construção bem rudimentar de papelão.

Existem algumas marcas recriando estes capacitores, mas os valores para esse projeto ainda não existem caso alguém queira uma cópia realmente 100% fiel.

Potenciômetros:

O kit traz 10 potenciômetros Alpha 24mm de boa qualidade, mas por gosto pessoal e também durabilidade e qualidade de condutividade, utilizei CTS em todas as posições.

Os capacitores são de polipropileno Orange Drop projeto da TAD e fabricados pela Sprague.

A vantagem desse material é a estabilidade, resistência à mudanças de temperatura e deterioração muito lenta comparada com os de polyester.

Antes mesmo de iniciar as soldas separei cada capacitor e levei ao osciloscópio para verificar o “outerfoil” e posicioná-los da melhor maneira no circuito para uma performance mais silenciosa.

Com tudo na mão, comecei por trabalhar no chassis.

Apesar de ser um kit com tudo pensado, alguns furos não tinham o tamanho certo e foram alargados, e outros em falta que tive que fazer.

As placas não são furadas e a pessoa que vai montar deve decidir como irá ser feita a instalação no chassis.

Comecei por colocar soquetes, jacks e transformadores.

Com tudo posicionado é hora de soldar tudo o que é possível sem as placas.

Feito isso, iniciei pela placa da fonte do bias que é a menor de todas e possui apenas três componentes.

Uma pequena melhoria muito comum neste circuito é utilizar um capacitor de 50uF 100v no lugar do original 25uF 50v que além de não filtrar tão bem opera muito perto do limite de tensão do componente.

Tanto na fonte de alimentação do bias como da alta tensão os valores foram respeitados, mas utilizei resistores 2w óxido de metal no lugar dos originais do projeto 1w carbon comp.

Isso garante maior estabilidade, longevidade dos componentes e também baixas temperaturas.

Outro detalhe que fiz diferente do que normalmente vai no projeto, foi utilizar resistores carbon film de 1w no lugar dos carbon comp 1/2w para a parte dos filamentos.

Fiz alguns testes com os originais do kit, mas a inconsistência de valores (85 ohm e 107 ohm) fez com que eles não fizessem o seu papel corretamente.

Com os novos resistores com valores idênticos o amplificador ficou extremamente silencioso e sem nenhum “hum”. Quem ainda assim quiser usar os originais recomendo comprar vários e medir até encontrar dois exatamente iguais para funcionar bem.

Após finalizar a placa de alta tensão foi a hora de passar os fios da “dog house” (parte onde ficam os capacitores) para dentro do chassis onde serão ligados na placa do circuito propriamente dita.

Com essa parte finalizada comecei a soldar os componentes da placa principal.

É preciso especial atenção pois existem conexões feitas por baixo da placa e caso alguma coisa esteja errada, é preciso desmontar o amplificador todo para corrigir.

Antes de começar a soldar estudei o esquema e o layout durante meses até entender todas as conexões.

Normalmente inicia-se pelos componentes menores até os maiores.

Neste caso fiz diferente, pois todos eles se encontram nos pontos e fica um pouco difícil adicionar componentes depois, então fui do pré até o power gradativamente instalando os componentes.

Depois da placa com todos os componentes finalizada, foi a vez de instalar no chassis e iniciar a ligação dos potenciômetros e por último as válvulas.

Note que esse projeto possui fios por cima da placa e estas conexões são muito importantes no circuito de pré. Devem ser bem feitas e soldadas para evitar ruídos.

Por último foi passada a fiação dos filamentos e a parte de soldas terminou.

Finalizadas as ligações foi o momento de instalar as válvulas e fazer primeiro power up.

Seguindo o projeto original da Fender, assim que liguei ainda em stand by comecei a conferir todas as tensões e como estavam perfeitas fiz o primeiro teste de som. 

Inicialmente ajustei a tensão negativa mais alta para um bias frio na primeira vez que ligava o amplificador, o que deu -43.3v e 18mA em cada válvula.

Assim como no esquema original, medi 415v nas válvulas, o que dá um ajuste ideal de 20.2mA.

No meu caso fiz um ajuste fino e consegui estabilizar em 20.4mA por válvula o que está perfeitamente dentro dos limites.

Após o primeiro ajuste de Bias fiz testes no amplificador por cerca de duas horas para ter a certeza de que tudo estava estável.

Confirmando tudo funcionando bem, lembro que este é um combo e precisa lidar com vibrações.

O verniz nos parafusos garante que não terá ruídos de vibração e também não vão soltar com o tempo, o que além de ruidoso pode ser perigoso.

O gabinete não vem totalmente finalizado e é necessário fazer alguns furos para instalar o chassis, o tanque na parte inferior e também a folha de alumínio que “tampa/blinda” o chassis e garante uma operação silenciosa.

Hoje em dia não é preciso sofrer com cola pois estas folhas já possuem um lado com adesivo e a instalação é bem simples.

O alto falante escolhido para este amplificador foi o Weber 12F150, Light Dope já com o Cone-brake feito. Este é um dos melhores alto falantes no mercado para amplificador tipo Blackface e que substitui com grande elegância os originais Oxford 12K5.

É claro que a escolha é uma decisão muito pessoal e existem ótimos modelos da Jensen, Celestion etc…

Neste caso consegui com uma loja especializada que já faz o serviço de cone-brake, e na primeira vez que liguei o amplificador tudo soava macio com todas as frequências respondendo bem.

Talvez a única coisa realmente moderna que fiz foi utilizar um cabo diferente para o alto falante.

Normalmente nestes amplificadores usa-se o mesmo cabo rídigo revestido com tecido, mas no meu caso preferi algo tecnológico e comprei um cabo para alta fidelidade cobre puro livre de oxigênio.

Nunca é demais investir em algo muito resistente em uma parte que se falhar pode queimar o transformador de saída.

Para quem tiver interesse, é da marca KabelDirekt fabricado na Alemanha.

Algumas considerações e dicas:

Se pretende construir um amplificador, pequeno ou grande, não faça com pressa. Fazer o amplificador tem de ser parte da diversão e a ansiedade não pode ser misturada no processo.

Se for trabalhar com fios rígidos com revestimento de tecido como nesse projeto, não use alicates ou outro tipo de ferramentas na hora de manipulá-los, faça isso com as mãos com cuidado e devagar para dar a forma que deseja.

Use equipamentos de qualidade, como ferro de soldar e também o estanho.

Seja organizado e faça um trabalho limpo dentro do amplificador. Circuitos valvulados são muito sensíveis e facilmente apresentam problemas de ruídos e oscilações.

Seja qual for o circuito, ele possui módulos (fonte, pré, power) e isso deve ser lembrado durante a construção.

Se você constrói por módulos e dá a devida atenção a cada um, no final tudo faz sentido e se conecta perfeitamente.

O fato de os componentes serem soldados quase sempre na parte final do terminal não significa que não recebam muito calor na hora da solda.

Utilize pinças para dissipar o calor em cada solda e garantir a integridade de cada componente.

Assim como os fios, a manipulação dos componentes também deve ser feita com as mãos, utilizando os alicates apenas para correção com cuidado. 

Dentro do amplificador acumula muito calor. Não utilize peças que não resistam ao calor ou algum tipo de produto que pode derreter.

Se for construir um combo, lembre que tudo vai vibrar.

Só apertar bem os parafusos pode não ser suficiente. Certifique-se de que peças e conexões rígidas não se tocam, evitando assim “buzz” quando se toca as notas graves.

Nunca esqueça das altas tensões. Com o amplificador ligado, jamais coloque a mão seja onde for, com ele desligado, sempre confira se os capacitores da fonte estão descarregados antes de qualquer manutenção.

Existe uma primeira vez para tudo, e foi a primeira vez que montei um combo. 

Algumas empresas afirmam que este kit pode ser montado em 16hs, o que discordo. Talvez quem monte todos os dias consiga, mas em um cálculo bem por alto penso que fiz em 60hs. 

Levei vários dias pois fiz sem pressa e não queria correr riscos desnecessários.

A falta de tempo ainda não permitiu fazer um vídeo com qualidade, mas deixo aqui uma amostra gravada com o celular do desempenho do amplificador que ficou exatamente com o som que eu desejava.

Instagram

Já faz um bom tempo que o blog tem uma conta no Instagram e esqueci de divulgar. Com a correria dos últimos meses ficou impossível documentar e postar aqui todos os projetos que estive envolvido. Por lá já tem uma amostra do próximo post que será grande sobre um projeto muito especial. Segue lá:)

https://www.instagram.com/guitarrasgambiarras

Pyramid Strings

O post de hoje é especial pois trata-se de uma realização musical e também uma agradável viagem no tempo.

As cordas Pyramid vão além do assunto instrumento musical, e contam boa parte da história da música, de um país e de uma região.

Tudo começou em 1850 na cidade de Schönbach onde hoje fica a República Checa. O jovem empresário Anton Osmanek iniciou a história desta fabricante de cordas e fez desta em pouco tempo uma das empresas mais importantes da indústria de instrumentos musicais do antigo Império Habsburgo.

A empresa superou grandes crises, como duas guerras mundiais, mortes familiares e o deslocamento de Schönbach em 1946.

Por 165 anos, as cordas têm sido o negócio e a paixão da família por trás da Pyramid.

A empresa está agora na sexta geração e é administrada por Max Junger no centro de fabricação de instrumentos musicais de Bubenreuth (Alemanha).

Em um passeio de carro pela região pude conhecer a localização da fábrica em uma tranquila rua residencial.

Foi através do próprio Max Junger que realizei o contato que permitiu  a visita do qual agradeço a atenção e o carinho ainda mais nestes tempos difíceis que vivemos.

Quando falamos de cordas em geral lembramos sempre das empresas americanas, mas a verdade é que a Pyramid tem um legado que vai muito além de apenas fabricar cordas.

A marca possui a maior variedade de cordas do mundo, e só para guitarra elétrica possui 125 modelos diferentes.

Algo que impressionou foi a quantidade de instrumentos tradicionais nas paredes da fábrica, que obviamente possuem cordas em produção, disponíveis para os proprietários destas raridades.


Os modelos de cordas mais tradicionais são feitos com os mesmos materiais e técnicas do passado, com um trabalho manual difícil de se ver nos dias de hoje.

Em uma época onde toda a atenção das pessoas está voltando novamente para o “handmade”, nesta empresa o conceito nunca morreu e os produtos continuam sendo feitos da mesma maneira, o que garante um produto de alta qualidade e muita estabilidade.

A maioria dos produtos feitos em grande quantidade por métodos industrializados possuem muita inconsistência entre os lotes, e o controle de qualidade é praticamente inexistente.

Desde que comecei a utilizar estas cordas acabei por substituir aos poucos todas as cordas dos meus instrumentos pois a resposta, durabilidade e consistência são superiores às das marcas que usava anteriormente.

As máquinas contam a história da marca e da própria música, e são as mesmas que fazem as cordas da Pyramid há décadas.

A grande diferença que senti quando utilizei as cordas pela primeira vez nas minhas guitarras foi na robustez do metal. Nas minhas guitarras stratocaster foi necessário ajustar as molas pois estas cordas são mais fortes do que as de outras marcas.

Este foi um fator importante na visita e na conversa, pois pude compreender que esta diferença está relacionada com materiais de qualidade superior.

O mais interessante da visita foi ter a oportunidade de conversar com o atual responsável e entender que a visão de respeito pela história e preservação da região são os fatores mais relevantes.

Sem história não existe futuro pois é o nosso passado que motiva o pensamento em um mundo melhor, na continuidade de um sonho que começou muito antes de nós.

A maioria das fábricas modernas possuem uma linha de produção automatizada e com sorte você encontra algum espaço como museu.

A experiência se torna única quando a fábrica conta a sua história e continua construindo o seu futuro como uma coisa só.


Se você não conhecia ainda esta marca de cordas, faço o convite para dar uma olhada no catálogo online através do site: http://pyramid-saiten.de/

Além dos modelos tradicionais, existem modelos especiais para som mais pesado e também para quem quer um timbre mais clássico como o Jimi Hendrix Inspired Set.

No final do post deixo uma galeria com as restantes fotos da visita.

Aproveito também para demonstrar em um pequeno vídeo o poder destas cordas em uma das minhas guitarras e também agradecer à empresa pela simpatia e pela bela camiseta que me deram de presente.

O modelo que utilizo é o Pyramid Performance Pure Nickel D503 – 0.10.

Este slideshow necessita de JavaScript.

Musikhaus Thomann – Alemanha

Faz bastante tempo que tenho vontade de documentar e publicar esta loja por aqui. Após uma breve visita nestes tempos estranhos, finalmente consegui reunir as fotografias que desejava e aqui vão:

A Musikhaus Thomann é uma das maiores lojas de instrumentos musicais do mundo e ao contrário de todas as outras não fica localizada no meio do centro e da confusão das grandes cidades.

No coração do estado da Bavaria, onde se produz das melhores cervejas do mundo, muito mais do que uma loja física, é um gigante centro logístico e distribuição de equipamentos musicais e de áudio profissional.

A empresa ocupa grande parte da cidade de Treppendorf e o apelido local da cidade virou “Thomannsdorf” pela dimensão que a empresa ocupa da cidade.

Logo na chegada é possível ver um dos maiores e mais recentes armazéns construídos para a distribuição de todo o equipamento vendido através do site.

Por falar em site, a loja acaba por funcionar como um showroom do site que é o verdadeiro carro-chefe da empresa. A loja apesar de imensa não possui metade dos produtos que podem ser adquiridos através do portal.

Em tempos de constante estado de emergência, a loja também tomou medidas de segurança e com muita criatividade oferece uma visita segura e divertida para os amantes da música:


Como o foco deste pequeno blog são guitarras, vamos começar por falar delas. A principal sala da loja é sobre guitarras e para quem ama esse instrumento é o verdadeiro paraíso.

O piso inferior é inteiro para guitarras elétricas e baixos.

No post passado falei dos pedais Harley Benton, que basicamente é uma marca da Thomann e inclui pedais, amplificadores, guitarras, baixos e violões. São instrumentos de ótima qualidade e com um preço super justo.

Uma das coisas que mais gostei é a variedade e opções de instrumentos inovadores como guitarras de acrílico ou instrumentos portáteis para viagem.

 

Para quem tem grande disponibilidade de orçamento, instrumentos custom shop ou edição especial também podem ser encontrados.

A sala dos pedais é um convite para passar o dia sem ver a hora passar. Nela é possível não só testar todos os pedais como montar um pedalboard completo para usar com qualquer guitarra ou amplificador da loja.

Subindo as escadas fica o andar dos violões.

Além das marcas tradicionais como Fender, Taylor, Gibson, Takamine, esta parte da loja tem uma variedade grande de ótimos instrumentos acústicos Harley Benton:

Depois de passar um bom momento entre violões e guitarras, fui documentar os outros departamentos da loja. começando pelos instrumentos de sopro.

 

Além de instrumentos, é possível encontrar um estúdio de gravação montado dentro da loja e até mesmo uma sala de espetáculo para demonstrar os produtos em condições reais de uso.

Esta loja é a maior e mais completa que já fui e também conta com um complexo centro de reparações que pode ser visto aqui.

Recomendo a visita, que deve ser feita em mais de um dia, com moderação pois a vontade de comprar tudo é grande. =D

Deixo aqui uma foto do belo restaurante que fica separado da loja e oferece vários pratos típicos da região:

Infelizmente um post não é suficiente, e também não cabem todas as fotografias que tirei.

Por isso disponibilizo aqui uma galeria com mais fotos para apreciação:

Pedais Harley Benton

Tempos difíceis, ainda mais para quem é músico.

Mas nem tudo é ruim. Na publicação de hoje apresento uma série de pedais extremamente baratos e que são uma mão na roda para quem agora precisa tocar só em casa sem deixar os vizinhos loucos.

Trata-se da série de pedais que simulam amplificadores clássicos. Basicamente são os mesmos pedais também disponíveis pela marca Joyo.

De uma só vez trouxe três modelos:

American sound. Um pedal com muitas possibilidades dentro das sonoridades dos amplificadores Fender:

British Sound. Dos três pedais apresentados aqui este é o que possui o maior ganho e distorção que vai dos mais low gain até a linha JCM dos amplificadores Marshall:

AC Tone. Também com bastante ganho, mas ainda um overdrive. Este pedal como o nome sugere tem bastante proximidade com o som dos Vox AC30.

Opinião pessoal:

American sound: Foi o primeiro pedal desta coleção que me chegou às mãos e pude tocar por vários meses e entender todo o seu funcionamento. Em controles e som é muito semelhante ao Tech 21 Blonde. O que ele tem de possibilidades em som limpo, fica no limite em um crunch leve. O som de overdrive com mais ganho para o som que eu toco fica muito fechado e começa a embolar. Sem dúvidas um ótimo pedal para tirar vários cleans clássicos.

British Sound: O som limpo deste pedal não é tão completo, mas ainda assim com um leve crunch é possível conseguir sonoridades bem “Hendrix”. A maior vantagem deste é ter mais opções de overdrive e distorção, e para quem gosta de rock é perfeito..

AC Tone: De todos os pedais sem dúvidas foi o que mais gostei. O brilho tanto com som limpo como com overdrive é incrível e para solos se destaca muito bem na mix. Com bastante ganho se torna um pouco ardido demais, mas com ajustes intermédios possibilita tirar uma variedade de timbres interessantes.

Recomendo todos, cada um na sua praia mas que permitem resultados incríveis para o preço.

Para mim a maior sacada é que além de serem ótimos pedais para utilizar em qualquer amplificador, é o fato de possuírem um “cab simulator” ou seja, podem ser ligados direto em linha ou no PA, o que permite conseguir ótimos timbres sem a necessidade de tocar alto ou passar por um amplificador de guitarra.

Neste período difícil nada melhor que gastar pouco e não precisar subir o volume para se divertir um pouco, não é mesmo?

Para fechar fiz um vídeo com os três, gravados com uma Fender Stratocaster, da saída direto para o computador e sem edição. O reverb presente é um TC electronics mini HOF ligado no final da cadeia:

Music Store – Colônia

Após um breve período ausente para organizar a vida, volto com um post que queria ter feito antes. Além da Tube Amp Doctor, tive a oportunidade de visitar uma grande loja do tamanho de um shopping na Alemanha da qual já comprei muitos equipamentos.

Após uma viagem de carro de aproximadamente 2hs saindo de Frankfurt, chega-se à cidade de Colônia. A loja está um pouco afastada do centro da cidade onde existe a bela catedral gótica que vale a visita. Trata-se de uma loja com 4 andares, cada um com o foco para um tipo de equipamento.

Este é certamente o paraíso de qualquer músico, e não é preciso sair da loja nem em caso de fome. Existe um restaurante completo disponível. Vamos direto para onde interessa, as guitarras :).

Existem opções para todos os bolsos. Comecei a visita conhecendo todo o tipo de violões disponíveis. A loja convida a pegar um instrumento e sentar nos diversos bancos espalhados para testar.

A Fender tem um cantinho especial, com uma decoração anos 60 e até um belo carro americano no meio da loja.

Essa foi uma das lojas mais preenchidas que já visitei no que toca guitarras custom shop. Em segundo lugar eu colocaria a Guitar Center Hollywood.

A Gibson também tem uma sala só com modelos custom shop.

Para mim uma das partes mais interessantes da loja foi a parte de guitarras autografadas. Lá você encontra instrumentos autografados por artistas como Brian May, Slash e Shakira(?).

Nada contra a moça, mas não entendo o real motivo de uma guitarra autografada pelo Brian May custar muito menos que uma assinada pela Shakira.

Para quem procura amplificadores valvulados, existem várias salas recheadas deles com isolamento acústico para você testar no volume que desejar.

Pedais também não faltam, mas é um pouco mais burocrático para testar. As guitarras basta pegar e levar para um dos estúdios com amplificadores.

Apesar de ter equipamentos muito valiosos, as opções de instrumentos baratos são enormes e recomendo tirar um ou dois dias se você pretende encontrar algo para comprar.

A parte de equipamento de estúdio também ocupa um andar e existem kits disponíveis com tudo o que é necessário para gravar em casa.

E para finalizar deixo aqui uma galeria com mais fotos desse passeio que recomendo para todos que amam música.

Tube Amp Doctor – A Visita :)

O post de hoje não foi fácil de fazer. Quem me conhece ou acompanha o blog sabe da paixão que tenho por guitarra e de todos os esforços que sempre fiz por esse maravilhoso instrumento. Desde viagens, projetos e até mesmo esse blog que mantenho desde 2012 sozinho sem nenhum fim lucrativo.

Como não poderia deixar de ser, a paixão me levou mais uma vez para longe, desta vez para realizar o sonho de conhecer a maior empresa especializada em válvulas e amplificadores valvulados da atualidade. O nome já é conhecido de muitos, mas pouco se sabe o que está por trás da loja on-line.

Vai muito além de uma loja, trata-se de uma equipe pequena, muito talentosa e dedicada que faz do universo DIY um estilo de vida.

Tube Amp Doctor, ou TAD para os íntimos, é uma empresa alemã que vende válvulas de alta qualidade, testadas e selecionadas. Todas elas produzidas de acordo com os projetos da própria empresa por fabricantes pelo mundo. Também possuem uma linha própria de capacitores Orange Drop, Mustard e Eletrolíticos.

A simpática equipe fez a gentileza de receber a visita deste blogueiro solitário e deu toda a atenção por mais de uma hora para que eu pudesse trazer aqui um pouco mais sobre a empresa para o público de língua Portuguesa.

A loja fica situada em Worms, uma cidade tranquila e muito simpática. Fiquei em Frankfurt e percorri cerca de 85km para lá chegar.

Quem vê de longe enxerga um armazém super normal, mas ao olhar com cuidado tem um belo grafite que já entrega do que se trata.

Da porta para dentro é só alegria. Logo na entrada vemos o museu particular da empresa que conta com vários amplificadores vintage.

Fender e Marshall, concentram-se as atenções nos modelos clássicos (e antigos) destas duas marcas. Todos os kits disponíveis para montar são baseados nas versões originais destes modelos, todos em ponto a ponto seguindo rigorosamente o padrão de construção da época.

Após essa viagem no tempo, mesmo ao lado fica o Showroom com todos os amplificadores que a empresa vende para quem quiser experimentar.

Foi neste estúdio que pude confirmar a alta qualidade dos produtos TAD.

Essa é a verdadeira Disney de todo guitarrista. O que mais me impressionou foi o fato de cada amplificador ser feito com peças de alta qualidade, não existe nenhum upgrade possível e a marca faz questão de mostrar a beleza e arrumação interna de seus produtos.

Todos os amplificadores são vendidos em kit, ou se o comprador quiser, já montados pela loja. Ainda não tive a oportunidade de montar um kit destes, mas com certeza está na lista de pedidos para o Papai Noel.

Além de referência nas válvulas que já vou falar com mais detalhes, a Tube Amp Doctor é revendedora dos principais Alto Falantes para guitarra de marcas como Celestion, Jensen e Fane.

Saindo do showroom e indo direto ao ponto, a magia das válvulas!

O segredo das melhores válvulas é simples… Bem, não tão simples assim! As válvulas Premium passam por uma série de rigorosos testes:

Plate Current (PC) and Amplification (TC)
– Low Noise Test
– Microphonic Test
– Sonic Tests
– Shock Tests
– Listening Tests
– Shorts & Leakage Tests

As válvulas que passam nestes testes iniciais são “casadas” em equipamentos desenvolvidos e construídos pela equipe de especialistas da empresa:

O que mais impressiona no processo de casamento das válvulas é a taxa admissível de diferença entre elas: 1mA!

Depois dos votos eternos de amor, todas as válvulas de potência seguem para um “Burn In” que é a etapa final antes de por nas caixinhas e seguir para os clientes:

O mais sensacional de todo o processo é que tudo isso é feito pelas pessoas mais carinhosas, talentosas e caprichosas do mundo: as mulheres!

Uma equipe de três simpáticas meninas é responsável por realizar todos os testes, medições e casamentos de todas as válvulas que passam pela empresa.

Lembrando que as válvulas de preamp também passam pelos mesmos processos e são classificadas por tipo e ganho para serem posicionadas corretamente no V1, V2 etc.

Depois de visitar os laboratórios e acompanhar todo o processo feito nas válvulas, tive a oportunidade de visitar o armazém onde tudo é organizado para ser enviado para os clientes de todo o mundo.

Todas as válvulas aprovadas e embaladas possuem um número de série individual, bem como a indicação de PC (Plate Current) e TC (Transconductance)

Lembrando que a loja não se limita a vender válvulas e kits de amplificadores. São 650.000 produtos em estoque para quem quer construir ou restaurar amplificadores antigos. A quantidade de peças é impressionante e vai de tanques de molas até parafusos diversos para cada parte de um amplificador.

É claro que viajar tanto para voltar de mãos abanando não teria o menor sentido. Além de um set TAD Premium que trouxe para turbinar o meu amplificador, ganhei uma linda camiseta comemorativa dos 25 anos da marca. (Obrigado Equipe TAD!)

A lembrança mais feliz que tenho dessa visita é que tudo lembra demais o início deste blog e a descrição do mesmo: “Um blog de guitarrista para guitarristas”. Uma empresa desse nível chegou onde está com pessoas apaixonadas por música, e por guitarra acima de tudo. Não se trata apenas de um negócio, é a paixão de ir além e chegar na excelência em qualidade pelo simples prazer de tocar.

Quero agradecer aos envolvidos que permitiram entrar na empresa, fotografar e fazer inúmeras perguntas para poder trazer aos colegas guitarristas um pouco mais deste universo.

Para quem não conhece a loja, deixo aqui o link: www.tubeampdoctor.com

O passeio pela Alemanha rendeu mais conteúdo interessante que irei disponibilizar em breve.

Até lá! 😀

 

 

Blues Junior IV Upgrade

Muito se fala das modificações típicas possíveis de se fazer nos amplificadores Blues Junior. Aqui no blog já fiz muitas publicações sobre isso, incluindo o projeto da construção de um amplificador baseado neste modelo. Muitas vezes modifica-se sem saber o real motivo ou necessidade, o que é um erro. A nova versão deste amplificador já foi apresentada aqui e como sabem veio com várias melhorias de fábrica que antes eram feitas pelos proprietários. O problema é que algumas pequenas questões ainda ficaram. É um amplificador sensacional para o custo, mas infelizmente algumas debilidades não permitem confiar totalmente quando o assunto é estrada e palcos. Foi pensando nestes fatores que realizei pequenos upgrades que curiosamente também resultaram em uma melhoria no som final.

Os componentes assinalados foram substituídos por novos de igual valor, mas de qualidade superior. São eles:

1x – 47uF

3x – 22uF

Estes capacitores de origem possuem uma alta taxa de falha, e com pouco tempo o amplificador apresenta ruídos e “pops” no som. Alguns chegam mesmo a vazar líquido em casos mais extremos. Todos eles são de 450v, o que é suficiente para o circuito, mas não cobre eventuais picos de tensão que eles sofrem ao ligar o amplificador que trabalha com tensões de aproximadamente 350v. Foram substituídos por de igual valor, da marca alemã F+T com uma tensão máxima de 500v. Só este upgrade deixou o amplificador mais silencioso, com graves presentes e definidos.

1x – 100pF

1x – 250pF

A mudança dos capacitores cerâmicos para Silver Mica é uma questão de gosto pessoal. Os cerâmicos tendem a soar com muito brilho, e especialmente em situações com o amplificador saturado isso se acentua mais.

1x – 27k

Este resistor já veio melhorado em relação ao modelo anterior que trazia um de 22k. É um dos resistores do divisor de tensão do ajuste de bias, que de fábrica é alto demais. Nessa nova versão já veio mais “frio”, mas ainda sem possibilidade de ajuste fino. A modificação consiste em substituir o resistor por um trimpot de valor superior que permite um ajuste fino das válvulas de potência.

Outro upgrade não indicado na primeira foto foi o da placa de circuito impresso das válvulas:

Um dos maiores problemas de sempre, a placa original destes amplificadores tem dois defeitos:

Material – Na série III a Fender utilizou a famosa Cream Board, feita de fenolite, que além de extremamente frágil não suporta o calor das válvulas de potência e com o tempo vai empenando e as trilhas vão soltando. O resultado é problemas de contato e até mesmo a carbonização da placa em casos mais graves. Nos primeiros modelos e nos modelos atuais a marca utilizou fibra de vidro que suporta o calor, mas ainda assim tem bugs como vamos ver a seguir.

O traçado – Existe um erro de desenho envolvendo a última válvula (v5). A trilha do terra (GND) passa muito perto da de alta tensão, e muitos amps pegam fogo na placa por formação de arco voltaico. A placa não é dupla face, o que dificulta corrigir esse desenho. Nos novos modelos a marca fez uma adaptação cortando a trilha e adicionando um fio por fora para fazer essa função sem maiores riscos.

Para quem não pretende trocar a placa, é uma melhora válida a se fazer, assim como remover as soldas de todos os soquetes e trocar por uma nova, de maior qualidade e com uma temperatura de fusão um pouco superior para garantir. O problema é que ainda assim dá problemas com os soquetes, que com a vibração e calor + peso das válvulas vão danificando os pontos de solda e saltando as trilhas.

A placa da foto é um upgrade vendido pela Black Magic Amps que corrige todas estas questões e ainda traz novidades interessantes. O traçado foi corrigido, uma vez que esta placa é dupla face. Todas as trilhas de maneira geral foram ampliadas, permitindo passar mais corrente com folga. O sistema de alimentação dos filamentos também foi colocado em dupla face, e melhorado faz o amplificador ficar extremamente silencioso, mesmo com o volume no máximo. O problema dos pontos de solda foi resolvido utilizando furos metalizados, que acabam atuando como rebites. Uma vez soldados os soquetes, não tem como dar problema de contato ou de trilhas saltando. Os soquetes originais são da Belton, de alta qualidade. O problema é que nas válvulas de potência, por serem de matéria plástica não dissipam calor, e acabam concentrando ainda mais calor em volta de tudo próximo das válvulas. A solução foi trocar todos por soquetes cerâmicos que suportam altas temperaturas e possuem uma melhor dissipação. Outro benefício é que são todos banhados a ouro, o que melhora o contato com os pinos das válvulas e não apresenta corrosão com o tempo.

Por último e não menos importante, adicionaram dois resistores de 1 Ohm 1%, um em cada válvula de potência para realizar a medição do bias. Isso faz o ajuste ser muito simples, basta por a escala do mulímetro em milivolts e ler a tensão entre os dois pontos indicados na placa. A leitura é de 1mV = 1mA, então a informação é totalmente visual e não precisa de cálculos. Em alguns amplificadores mais caros como o Fender Hot Rod Deville/Deluxe este resistor já vem de fábrica no circuito e a Fender no manual ensina a medir e ajustar.

Todo o processo é tranquilo, mas envolve alguns cuidados, nomeadamente na descarga dos capacitores da fonte antes de começar a por a mão na placa, e também o cuidado em desmontar todo o amplificador pois é necessário remover as duas placas. Isso acaba transformando o trabalho em um quebra-cabeça e o ideal é fotografar o processo e marcar exatamente onde cada fio é ligado. Abrir e desmontar tudo é sempre uma boa oportunidade para verificar todas as soldas na placa, melhorar a arrumação interna dos fios e fazer uma limpeza geral. Lembrando que este é um serviço para se fazer com calma e atenção para evitar danos no aparelho e também para garantir a segurança de quem o realiza. Se bem feito, fica impecável. Se você não se sente capaz, leve para alguém com experiência ou profissional de eletrônica. Se o amplificador estiver na garantia, já sabe, espere ela acabar pois o simples fato de remover a placa já anula qualquer garantia do amplificador. No caso de dúvidas pode entrar em contato com o blog pelo e-mail disponível no menu superior na aba “contato”.

 

Até a próxima!

Achados Do Gambiarras

O Achados deste mês não se trata de um site dedicado ao conteúdo de eletrônica propriamente dito. É de uma empresa que faz amplificadores valvulados. O que chamou a atenção e decidi indicar é a parte de perguntas e respostas sobre questões técnicas em valvulados. A quantidade de informação relevante é enorme e vale a leitura completa.

A empresa se chama Aiken Amps e deixo AQUI o link.

Tap Tempo Tremolo – Part 1

Hi guys. Today I will post in English because this project was developed with international help and sources.

Pay attention that is not a beginner project. There is a lot of things that you need know before start to think build one. It is mandatory understand digital chips, how to program, AVR platforms etc.

This project uses one Attiny84A and is based on Harold Sabrotone Tap Tempo idea (thank you brother), but with a different code, functions and perspectives.

In resume, this is a Tremolo pedal with a tap tempo function. I used a 20 step rotary encoder.

The push switch on encoder change the functions:

Speed

Wave Form

Multiplier

Depth

To understand what function is active, a RGB led indicates each one.

Blue – Speed

Green – Wave Form

Red – Multiplier

Pink – Depth

For now I put 7 wave form possibilities in the code:

Random

Sine

Tremcopter

Square

Triangle

Ramp down

Ramp up

Measuring with a scope we have a visual idea of each waveform:

Okay, this is what the digital part does.

In analog (audio) section, basically it is a Tremulus Lune circuit that uses a LDR controlling the audio, receiving light from led controlled by digital chip. Each pulse makes audio up (led on) and down (led off).

The theory is easy, but the construction not. Each pulse injects a lot of ticking noise in audio signal and is hard to remove it. I tried a lot of solutions that I found on the internet. The worst was a transistor driving a led. You need to try more than 10 transistors and leds to find an acceptable match to deal with noise. My best solution to drive the output led was use one 4558 opamp circuit. This great solution I found in Twin Peaks Harmonic Tremolo project (thank you David Rolo).

This project had three different prototypes. The first I built on Arduino breadboard.

 

The first version didn´t work great with much noise and contact joints problems. So I changed to a soldered breadboard.

LDR Selection:

I tried different LDR and the most part of them work well, but to sounds great the best range is 5k to 1M (light-dark). You can use LDR that has less than 5k on light, but it injects more “hiss” on the audio. Dark resistance more than 1M needs to use more gain from de ampop and noise going up easier.

I got good results with:

5k-500k (light-dark)

8k-500k (light-dark) – My final choice with 10k Linear pot to gain control.

10k-1M (light-dark)

Led Selection:

I used a low current led 5mm red. No big secrets here. Try to run this led lower as you can to avoid hiss and ticking noises. High bright led has much light to the LDR sensibility. It isn´t an advantage use them. As the led run very low, you need to protect the junction LED/LDR very well to isolates any external light interference. I used an aluminium sheet but you can use thermal tube.

Yes, you can use optocouplers, but honestly for the price, you can make a lot of them at home with same results.

Opamp selection:

At beginning I used one TL072, but when tried one OPA2134A the audio run very silent and helped the circuit to get off all residual noise.

The code:

The code was developed in Atmel Studio 7.0 and burned with an AVR ISP Programmer. This programmers are cheap (3 dollars) and you can also use your Arduino to do it. In my case I bought a Pololu Programmer that includes an Osciloscope very useful to check waveforms and calibrate the led bright to get a consistent output.

The next step was make a “final” pedal version to use like a normal guitar device and change the code playing in real situations.

The box that I used is too big, but to run tests and mods is ok. In the future I will create a small PCB layout.

For now I am working to increase waveform options and correcting code bugs. When the code is ok, I will create a final version with professional PCB, but it is to another post.

I recorded this sample video, so enjoy! 😊