Telecaster Mod Para Stratocaster

Aproveitando o embalo e o clima envolvente, hoje tenho mais um mod indispensável para qualquer guitarrista que possui uma stratocaster. É o mod mais simples do mundo. Você só vai precisar de dois fios e um mini switch. O mod consiste em ligar o captador do braço com o da ponte, conseguindo assim uma sonoridade muito próxima de uma telecaster com aquela característica rasgada e gutural deste modelo de guitarra. Para quem não deseja furar o escudo original da guitarra, uma dica é trocar um dos potenciômetros por um push-pull e fazer a ligação. Assim não altera o aspecto original do instrumento e também ninguém descobre o seu segredo! O esquema eu já conheço faz tempo, mas para o post peguei neste site AQUI que possui outros mods e ligações para várias guitarras.

Sample do Mod:

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Volume Mod Para Stratocaster

Quero dividir com vocês um truquezinho bem simples para você modificar o controle de volume da sua strato. As ligações clássicas são boas e funcionais, mas alguns potenciômetros não respondem de forma sensível e também cortam um pouco os agudos na medida em que você diminui o volume. Isso afeta bastante a dinâmica e nos faz muito dependentes dos pedais e outros fatores externos ao instrumento. O mod que apresento aqui está disponível NESTE SITE e funciona muito bem com singles e ligações de strato em geral. É possível brincar com os valores indicados até conseguir o som ideal. Os valores marcados são um meio termo que normalmente resolve o problema e agrada a maioria do pessoal. Você pode personalizar e buscar ao milímetro o seu som. Não é nenhum mod que vá fazer a sua guitarra mudar de timbre e virar um guitarrão, mas você vai sentir mais facilidade e utilidade no volume da sua strato. Fiz nas minhas e ficou o bicho. Segue o esquema:

O meu amigo Moisés aqui do blog adora um modzinho. Não perguntei se ele já fez, mas se não, com certeza vai fazer!
Não é necessário nenhum conhecimento avançado para fazer o mod, mas procure utilizar um resistor de 1/8w ou 1/4w e um capacitor pequeno, e claro, muito capricho e cuidado na hora da solda. Ferro quente demais estraga os componentes e pode acabar com o potenciômetro e a sua lubrificação original.
Tá aí a dica =)

Qualidade dos componentes

Resolvi escrever…Pouco se fala sobre a qualidade dos componentes semicondutores no mundo da eletrônica musical. Falam só quando o assunto é amplificadores valvulados ou de alta fidelidade, mas para mim o assunto vai muito além disso. Um dia eu e um amigo resolvemos montar uma fonte de bancada que tinha uma tensão de 0 a 30v e 2A. Fonte pequena, projetinho bacana com uma filtragem acima da média para utilizar na rotina de construção de pedais e circuitinhos de som. Quando pronta funcionava bem, até colocarmos uma carga de 1A para testes. A fonte oscilou e não segurou a tensão marcada. Pensamos logo que era o transformador mal construído, algo muito comum nesses vendidos prontos. Mas não tinha sentido, utilizamos um transformador com 3A e parecia robusto. O projeto da fonte sabíamos que era bom pois o meu amigo já tinha uma igual na bancada a todo o vapor há anos. Resolvemos verificar e para a nossa surpresa era um transístor. De potência? Não, esses todo mundo já sabe que são porcamente falsificados muito abaixo das potências indicadas nos datasheets. Era um pequeno transístor bipolar. Comprei uns 5 para fazer e ainda sobrar. Resolvemos trocar e todos os outros 4 deram o mesmo problema. Fui atrás em outras lojas e comprei mais alguns só que com uma marcação diferente (fonte e tamanho), ou seja, de outro lote e/ou marca e espetei na fonte. Funcionou que foi uma beleza. O problema não está apenas nas falsificações, mas os componentes que vão para as lojas que são feitos de qualquer maneira e não respeitam nem um pouquinho o datasheet original. Existem várias marcas fabricando, mas a maioria dos transístores pequenos são difíceis de descobrir a marca. É tipo uma loteria. Você certamente conhece alguém que já veio com aquele papo:
“Esse meu pedal sempre foi ótimo, um dia queimou e mandei arrumar, ficou legal, mas nunca mais deu o som que dava antes.”
Todo músico é chato com o seu equipamento. Pensamos de cara que é frescura do coitado, mas quantos clones não prestam por causa disso, quantas reparações não devolvem ao equipamento original a sonoridade que tinham antes da avaria. Não coloco a culpa em ninguém, já que o mundo é e está cada vez mais capitalista. Também não culpo as lojas, que pegam dos fornecedores os lotes de componentes mais em conta. Só acho que deviam ter bem claro os de primeira e segunda linha na hora de vender, assim como fazem com as memórias de computador, pneus e por aí vai. É uma questão de transparência com o consumidor.
Com a invasão digital muitos componentes jurássicos começaram a ser fabricados de qualquer maneira só para atender aos equipamentos antigos ou extremamente simples que ainda dependem deles para funcionar. A verdade é que com isso acabou o cuidado e quem foca no som está perdido. Para acionar um relé até serve, mas para fazer um belo preamp de guitarra já fica devendo muito.
No caso dos transístores e integrados, foco principal deste post, são fabricados da mesma forma que os processadores de computador. São feitos em uma bolacha gigante com milhares ou até milhões deles.

Até onde sei, os transístores gerados no centro da bolacha são melhores e fisicamente perfeitos. Os de fora com frequência apresentam mais deficiências e são utilizados em linhas mais baratas, distribuídos como amostras grátis ou até mesmo vendidos por poucas empresas com política de transparência como um produto de segunda linha.
Começamos a por no papel. Puxa vida, é tão baratinho montar um pedal e ele original custa tão caro… Mas vamos ser sinceros! Você confia nos componentes baratinhos que você vai pegando e colocando em uma cestinha nas lojas de eletrônica pelo Brasil? Eu já desanimei. Os transístores de potência nem vou falar nada, pois me recuso a comprar aqui e a maioria que vejo são cópias vagabundas ou então possuem marcas de uso. Um absurdo!
O mesmo acontece com outros componentes como capacitores, resistores, que dificilmente paramos para pensar se podem ser de má qualidade. O semicondutor em um pedal é o coração do circuito. Se não prestar, o sinal não vai ficar legal e mesmo um clone muito bem feito jamais soará como um original. Nem tudo é drama. Ainda confio em comprar capacitores e resistores por aqui. 
Para quem deseja ter o mesmo cuidado,  pode comprar muitas vezes direto com revendedores das marcas pelo ebay na quantidade que desejar. É um pepino a mais no caminho, mas acredite, você não esquenta mais a cabeça. Os componentes de fraca qualidade são difíceis de descobrir só ao olhar. Uma dica é comprar um lote e começar por medir o ganho e ver se bate com os mínimos e máximos que o fabricante indica. Outra solução é levá-los ao limite e medir até onde aguentam, e mais uma vez comparar com as suas especificações.
Fica a dica. Quer montar ou reparar um equipamento? Pesquise bem, não tenha pressa. Mais vale esperar e até mesmo pagar um pouco mais para ter algo realmente bom e que não vai te deixar na mão. 
Já pensou em um transístor abrindo o bico no meio daquele solo infinito para 500 mil pessoas? 
Nem eu!

Meteoro Revolution Tube Drive

Voltei! Faz tempo que tenho este pedal mas a preguiça nunca me motivou a falar dele. Hoje respirei fundo, carreguei a barrinha de coragem e trouxe ele aqui para o blog. Quem vive no Brasil e é músico certamente conhece a marca de amplificadores e acessórios Meteoro. Uma marca que começou com os amplificadores mais simples e atualmente faz valvulados para todos os gostos. A marca sempre andou muito próxima da onda marshall e quase todos os seus produtos são inspirados em modelos internacionais. Eu diria que são remodelados para melhor atender o público nacional. Uma coisa que todo brasileiro adora é precinho camarada, e realmente a marca apostou forte nessa tendência e produz equipamentos para todos os gostos e bolsos. Descobri o pedal um dia em uma loja de música e vi que era um irmão menor do mais antigo Doctor Drive. Perguntei o preço e resolvi testar pois estava muito baratinho para um pedal valvulado. 300 reais achei bem em conta. Testei, gostei, levei. O pedal não passou a fazer parte do meu set em shows, até tentei, mas depois desisti. Para o que eu toco e as experiências que tive, preferi deixar em casa para uso em gravações e ensaios. Para shows só em casos excepcionais.
Vamos falar do pedal:

De cara podemos ver que é robusto e aguenta todas as maldades que a turma adora fazer com os pedais. A caixa é bonita, bem pintada. O aspecto do pedal é bruto mesmo, mas para o preço o acabamento está impecável e a serigrafia também muito bem feita. Nada a apontar. Todos os controles de maneira geral respondem bem ao toque e a equalização foi muito bem conseguida. A única coisa que não gostei muito é que a equalização não bate igual para os dois modos do pedal. Com overdrive é necessário abrir um pouco os agudos pois o som é abafado, e quando chaveia para distorção fica ardido demais. Mas é possível conseguir um ponto de equilíbrio e também utilizar o tone da guitarra, coisa que muitas vezes esquecemos que está ali por algum motivo no instrumento.
Falando do funcionamento: O pedal tem dois leds bi-color no painel. O led da esquerda sinaliza o bypass e o efeito ligado (verde e azul), e o da direita sinaliza a função drive I e drive II (verde e vermelho). Alguns guitarristas quando conversam comigo perguntam: Quando o botãozinho é de metal o pedal é True Bypass, não é? Não… Antes fosse. A maioria dos pedais só usam estas chaves pois aguentam serem pisadas. Este pedal possui bypass eletrônico com buffers e é bom que fique claro que não é true bypass. As chaves são das mais baratas, mas funcionam bem. Não ser true bypass não é bom nem mal, depende do uso. Quem tiver dúvidas pode dar uma lida no post sobre buffers que fiz sobre o projeto do controlador.
Hoje em dia existe uma propaganda exagerada sobre tudo aquilo que tem válvulas. Ficou aquele conceito que o que é bom é valvulado e o resto é resto. Não é bem assim. Não compre este nem nenhum outro pedal valvulado esperando ter o som de um cabeçote all tube. O som puramente valvulado envolve uma série de coisas entre elas transformador de saída, casamento do circuito de pré com o de potência, entre outras coisas. O amplificador valvulado é um bloco e o circuito é pensado para ele ser uma coisa só. Um pré valvulado tem a sua graça, mas não é algo completo. Falo isso para que fique claro algumas coisas:
O pedal em questão é valvulado? Sim, é. Ele tem uma 6bq7 de pré que completa o circuito. Quando digo que completa, é que dá uma cor final ao som, um rasgado e calor típicos das válvulas. Mas grande parte da distorção é feita com integrados e inclui dois leds de clipping para ajudar a rasgar:

O som é quente, tem um rasgado gostoso… Como o circuito foi feito para um ganho elevado, no drive leve ele tem um som muito crunch carregado de médios, que não permite umas levadas mais bluesy. Mas mesmo assim, com jeitinho você tira um som muito legal.
Na foto podemos ver o transformador ali no canto. É ele que converte os 12AC em alta tensão para a válvula funcionar. Existe também a discussão sobre pedais valvulados que utilizam tensões baixas. Realmente o som embola muito e mais vale um pedal todo transistorizado. No caso do Meteoro o som ficou legal, bem quente e sem embolar. Aproveitando a foto, vemos que a placa é feita de fenolite, o que eu não gosto muito, mas está muito bem fixada e protegida pela caixa que como falei antes aguenta muita pancada. Só achei meio estranho o suporte da válvula que ficou ali pendurado por um sistema de encaixe que não acho muito seguro. A fábrica coloca um led vermelho por cima da válvula para brilhar e dar ênfase ao brilho da mesma.

Espero que não tenham feito isso para os leigos pensarem que o brilho todo vem da válvula. Tirei o led vermelho do meu e coloquei um azul que ressalta bem mais os filamentos da válvula que são de cor laranja, e não vermelha.
A única pisada de bola feia que encontei no pedal foi na entrada de alimentação. Originalmente o pedal vem com um conector de fonte metálico:

Como a entrada é em AC e o pedal funciona em DC, isolaram o encaixe com duas borrachinhas. Primeiro que isso é um perigo… As borrachas com o tempo secam e caem, sem contar que o conector não fica com um bom aperto no painel e toda hora fica frouxo. Se a fase do AC tocar na caixa pode queimar o transformador, o pedal e tudo fritar na hora. O furo da caixa também é grande demais e o conector fica sambando nele. No mesmo dia em que comprei já tirei e coloquei um de plástico que resolveu de vez o problema:

 Das duas uma…. Ou colocavam um conector de plástico de fábrica, ou então já faziam a entrada DC com a retificação dentro da caixa do transformador. Foi uma economia sem sentido, como trocar 6 por meia dúzia.
Uma coisa que me chamou a atenção foi o cuidado com o aterramento:

Circuitos com válvulas são muito sensíveis, e se o aterramento não for bem feito os ruídos e apitos tomam conta. A caixa foi raspada para fazer o aterramendo do pedal e também no aperto dos potenciômetros para ficar tudo devidamente blindado. Gostei muito do cuidado, ponto positivo!
Os potenciômetros ficam soldados em uma placa de fibra de vidro (aí é bonito) com terminais que encaixam na placa central do pedal. É uma solução robusta, que evita fios, mas ao abrir e principalmente ao fechar o pedal é preciso ter muito cuidado e se certificar que tudo encaixou perfeitamente:
Conclusão: É muito mais do que eu poderia esperar por apenas 300 reais. O pedal é bem completo, tem um timbre muito bacana e um calor e punch singular. Não é um pedal dos mais caros e apetrechados, mas pode ser melhorado e ter peças vitais substituídas. Pedal nacional, bem conseguido, melhor que muita coisa gringa mais cara e com som de abelha, ótimo custo/benefício e recomendo para todos que curtem do blues ao rock pesado!
Samples: