Controlador de pedais com Arduino – Relés Parte II

E aí turma esperta, tudo bem? Finalmente consegui finalizar todos os testes com os relés e encerrar essa etapa do controlador. Uma coisa que descobri em alguns relés é que se você aplicar a tensão redondinha que vem marcada nele, ele apresenta ruído no som. É um pouco frustrante você querer seguir o datasheet e descobrir que o produto não responde tão bem. Na maioria das vezes é um HUM bem chato que fica no som quando o relé está ligado. Isso indica que existe tensão “a mais” e a bobina acaba gerando um campo muito grande que invade a parte de comutação e chega no sinal que estamos trabalhando. Além desta situação, o relé acaba por aquecer, trabalhar na pressão e durar menos. Pesquisei bastante nos vários circuitos disponíveis no mercado e notei que raramente ativam o relé na tensão redondinha que vem marcada nele. Isso tem a ver com a vida útil do componente e também com a ativação mais suave que já vou falar.  Não notei o problema em muitas marcas, mas em especial nas marcas mais desconhecidas isso é muito comum. Os relés começam a operar sempre com 75% ou 80% da tensão nominal indicada pelo fabricante. E é bem nessa base ou um pouquinho mais que eles devem operar. Defini os meus para 90% para não ter perigo com oscilação de tensão nem com a tensão batendo no limite e gerando ruído. Como falei, não acontece em todos os relés. Curiosamente só notei isso em alguns relés 12v. Nos de 5v que estou trabalhando no controlador não notei nenhum problema, mas dei essa margem de segurança para não ter problemas. No outro post do assunto falei da solução para o problema de click dos relés. O esquema que usei circula livremente pela internet e se for bem construído resolve todos os problemas:

Antes das considerações, vale alertar que o circuito foi projetado para 12v mas funciona muito bem com 5v com um leve ajuste.
Q1 é responsável por ligar o relé propriamente dito. O capacitor C1 vai carregando e faz com que o transístor ligue o relé mais lentamente. É legal tirar o capacitor de 4.7uF e colocar um valor alto tipo 470uF para você ver bem o que ele faz. Não conseguimos notar no ouvido, por isso é legal fazer o teste para sacar como funciona. O capacitor C2 faz o transístor desligar mais lentamente. Agora podemos falar do ajuste. O circuito é para 12v e foi pensado para oferecer uma curva bem maior que vai de 0 a 12v no relé e permitir uma comutação suave. Como vamos operar com metade desta tensão, a curva precisa ser adaptada. Basta mudar o valor de 4.7uF para 10uF e fica igualzinha a resposta do circuito com 12v. Lembra que falei para vocês que iria construir o controlador com os ultra micro relés? Poisé, desisti… O esquema apresentado funciona muito mais com relés miniatura. Os pequenos possuem agulhas muito próximas e fica difícil para o circuito forçar uma ativação lenta. Assim que chega na tensão mínima necessária as agulhas de contato já estão colando e não resolve muito o problema. Quem vai usar relés pequenos deve comprar de marca boa pois não existem milagres com circuitos para tirar os clicks. Para encerrar, D1 descarrega rapidamente o capacitor C1, para que na próxima ativação ele esteja zerado e funcione perfeitamente na sua curva de subida para ligar o relé. Faço aqui uma observação importante. Quebrei a cabeça pois fiquei com medo que essa descarga “invertida” pudesse queimar a porta do arduino e resolvi medir. O capacitor quando deixa de ser utilizado guarda 0,5v, que passa pelo diodo que dá uma queda de tensão de 0,7V. Logo, não chega nada relevante na porta do controlador que vá queimar alguma coisa. Ao descarregar o capacitor, medi na porta do arduino 0,02v e em questão de milisegundos 0v. Então não precisamos esquentar a cabeça pois o esquema sugerido pelo pessoal da Geofex está impecável! Ah, não esquecer de calcular um valor novo para o resistor do led se for montar em 5v. Não sei se falei antes, mas todo o projeto está demorando bastante por falta de tempo e de peças que ainda não chegaram. O próximo passo é começar a construção da placa central e mostrar algumas soluções para facilitar as coisas.

Black Bug – Yellow Distortion

Dias atrás o meu colega de trabalho e guitarrista Fernando me pediu para dar uma olhadinha em um pedal esquecido no fundo do baú. Ele reclamou que o pedal não tinha o som que procurava e também apresentava ruído com muita facilidade. Resolvi ajudar na medida do possível. Aproveitei a oportunidade para publicar aqui no blog o que encontrei pelo caminho. Não consegui descobrir qual o ano de introdução da marca, muito menos a idade do pedal em questão. Segundo o proprietário o pedal é antigo, lá de 2002 +- e estava guardado a um tempão. Por isso também reforço já aqui no começo que não sei como estes pedais estão saindo da fábrica nos dias atuais, por isso em momento algum as opiniões publicadas aqui podem ser consideradas permanentes. Não conhecia a marca, muito menos o modelo. Outros modelos só vi pelo catálogo na internet e não sei como são. O pedal é bonito, padrão MXR em uma caixa de alumínio fundido bem robusta. A primeira impressão foi boa e para o custo de 90 a 120 reais me pareceu bem bacana. O alumínio foi fundido em um gabarito provavelmente de gesso. Notei que a superfície é muito porosa e a tinta acaba entrando nos furinhos, o que obriga a colocar muita tinta para cobrir todo o pedal. O fabricante diz que a pintura é eletroestática. Neste pedal certamente não foi, mas como disse é um pedal já “antigo”.
Antes de qualquer outro comentário vamos falar do som. Resolvi colocar o pedal no amplificador e testar. Usei uma bateria para eliminar problemas com ruídos. Não deu ruído, mas depois descobri algumas fragilidades no uso com fontes.
O som propriamente dito em nada se parece com o MXR Distortion +. Apesar do focinho ser igualzinho, o pedal tem um som bem diferente. A distorção me pareceu muito seca, raspada e com os graves extremamente roncados. O pedal com o ganho no mínimo satura e lembra um fuzz só que muito seco. Devo dizer que pelo preço e pelo som é um pedal indicado talvez para o guitarrista mais iniciante para um primeiro contato com uma distorção. Talvez quem queira fazer um grunge mais exótico o pedal sirva. Para quem procura sons mais clássicos ele vai ficar devendo.
O dono do pedal me perguntou se seria possível melhorar o som dele. Aí resolvi abrir para ver o que poderia fazer por ele.
 O pedal tem um compartimento interessante para a bateria separado com um plástico que me pareceu suficiente:

 Assim que abri entendi o motivo do pedal ser tão sensível e ter ruídos com facilidade. O aterramento da caixa é feito com uma pequena folha de cobre soldada na placa e que é prensada contra a caixa quando o pedal é fechado:

 Sinceramente não entendi a razão de ser assim. A tampa fecha bem mas não com pressão suficiente para manter a folha de cobre bem firme contra a caixa. E mesmo que ficasse, não é um aterramento muito eficiente. O mesmo poderia ser feito na carcaça dos potenciômetros, nos jacks (se utilizados de metal) ou na pior das hipóteses até mesmo com a parte metálica do dpdt que fica em contato com a caixa. Além disso faltou um capacitor de 100uF na entrada da fonte para filtrar eventuais resíduos provenientes da rede.
Olhando a placa por trás reparei que não tinha praticamente nenhum circuito e a placa é feita mais de “terra” do que outra coisa. Sanei a minha dúvida ao tirar todos os parafusos e removê-la da caixa:

Mais uma vez fiquei sem entender como o pedal foi pensado. A placa foi toda desperdiçada e o circuito mesmo acontece em uma plaquinha toda pendurada na placa principal:

O que achei mais curioso é que a marca gastou dinheiro para mandar fazer uma placa padrão comercial com serigrafia de componentes e acabamento com verniz verde mas não aproveitou o tamanho para aplicar o circuito. A placa pendurada que é também o “coração do circuito” abriga um integrado 741, foi feita de forma artesanal e não possui a mesma qualidade da placa principal. Ficou estranho. Outra coisa muito estranha que encontrei foi o uso de resistores de 1/8w, 1/4w e os desnecessários 1/2w. Parece que foram colocando os que tinham disponíveis nas caixinhas na hora. No caminho do sinal foram usados muitos capacitores cerâmicos, o que explica o som tão seco, raspado e potencialmente ruidoso. O pedal também não possui parte de clipping, o que também faz a distorção roncar tanto e ficar seca. Os potenciômetros foram soldados com terminais prolongadores e também não entendi o porquê de não usarem fios simples. Para montar e desmontar o pedal é preciso ter cuidado pois se não for tudo bem encaixado torce todo o pedal por dentro e entra tudo em curto. Nas duas placas nota-se que o fenolite foi cortado com um alicate, o que deixou algumas partes rachadas. O pedal realmente é handmade. Dá para ver bem isso. As soldas nas placas foram todas feitas manualmente e dá para ver o fluxo que não foi removido e ficou aquele amarelado em volta.
O dpdt é feito com uma chave simples, das mais baratas encontradas no mercado mas com um bom funcionamento. O led foi adicionado com um transístor que segue o mesmo princípio do millenium bypass encontrado em vários sites e em alguns pedais originais como o ProcoRAT. Funciona bem, tanto o led como o bypass sem ruídos ou estalos. Ponto positivo. Como os potenciômetros foram montados de uma forma mega estranha, instalaram fita isolante nas laterais da caixa para evitar que os terminais encostassem na caixa:

Outra gambiarra curiosa foi a adaptação que fizeram para o dpdt ficar soldado na placa:

Soldaram terminais simples na placa e depois soldaram na chave até ela ficar presa na placa. Achei a solução engraçada mas com o tempo o peso da própria placa pode arrancar as trilhas e aí não tem mais remédio. Na foto ainda dá para ver o “cutucão” que deram com o ferro de solda marcando o plástico da chave.
Conclusão:
Por enquanto me limitei a olhar o pedal. Embora fácil, não fiz nada para resolver o problema do aterramento e da falta de um filtro no jack da fonte. O Fernando me pediu para ver se podia resolver isso e dar uma “melhorada nele”, caso contrário, gostaria de aproveitar o que fosse possível do pedal para fazer um novo. A resposta é muito longa: Não vale a pena. O pedal tem um propósito e não adianta ficar inventando moda. É um pedal simples, low cost e indicado para quem está iniciando ou quer experimentar mais um dos milhares pedais disponíveis por aí. No caso do meu colega que é um guitarrista já mais apetrechado, vou sugerir utilizar a caixa e o dpdt para abrigar um outro circuito que podemos falar mais tarde.
Não sei como este modelo está saindo de fábrica agora, se foi melhorado ou não. A impressão que passou é que tudo estava muito no início mas já havia uma tentativa de profissionalizar a coisa e transformar em algo comercial mais sério. Pelos vistos até agora conseguiram já que estes pedais se encontram no mercado a uns bons anos e com diversos outros efeitos novos na linha. Achei que a fábrica acertou na mosca com a caixa mas não aproveitou bem para desenvolver a placa. Tem muita placa sobrando e dava para colocar um circuito muito mais elaborado e funcional. As empresas terceirizadas que fazem as placas cobram pela dimensão e não pelo número de furos e trilhas. Logo, a empresa jogou dinheiro fora e consequentemente o consumidor final perdeu com isso também.
E agora, o que vamos fazer Sr. Fernando?!

Sample do pedal para os mais curiosos:

Controlador de pedais com Arduino – Buffer

Então vamos continuar com o papo do controlador. Agora o assunto é muito mais amplo e não se limita apenas ao controlador. Buffer… O que é e para que serve?
Um buffer serve para compensar as perdas de sinal que ocorrem entre ligações e/ou cabos muito longos. Um bom buffer não altera em nada o trimbre e a equalização do instrumento e muito menos coloca ou tira ruído do som. Um buffer serve também para casar melhor a impedância entre o instrumento e o amplificador em alguns casos. Ao adicionar um circuito assim ao seu instrumento você pode utilizar mais cabos e mais pedais True Bypass sem ter problemas de deterioração do sinal. Um artigo super bacana sobre buffers e True Bypass você encontra AQUI no site do grande mestre Pete Cornish. O artigo fala do problema que o True Bypass traz. Ainda mais quando se fala em controladores de pedais. Muitas soldas, muitos cabinhos, jacks, entradas e saídas. O sinal passa por muitas barreiras e o som vai perdendo cor, brilho, equalização e força. O próprio Pete sugere utilizar um pedal de buffer que ele mesmo vende pela bagatela de quase 400 euros. Mas o que está em questão aqui não é o pedal do Pete. O circuito dele utiliza um transístor simples e pelo que descobri nos meus testes é preferível um buffer com um circuito integrado ou um transístor fet pois o risco de ter ruídos é muito menor. 
 Pedais como os ibanez e boss  já possuem buffer e este fica ativo mesmo com o pedal em bypass. É uma coisa boa para quem usa vários pedais. Basta um no começo da cadeia para compensar os outros true bypass. O que ocorre é que mais de dois pedais assim já começa a atrapalhar o sinal. Imagine “entalar” 3 ou mais vezes o mesmo circuito no caminho do sinal original do instrumento. Começa a ter problemas de ganho, impedância e é inevitável não sentir isso no ouvido depois. Então uma boa solução é utilizar um ou dois pedais assim e tentar ter o resto true bypass. Fazendo isso o seu sinal está garantido. Se você é mais purista e tem todos os pedais true bypass não é má ideia montar um pequeno buffer para por entre o instrumento e a cadeia de pedais.
Um circuito do tipo é extremamente simples e barato para se montar. Não vai mais de 5 componentes e pode ser montado até dentro do instrumento. O consumo é mínimo. Vários controladores e loopers comerciais possuem duas entradas para a guitarra: Uma com buffer e outra sem. Fica ao gosto do guitarrista escolher a que mais lhe agrada. Eu resolvi partir para os testes e ter uma opinião formada sobre o tema. Montei vários circuitos e testei por horas até decidir o que fazer nas minhas montagens. O legal de começar a montar é que você encontra muitas variações de circuitos para casar melhor com violões, baixos e captações ativas e passivas. Sempre fica a pergunta: Como as marcas criam algo que casa bem com qualquer instrumento?
As marcas fazem circuitos meio termo que casam bem com praticamente qualquer equipamento. Mas você construir algo pensado para um determinado equipamento é muito melhor e traz resultados bem mais satisfatórios. Foi bem isso que senti ao brincar com esses circuitinhos. Montei alguns com transístores bipolares, fets e circuitos integrados. Os fets e integrados foram os que mais me agradaram pela facilidade em montar e ruído zero. Não que com transístores bipolares tenha dado muito ruído. Resumindo. Acabei escolhendo a montagem com circuito integrado pela simplicidade, ruído zero e facilidade em encontrá-los no mercado. Qualquer loja de eletrônica tem integrados como o 741 ou TL071 em stock e não custam mais que 1 ou 2 reais nas lojas mais caras.
O circuito campeão e que escolhi para o meu set foi o IC buffer difundido pelo site General Guitar Gadgets:

O site sugere o uso de um TL071 mas qualquer outro da mesma família pode ser adaptado. A série da texas “OPA” é muito recomendada pois o ruído desses integrados é algo absurdamente baixo. Mas são mais chatos de achar no mercado nacional e custam de 5 a 8 reais. Tenho algumas unidades mas preferi o bom e velho TL071 que é moleza de achar e se montar tudo bonitinho não tem nenhum ruído também.
A configuração com dois resistores de 2M2 atende bem as captações passivas. Para quem tem captação ativa usar 1M é um bom começo. O meu ficou como está no esquema e teve um resultado 100% com as minhas guitarras.
Montei em uma pequena plaquinha para testes mas a versão final para o meu controlador vou montar na própria placa que abriga os relés. Como sabem o meu controlador servirá apenas 3 pedais, mas decidi adicionar um buffer para poder ter a guitarra ligada direto no controlador e o mesmo poder estar bem longe do amplificador. Há quem diga que com um buffer dá para usar cabos com 30 metros ou mais sem perder sinal. Não testei, não posso falar!
Outro circuitinho que achei muito maneiro mas que no momento não vou utilizar no projeto é um splitter. É um buffer com um splitter de sinal para você mandar o sinal da guitarra para mais de um amplificador:

Funciona super bem também. Ruído zero e para quem quer mesclar sons e fazer um set mais complexo é uma boa pedida. AQUI você confere o artigo completo.
Fica aqui documentada mais uma etapa do meu projeto. Algo simples que dá tanto o que falar, não é mesmo? O lance é ir com calma e fazer algo bem feito e definitivo.
E você, tem um bufferzinho no seu set?

Controlador de pedais com Arduino – Relés

Salve nobres! Espero que todos tenham passado muito bem o natal e ano novo. Com a correria de final de ano nem pude entrar aqui e agradecer. O blog em pouco mais de 4 meses de vida passou a marca das 3500 visualizações. Obrigado galera! Feliz 2013 para todos e vamos para as gambiarras!
Como ficou por falar no post anterior, o papo de hoje é sobre relés em circuitos para guitarra. Quando comecei a brincadeira do controlador de pedais não tinha a menor ideia das proporções que a minha pesquisa ia tomar. O que pensei ser algo fácil de “ratear” pela internet virou um grande nó na minha cabeça com mil soluções malucas. Foi quando comecei a ficar maluco e resolvi testar as coisas. É bem provável que este post ainda continue pois não pude fazer todos os testes que queria por causa da falta de tempo. Mas vamos aos fatos:
A internet está cheia de soluções e a maioria delas não podemos confiar. Li muitos sites, fóruns e conversas em redes sociais sobre bypass com relés e cada um diz e sugere uma coisa. Os puristas renegam os relés, os despreocupados querem a todo custo partir para comutações eletrônicas. Depois vem a turma que fica em cima do muro. A grande maioria vai pela teoria e esquece que temos de montar e testar as coisas até chegar em um resultado desejado.
Afinal, qual o problema da comutação por relés? Eu diria… Nenhum!
A  maior parte das queixas das pessoas é sobre cliques e puffs que este tipo de comutação pode dar. O problema dos puffs está diretamente ligado ao circuito que você liga no relé. Isso é algo fatal. Pedais com bypass eletrônico dificilmente possuem resistores ligados ao terra entre a entrada e a saída e os capacitores ficam “abertos” e carregados gerando um baita barulhão ao comutar. Falam dos relés, mas um controlador de pedais feitos com 3pdt de qualidade também pode dar isso uma vez que é um problema alheio aos componentes que estamos tratando. Devo dizer que é um pouco raro isso acontecer. Testei em vários pedais e não tive muitos problemas com isso. Depende muito do pedal que você vai usar. Até produtos renomados no mercado que usam relés e prometem “zero pops e clicks”  não conseguem escapar quando usados com alguns pedais e a turma cai matando nos fóruns das marcas pedindo alguma solução. A solução é sempre a mesma. Soldar um resistor de 1M entre a entrada e o terra e na saída a mesma coisa. É sabido que adicionar um resistor assim altera a impedância e frequência de resposta de todo o circuito. É por isso mesmo que o ideal é começar com 1M e ir aumentando até conseguir o maior valor que ainda consiga resolver o barulho. Normalmente um bom valor fica ali entre 1,5M e 2,5M. Cada caso é um caso…
Outro problema comum são os clicks de comutação. A causa é praticamente uma só, mas há controvérsias. Boa definição, não?
Os clicks surgem da própria arquitetura do relé. Micro capacitâncias parasitas entre os contatos e a bobina acabam criando esse desagradável barulho. Ele pode ser resolvido de várias formas. É aí que entram as controvérsias. Aqui faço uma advertência para as pessoas que buscam soluções milagrosas na internet.
 Após a minha investigação descobri nos testes algo muito curioso. Um relé é muito mais suave e a sua comutação é bem mais baixa que um 3pdt. Ficamos tão preocupados com os clicks que criamos um preconceito em torno disso e queremos que a comutação seja zeradinha até com o volume no máximo. Coloque um relé e um 3pdt ou dpdt lado a lado e tire as suas próprias conclusões. Outra coisa bacana é que os interruptores de pisar possuem uma vida útil bem mais curta, de 20 a 50 mil comutações. Um relé passa a marca das 100 mil sem grandes danos.
Testei muitos relés de vários modelos e marcas.
Marca boa nem click dá, e se dá você resolve facilmente com alguns componentes de forma a tornar a comutação mais macia e/ou lenta.
Relé vagabundo não tem cura. Não servem para o que queremos comutar. Funcionam muito bem com lâmpadas e outros circuitos domésticos. Bati demais a cabeça com isso. Comprei relés em que as marcas nem sequer constam na internet e todos esses “xing lings” não prestaram para o que eu quero fazer. Vivemos em um país onde a falsificação de componentes eletrônicos é uma triste realidade. Muito cuidado! Compre em lojas que são representantes das marcas. Não se deixe enganar pois o relé por mais que não sirva para a guitarra pode até ser perigoso para utilizar em outras coisas e te dar um prejuízo enorme em outras montagens. Os melhores resultados vieram de relés de boas marcas e com os contatos banhados a ouro. Segue aqui uma pequena lista de marcas que recomendo:

OMRON
TAKAMISAWA (Fujitsu)
NEC
PANASONIC
FINDER
METALTEX (Marca nacional)

Testei muitas marcas que por motivos óbvios não vou ficar falando aqui que não prestam. Sei que existem várias outras e se um dia tiver a oportunidade vou testar e dar a minha opinião. Por enquanto são essas que eu recomendo para quem deseja montar algo sem esquentar a cabeça.
Existem dois tipos de relés muito usados em circuitos como esse que estou fazendo:

Miniatura:


Ultra miniatura:

Testei os dois tipos. A vantagem dos ultra miniatura é que são pequenos mesmo. São menores que uma moeda e a corrente que consomem é praticamente a mesma de um led de alto brilho. Muitos circuitos lógicos como o arduino podem ligar um destes diretamente sem o uso de um transistor. Isso faz da montagem algo super simples. Mesmo assim recomendo usar um transistor para ficar tranquilo e ainda aproveitar para por um led em paralelo e mostrar o efeito que está ligado no momento.
Os maiores mas ainda miniatura são robustos e aguentam melhor os tempos e temperaturas de solda. Os pequeninos devem ser colocados em soquetes e depois presos por cima de alguma forma para não caírem.
A qualidade da comutação de ambos é muito boa. Tirando toda aquela história de marcas que já falei antes. Os grandes me pareceram mais estáveis e vale a pena usar em circuitos maiores onde é necessário mais de 5 relés. Para um controlador simples como o meu acho que vou utilizar os pequeninos mesmo.
Quem pensa em montar algo grande tipo rack os miniatura são os mais indicados.
 Essa foi uma introdução aos testes e resultados que consegui. Antes de bater o martelo ainda quero investigar mais e assim que tiver novidades vou correr contar para vocês.

Até!

Controlador de pedais com Arduino

Quando comecei a tocar guitarra me apaixonei pelo mundo da eletrônica. Mais precisamente a eletrônica analógica e posteriormente o mundo das válvulas. Relutei e reluto em alguns aspectos até hoje para aceitar o mundo digital no que toca equipamentos para guitarra. Efeitos ao menos para mim nem sequer entram na lista. O único que abri espaço foi o delay, mas ainda prefiro os robustos analógicos. Sempre que me falavam em programação eu achava algo insano, caro e instável. Não me inspirava confiança. Na época em que comecei a brincar com eletrônica os integrados programáveis eram caros, consumiam muita energia e “do nada” acontecia de perderem tudo o que foi gravado. Dependendo das ligações feitas isso podia até queimar componentes. Além de todas essas desvantagens, era preciso comprar um programador para passar o código, que era grande, caro e instável no seu funcionamento e na comunicação com o integrado.

Semanas atrás rolou uma festa de final de ano lá na empresa e tive mais contato com um colega que trabalha no nosso departamento de engenharia. Já tinha ouvido falar muito do Arduino, mas nunca corri atrás por todos esses motivos. Ele começou a me contar as coisas malucas que fazia tanto na empresa como em casa com esse módulo. Perguntei se poderia controlar pedais e criar combinações para ativar durante uma música, por exemplo. Ele me disse que isso não era nada e que eu podia até controlar a luz do meu quarto pela internet. Além disso um módulo é super barato, pode ficar anos desligado sem perder a informação gravada e a forma de programação é relativamente simples. Basta ter um computador com USB e ele é compatível com todos os sistemas operacionais.
A minha ideia por enquanto não é a automação residencial. Pensei logo em como usar isso para os meus equipamentos musicais. De todas as opções ainda fiquei com o controle dos pedais que é a coisa mais útil para mim. Não tem preço usar pedais analógicos, e muito menos poder sair de uma base com um overdrive e em uma só pisada atacar uma bela distorção com um gracioso delay embutido. Em um pedalboard tradicional isso dá um trabalhão e vira um autêntico sapateado moscovita.
Existem nos mercados internacional e nacional controladores de pedais e também em sites e foruns DIY. A maioria usa 3pdt ou relés para esse chaveamento. Os mais versáteis usam também dip switches para você criar as combinações e alterá-las quando quiser.
Estes com dip switches são legais, mas te obriga sempre a pisar mais uma vez para voltar ao bypass, e também limita o guitarrista na hora de trocar combinações.Você tem que pisar para desligar uma e depois pisar no outro botão para a outra combinação, o que não elimina por completo o problema do sapateado. Outra coisa limitada é trocar as funções dos botões.
Você não pode trocar rapidamente as funções dos botões já que requer mudar muitas chavinhas nos dip swiches e testar para ver como fica a combinação final. Sem contar que anotar cada “patch” desejado num papel é duro.
Foi pensando nessas coisas em conjunto com o Arduino que resolvi montar algo moderno que resolvesse algumas dessas limitações.
Comprei uma placa por 50 reais e iniciei a fase de protótipos. Estou testando em módulos e construindo um só projeto com os melhores resultados de cada.
Aqui entra a fase experimental:

Cada switch preto representa um botão de pisar e cada led representa um pedal. Este protótipo foi desenvolvido para ser utilizado com 3 pedais, criando assim as seguintes combinações:

Botão 1 – Liga e desliga o pedal 1
Botão 2 – Liga e desliga o pedal 2
Botão 3 – Liga e desliga o pedal 3
Estes primeiros botões programei para serem acionados em forma de soma, ou seja, se pisar no primeiro e depois no terceiro, eles ficarão ligados e um não anulará o outro.
Botão 4 – Liga o pedal 1 com o pedal 3
Este já é um botão de preset. Ao pisar neste botão novamente o aparelho fica em bypass. Se pisar no botão 2 ele anula o preset e liga só o pedal 2. Se pisar em um dos botões dos pedais já ligados no preset, ele irá desligar o pedal pisado. Por exemplo:
O preset é pedal 1 com o pedal 3. Se pisarmos no botão 3 ele irá desligar o pedal 3, mantendo o 1 ligado. Tudo isso pode ser programado de acordo com a necessidade.
Botão 5 – Liga o pedal 2 com o pedal 3. O resto é igual ao que falei para o botão 4.
Botão 6 – Este botão quando pisado desliga TODOS os pedais ou combinações e coloca tudo em bypass. Quando o bypass está ativo, um led liga e fica pulsando.
Aqui o vídeo para mostrar melhor como funciona:


Usei leds no protótipo que serão substituídos por relés para controlar os pedais.
No próximo post sobre o tema vou falar sobre eles.

Fender Hot Rod Deville – Transformador de Potência

Fala povo guitarreiro. Antes nunca do que tarde! Como prometido agora vou falar sobre o transformador de potência do amplificador Fender Hot Rod Deville. Quem acompanha o blog e mais especificamente a série de posts sobre este amp vai lembrar que comprei ele fora do Brasil. O tempo em que vivi e utilizei ele no exterior foi só alegria pois nunca tive que pensar em toda essa questão de tensão de rede. Ele originalmente foi feito para 230v 50Hz. Quando cheguei no Brasil mudei para uma cidade 127v 60Hz. Por anos bati a cabeça para resolver o problema. Enquanto não tinha solução, usei um autotransformador que foi resolvendo o problema mas era muito complicado ficar carregando mais uma coisa além do amp que já pesa 35kg. Sem contar que a ligação entre eles tinha que ser uma bela gambiarra e o aterramento era feito com um ponto no chassi, o que tornava o uso ainda mais aparatoso. Teve show que fiz sem aterramento, tomei choque e ainda fiquei aturando um baita ruído no amplificador.
Quando cheguei procurei várias fábricas de transformadores e também construtores e/ou reparadores que na hora do marketing falam que fazem tudo. Sempre que colocava o meu problema davam um pulo para trás. Alguns fabricantes de transformadores até falavam que faziam, mas que com certeza eu ia estragar o amplificador ao instalar. Me tomavam por burro e eu respondia: É bem por isso que estou procurando uma ajuda supostamente “profissional”, muito obrigado!” (tu – tu – tu…)
Eu entendo o medo de por a mão em um amplificador tão caro e modificar a sua versão original para poder funcionar em outra tensão. Duas coisas eram inevitáveis: Trocar por outro ou enrolar novamente o transformador de potência. Recebi sugestões criativas e até engraçadas como acomodar o autotransformador dentro da caixa, mesmo eu falando todo o transtorno que isso me causava. Cheguei até a receber sugestões absurdas de adicionar um transformador isolador, que tinha o dobro da dimensão do que eu já estava usando. Outro motivo para ninguém ter vontade de encarar esse pepino é a falta de informação disponível sobre esse amplificador. É difícil saber as especificações dos transformadores destes amplificadores e a turma prefere não arriscar. Uns até queriam ir no chutômetro medindo as tensões e tentando enrolar um trafo novo parecido. Mas não caí na primeira proposta e continuei firme na minha busca. Quando comprei o Tubescreamer T-Miranda que inclusive está aqui no blog, perguntei para a área técnica deles o que poderiam fazer com o meu amplificador. Não entraram em detalhes sobre o que poderiam ou não fazer, mas me falaram que estavam cheios de encomendas e no momento não poderiam cuidar disso. Para a minha alegria me indicaram uma empresa em São Paulo que vende peças originais para amplificadores de várias marcas, incluindo o meu! Entrei em contato e encomendei o transformador com primário 120v que vem do México. Todos os Fenders que funcionam em 127v no brasil na verdade são para 120v que é a tensão usada nos EUA. Assim que o transformador chegou fiquei estudando por umas duas semanas todas as ligações para não ter erro. Respirei fundo e fui a luta.
O primeiro passo foi retirar com cuidado as válvulas e guardá-las em um local seguro e devidamente ordenadas como estavam no amplificador.

Depois disso o pepino foi tirar com muito carinho o chassi da caixa para a troca propriamente dita.

O legal da produção em série é que a marca pensa em tudo e algumas peças estão prontas para todas as versões. Notem os dois furos que encontrei no chassi após remover o transformador de potência:

O novo transformador que instalei é menor pois só tem um enrolamento primário, enquanto o antigo tinha três com tensões de entrada de 100v, 230v e 240v.

Transformador novo instalado, agora é colocar o chassi no lugar e começar a pensar na ligação dos fios.

Apesar da “fiarada” respeitar rigorosamente as cores do esquema que acompanha o amplificador, nunca é demais ligar antes o transformador e medir as tensões para evitar surpresas.
Uma modificação que adicionei foi a troca do tipo de tomada:

A modificação consistiu em trocar o padrão europeu de tomadas redondas para o novo padrão “Lula” introduzido no Brasil. Para isso cortei o fio do antigo cabo e aproveitei os encaixes na chave de “liga” com um sindal cerâmico que é muito robusto. Foto final de toda a modificação:

Vale lembrar que a modificação exige a mudança do fusível de 1,6A para 3A.
Depois de tudo conferido, foi só ligar o amplificador e dar uma olhadinha no bias.
Quando terminei, acabei me deparando com algo na internet que tinha procurado por quase três anos:

 Tá, fiquei meio irritado com a coisa mas por outro lado feliz por manter o amplificador com componentes originais. Quem sabe um dia mande fazer um belo transformador para ele com vários primários e instale com chave seletora. A saga não acaba aqui. Existem mais coisas a fazer mas antes de publicar quero estudar bem e realizar com calma para poder sempre passar uma informação definitiva para vocês.

Fender Hot Rod Deville – Reverb

No amplificador HRDV o reverb é introduzido através de um circuito solid state. Antigamente o reverb era feito com uma válvula de pré e um pequeno transformador para casar a impedância do tanque com o restante circuito. Neste amplificador o reverb foi bem conseguido e o som é muito bonito e profundo. Soa tão bem quanto os reverbs valvulados e penso que não há necessidade de válvulas nesse tipo de circuito. A vantagem é que qualquer problema é fácil de detectar e resolver. É claro que também tem as suas desvantagens e já vamos ver isso. A parte de reverb é feita com um circuito integrado 4560:

Na primeira versão do amplificador era usado um TL072, que é mais fácil de encontrar mas também mais ruidoso.
Então, quais seriam as desvantagens? Para quem toca, nenhuma. Você só se depara com as desvantagens quando o reverb deixa de funcionar como aconteceu comigo. Até então era tudo uma maravilha. Mas tudo tem solução. São dois os maiores problemas:

1 – Fragilidade do tanque.
2 – Grande dificuldade em encontrar este tipo de tanque no mercado nacional.

1 – Por ser um tanque projetado para ser usado com transístores, a sua impedância de entrada é muito mais alta que os tanques para válvulas. Com essa impedância mais alta, requer mais voltas no transformador do tanque, um fio de cobre mais fino que um cabelo , e claro, com isso acaba diminuindo demais a corrente suportada por ele. Só para vocês terem uma ideia da fragilidade do tanque eu coloco aqui uma tabela de impedância e corrente de vários modelos e o que equipa o HRDV está em azul:

 É o segundo tipo de reverb mais frágil  fabricado pela accutronics. Imaginem que com 3,1mA de corrente qualquer pico de energia pode queimar o tanque na hora. Foi o que aconteceu comigo, mas faço aqui um “mea culpa” por isso ter acontecido. Onde moro agora não tem aterramento e sempre toquei com o amplificador assim mesmo. É o tipo de coisa que pode acontecer até com quem tem tudo bem instalado, mas eu abusei da sorte e um belo dia liguei o amplificador e não tinha mais reverb. Só agora no final do ano foi reformada toda a parte elétrica do prédio onde moro e já tenho aterramento funcionando em todas as tomadas.

2 – Não é impossível achar o tanque no brasil, mas as lojas estão voltadas a vender tanques para amplificadores mais antigos e com nenhum deles as especificações casam para este modelo. Quando tudo aconteceu eu estava com muita pressa pois já tinha um show na agenda e não podia ficar com o amplificador naquele estado. O modelo original dele é um 4EB3C1B. Até hoje não encontrei nenhuma loja com esse modelo em stock. No desespero acabei comprando um 9EB2C1B que possui as mesmas características de impedância, 2 molas longas como o original, mas possui um tempo e profundidade de reverb mais curtos. O som não fica tão “hall” e a duração realmente é mais curta. A tradição de reverb nos fender sempre foi a profundidade e duração. Provisoriamente serviu, e agora com calma estou encomendando um original para ter o amplificador como veio de fábrica. Pesquisei um pouco e descobri que o modelo que comprei é muito utilizado nos amplificadores da Peavey.

Reparo propriamente dito:
Foi uma dor de cabeça resolver o problema. Não só para comprar o tanque, mas quando fui trocar descobri que o circuito integrado que controla o reverb também havia queimado. Foi uma soma de azares. Trocar o integrado é super simples, mas é “só” necessário desmontar o amplificador inteiro e remover aquela placa gigante para fazer isso. É algo que leva uma tarde inteira e são muitos parafusos, detalhes e a placa tem de ser manuseada com muito cuidado pois por causa do seu tamanho pode quebrar com muita facilidade. Como desmontar o meu amplificador não é um esporte que eu pratique todos os dias e com grande desenvoltura, resolvi colocar no lugar do CI um socket e assim me livrar de desmontagens e soldas no futuro. Trabalho feito, só alegria:


Não tive mais problemas com o reverb desde então. Ainda aguardo o tanque original para deixar ele com o somzão que sempre teve, mas agora estou mais tranquilo pois só de ter um CI móvel já ajuda um monte se algo acontecer no futuro, o que eu duvido. Foram mais de 6 anos usando o amplificador e nada aconteceu. Acho que foi azar + falta de aterramento!
No próximo post sobre o Hot Rod Deville vou falar sobre a troca do transformador de potência.

Até lá!

Fender Hot Rod Deville

Começo aqui uma série de textos sobre este amplificador que vai render mais um ou dois posts. Anos atrás quando morava na europa resolvi comprar o meu primeiro amplificador valvulado. Já tinha tocado em vários modelos e precisava de um para o meu set mas a grana não era aquela fartura no bolso. Após muita pesquisa achei um baita amp em uma super promoção em uma loja e nem pensei duas vezes. Foi aí que começou a minha história com o Fender Hot Rod Deville que hoje coloco aqui no blog.
O amplificador pelo que pude apurar nasceu em 1996 e é uma versão melhorada e mais barata do clássico Fender Deville. O amplificador tem muitas diferenças em relação aos “tops”, mas ainda assim traz muita coisa interessante e de valor. A proposta dos engenheiros da marca foi resgatar o tradicional som dos clássicos valvulados Fender com um preço bem mais em conta. Será que conseguiram? Vamos descobrir isso ao longo destes posts.

É um amplificador para jazz, blues e algum rock não muito pesado. Para quem gosta destes estilos é um prato cheio. Quero fazer aqui não só uma análise aprofundada do aparelho como também colocar problemas e soluções que encontrei ao longo dos anos. Tenho este amplificador a pelo menos uns 7 anos e estudei ele a fundo inúmeras vezes. Antes de entrar em detalhes técnicos vamos falar sobre o amp como ele sai de fábrica e as suas funções.

O painel é bonito, cromado e tem os controles bem organizados. Duas entradas, hi e low, opção de brilho para som limpo, overdrive com dois estágios de ganho, equalização com controle de presença, reverb e loop de efeitos. No painel também tem o jack para o footswich para controlar algumas das funções com o pé. O pedal controla o som limpo, drive e “more drive”. É pena não ter opção de ligar e desligar o reverb nele também.

Além do pedal, acompanha o amplificador uma capa protetora de nylon que é muito boa.
O amplificador já vai na sua terceira versão, e é aqui que começamos a entender como o amplificador funciona e toda a sua evolução.

O meu é da segunda versão e vem acompanhado de dois falantes de 12 que segundo as especificações são “re-issue” projetados pela eminence especialmente para a Fender. Resumindo é uma nova edição recriando detalhes técnicos dos modelos que foram usados nos amplificadores antigos. A versão atual do amplificador conta com um upgrade nos falantes e recebe um par de Celestion G12P-80. Não vou falar muito sobre o modelo atual pois pouco sei sobre ele e nunca toquei em nenhum.
Seria frescura reclamar dos falantes que acompanham o meu amplificador. São ótimos, com um som lindo e definido. Para quem busca um timbre cristalino e equilibrado o upgrade é desnecessário. Quem tiver interesse em um som mais fechado e “cremoso” talvez a troca interesse. Para mim atende bem ao que procuro no amplificador e por enquanto não vou trocar. Detalhe para esse detalhe de falante “genérico” que é o primeiro indício da mentalidade “low cost” que acompanha este projeto e que mencionei lá no início.
Não que seja um fator negativo, mas existem peças muito melhores no mercado mas que iriam deixar o preço do amplificador impraticável. A solução embora barata é ótima e quem não tem grandes exigências com equalização natural do aparelho vai ficar muito satisfeito com a versão original.
O som propriamente dito é lindo, digno de um Fender. Com graves poderosos e agudos límpidos. Uma stratocaster e um tubescreamer podem tornar este amplificador em uma máquina perfeita de blues. A terceira versão só veio por causa de muitas reclamações com o canal de drive. Realmente é um problema pois o drive é muito fraco. É um tubescreamer só que para pior. No meu não uso. Só som limpo e a saturação tiro dos meus pedais. Simplesmente não dá! A nova versão vem com isso melhorado e não pude ainda tocar em um para falar se gosto ou não. O fato é que a graça dos amplificadores da Fender sempre foi o som limpo e deviam seguir mais essa linha. Tentaram inventar uma coisa que não deu muito certo. Para solos até vai, mas para fazer bases é muito pobre.
Agora vamos para os detalhes mais técnicos e onde começam os problemas que surgiram na segunda versão do aparelho que é a que eu tenho.
Visão interna. É só clicar na foto para ampliar:

O controle de volume é um problema crônico nessa versão e todo mundo reclama. No 3 o volume já fica insuportável, e se continuar girando o botão não aumenta muita coisa. Até hoje não entendi qual foi a deles fazer uma besteira assim. Não tem sentido se for pensar em dinheiro. Não sei como criam um projeto e colocam em linha de produção sem antes colocar um guitarrista, por mais novato que seja para testar e dar a sua opinião. Posso estar sendo malvado, mas é o tipo de erro que nenhuma marca deveria deixar passar. O erro foi usar um potenciômetro linear no lugar de um logarítmico. Para quem tem interesse é só fazer a troca e este site AQUI mostra como. Eu fiz, melhorou mas ainda não ficou perfeito. Não alterei o valor resistivo original e isso também foi a causa de não dar tanta diferença. Mas também não vou mais mudar pois eu toco com ele alto mesmo e nunca foi algo muito incômodo para o uso que eu dou.

Agora vamos falar de coisas mais sérias. Logo quando comprei notei nos primeiros dias que enquanto tocava o amplificador dava uns estalos tipo faísca e achei muito estranho. Fiquei encucado e resolvir ter um papo sério com o pai google para saber se era só comigo. Achei esse artigo AQUI que fala sobre um lote mal sucedido de resistores colocados nas placas das válvulas que foram usados nesses amplificadores. Segundo eles, os resistores não são muito bons e “quebram” por dentro gerando faíscas internas e estes estalos no som. Fiquei muito confuso e ao mesmo tempo chateado com isso. Mas não desanimei e resolvi por a mão na massa e resolver o problema. Os resistores originais são de 100k 1/2w. Comprei um pacote de resistores de 100k 1w para garantir. Troquei de todas as placas das válvulas e na inversora por preciosismo coloquei de 2w. Na foto interna que postei os resistores que tanto falo estão destacados com quadros vermelhos.
Não posso afirmar que os estalos eram mesmo disso pois quando fiz essa modificação encontrei algo muito pior e muito mais causador de estalos. As soldas dos sockets das válvulas de power estavam todas rachadas, mal feitas e com bolhas. Foi usado um fio de solda de baixa fusão e com o calor das válvulas ia derretendo e criando mal contato. Removi e refiz todas as soldas com um estanho melhor e com uma fusão mais alta. De qualquer forma os resistores novos e mais potentes não foram um desperdício. Manutenção concluída e estalos nunca mais! Fiz essa manutenção quando o amplificador tinha 15 dias e até hoje ele não dá mais estalos. Era uma coisa ou outra, mas o importante é que ficou resolvido. Tirando esses dois detalhes, os componentes do amplificador são de boa qualidade. Os capacitores são xicon polypropilene. Tem quem mude e coloque uns mallory ou orange drops. Eu até hoje nem me animei de fazer isso já que o som está como eu gosto e estes capacitores que falei são muito grandes e mais chatos de instalar. Um dia com calma quero comprar fio de boa qualidade e substituir por essas fitas de conexão com as válvulas que com o tempo começam a dar mal contato. Não posso falar pois comigo até hoje não deram, mas li que é algo comum de acontecer. O meu amplificador saiu muito pouco de casa e sempre foi muito bem transportado, mas outros que vivem por aí em shows com certeza apresentam problema nas fitas e é bom colocar fios no lugar. A placa do circuito é gigante, toda em fibra de vidro e faz do amplificador um dos mais bem construídos que eu já vi. Adorei a ideia de ligar os transformadores por um sistema bem seguro de encaixes de fios. Para trocar ou fazer manutenção é tudo muito rápido e não compromete a placa com aquela coisa de soldar toda hora. Os capacitores de filtro de alta tensão são horizontais e não temos muito disso no mercado brasileiro. Mas nada que fique caro comprar lá fora e levam muitos anos para serem trocados. O controle dos canais e do “more drive” é feito por relés. Quando se está tocando e pisa para voltar para o limpo ele dá um ligeiro puff, mais uma coisa que não pensaram. Se trocar os canais sem estar tocando a guitarra não existe puff algum. É só quando está tocando. Mas como disse, nem uso o canal de drive dele.
A equalização é tradicional da Fender e não atua tanto quanto as mais atuais que acompanham novos amplificadores. É meio chato de timbrar pois é muito “arcaica”, mas nada negativo e que impossibilite de tirar o timbre desejado.
Após essa introdução ao mundo “HRDV” vamos fazer uma breve pausa e volto com o tema Reverb!

ProcoRat Handmade

Como diriam os “novos antigos”, acho esse pedalzinho supimpa! Uma vez toquei em um original e me deu aquela vontade de ter um. Não que o preço fosse proibitivo, mas achei a construção tão simples que resolvi montar um com componentes selecionados. Não tenho mais paciência para ficar fazendo placa em casa então prefiro comprar pronta. Se fosse fazer muitos pedais ou ganhar dinheiro com isso até pensava no caso.
A caixa de alumínio injetado comprei, medi tudo bonitinho e fiz os furos. Pintei com spray acrílico e finalizei com um verniz mate também em spray. Não adianta, pintar alumínio é complicado mesmo. Qualquer batidinha descasca. Perdi as contas de quantas camadas de tinta coloquei até sentir confiança no resultado final. Até hoje não riscou nem descascou, mas sei por outros projetos que é algo fácil de acontecer. Nada que me preocupe muito pois até acho legal aquele ar “malhado” que alguns pedais usados possuem. Exagerei no azul e nem o led escapou. Coloquei um “zóião” azul de alto brilho que dá para ver de longe se está ligado. Os knobs são um pouco feios e é algo que estou procurando para substituir e ficar com uma estética mais profissional. Os decalques fiz com um papel adesivo transparente e levei para imprimir em uma gráfica. Saiu bem baratinho. Uma folha A4 cheia de in, out, distortion, overdrive, vol, tone, drive custou 2 reais e agora tenho adesivos desses até o final dos tempos. Não fiz nenhum logo ou símbolo “RAT” pois não vejo necessidade uma vez que o pedal é para uso particular e também não ganho nada com isso. E fala sério, é sempre bom manter aquele mistério sobre o que tem dentro! ehehehe

Coloquei um jack DC padrão BOSS para alimentação externa. O clip da bateria está fixado na caixa com cola epoxy. Fiz bases de borracha com os parafusos que suportam a placa e também fixei com cola. Se fosse fazer furos para o clip e suporte da placa acabaria alterando muito a estética final do aparelho. Como não são elementos que suportem grande peso ou pressão foi bem tranquilo. A placa não pesa nada e ficou bem presa dentro da caixa. Utilizei porcas com trava. Nos potenciômetros decidi fazer uma montagem limpa. Uma vez que a placa já estava super firme, fiz as ligações nos potenciômetros com terminais que sobraram dos componentes que soldei na placa. Estava tudo tão perto que não justificava ficar soldando fios. E os fios também quando ficam curvados em tão pouco espaço acabam fazendo bastante força contrária na placa e com o tempo começam a dar mal contato. Todos os componentes foram medidos um a um e soldados. O uso de capacitores de mica no lugar dos cerâmicos deu um som mais macio e menos ruidoso/raspado. Jacks switchcraft que desligam a bateria do pedal quando o jack “in” é retirado, 3pdt garantindo um bypass silencioso sem perdas e fechando a obra um suporte metálico para o led com bordas arredondadas no painel. Saiu muito mais barato que comprar um original e o som ficou incrível. Não alterei nenhum valor do projeto original, só tive um cuidado especial na escolha dos componentes. Ficou igual ou até melhor que o original que me motivou a montar. Já vi gente falando a besteira que pedais handmade são ruidosos. Isso é uma mentira enorme. O problema é que vemos muito serviço porco e realmente só pode dar ruído. No sample que agora apresento usei uma Tagima Strato e o pedal alimentado por uma fonte 9v que fiz e também está aqui no blog. Ruído zero!

Sergio Rosar – Vintage Hot

Quem acompanha o blog sabe que gosto de dar a minha opinião sobre os equipamentos, principalmente nos que possuo pois tenho todo o tempo do mundo para testar e dar a minha sincera opinião.
No passado ano de 2010 resolvi dar um “up” na minha fender. Trata-se de uma fender american standard. Comprei usada e vinha com o captador do braço e do meio originais e na ponte um dimarzio DP-217. O primeiro e antigo dono dela me entregou também o captador da ponte original.  Nunca gostei daquela captação que não contribuía em nada para a guitarra mostrar o que vale. Sempre namorei o set Texas Special da fender e juntei uma grana para colocá-los. Estava certo que iria gastar uns 800 reais +- e a vontade de deixar a guitarra como eu queria era grande. Viola no saco e fui ao luthier. Cheguei e pedi o que desejava. Conversa vai, conversa vem e o profissional guitarreiro me falou….
– Existem estes captadores do Sergio Rosar que são similares e a turma está gostando muito. São nacionais.
Fiquei um pouco confuso e como bom brasileiro que sou não levei muito a sério o negócio. Mas pela metade do que eu ia gastar num Texas resolvi arriscar. Como disse o luthier, na pior das hipóteses vendia e depois comprava os que inicialmente queria.
Até então eu nunca tinha colocado uma captação do gênero em minhas guitarras. Após aqueles longos e agoniantes dias de espera, fui buscar a minha menina…
Gostei muito do que vi e ouvi. Capinhas brancas de boa qualidade e um som muito dinâmico.
O som do set Vintage Hot é realmente quente, tem um ganho bem moderado/alto para singles, apresenta uma equalização super equilibrada com graves redondos e nada percussivos contrariando os captadores realmente vintage. Os médios são equilibrados, uma característica que achei muito boa em comparação aos texas special que recebem uma carga de médios muito acentuada e ligados a um tubescreamer fica ainda mais anasalado e “entubado”. Os agudos não são tão estridentes como na captação original e recebem um toque aveludado e arredondado também influenciado pelo magneto de alnico. Além de todos esses detalhes, reparei que o ruído era inferior aos tradicionais singles que acompanham as guitarras. Praticamente zero.

A construção é profissional e no lugar do plástico injetado usam fibra de vidro que é um material muito mais resistente e não deforma com o tempo. Só tinha visto um acabamento assim nos captadores da marca Seymour Duncan. O banho de verniz que leva é bom e nunca sofri com microfonias mesmo com o volume bem alto.
O set traz os três captadores já calibrados para as suas posições finais, parafusos e borrachas para instalar no escudo. Há quem use molas, mas não é uma solução muito fiável e profissional. Sou tradicional nessas coisas. O ideal é comprar o set pronto para evitar problemas de ganho. Quem quiser mesclar com outros captadores pode consultar um técnico de confiança ou  falar diretamente com o fabricante.
Um dia vi uma citação no mínimo curiosa em um fórum gringo onde na assinatura um dos usuários dizia: “tudo que se diz vintage não tem nada a ver com vintage”.
Como em outras áreas comerciais, o mercado de instrumentos e acessórios sofre com um marketing violento que usa nomes fortes como blues, vintage, rock, 59′ para passar uma ideia que não corresponde em nada com o que era feito antigamente. Esse set de captadores não se parece em nada com um captador vintage, mas ainda assim tem qualidades muito boas e permite ao instrumento moderno ter uma tonalidade mais clássica.
Intrigado com toda essa pressão e propaganda do mercado resolvi investigar pela internet e no site do fabricante para ver até onde encontrava detalhes sobre seus produtos. Foi uma leitura muito agradável onde pude entender como são desenvolvidos. Copiar todo mundo copia, e isso está cada vez mais “cara de pau” em tudo quanto é produto nos tempos que correm. O que mais me chamou a atenção foi o artigo onde falam do estudo que fizeram sobre a forma como as stratocasters foram fabricadas ao longo das décadas para desenvolver captadores mais adequados às medidas praticadas e materiais utilizados atualmente. Principalmente no que diz respeito ao diâmetro, altura e espaçamento dos pólos dos captadores. Aí entendi que não se tratavam de simples cópias. Ficou mais claro que é uma versão melhorada dos texas que eu tanto queria. Para quem gosta de um timbre limpo impecável e um som puramente blues recomendo os captadores. Fiquei feliz ao encontrar um produto nacional tão bom ou melhor do que os fabricados lá fora. Não me arrependo do conselho que segui e hoje tenho mais uma guitarra em fila de espera para receber essa captação. Da marca espero que o preço e a qualidade continuem caminhando juntos e de forma justa.
Segue sample em um show. Overdrive utilizado Scream X: