Fonte para Filamentos

12ax7

Ando vasculhando legal o meu baú de projetos interessantes e na medida do possível vou colocando aqui para que todos possam usufruir também.  O mais difícil é organizar tudo e passar de uma forma legal para quem quer montar. Sem mais conversas, hoje apresento no blog uma fonte para filamentos de válvulas que trabalham com 6,3v ou 12,6v. Como sabemos, as válvulas precisam aquecer para funcionar. A maioria dos amplificadores injeta o AC direto nas válvulas para aquecer os filamentos. Funciona bem, mas por vezes essa solução traz problemas como ruídos, oscilações da rede elétrica e diminuição na vída útil das válvulas. A proposta do esquema que trago hoje é a seguinte: Ter uma fonte DC filtrada, estabilizada, livre de ruídos, que pode ser ajustada ao milímetro para 6,3v ou 12,6v e com um adicional: Uma subida lenta de tensão, permitindo assim ligar os filamentos devagar e prolongar a vida útil dos mesmos. Interessante, não? Vamos ao projeto:

filamentos

 

A fonte leva componentes comuns e pode ser montada com uma capacidade de até 5A. Recomendo montar para prés ou amps até 15w que utilizam válvulas 12ax7 e EL84. O coração do circuito é o Mosfet BUZZ11 que deve ser montado em um bom dissipador de calor devidamente equipado com pasta térmica e mica isolante. O transformador deve ser 30% acima tanto em corrente como em tensão desejadas. O trimpot P1 faz o ajuste fino da tensão de saída. Como a subida é lenta, o ideal é esperar de 15 a 30 segundos para fazer o primeiro ajuste. Depois disso ligue as válvulas e faça novamente o ajuste para compensar alguma queda de tensão provocada pelo consumo. Feito isso é só alegria.

2013-09-08 09.08.20 2013-09-08 09.07.54

 

Infelizmente não tenho como disponibilizar o desenho da placa pois fiz à mão e não achei o papel para colocar aqui. De qualquer maneira o desenho não é difícil de fazer e se quiser tentar copiar a partir da foto aqui publicada fique à vontade.

Preamp Simples

preamp

 

Seguindo o pensamento do post anterior, aqui estamos com mais uma novidade. O pré que publico aqui pode ser utilizado com qualquer potência incluindo a do post anterior. Consiste em um pequeno circuito com controle de Agudos, Graves e Volume. O esquema é muito simples e conta com um circuito integrado 4558 que você encontra em qualquer casa de eletrônica. O pré é simples e não possui nenhum tipo de distorção ou overdrive. É possível incluir um loop para efeitos, mas acho desnecessário. Todo o resto da festa você pode fazer com pedais. O som é muito bacana, equilibrado. Achei o grave dele incrível e casa bem com qualquer guitarra e pedal. O circuito é modesto e não precisa de muito para operar. Trabalha com tensões de 9 a 30v e consome apenas 4mA. É moleza combinar com qualquer potência. O arquivo conta com instruções sobre o circuito, diagrama completo de ligações e até o pcb limpinho para você transferir e montar. Como o consumo é muito baixo, o artigo recomenda alimentá-lo com uma bateria 9V, o que eu até recomendo pois você pode utilizar uma bateria recarregável que vai durar muito e não correr nenhum risco com ruídos. Foi assim que casei com o módulo ILP do post anterior e consegui os melhores resultados sem ruído algum!

Fica a dica, fica AQUI o link para o arquivo.

Módulo ILP

logo

Olá Nobres colegas. Voltando o foco para eletrônica, hoje resolvi falar de um amplificador muito bacana que comprei e quero compartilhar com vocês. Quem quer construir um amplificador sabe que o conceito pré+power é básico. Existem vários esquemas de power com circuitos integrados da série TDA ou LM. Muitos deles equipam a grande maioria dos amplificadores comerciais transistorizados para guitarra. O problema que sempre encontrei nestes amplificadores foi o aquecimento excessivo e a instabilidade nos componentes. Muitos deles quando em volumes altos ou quando aquecem começam a oscilar o volume do nada, e isso é um terror para qualquer guitarrista. Talvez por isso os amplificadores atuais não recebem o devido valor. Antigamente contavam com transístores de potência parrudos que não queimavam com facilidade nem oscilavam ganhos e volumes. Foi pensando nisso que a uns tempos resolvi construir um amplificador transistorizado para mim. Conversando com um amigo guru das eletrônicas falei da minha intenção e ele me disse que durante muitos anos trabalhou com módulos de potência da ILP. São módulos de potência resinados construídos na Inglaterra. Ou seja, o módulo todo é uma coisa só e você não tem acesso aos transístores. Ele não é feito com circuito integrado. É um bloco sólido que inclui dissipador, placa, capacitores de filtro e ponte retificadora. É só plugar no trafo. O mais legal é que cortando uma trilha você tem saída para 4 ou 8 ohms. O diferencial deste para outros módulos comuns é a sonoridade e ausência de ruído.

DSC00426

 

Como podem ver na foto, logo após o dissipador tem uma resina preta que esconde todo o circuito. Depois disso vem a placa em fibra de vidro e os demais componentes. O amplificador já tem esse dissipador corretamente dimensionado e você não precisa se preocupar com aquecimento. Já fiz testes com ele por horas no talo e não saiu do morno.

DSC00427A placa por baixo recebe um acabamento de prata que protege bem o cobre e facilita as soldas.

Como disse, o som é espetacular. Estes powers são projetados para construtores de amplificadores de alta fidelidade. São construídos com X-Fets e projetados para não terem nenhum tipo de ruído. Além de todo o cuidado na construção, os capacitores de filtro são de alto desempenho:

2013-09-08 09.09.02Capacitores Hi-Ripple são bem difíceis de encontrar. O ripple no final da série é desprezível e o amplificador é dos mais silenciosos que já vi. Nem aquele “S” típico ele tem. A taxa de distorção harmônica também é impressionante, 0,005%, enquanto alguns TDA ou LM trabalham em 1%. A resposta de frequência está entre 15Hz – 50kHz, muito além das tradicionais 20Hz – 20kHz praticadas pelo mercado. Além disso ele ainda conta com proteção interna de temperatura e ausência de carga na saída.

O módulo em questão é de 30W e faz muito barulho, mas os modelos são de 20, 30 ,60, 120 e 240w.

Como já deu para perceber, se um módulo desses estragar é impossível arrumar. Sem problemas pois a marca se garante e dá no mínimo 2 anos de garantia em cada módulo. O meu comprei em 2007 e funciona perfeitamente até hoje. É muito difícil dar alguma zica em um produto tão bem feito.

Com o módulo você também pode já pedir o transformador feito especialmente para ele. Eles fazem transformadores toroidais com resina no meio para anular qualquer hipótese de vibração, um luxo!

O conjunto amplificador + transformador custa +- 50 dólares. Mas se você comprar só o módulo fica ainda mais barato.

O amplificador pode ser ligado em qualquer pré. Tanto transistorizado, híbrido ou totalmente valvulado. No próximo post vou passar aqui um pré que casou como uma luva neste power e tem montagem simples e consumo mínimo.

 

 

 

Produtos Clássicos

Recentemente comprei um jogo de válvulas igual a este:

tubesTrata-se de um par de 6L6GC casadas. Comprei em julho e só ontem resolvi abrir e testar. As válvulas originais do amplificador supostamente também são Groove Tubes, mas olhando contra a luz é possível ver gravado Sovtek nelas. Até aí tudo bem, não desgosto da marca, mas não precisavam fazer tanto barulho como se fossem de outra marca. A Groove Tubes é mais uma marca clássica no mercado, mas também adotou a mesma política de venda e promoção massiva de outras empresas. O kit da foto testei e não achei nada de novo. O som é legal, um timbre quente, mas satura muito fácil comparadas com as Sovtek. Você vira a caixa e vê uma etiqueta “Made In China”. Acontece que as válvulas não são Groove Tubes, apenas recebem a Logo e são vendidas por 50 Dólares lá fora e chegam a custar 300 Reais no Brasil. A dica é: Se for comprar válvulas casadas, compre Sovtek ou JJ. É a dica que dou para quem compra por aqui. Se for comprar lá fora pesquise bem. Eu precisava de válvulas novas então estas chegaram em boa hora, mas não são válvulas “profissionais” na minha humilde opinião.

Acontece que as marcas hoje exploram o Marketing daquilo que um dia fez história, e tentam vender réplicas ou até mesmo modelos melhorados.

Isso aconteceu com o Fuzz:

fuzz

Também rolou com overdrives e amplificadores:

bassman ts

Não questiono a qualidade de muitos destes produtos pois sabemos que é ótima, mas acabam mexendo muito com a ilusão dos produtos vintage. Quem quer realmente algo vintage precisa preparar o bolso e ir para os leilões para conseguir coisas realmente boas. Do contrário, ir atrás do que as marcas falam é ter o sonho que vai ter um som de um equipamento antigo.

Entre propagandas e comentários de internet a coisa fica tão confusa que as pessoas acabam engolindo a história errada, como é o caso dos captadores Fender Texas:

caps

Em qualquer buraco que você vai a primeira coisa que falam é que esta era a captação utilizada pelo SRV. Mentira. Não existia este modelo de captadores na época. Se existisse encontraríamos modelos antigos e até NOS (New Old Stock) para comprar. Ele utilizava captadores alnico originais da Stratocaster. Após a sua morte foi feito um estudo nos seus instrumentos e desenvolveram captadores com características aproximadas, aos quais batizaram de Fender Texas.

O motivo principal desse post foi uma conclusão engraçada que cheguei a uns dias. A guitarra é hoje um dos instrumentos mais populares do mundo. A internet é um lugar onde você acha tudo e mais alguma coisa. Entretanto, informação sólida sobre os equipamentos você não encontra. O que mais tem é pessoal brigando em fóruns e bilhões de links que te levam para propaganda e marketing cara de pau de produtos que muitas vezes são uma porcaria. O mundo da guitarra na internet hoje é um grande espaço de publicidade e faz falta sites com conteúdo legal, investigativo. Existem, mas ainda são poucos e cada um com um foco específico. Foi pensando nisso que iniciei uma busca por estes sites para compartilhar aqui no blog. Na medida que posso vou fazendo as minhas investigações e também vou compartilhando com vocês opiniões sobre as coisas. Na próxima semana vou trazer um site muito bacana com um conteúdo porreta sobre guitarras.

Até lá

Morley Bad Horsie 2

topo

Um pedal não tão popular aqui no Brasil e complicadinho de encontrar. A Dunlop domina hoje o mercado de pedais Wah-Wah no mundo todo. A Morley é também uma marca muito tradicional e conta com um histórico longo de produtos. Hoje falo um pouco do exemplar Bad Horsie 2 desenvolvido com a direção do guitarrista Steve Vai. Eu estava a uns 5 anos ou mais para comprar finalmente um Wah-Wah para o meu set de pedais, mas sempre acabei investindo em outras prioridades. Pois bem, quando chegou a hora de escolher fiz uma ampla pesquisa e acabei optando pelo modelo Bad Horsie 2.

O principal motivo da escolha foi a robustez e a durabilidade destes pedais. O tempo de vida útil é enorme graças ao sistema óptico na parte de controle que dispensa potenciômetros e assim elimina por completo o problema de desgaste mecânico. Outra coisa que motivou a compra foi ter conhecido um guitarrista que se estapeava no Ebay pelos modelos PWB da década de 70:

pwb

Tive a oportunidade de ver e ouvir de perto um modelo antigo assim e senti que no futuro deveria ter um pedal com essa pegada. Já toquei com vários Cry Baby e gosto, mas sempre gostei da resposta mais gutural e agressiva que os pedais Morley dão. Foi bem por isso que o guitarrista Steve Vai encontrou na marca a solução para a sua proposta sonora que é no mínimo curiosa. A minha escolha no modelo foi baseada na versatilidade. O pedal possui duas opções de timbre com chaveamento por footswitch, e ainda conta com ajuste fino de Countour e Level:

morleyyy

Existem dois leds. Um que liga quando ativado o segundo modo, e um do outro lado que indica se o pedal está em Bypass ou não. Assim que você tira o pé do pedal, ele automaticamente entra em Bypass. Não é necessário pisar até o fim com força para desligar como em outros modelos. Existem vantagens e desvantagens. Quem não gosta de Bypass eletrônico vai achar ruim, mas os Dunlop também possuem um Bypass safado que precisa ser trocada a chave assim que você compra o pedal. A vantagem é a comodidade em desativar o Bypass. Com uma chave 3pdt e um furinho na caixa você resolve o problema sem grandes transtornos. Como uso uma quantidade pequena de pedais não senti necessidade na modificação. Entre os pedais com Bypass eletrônico este foi dos que menos senti alterações na sonoridade, ponto positivo.

Abri o pedal para conferir o trabalho:

DSC00425

O pedal é construído nos EUA mesmo. Bem por isso achei que duas coisas poderiam ser melhores. Primeiro, a chave que ativa o segundo modo poderia ser de mais qualidade. Estas chaves duram pouco e custam 1 dólar lá fora. Mas também não é algo que você vá utilizar tanto quanto uma chave para Bypass. Segundo, apesar de bem construído e sem nenhum fio sobrando, o pedal foi feito naquilo que considero o pior tipo de fenolite que existe. O normal já é super frágil, este então é tipo um papelão. O que atenua isso é a caixa, feita em chapa de aço a prova de tudo. Dá para sapatear em cima do pedal que ela não dobra. Vendo por esse lado até consigo perdoar a falha na placa. Muito cuidado para quem for algum dia soldar seja o que for nela. Qualquer coisa as trilhas vão pular!

Os pedais Dunlop saem de fábrica com metal injetado extremamente resistente e com placas em fibra de vidro. Tinha que falar, me desculpem. hehehe

O que a Morley esqueceu em acabamento, investiu pesado no desenvolvimento da sonoridade que é incrível. Não me arrependi da compra e espero no futuro testar outros modelos. Outro que já fica pendurado na lista é o de volume, que pode ser utilizado para controle de ganho em distorção também. Uma mão na roda!

Bora pro som:

Ts9

DSC00408

Pela primeira vez no blog um TubeScreamer original. Existem ótimos clones e pedais com a mesma sonoridade, mas é sempre legal falar de um ícone que inspirou todos os outros. É sabido que o primeiro deles foi o Ts-808, mas o seu irmão direto também contou muitas histórias no mundo musical. O modelo que apresento aqui é atual. Existe toda uma história sobre o aparelho e suas diferentes fases de produção. Quem tem interesse nessa história e também na origem dessa emblemática série de pedais pode consultar clicando AQUI. A principal diferença entre o Ts9 e o Ts808 está na etapa final do circuito. Em miúdos, o Ts9 tem um som com os médios mais carregados, enquanto o Ts808 tem uma sonoridade mais grave. Outra diferença que sempre existiu entre eles foi os modelos de circuito integrado. Atualmente os dois são produzidos e recebem o mesmo circuito, o famoso JRC4558D. Um Ts808 reedição custa uns bons cobres a mais que um Ts9. A diferença entre eles está em dois resistores.

DSC00414-B

Os dois resistores que é preciso mudar já saem de fábrica com uma tinta marrom nos terminais. Legal, não? Não tenho a certeza se fazem isso para quem quer modificar ou por facilitar na hora de montar os pedais, já que o Ts808 recebe a mesma placa.

O pedal não traz nada novo além do regresso do integrado JRC4558D que por anos veio com o tão odiado JRC2043DD.

DSC00420

A caixa é a mesma de sempre, alumínio fundido. Os potenciômetros são alpha e os jacks parecem muito com os da Amphenol. A diferença estética para os primeiros modelos é o led. Antigamente utilizavam um led comum vermelho. Agora o pedal vem com um led transparente, que quando ligado também fica vermelho. O detalhe é que não é um led de alto brilho. Ele fica super fraquinho e você só consegue ver se o pedal está ligado se for visto de cima. Muitos guitarristas trocam por um led vermelho de alto brilho nas duas edições do aparelho.

O som não desaponta, é um classico. Infelizmente não tenho como comparar o modelo antigo e o novo. Mesmo assim o modelo atual tem um som lindo e com um grão que muitos clones e derivados não conseguem ter.

3PDT

1

 

Faz tempo que a chavinha 3pdt de um overdrive está me deixando na mão. Começou com algumas falhas e por fim simplesmente não ligava mais o pedal e ficava só em bypass. O pedal é relativamente novo e tem bem pouco uso. Não culpo o fabricante. Sei por experiência que a “loteria” dos componentes é rara, mas acontece. Sem me preocupar muito coloquei o pedal de lado e mandei vir uma chave nova. O pedal até ganhou pó de tanto que esperou. Foram 2 meses esperando, é mole? Mas tudo bem. Aproveitei para também por um led azul brilhante que é muito mais a cara do pedal. Resolvi fazer um post e dar algumas dicas que completam o anterior.

Quem leu com calma e carinho vai lembrar da malha para dessoldar. Comecei por tirar os fios da chave. Como funciona:

2

 

É só dar calor em cima da malha e encostar a danada na solda que deseja tirar. Não compre mais que um rolinho pois dura bastante. Se você compra muitos eles vão oxidando aos poucos e quando acaba de usar o primeiro, os outros já nem pegam mais a solda.

Quando acabar não jogue o rolinho fora. Eu uso os meus com fio de estanho enrolado para não ter aquela chatice de ficar pegando do rolo grande. Com o tempo junte vários e enrole diferentes bitolas de fio:

3

Aqui o trabalho concluído com tudo no lugar. Foi só plugar tudo, testar o led, chaveamento e fazer a festa.

4Os restos do massacre…

5

Vale a pena montar?

Vale a pena montar? Esta é uma pergunta que muita gente faz. Sim, vale. Tem qualidade? Sim, muitas vezes melhor que muita coisa de marca. Mas então qual é o grande problema em montar?

O problema para quem quer montar um pedal ou amplificador é o investimento. Ou construímos coisas muito amadoras com um equipamento xing-ling, ou então montamos um laboratório com condições mínimas para ter resultados satisfatórios. É aí que a coisa começa a ficar cara. Para quem quer fazer um pedalzinho não compensa tudo isso. É melhor comprar pronto ou ter algum conhecido com um laboratório disposto a ajudar. Também é necessário ser caprichoso para conseguir bons resultados.

É preciso responder as perguntas:

Você quer montar circuitos esporadicamente?

Você quer ter uma linha de produção?

Você quer ter condições de fazer e reparar pedais e amplificadores bem como variados circuitos eletrônicos do dia-a-dia?

Quando montei a minha bancada optei pela terceira pergunta. Hoje tenho um laboratório modesto capaz de realizar as mais diferentes montagens e reparações. Consigo trabalhar com praticamente qualquer pedal ou amplificador. Também tenho essa estrutura para montar os pedais quando me dá vontade, mesmo que atualmente tenha deixado de lado um pouco. Toda a manutenção da parte elétrica das minhas guitarras sou eu que faço. Também todos os reparos e alterações nos circuitos dos pedais e amplificadores que tenho em casa ficam por conta da minha bancada. Quem gosta de eletrônica e quer ter essa versatilidade na hora de resolver pequenos problemas se liga nas dicas.

Um laboratório nunca está completo. Sempre é possível melhorar. Mas para a maioria dos casos vamos precisar de coisas básicas para poder efetuar os trabalhos.

Primeiro: Tenha uma mesa livre só para isso. Monte a sua bancada longe de computadores, roupas, enfeites. É preciso espaço dedicado para trabalhar.

Agora que já tem a sua mesa reservada é bom começar com algo que considero fundamental:

borracha

Borracha. As placas de borracha são vendidas ao metro em qualquer loja de lonas, couros e tapetes. Compre o suficiente para forrar a sua mesa. É muito melhor para trabalhar. É aderente, não conduz eletricidade, protege a sua mesa, é fácil de limpar e não estraga com qualquer encostão do ferro de solda quente ou objetos cortantes.

Com a nossa mesa pronta agora vamos para os acessórios e por fim a alma do seu cantinho de trabalho. O próximo passo é ter um lugar para concentrar e organizar todas as suas coisas:

gavetas

Em lojas de decoração, 1,99 e mercados encontram-se essas caixas com gavetinhas. Em lojas de eletrônica vendem caixas de metal com gavetas em um plástico bem duro, mas como são específicas acabam saindo caro. Lembre-se que este é o começo e não precisa mais do que uma com 16 gavetas como a da foto.

luz

A luz é tudo ao trabalhar com componentes tão pequenos. Não precisa logo comprar uma com lupa como a da foto, mas utilize uma luz forte que ilumine bem toda a mesa.

Agora listo aqui acessórios diversos que são muito úteis:

alicates

Os alicates são os seus melhores amigos. Para começar o ideal é ter um bom alicate de corte e um alicate de ponta. Compre os de boa qualidade. Alicates vagabundos enferrujam e perdem o fio com facilidade. Pode adicionar na lista um pequeno estilete.

pinças

Kit de pinças. Em toda a casa de componentes eletrônicos tem. Comprei um kit igualzinho ao da foto e tenho faz um tempão. São as suas aliadas na hora de soldar e trabalhar com as pecinhas.

suporte

Suporte para placas. Ajuda muito na hora de soldar e as mãos ficam livres para o ferro e a solda. Tem muitas utilidades.

palha

Palha de aço grossa. Este tipo de palha de aço é inox e dura muito. Em casas de eletrônica vendem uma dourada “própria” que é muito mais cara e enferruja. Para quem não sabe, é a melhor coisa para limpar a ponta quente do ferro. Remove totalmente a solda, fica limpinha e brilhando, não estraga nada. As esponjas vegetais que acompanham os ferros precisam estar molhadas para limpar o ferro. A esponja molhada em contato com o ferro quente estraga a ponta. Oxida. Ela fica preta até não soldar mais. E também não duram nada. Vai de palha de aço. Um pacote igual ao da foto vem com umas 4. Coloque uma em um pequeno pote de vidro e as que sobram dê aquele brilho nas panelas em casa.

cobre“Malha” ou fio para dessoldar. É uma malha de cobre onde se encosta o ferro quente e encosta na solda. Ela suga a solda para dentro da malha. Também existem aqueles dessoldadores por sucção, mas acho meio complicado trabalhar com eles. Quando a solda já está velha e não funde direito eles não resolvem o problema acaba chegando calor demais na placa. As trilhas vão pulando igual pipoca. Utilize os sugadores quando tiver muita solda para tirar e se a mesma estiver em bom estado.

solda

Não compre fio de estanho ruim daqueles vendidos em mercados e lojas de materiais elétricos. Compre fio próprio para soldar componentes. Encontrei uma ótima relação custo/benefício com a solda nacional 183 MSX. Eu uso fio 0,5mm e 0,8mm. Mais grosso que isso não fica legal para eletrônica, vem estanho demais na hora de soldar.

alcool

Depois de soldar sempre limpe a placa. Álcool de cozinha não serve. Use álcool isopropílico. Ele é bom para remover restos de fluxo que a solda solta e que deixam a placa toda melada. Pode ser usado para limpar placas, componentes e algumas das ferramentas da sua bancada. Uma garrafinha igual a da foto custa em média 3 reais e dura muito.

proto

Protoboard. Para inúmeros testes e projetos é bom ter uma. É tudo mais simples. Não precisa sair montando o circuito sem ter a certeza se funciona ou não. Com ela é só encaixar e testar. Também é o tipo de coisa que só se compra uma vez.

comps

Componentes diversos. Para começar compre um lote sortido de componentes. Comece com resistores, capacitores, leds, diodos,transístores, alguns reguladores de tensão e circuitos integrados ampops.

Bem. Agora já estão listadas quase todas as peças que farão toda a diferença no seu trabalho. Reservei a parte final para falar do coração de tudo:

esta

Estação de solda. Mas não posso comprar apenas um ferro? Existem ótimos ferros por aí. O problema é que não estão acompanhados de um controle de temperatura. Uma estação de solda te dá grande segurança. Dá para fazer testes e determinar o melhor ponto de fusão para o estanho que for usar. Uma estaçãozinha com temperatura controlada começa nos 150 reais. Um bom ferro sem controle custa 120. Mais vale pegar uma estação e não correr riscos. Calor demais estraga as trilhas de cobre e pode queimar componentes. É bom trabalhar com a temperatura ideal. Recomendo fazer testes até chegar em uma temperatura boa para evitar também soldas frias. O bom das estações é que de brinde sempre vem o suporte para o ferro, o que acho um porre ficar comprando a parte.

fnt

Fonte de alimentação. Não é preciso começar com uma fonte profissional cheia de funções. Tenha no mínimo uma fonte 9v como as que mostrei no blog para começar. Depois é bom ter uma com tensão variável e um indicador visual de tensão. Depois com o tempo pode  investir em uma fonte melhor, de 0 a 30v, com amperímetro e voltímetro, regulador de tensão e corrente.

multi

E para fechar, o equipamento mais útil de todos no dia-a-dia. O multímetro. Com ele podemos  medir quase tudo. Resistores, capacitores, transístores, tensão ac, dc, corrente, etc… É uma mão na roda e quanto mais funções, melhor. No mercado tem multímetro para tudo quanto é gosto e bolso. Eu gosto muito dos da Fluke, mas são os melhores e mais caros. Tenho um multímetro nacional da Icel e não tenho o que reclamar. Eles começam nos 30 reais e podem ultrapassar os 1000 reais. O meu custou uns 150 reais na época e pelas comparações com modelos mais caros posso afirmar que a precisão dele é muito boa. Já tem uns com função USB para passar para o computador as leituras e tudo mais, muito legal. Tanto os digitais como os analógicos são legais. Gosto dos analógicos para medir motores e tal, coisas que com um digital fica difícil medir pois oscilam demais.

Como falei no início, um laboratório nunca está completo. A lista de equipamentos é infinita. Para quem quer começar algo com qualidade o que foi aqui listado já salva a vida. A lista que coloquei aqui é um resumo da minha bancada de trabalho. Tenho uma ou outra coisa a mais, mas sem essas aqui indicadas fica difícil trabalhar. Não podemos esquecer que tudo é investimento. Não montei em um dia. São anos comprando equipamentos. Comecei a minha brincadeira lá por 2002 e estou até hoje dando um “up” aqui na tralha. Devagar e sempre.

Faça também o seu cantinho da eletrônica e seja feliz. =)

Limpeza já!

vassouraguitarra

Sinceridade na resposta. Você limpa a sua guitarra?

Muitos guitarristas pensam que toda e qualquer manutenção em seu instrumento é coisa para o luthier fazer. Eu não concordo nem um pouco com isso. Você não tira o pó do seu computador e objetos pela casa? Não vejo motivo para não fazer o mesmo em seu instrumento musical. É claro que sujeiras profundas entre trastes ou manchas devem ser tratadas por profissionais. Mas no uso normal o instrumento fica cheio de pó e também cheio de meleca (sebo e suor) que sai do nosso corpo. Em um médio ou longo prazo o instrumento vira um gigante depósito de bactérias e também um lugar propício à formação de fungos e ferrugem que vão comprometendo os metais e também o acabamento do instrumento. No caso de instrumentos claros é um pesadelo e fica tudo amarelado ou com manchas pela madeira e pintura. Não, isso não é ser “relic”, “vintage” ou “style”, é sujeira mesmo. A diferença para instrumentos “judiados” pelo tempo é que mesmo com a limpeza houve um desgaste natural de todos os materiais. Não confunda estilo com porquice. Pensando nisso resolvi passar algumas dicas para a limpeza de instrumentos de cordas:

Você vai precisar de…

Três flanelas

Detergente NEUTRO para lavar louça

Água limpa

Isso é o básico que você vai precisar para uma boa limpeza.  O primeiro passo é molhar um pouco uma das flanelas apenas com água e torcer bem. Ela deve ficar apenas úmida e não molhada. Passe pelo corpo e braço da guitarra. Não esqueça da escala pois é onde junta mais sujeira:

pano No braço agora  você já pode passar uma flanela seca. Para o corpo pegue uma flanela nova e coloque em um recipiente com água e um pouco de detergente neutro. Torça bem! Passe pelo corpo, depois passe a flanela apenas úmida que você usou no braço. Depois é só passar a flanela seca. Essa limpeza simples remove gorduras e pó do instrumento. A dica vale para instrumentos com corpo e braço envernizados ou pintados. Em caso de um instrumento encerado não faça isso pois a madeira está mais exposta e os poros podem absorver a umidade e acabar empenando o seu instrumento.

Muita gente utiliza lustra-móveis ou ceras automotivas para dar brilho ou polir os instrumentos. Eu não recomendo pois mesmo que tenhamos a lista completa de reagentes destes produtos, não sabemos a natureza química do acabamento do nosso instrumento e isso pode comprometer não só a estética como a funcionalidade do mesmo. E também algumas ceras são muito abrasivas e deixam riscos permanentes. Por isso faço uma limpeza simples. Se quer algo ultra limpo aí sim recomendo levar para o luthier que vai te devolver o instrumento zero km igual quando você o viu penduradinho na loja sorrindo para você.

Quem quer se aprofundar na arte da limpeza eu recomendo esse kit da dunlop que vem com ótimos produtos já pensados para isso e ainda com instruções de uso:

limpeza

Devo dizer que não é muito barato, mas rende várias limpezas e um bom instrumento merece, não acha?

Para as cordas continuo com a dica de usar o WD-40 que já falei em outro post.

Ter sempre flanelas macias em casa é uma ótima forma de manter o seu instrumento sempre brilhando. Sempre depois de tocar passe a flanela na sua guitarra. É só trocar de flanela de tempos em tempos. Normalmente ao lavar elas vão ficando muito ásperas, por isso compre logo umas 5 para ir trocando.

telelimpa

E lembre-se:

Nunca deixe de tocar o seu instrumento. Para te dar o som dos sonhos ele não pede muito de você, só um pouquinho de atenção. Capa para Amp

Lojas e Cordas

guitar-strings_01

 

Poderia ser apenas um post falando sobre os preços das cordas, coisa que dispensa comentários. Mas não…

Tenho alguns conhecidos que trabalham em lojas de instrumentos musicais aqui pela cidade. Sempre que procuro algo em especial dou uma ligada ou mando um e-mail para eles, e assim que pinta o que procuro vou dar uma investigada pessoalmente para ver se vale a pena.

Tempos atrás estava procurando uma guitarra que andava bem na pilha para comprar. Rodei algumas lojas e nada. Até que parei na loja onde um conhecido trabalha e disse para ele me avisar quando chegasse algo dentro do que eu procurava. E assim foi. Passadas duas semanas ele me liga e pede que vá conhecer alguns modelos novos que ele tinha por lá. Na falta de tempo acabei indo num sábado pela manhã dar uma olhadinha no que tinha chegado. Pego a guitarra e começo a tocar….

Entendo que ele além de meu “amigo”, é vendedor e precisa garantir o seu. Eu ali tocando e ele solta a seguinte pergunta:

E aí, animal a guitarra, não?

Eu tive que ser sincero…

Não, não sei. Vocês deviam ter vergonha de ter instrumentos que custam milhares de reais com cordas totalmente enferrujadas. Como esperam que alguém consiga realmente sentir o som da guitarra com as cordas nesse estado?

cordas

Ele não me levou a mal pois somos conhecidos faz tempo e se comprometeu a falar com a cúpula da loja e bla bla bla. Isso que é uma das maiores lojas da região…

O custo para por um encordamento novo, mesmo que do mais vagabundo, é extremamente baixo para as lojas. Já basta a exploração que estamos sujeitos pelas lojas na compra de um instrumento importado.

A guitarra em questão custa 650 dólares lá fora. Na referida loja estava por 4650 reais. Por uma guitarra Mexicana… O problema do Brasil não são os altos impostos nem a burocracia da importação, mas sim essa fome descontrolada das lojas em ter lucros estratosféricos que passam dos 300%. E para piorar é um país sem lei. O mercado pode colocar os preços que bem entende e o consumidor que se vire para pagar. Pagar  o preço de um carro por um instrumento que não vale nem a metade do preço de uma lambreta.

E não é só o problema de pegar uma corda enferruajda e não sentir o real som do instrumento, é o perigo chamado ferrugem. A ferrugem se alastra por trastes, saddles e pólos dos captadores. Você compraria uma guitarra de 4 ou 5 mil reais com cordas enferrujadas e com indícios de ferrugem em parafusos ou em outras partes do hardware fixo da guitarra? Certamente que não!

3d

Recomendo a todos que fiquem de olho nisso. Mesmo que entre na loja sem intenção de comprar. Se viu, fale na hora, comente na internet. É preciso acabar com essa máfia que não respeita o músico Brasileiro.

E tenho dito! smile