Yamaha NTX900FM

Fala gente, tudo bem? Esta semana dei um trato no meu violão que já precisava de cordas novas e uma boa limpeza. Foi aí que deu o click e resolvi falar desse maravilhoso instrumento aqui. Não sou especialista em violões, mas de todos que procurei, este me cativou. Pela metade de 2011 eu procurava um violão de nylon de boa qualidade e com boa captação para tocar umas levadas MPB e Bossa Nova. Rodei várias lojas e coloquei na cabeça que não podia gastar mais do que mil reais. Nessa divertida busca me deparei com violões lindos com timbres magníficos. Até o dia que caí na besteira de dar uma testadinha em um modelo mais carinho. Resultado: Saí da loja com o violão que custava o dobro mas saí feliz da vida. Foi uma coisa incrível quando toquei nesse violão. Esta série de violões com a sigla NTX possui três modelos. NTX700, NTX900FM e NTX1200R. Todos profissionais, mas com preços bem distintos. O meu é o do meio e conta com as mesmas características de tamanho e captação dos outros dois. A diferença entre eles está no tipo e qualidade das madeiras. Mesmo o modelo mais simples é um espetáculo. A série é utilizada por artistas como Zeca Baleiro e Maria Gadú. Vou focar o papo no modelo que possuo, mas quem quiser maiores informações pode encontrar AQUI.
A série conta com um sistema de captação por meio de ressonância patenteado pela marca como A.R.T. Além da captação, vem com um poderoso preamp dotado de um equalizador de 3 bandas, volume geral, os mega úteis controles de volume por seção de cordas (graves e agudos), e um ótimo afinador, além de um led indicador de bateria fraca:

O som desse sistema é lindo. Sem perder brilho, grave ou definição. Muitos artistas gravam álbuns inteiros com ele gravado direto na mesa. A captação não deve em nada para as da Fishman que é líder em captação para instrumentos acústicos. As informações sobre as madeiras são as seguintes:
Corpo fino (thin body) em Nato, cutway, tampo sólido em Solid Spruce, braço em Nato, parte traseira e laterais em flamed maple. A construção é muito bem feita e o tampo além de bonito é muito resistente:

O braço é feito em nato, muito bonito e muito duro. Não empena fácil. Tenho o violão a quase 2 anos e até hoje não tive nenhum problema de braço. Vale falar do acabamento tanto do headstock com uma folha de madeira mais escura por cima, como a parte de trás do braço que leva um acabamento fosco e a mão não prende ao tocar quando está suada. Achei isso animal. Já vi em violões de luthier, mas nos violões de série é mais difícil ver este mimo:

O violão é pensado no mundo profissional. Não existem bolinhas de marcação na face da escala, mas por cima foram colocadas de forma discreta para que nem o mais bem preparado músico se perca nas notas:

Não posso deixar de falar da qualidade e do detalhe na instalação dos trastes. Foram colocados e escondidos os cantos com um acabamento perfeito. As tarrachas que além de serem de alta qualidade, são muito bonitas e combinam com a madeira do braço:

Agora a parte que mais gosto no instrumento. O cuidado que tiveram em fazer laterais e tampo traseiro inteiros em flamed maple com um verniz amarelo e muito brilhante por cima:

Como podem ver na foto, o violão é relativamente fino (80-90 mm). Não tem uma projeção acústica muito forte, mas a ideia é ser transportável e leve. Mesmo assim a acústica é muito bonita e nada impede de ser microfonado para gravações em estúdio. Para palco só no elétrico mesmo.
O violão ainda vem com um belo abafador para evitar microfonias quando utilizado em shows:

Parte do jack muito bem acabada que também serve para prender a correia:

Conclusão:
Um instrumento profissional digno da propaganda que é feita. Considero um violão perfeito e que atende 90% dos músicos que tocam por aí. Só não atende tanto quem viaja mais pela música clássica ou então tem uma exigência muito grande em relação às dimensões e características do instrumento. Mas nestes casos mais particulares é mais coerente procurar um luthier e ter um instrumento feito sob medida. O que achei mais impressionante no instrumento não foi o acabamento ou o som. Realmente isso não há o que discutir, ao menos no instrumento que eu adquiri. O que me impressionou foi o fato do instrumento sair de fábrica completo. Todas as peças de qualidade. É raro comprar um instrumento em uma loja e não ter a necessidade de fazer nenhum tipo de upgrade. É comprar, sentar e tocar… Plug and Play!
Sample:

Marshall MS-2

Um dia lá por meados de 2004 visitei a “oficina” de eletrônica de um amigo e reparei jogado em um canto um pequeno amplificador. Perguntei o que fazia ali. Ele me falou…
“Estragou um potenciômetro mas não encontrei para comprar, se você conseguir arrumar pode ficar com ele.”
Na hora peguei e levei para casa. Onde morávamos na época era muito complicado conseguir potenciômetros, mas nada que uma ligadinha para uns amigos não resolvesse. E assim foi. O amplificadorzinho está até hoje comigo e como está parado resolvi presentear um amigo.
Não sei bem quando a Marshall introduziu este pequeno gadget no mercado, lembrando que já é um filho da tecnologia e é fabricado na china. O amplificador cabe na palma da mão, possui um falante pequeno e uma potência de 1watt. Ele pode ser utilizado com uma bateria 9v ou então com uma fonte de pedais…
O consumo oscila um pouco. No estado ocioso (sem tocar) ele tem um consumo fixo de 20mA, mas quando no volume máximo e em overdrive tocando acordes ele pula pra 200mA. Com uma bateria de boa qualidade você consegue tocar tranquilamente de 3 a 4 horas com ele. Se pegar leve no barulho dura até mais.
Vem com três controles:
Volume, Tone e um botão que desliga, liga e chaveia para o modo overdrive.
É um amplificador muito útil para tocar pela rua ou estudar em casa sem chatear os outros. Ele tem uma saída para fones de ouvido e no geral o equipamento não apresenta ruídos.
Ainda existem outras versões com outras cores, acabamentos e tamanhos, mas o princípio é o mesmo:

O circuito do amplificador é muito simples e lembra o de um pedal básico de overdrive:

O integrado de potência é um KIA6213 muito difícil de achar aqui pelo Brasil. Pelo que pesquisei algumas versões vieram com um LM386 de fácil acesso. Por outro lado é um componente que dura e não queima por qualquer coisa, ainda mais se o amplificador for utilizado na bateria.
Uma das coisas mais legais é o clip que vem na parte de trás para prender na cintura:
 Aqui um detalhe interno:
A placa é de fenolite e todos os itens do painel são soldados direto nela. O modelo simples do amplificador custa em média 45 dólares e é vendido pelo Brasil por +- 200 reais.
Para os entusiastas a turma da internet já soltou mods para turbinar o timbre e melhorar o pequeno brinquedo e você pode encontrar por AQUI.
 O som limpo dele é muito bom e também vem com um overdrive que surpreende. Não é um amplificador profissional e nem é esse o mercado que ele procura atender. Serve para treinar, brincar e descontrair com os amigos. Já vi gente tocando com um em praças, metrôs e a potência é suficiente para atrapalhar qualquer um. Faz mais barulho que um celular no máximo tocando funk… Já pensou?

Para fechar, vale falar que existe ainda um mod para utilizar com caixas externas feitas para amplificadores grandes. Achei um sarro e o resultado é até bem legal:

NEUTRIK NP2RX-TIMBRE

Rolando pela internet um tempo atrás acabei descobrindo esse lançamento muito bacana da NEUTRIK. A marca além de ser líder em mercado e em qualidade de plugues, é também a principal fonte de renda da república do Liechtenstein com uma representação de 32% do seu PIB. Resumindo, a turma lá vive para produzir estes maravilhosos plugues para todo o planeta. O lançamento em questão é um plugue para ser colocado em um cabo que possui um botão com 4 etapas de equalização. Ele muda um pouco o timbre da guitarra. Pelo que pude ver e ouvir ele dá um som mais cheio e aumenta as possibilidades para quem gosta de nuances tímbricas. Achei a sacada genial e muito útil como podemos ver no vídeo:

O plug custa aprox 35 doletas. Fica meio salgadinho para o povo brasileiro. Com sorte você pode mandar vir um de fora e se não parar fica entre 70 a 90 reais. Tenho grande curiosidade em ter um. Não usei um para dizer se é bom ou não, mas pela qualidade dos produtos da marca acredito que seja ótimo. Antes mesmo de ter um já dou uma opinião!
Só faltou um botão no corpo para MUTE, aí a coisa ficava linda demais.

Os Mods Na Prática

Depois dos dois posts com os mods para strato alguns colegas me procuraram para saber detalhes. Muitas pessoas não sabem bem como é um microswitch. A alteração como falei nas postagens não tem muito mistério, mas resolvi mostrar como pode ser feita e ter resultados ótimos.
O mod do volume não altera em nada o escudo, mas o mod telecaster pode alterar se você não for usar um potenciômetro com chave. O primeiro passo é marcar de alguma forma o lugar onde você quer que o switch fique. Escolha um lugar fácil que não atrapalhe e também que a chave entre bem no buraco do corpo da guitarra. Não dá para fazer muito nas bordas pois vai tocar na madeira e o escudo não vai fechar.

Na foto o lugar do furo foi marcado com um toque da ponta do ferro. Só o suficiente para escurecer o alumínio. Feita a marcação, é hora de jogar na furadeira e fazer o estrago:

Furado, é só posicionar a chave e apertar já no lugar que ela vai ficar. Depois disso é que começam os mods:

Um detalhe no escudo que não tem a ver com os mods:

Nas guitarras mais baratas é normal os captadores serem fixados com molas. Elas com o tempo ficam fracas e começam a vibrar. O upgrade pode ser feito com o mesmo material utilizado nas guitarras mais turbinadas que é elástico de látex, vendido ao metro e muito usado na medicina:
 Tudo pronto, é só ligar os fios, adicionar os componentes e instalar o escudo na guitarra novamente.
Não levou mais de 15 minutos entre furar e ligar tudo. É mais demorado tirar o escudo da guitarra do que fazer as duas alterações.

Danelectro Fab Echo

Hoje vos falo sobre um pedal que me chegou em mãos recentemente e tive a oportunidade de dissecar para colocar aqui. Com controle repeat e mix, o pedal é uma aposta low-cost da Danelectro com uma construção mais simples e estranha que a antiga versão dos pedais da marca.

Na verdade trata-se de uma linha paralela ainda mais barata. Você com um pouco mais de 100 doletas monta um pedalboard com estes aparelhos.
A primeira impressão que tive ao abrir o pedal foi boa:

O conceito interno é o mesmo dos modelos antigos. A única coisa que muda é o sistema de acionamento do bypass que é muito mais frágil e precário. A tampa metálica continua ali só para dar peso ao pedal, aterrar o circuito que é bom, nada. Foi feita uma autêntica engenhoca para ligar o pedal através de um botão para fora do pedal que com um braço interno desce e toca em um switch minúsculo e delicado, ativando assim o circuito:
 O sistema foi calibrado para o botão não descer demais e assim evitar a quebra do switch, mas mesmo assim é muito delicado e não deve ter uma vida útil tão grande. Só tinha visto um switch assim tão delicado nos Ibanez TS5 que também eram de plástico representando uma série de baixo custo da marca.
O pedal é construído com duas placas de dupla face de fenolite. A primeira placa na sua face superior abriga o circuito de bypass e buffer:
A base é igualzinha aos outros pedais com os CMOS 4013 e 4053 para bypass só que em SMD para uma construção compacta. O pedal todo é feito em micro eletrônica e só a parte de baixo das placas possui componentes normais.

Na foto mostra bem os poucos componentes com tamanho tradicional, os jacks e também o switch pequeno que liga o pedal como falei antes.
Após remover a primeira placa me deparei com o coração do circuito que utiliza um PT2399S também SMD.

O PT2399 começou a ser muito utilizado no mundo HandMade após sites como o Tonepad.com publicarem projetos de delays que levavam este componente.
Nos comentários sobre o som já falo melhor sobre o integrado.
Placa removida, visão geral dos potenciômetros, led e mais alguns componentes:

Tirando o fato da caixa ser de plástico o pedal é muito bem feito e organizado por dentro. Não tem nada mal feito nem fio sobrando e está muito bem representado para o valor de mercado. Eu particularmente gosto muito dos pedais da Danelectro e não foi diferente com este.
Som:
Bom…
O pedal como o nome diz é um Echo e não um Delay. A sonoridade é boa, mas bem limitada. Tem uma leve queda para os agudos mas nada que estrague a festa. O som é até bem equilibrado.
Voltando a falar do integrado, ele é muito utilizado para montar delays com até 300ms. Mas o pedal não dá isso, nem de perto e muito menos de longe. Apesar do integrado estar ali e possuir o recurso, ele não é aproveitado, mostrando assim com muita clareza a intenção da marca em vender o modelo apenas como Echo. Se fazem um pedalzinho assim completo deixam de vender os delays turbinados que a marca tem. Cada um pode pensar como achar melhor. Não vejo mal. O objetivo do pedal está cumprido.
Dá para modificar e resolver a questão? Dá sim… Alterando alguns valores de resistores você pode fazer dele um delay bem apresentável. Mas não esqueça que o pedal todo é construído em SMD. Eu não faço isso de jeito nenhum, mesmo que tivesse o equipamento necessário para tal. Vale lembrar que além de ser SMD, a placa é toda em fenolite e para as trilhazinhas irem para o lixo não custa nada. Quem quiser se aventurar fique à vontade, mas ciente dos riscos.

O maior ponto positivo que encontrei no pedal além do tamanho foi o consumo, 30mA. Dá para encarar tranquilamente um show ou um ensaio longo com uma bateria de 9v alcalina. Em qualquer outro pedal de Echo ou Delay a pilha vai para o espaço em questão de minutos, mesmo que você não use os recursos máximos do pedal.
A maior limitação é o tempo curto das repetições, o que faz do pedal uma boa pedida para rockabilly, country e blues. Para quem quer mais recursos o melhor é ir para um delay mesmo. Gosto e indico para quem pensa em simplicidade sem chateação.
Sample:

Yellow Boost

Lembra daquele pedalzinho amarelo do outro post? Ele voltou! Como falei em outra ocasião, o pedal original tinha um som fraco e não atendia bem as necessidades de guitarristas mais avançados.
Em conversa com o proprietário, definimos o aproveitamento da caixa e a instalação de um circuito de boost, uma vez que ele já possui vários pedais de saturação e procurava algo para dar um toque no seu som. Sugeri montar um clean boost com um som bem redondo, limpinho e que empurre bem outros pedais. Não deu outra, caí no mundo do Fetzer Valve que você encontra AQUI.

Circuito simples, com alguns truques para o ajuste perfeito do transístor, mas nada muito difícil de se fazer. Para dar mais versatilidade montei o capacitor de 22uF em uma chave e ele atua como um “phat mod”. Para empurrar overdrive é uma maravilha. A reconstrução começou com a correção de alguns problemas do pedal original.
Problema do aterramento resolvido, onde raspei em vários pontos da caixa para um contato total:

Alarguei o furo da entrada DC e coloquei uma nova de painel que tem uma qualidade ótima:

Plaquinha gigante que custou para entrar na caixa:

Detalhe da chave “phat mod”:

Nova cara do pedal, com o upgrade para 3pdt e um led branco de alto brilho:

Tudo minimalista e sem frescura. Funciona bem e o som é muito bacana. O utilizador final do equipamento gostou bastante e o dia que quiser pode mudar facilmente o circuito.
Som:

Telecaster Mod Para Stratocaster

Aproveitando o embalo e o clima envolvente, hoje tenho mais um mod indispensável para qualquer guitarrista que possui uma stratocaster. É o mod mais simples do mundo. Você só vai precisar de dois fios e um mini switch. O mod consiste em ligar o captador do braço com o da ponte, conseguindo assim uma sonoridade muito próxima de uma telecaster com aquela característica rasgada e gutural deste modelo de guitarra. Para quem não deseja furar o escudo original da guitarra, uma dica é trocar um dos potenciômetros por um push-pull e fazer a ligação. Assim não altera o aspecto original do instrumento e também ninguém descobre o seu segredo! O esquema eu já conheço faz tempo, mas para o post peguei neste site AQUI que possui outros mods e ligações para várias guitarras.

Sample do Mod:

Volume Mod Para Stratocaster

Quero dividir com vocês um truquezinho bem simples para você modificar o controle de volume da sua strato. As ligações clássicas são boas e funcionais, mas alguns potenciômetros não respondem de forma sensível e também cortam um pouco os agudos na medida em que você diminui o volume. Isso afeta bastante a dinâmica e nos faz muito dependentes dos pedais e outros fatores externos ao instrumento. O mod que apresento aqui está disponível NESTE SITE e funciona muito bem com singles e ligações de strato em geral. É possível brincar com os valores indicados até conseguir o som ideal. Os valores marcados são um meio termo que normalmente resolve o problema e agrada a maioria do pessoal. Você pode personalizar e buscar ao milímetro o seu som. Não é nenhum mod que vá fazer a sua guitarra mudar de timbre e virar um guitarrão, mas você vai sentir mais facilidade e utilidade no volume da sua strato. Fiz nas minhas e ficou o bicho. Segue o esquema:

O meu amigo Moisés aqui do blog adora um modzinho. Não perguntei se ele já fez, mas se não, com certeza vai fazer!
Não é necessário nenhum conhecimento avançado para fazer o mod, mas procure utilizar um resistor de 1/8w ou 1/4w e um capacitor pequeno, e claro, muito capricho e cuidado na hora da solda. Ferro quente demais estraga os componentes e pode acabar com o potenciômetro e a sua lubrificação original.
Tá aí a dica =)

Qualidade dos componentes

Resolvi escrever…Pouco se fala sobre a qualidade dos componentes semicondutores no mundo da eletrônica musical. Falam só quando o assunto é amplificadores valvulados ou de alta fidelidade, mas para mim o assunto vai muito além disso. Um dia eu e um amigo resolvemos montar uma fonte de bancada que tinha uma tensão de 0 a 30v e 2A. Fonte pequena, projetinho bacana com uma filtragem acima da média para utilizar na rotina de construção de pedais e circuitinhos de som. Quando pronta funcionava bem, até colocarmos uma carga de 1A para testes. A fonte oscilou e não segurou a tensão marcada. Pensamos logo que era o transformador mal construído, algo muito comum nesses vendidos prontos. Mas não tinha sentido, utilizamos um transformador com 3A e parecia robusto. O projeto da fonte sabíamos que era bom pois o meu amigo já tinha uma igual na bancada a todo o vapor há anos. Resolvemos verificar e para a nossa surpresa era um transístor. De potência? Não, esses todo mundo já sabe que são porcamente falsificados muito abaixo das potências indicadas nos datasheets. Era um pequeno transístor bipolar. Comprei uns 5 para fazer e ainda sobrar. Resolvemos trocar e todos os outros 4 deram o mesmo problema. Fui atrás em outras lojas e comprei mais alguns só que com uma marcação diferente (fonte e tamanho), ou seja, de outro lote e/ou marca e espetei na fonte. Funcionou que foi uma beleza. O problema não está apenas nas falsificações, mas os componentes que vão para as lojas que são feitos de qualquer maneira e não respeitam nem um pouquinho o datasheet original. Existem várias marcas fabricando, mas a maioria dos transístores pequenos são difíceis de descobrir a marca. É tipo uma loteria. Você certamente conhece alguém que já veio com aquele papo:
“Esse meu pedal sempre foi ótimo, um dia queimou e mandei arrumar, ficou legal, mas nunca mais deu o som que dava antes.”
Todo músico é chato com o seu equipamento. Pensamos de cara que é frescura do coitado, mas quantos clones não prestam por causa disso, quantas reparações não devolvem ao equipamento original a sonoridade que tinham antes da avaria. Não coloco a culpa em ninguém, já que o mundo é e está cada vez mais capitalista. Também não culpo as lojas, que pegam dos fornecedores os lotes de componentes mais em conta. Só acho que deviam ter bem claro os de primeira e segunda linha na hora de vender, assim como fazem com as memórias de computador, pneus e por aí vai. É uma questão de transparência com o consumidor.
Com a invasão digital muitos componentes jurássicos começaram a ser fabricados de qualquer maneira só para atender aos equipamentos antigos ou extremamente simples que ainda dependem deles para funcionar. A verdade é que com isso acabou o cuidado e quem foca no som está perdido. Para acionar um relé até serve, mas para fazer um belo preamp de guitarra já fica devendo muito.
No caso dos transístores e integrados, foco principal deste post, são fabricados da mesma forma que os processadores de computador. São feitos em uma bolacha gigante com milhares ou até milhões deles.

Até onde sei, os transístores gerados no centro da bolacha são melhores e fisicamente perfeitos. Os de fora com frequência apresentam mais deficiências e são utilizados em linhas mais baratas, distribuídos como amostras grátis ou até mesmo vendidos por poucas empresas com política de transparência como um produto de segunda linha.
Começamos a por no papel. Puxa vida, é tão baratinho montar um pedal e ele original custa tão caro… Mas vamos ser sinceros! Você confia nos componentes baratinhos que você vai pegando e colocando em uma cestinha nas lojas de eletrônica pelo Brasil? Eu já desanimei. Os transístores de potência nem vou falar nada, pois me recuso a comprar aqui e a maioria que vejo são cópias vagabundas ou então possuem marcas de uso. Um absurdo!
O mesmo acontece com outros componentes como capacitores, resistores, que dificilmente paramos para pensar se podem ser de má qualidade. O semicondutor em um pedal é o coração do circuito. Se não prestar, o sinal não vai ficar legal e mesmo um clone muito bem feito jamais soará como um original. Nem tudo é drama. Ainda confio em comprar capacitores e resistores por aqui. 
Para quem deseja ter o mesmo cuidado,  pode comprar muitas vezes direto com revendedores das marcas pelo ebay na quantidade que desejar. É um pepino a mais no caminho, mas acredite, você não esquenta mais a cabeça. Os componentes de fraca qualidade são difíceis de descobrir só ao olhar. Uma dica é comprar um lote e começar por medir o ganho e ver se bate com os mínimos e máximos que o fabricante indica. Outra solução é levá-los ao limite e medir até onde aguentam, e mais uma vez comparar com as suas especificações.
Fica a dica. Quer montar ou reparar um equipamento? Pesquise bem, não tenha pressa. Mais vale esperar e até mesmo pagar um pouco mais para ter algo realmente bom e que não vai te deixar na mão. 
Já pensou em um transístor abrindo o bico no meio daquele solo infinito para 500 mil pessoas? 
Nem eu!

Meteoro Revolution Tube Drive

Voltei! Faz tempo que tenho este pedal mas a preguiça nunca me motivou a falar dele. Hoje respirei fundo, carreguei a barrinha de coragem e trouxe ele aqui para o blog. Quem vive no Brasil e é músico certamente conhece a marca de amplificadores e acessórios Meteoro. Uma marca que começou com os amplificadores mais simples e atualmente faz valvulados para todos os gostos. A marca sempre andou muito próxima da onda marshall e quase todos os seus produtos são inspirados em modelos internacionais. Eu diria que são remodelados para melhor atender o público nacional. Uma coisa que todo brasileiro adora é precinho camarada, e realmente a marca apostou forte nessa tendência e produz equipamentos para todos os gostos e bolsos. Descobri o pedal um dia em uma loja de música e vi que era um irmão menor do mais antigo Doctor Drive. Perguntei o preço e resolvi testar pois estava muito baratinho para um pedal valvulado. 300 reais achei bem em conta. Testei, gostei, levei. O pedal não passou a fazer parte do meu set em shows, até tentei, mas depois desisti. Para o que eu toco e as experiências que tive, preferi deixar em casa para uso em gravações e ensaios. Para shows só em casos excepcionais.
Vamos falar do pedal:

De cara podemos ver que é robusto e aguenta todas as maldades que a turma adora fazer com os pedais. A caixa é bonita, bem pintada. O aspecto do pedal é bruto mesmo, mas para o preço o acabamento está impecável e a serigrafia também muito bem feita. Nada a apontar. Todos os controles de maneira geral respondem bem ao toque e a equalização foi muito bem conseguida. A única coisa que não gostei muito é que a equalização não bate igual para os dois modos do pedal. Com overdrive é necessário abrir um pouco os agudos pois o som é abafado, e quando chaveia para distorção fica ardido demais. Mas é possível conseguir um ponto de equilíbrio e também utilizar o tone da guitarra, coisa que muitas vezes esquecemos que está ali por algum motivo no instrumento.
Falando do funcionamento: O pedal tem dois leds bi-color no painel. O led da esquerda sinaliza o bypass e o efeito ligado (verde e azul), e o da direita sinaliza a função drive I e drive II (verde e vermelho). Alguns guitarristas quando conversam comigo perguntam: Quando o botãozinho é de metal o pedal é True Bypass, não é? Não… Antes fosse. A maioria dos pedais só usam estas chaves pois aguentam serem pisadas. Este pedal possui bypass eletrônico com buffers e é bom que fique claro que não é true bypass. As chaves são das mais baratas, mas funcionam bem. Não ser true bypass não é bom nem mal, depende do uso. Quem tiver dúvidas pode dar uma lida no post sobre buffers que fiz sobre o projeto do controlador.
Hoje em dia existe uma propaganda exagerada sobre tudo aquilo que tem válvulas. Ficou aquele conceito que o que é bom é valvulado e o resto é resto. Não é bem assim. Não compre este nem nenhum outro pedal valvulado esperando ter o som de um cabeçote all tube. O som puramente valvulado envolve uma série de coisas entre elas transformador de saída, casamento do circuito de pré com o de potência, entre outras coisas. O amplificador valvulado é um bloco e o circuito é pensado para ele ser uma coisa só. Um pré valvulado tem a sua graça, mas não é algo completo. Falo isso para que fique claro algumas coisas:
O pedal em questão é valvulado? Sim, é. Ele tem uma 6bq7 de pré que completa o circuito. Quando digo que completa, é que dá uma cor final ao som, um rasgado e calor típicos das válvulas. Mas grande parte da distorção é feita com integrados e inclui dois leds de clipping para ajudar a rasgar:

O som é quente, tem um rasgado gostoso… Como o circuito foi feito para um ganho elevado, no drive leve ele tem um som muito crunch carregado de médios, que não permite umas levadas mais bluesy. Mas mesmo assim, com jeitinho você tira um som muito legal.
Na foto podemos ver o transformador ali no canto. É ele que converte os 12AC em alta tensão para a válvula funcionar. Existe também a discussão sobre pedais valvulados que utilizam tensões baixas. Realmente o som embola muito e mais vale um pedal todo transistorizado. No caso do Meteoro o som ficou legal, bem quente e sem embolar. Aproveitando a foto, vemos que a placa é feita de fenolite, o que eu não gosto muito, mas está muito bem fixada e protegida pela caixa que como falei antes aguenta muita pancada. Só achei meio estranho o suporte da válvula que ficou ali pendurado por um sistema de encaixe que não acho muito seguro. A fábrica coloca um led vermelho por cima da válvula para brilhar e dar ênfase ao brilho da mesma.

Espero que não tenham feito isso para os leigos pensarem que o brilho todo vem da válvula. Tirei o led vermelho do meu e coloquei um azul que ressalta bem mais os filamentos da válvula que são de cor laranja, e não vermelha.
A única pisada de bola feia que encontei no pedal foi na entrada de alimentação. Originalmente o pedal vem com um conector de fonte metálico:

Como a entrada é em AC e o pedal funciona em DC, isolaram o encaixe com duas borrachinhas. Primeiro que isso é um perigo… As borrachas com o tempo secam e caem, sem contar que o conector não fica com um bom aperto no painel e toda hora fica frouxo. Se a fase do AC tocar na caixa pode queimar o transformador, o pedal e tudo fritar na hora. O furo da caixa também é grande demais e o conector fica sambando nele. No mesmo dia em que comprei já tirei e coloquei um de plástico que resolveu de vez o problema:

 Das duas uma…. Ou colocavam um conector de plástico de fábrica, ou então já faziam a entrada DC com a retificação dentro da caixa do transformador. Foi uma economia sem sentido, como trocar 6 por meia dúzia.
Uma coisa que me chamou a atenção foi o cuidado com o aterramento:

Circuitos com válvulas são muito sensíveis, e se o aterramento não for bem feito os ruídos e apitos tomam conta. A caixa foi raspada para fazer o aterramendo do pedal e também no aperto dos potenciômetros para ficar tudo devidamente blindado. Gostei muito do cuidado, ponto positivo!
Os potenciômetros ficam soldados em uma placa de fibra de vidro (aí é bonito) com terminais que encaixam na placa central do pedal. É uma solução robusta, que evita fios, mas ao abrir e principalmente ao fechar o pedal é preciso ter muito cuidado e se certificar que tudo encaixou perfeitamente:
Conclusão: É muito mais do que eu poderia esperar por apenas 300 reais. O pedal é bem completo, tem um timbre muito bacana e um calor e punch singular. Não é um pedal dos mais caros e apetrechados, mas pode ser melhorado e ter peças vitais substituídas. Pedal nacional, bem conseguido, melhor que muita coisa gringa mais cara e com som de abelha, ótimo custo/benefício e recomendo para todos que curtem do blues ao rock pesado!
Samples: