Os Mods Na Prática

Depois dos dois posts com os mods para strato alguns colegas me procuraram para saber detalhes. Muitas pessoas não sabem bem como é um microswitch. A alteração como falei nas postagens não tem muito mistério, mas resolvi mostrar como pode ser feita e ter resultados ótimos.
O mod do volume não altera em nada o escudo, mas o mod telecaster pode alterar se você não for usar um potenciômetro com chave. O primeiro passo é marcar de alguma forma o lugar onde você quer que o switch fique. Escolha um lugar fácil que não atrapalhe e também que a chave entre bem no buraco do corpo da guitarra. Não dá para fazer muito nas bordas pois vai tocar na madeira e o escudo não vai fechar.

Na foto o lugar do furo foi marcado com um toque da ponta do ferro. Só o suficiente para escurecer o alumínio. Feita a marcação, é hora de jogar na furadeira e fazer o estrago:

Furado, é só posicionar a chave e apertar já no lugar que ela vai ficar. Depois disso é que começam os mods:

Um detalhe no escudo que não tem a ver com os mods:

Nas guitarras mais baratas é normal os captadores serem fixados com molas. Elas com o tempo ficam fracas e começam a vibrar. O upgrade pode ser feito com o mesmo material utilizado nas guitarras mais turbinadas que é elástico de látex, vendido ao metro e muito usado na medicina:
 Tudo pronto, é só ligar os fios, adicionar os componentes e instalar o escudo na guitarra novamente.
Não levou mais de 15 minutos entre furar e ligar tudo. É mais demorado tirar o escudo da guitarra do que fazer as duas alterações.

Danelectro Fab Echo

Hoje vos falo sobre um pedal que me chegou em mãos recentemente e tive a oportunidade de dissecar para colocar aqui. Com controle repeat e mix, o pedal é uma aposta low-cost da Danelectro com uma construção mais simples e estranha que a antiga versão dos pedais da marca.

Na verdade trata-se de uma linha paralela ainda mais barata. Você com um pouco mais de 100 doletas monta um pedalboard com estes aparelhos.
A primeira impressão que tive ao abrir o pedal foi boa:

O conceito interno é o mesmo dos modelos antigos. A única coisa que muda é o sistema de acionamento do bypass que é muito mais frágil e precário. A tampa metálica continua ali só para dar peso ao pedal, aterrar o circuito que é bom, nada. Foi feita uma autêntica engenhoca para ligar o pedal através de um botão para fora do pedal que com um braço interno desce e toca em um switch minúsculo e delicado, ativando assim o circuito:
 O sistema foi calibrado para o botão não descer demais e assim evitar a quebra do switch, mas mesmo assim é muito delicado e não deve ter uma vida útil tão grande. Só tinha visto um switch assim tão delicado nos Ibanez TS5 que também eram de plástico representando uma série de baixo custo da marca.
O pedal é construído com duas placas de dupla face de fenolite. A primeira placa na sua face superior abriga o circuito de bypass e buffer:
A base é igualzinha aos outros pedais com os CMOS 4013 e 4053 para bypass só que em SMD para uma construção compacta. O pedal todo é feito em micro eletrônica e só a parte de baixo das placas possui componentes normais.

Na foto mostra bem os poucos componentes com tamanho tradicional, os jacks e também o switch pequeno que liga o pedal como falei antes.
Após remover a primeira placa me deparei com o coração do circuito que utiliza um PT2399S também SMD.

O PT2399 começou a ser muito utilizado no mundo HandMade após sites como o Tonepad.com publicarem projetos de delays que levavam este componente.
Nos comentários sobre o som já falo melhor sobre o integrado.
Placa removida, visão geral dos potenciômetros, led e mais alguns componentes:

Tirando o fato da caixa ser de plástico o pedal é muito bem feito e organizado por dentro. Não tem nada mal feito nem fio sobrando e está muito bem representado para o valor de mercado. Eu particularmente gosto muito dos pedais da Danelectro e não foi diferente com este.
Som:
Bom…
O pedal como o nome diz é um Echo e não um Delay. A sonoridade é boa, mas bem limitada. Tem uma leve queda para os agudos mas nada que estrague a festa. O som é até bem equilibrado.
Voltando a falar do integrado, ele é muito utilizado para montar delays com até 300ms. Mas o pedal não dá isso, nem de perto e muito menos de longe. Apesar do integrado estar ali e possuir o recurso, ele não é aproveitado, mostrando assim com muita clareza a intenção da marca em vender o modelo apenas como Echo. Se fazem um pedalzinho assim completo deixam de vender os delays turbinados que a marca tem. Cada um pode pensar como achar melhor. Não vejo mal. O objetivo do pedal está cumprido.
Dá para modificar e resolver a questão? Dá sim… Alterando alguns valores de resistores você pode fazer dele um delay bem apresentável. Mas não esqueça que o pedal todo é construído em SMD. Eu não faço isso de jeito nenhum, mesmo que tivesse o equipamento necessário para tal. Vale lembrar que além de ser SMD, a placa é toda em fenolite e para as trilhazinhas irem para o lixo não custa nada. Quem quiser se aventurar fique à vontade, mas ciente dos riscos.

O maior ponto positivo que encontrei no pedal além do tamanho foi o consumo, 30mA. Dá para encarar tranquilamente um show ou um ensaio longo com uma bateria de 9v alcalina. Em qualquer outro pedal de Echo ou Delay a pilha vai para o espaço em questão de minutos, mesmo que você não use os recursos máximos do pedal.
A maior limitação é o tempo curto das repetições, o que faz do pedal uma boa pedida para rockabilly, country e blues. Para quem quer mais recursos o melhor é ir para um delay mesmo. Gosto e indico para quem pensa em simplicidade sem chateação.
Sample:

Yellow Boost

Lembra daquele pedalzinho amarelo do outro post? Ele voltou! Como falei em outra ocasião, o pedal original tinha um som fraco e não atendia bem as necessidades de guitarristas mais avançados.
Em conversa com o proprietário, definimos o aproveitamento da caixa e a instalação de um circuito de boost, uma vez que ele já possui vários pedais de saturação e procurava algo para dar um toque no seu som. Sugeri montar um clean boost com um som bem redondo, limpinho e que empurre bem outros pedais. Não deu outra, caí no mundo do Fetzer Valve que você encontra AQUI.

Circuito simples, com alguns truques para o ajuste perfeito do transístor, mas nada muito difícil de se fazer. Para dar mais versatilidade montei o capacitor de 22uF em uma chave e ele atua como um “phat mod”. Para empurrar overdrive é uma maravilha. A reconstrução começou com a correção de alguns problemas do pedal original.
Problema do aterramento resolvido, onde raspei em vários pontos da caixa para um contato total:

Alarguei o furo da entrada DC e coloquei uma nova de painel que tem uma qualidade ótima:

Plaquinha gigante que custou para entrar na caixa:

Detalhe da chave “phat mod”:

Nova cara do pedal, com o upgrade para 3pdt e um led branco de alto brilho:

Tudo minimalista e sem frescura. Funciona bem e o som é muito bacana. O utilizador final do equipamento gostou bastante e o dia que quiser pode mudar facilmente o circuito.
Som:

Telecaster Mod Para Stratocaster

Aproveitando o embalo e o clima envolvente, hoje tenho mais um mod indispensável para qualquer guitarrista que possui uma stratocaster. É o mod mais simples do mundo. Você só vai precisar de dois fios e um mini switch. O mod consiste em ligar o captador do braço com o da ponte, conseguindo assim uma sonoridade muito próxima de uma telecaster com aquela característica rasgada e gutural deste modelo de guitarra. Para quem não deseja furar o escudo original da guitarra, uma dica é trocar um dos potenciômetros por um push-pull e fazer a ligação. Assim não altera o aspecto original do instrumento e também ninguém descobre o seu segredo! O esquema eu já conheço faz tempo, mas para o post peguei neste site AQUI que possui outros mods e ligações para várias guitarras.

Sample do Mod:

Volume Mod Para Stratocaster

Quero dividir com vocês um truquezinho bem simples para você modificar o controle de volume da sua strato. As ligações clássicas são boas e funcionais, mas alguns potenciômetros não respondem de forma sensível e também cortam um pouco os agudos na medida em que você diminui o volume. Isso afeta bastante a dinâmica e nos faz muito dependentes dos pedais e outros fatores externos ao instrumento. O mod que apresento aqui está disponível NESTE SITE e funciona muito bem com singles e ligações de strato em geral. É possível brincar com os valores indicados até conseguir o som ideal. Os valores marcados são um meio termo que normalmente resolve o problema e agrada a maioria do pessoal. Você pode personalizar e buscar ao milímetro o seu som. Não é nenhum mod que vá fazer a sua guitarra mudar de timbre e virar um guitarrão, mas você vai sentir mais facilidade e utilidade no volume da sua strato. Fiz nas minhas e ficou o bicho. Segue o esquema:

O meu amigo Moisés aqui do blog adora um modzinho. Não perguntei se ele já fez, mas se não, com certeza vai fazer!
Não é necessário nenhum conhecimento avançado para fazer o mod, mas procure utilizar um resistor de 1/8w ou 1/4w e um capacitor pequeno, e claro, muito capricho e cuidado na hora da solda. Ferro quente demais estraga os componentes e pode acabar com o potenciômetro e a sua lubrificação original.
Tá aí a dica =)

Qualidade dos componentes

Resolvi escrever…Pouco se fala sobre a qualidade dos componentes semicondutores no mundo da eletrônica musical. Falam só quando o assunto é amplificadores valvulados ou de alta fidelidade, mas para mim o assunto vai muito além disso. Um dia eu e um amigo resolvemos montar uma fonte de bancada que tinha uma tensão de 0 a 30v e 2A. Fonte pequena, projetinho bacana com uma filtragem acima da média para utilizar na rotina de construção de pedais e circuitinhos de som. Quando pronta funcionava bem, até colocarmos uma carga de 1A para testes. A fonte oscilou e não segurou a tensão marcada. Pensamos logo que era o transformador mal construído, algo muito comum nesses vendidos prontos. Mas não tinha sentido, utilizamos um transformador com 3A e parecia robusto. O projeto da fonte sabíamos que era bom pois o meu amigo já tinha uma igual na bancada a todo o vapor há anos. Resolvemos verificar e para a nossa surpresa era um transístor. De potência? Não, esses todo mundo já sabe que são porcamente falsificados muito abaixo das potências indicadas nos datasheets. Era um pequeno transístor bipolar. Comprei uns 5 para fazer e ainda sobrar. Resolvemos trocar e todos os outros 4 deram o mesmo problema. Fui atrás em outras lojas e comprei mais alguns só que com uma marcação diferente (fonte e tamanho), ou seja, de outro lote e/ou marca e espetei na fonte. Funcionou que foi uma beleza. O problema não está apenas nas falsificações, mas os componentes que vão para as lojas que são feitos de qualquer maneira e não respeitam nem um pouquinho o datasheet original. Existem várias marcas fabricando, mas a maioria dos transístores pequenos são difíceis de descobrir a marca. É tipo uma loteria. Você certamente conhece alguém que já veio com aquele papo:
“Esse meu pedal sempre foi ótimo, um dia queimou e mandei arrumar, ficou legal, mas nunca mais deu o som que dava antes.”
Todo músico é chato com o seu equipamento. Pensamos de cara que é frescura do coitado, mas quantos clones não prestam por causa disso, quantas reparações não devolvem ao equipamento original a sonoridade que tinham antes da avaria. Não coloco a culpa em ninguém, já que o mundo é e está cada vez mais capitalista. Também não culpo as lojas, que pegam dos fornecedores os lotes de componentes mais em conta. Só acho que deviam ter bem claro os de primeira e segunda linha na hora de vender, assim como fazem com as memórias de computador, pneus e por aí vai. É uma questão de transparência com o consumidor.
Com a invasão digital muitos componentes jurássicos começaram a ser fabricados de qualquer maneira só para atender aos equipamentos antigos ou extremamente simples que ainda dependem deles para funcionar. A verdade é que com isso acabou o cuidado e quem foca no som está perdido. Para acionar um relé até serve, mas para fazer um belo preamp de guitarra já fica devendo muito.
No caso dos transístores e integrados, foco principal deste post, são fabricados da mesma forma que os processadores de computador. São feitos em uma bolacha gigante com milhares ou até milhões deles.

Até onde sei, os transístores gerados no centro da bolacha são melhores e fisicamente perfeitos. Os de fora com frequência apresentam mais deficiências e são utilizados em linhas mais baratas, distribuídos como amostras grátis ou até mesmo vendidos por poucas empresas com política de transparência como um produto de segunda linha.
Começamos a por no papel. Puxa vida, é tão baratinho montar um pedal e ele original custa tão caro… Mas vamos ser sinceros! Você confia nos componentes baratinhos que você vai pegando e colocando em uma cestinha nas lojas de eletrônica pelo Brasil? Eu já desanimei. Os transístores de potência nem vou falar nada, pois me recuso a comprar aqui e a maioria que vejo são cópias vagabundas ou então possuem marcas de uso. Um absurdo!
O mesmo acontece com outros componentes como capacitores, resistores, que dificilmente paramos para pensar se podem ser de má qualidade. O semicondutor em um pedal é o coração do circuito. Se não prestar, o sinal não vai ficar legal e mesmo um clone muito bem feito jamais soará como um original. Nem tudo é drama. Ainda confio em comprar capacitores e resistores por aqui. 
Para quem deseja ter o mesmo cuidado,  pode comprar muitas vezes direto com revendedores das marcas pelo ebay na quantidade que desejar. É um pepino a mais no caminho, mas acredite, você não esquenta mais a cabeça. Os componentes de fraca qualidade são difíceis de descobrir só ao olhar. Uma dica é comprar um lote e começar por medir o ganho e ver se bate com os mínimos e máximos que o fabricante indica. Outra solução é levá-los ao limite e medir até onde aguentam, e mais uma vez comparar com as suas especificações.
Fica a dica. Quer montar ou reparar um equipamento? Pesquise bem, não tenha pressa. Mais vale esperar e até mesmo pagar um pouco mais para ter algo realmente bom e que não vai te deixar na mão. 
Já pensou em um transístor abrindo o bico no meio daquele solo infinito para 500 mil pessoas? 
Nem eu!

Meteoro Revolution Tube Drive

Voltei! Faz tempo que tenho este pedal mas a preguiça nunca me motivou a falar dele. Hoje respirei fundo, carreguei a barrinha de coragem e trouxe ele aqui para o blog. Quem vive no Brasil e é músico certamente conhece a marca de amplificadores e acessórios Meteoro. Uma marca que começou com os amplificadores mais simples e atualmente faz valvulados para todos os gostos. A marca sempre andou muito próxima da onda marshall e quase todos os seus produtos são inspirados em modelos internacionais. Eu diria que são remodelados para melhor atender o público nacional. Uma coisa que todo brasileiro adora é precinho camarada, e realmente a marca apostou forte nessa tendência e produz equipamentos para todos os gostos e bolsos. Descobri o pedal um dia em uma loja de música e vi que era um irmão menor do mais antigo Doctor Drive. Perguntei o preço e resolvi testar pois estava muito baratinho para um pedal valvulado. 300 reais achei bem em conta. Testei, gostei, levei. O pedal não passou a fazer parte do meu set em shows, até tentei, mas depois desisti. Para o que eu toco e as experiências que tive, preferi deixar em casa para uso em gravações e ensaios. Para shows só em casos excepcionais.
Vamos falar do pedal:

De cara podemos ver que é robusto e aguenta todas as maldades que a turma adora fazer com os pedais. A caixa é bonita, bem pintada. O aspecto do pedal é bruto mesmo, mas para o preço o acabamento está impecável e a serigrafia também muito bem feita. Nada a apontar. Todos os controles de maneira geral respondem bem ao toque e a equalização foi muito bem conseguida. A única coisa que não gostei muito é que a equalização não bate igual para os dois modos do pedal. Com overdrive é necessário abrir um pouco os agudos pois o som é abafado, e quando chaveia para distorção fica ardido demais. Mas é possível conseguir um ponto de equilíbrio e também utilizar o tone da guitarra, coisa que muitas vezes esquecemos que está ali por algum motivo no instrumento.
Falando do funcionamento: O pedal tem dois leds bi-color no painel. O led da esquerda sinaliza o bypass e o efeito ligado (verde e azul), e o da direita sinaliza a função drive I e drive II (verde e vermelho). Alguns guitarristas quando conversam comigo perguntam: Quando o botãozinho é de metal o pedal é True Bypass, não é? Não… Antes fosse. A maioria dos pedais só usam estas chaves pois aguentam serem pisadas. Este pedal possui bypass eletrônico com buffers e é bom que fique claro que não é true bypass. As chaves são das mais baratas, mas funcionam bem. Não ser true bypass não é bom nem mal, depende do uso. Quem tiver dúvidas pode dar uma lida no post sobre buffers que fiz sobre o projeto do controlador.
Hoje em dia existe uma propaganda exagerada sobre tudo aquilo que tem válvulas. Ficou aquele conceito que o que é bom é valvulado e o resto é resto. Não é bem assim. Não compre este nem nenhum outro pedal valvulado esperando ter o som de um cabeçote all tube. O som puramente valvulado envolve uma série de coisas entre elas transformador de saída, casamento do circuito de pré com o de potência, entre outras coisas. O amplificador valvulado é um bloco e o circuito é pensado para ele ser uma coisa só. Um pré valvulado tem a sua graça, mas não é algo completo. Falo isso para que fique claro algumas coisas:
O pedal em questão é valvulado? Sim, é. Ele tem uma 6bq7 de pré que completa o circuito. Quando digo que completa, é que dá uma cor final ao som, um rasgado e calor típicos das válvulas. Mas grande parte da distorção é feita com integrados e inclui dois leds de clipping para ajudar a rasgar:

O som é quente, tem um rasgado gostoso… Como o circuito foi feito para um ganho elevado, no drive leve ele tem um som muito crunch carregado de médios, que não permite umas levadas mais bluesy. Mas mesmo assim, com jeitinho você tira um som muito legal.
Na foto podemos ver o transformador ali no canto. É ele que converte os 12AC em alta tensão para a válvula funcionar. Existe também a discussão sobre pedais valvulados que utilizam tensões baixas. Realmente o som embola muito e mais vale um pedal todo transistorizado. No caso do Meteoro o som ficou legal, bem quente e sem embolar. Aproveitando a foto, vemos que a placa é feita de fenolite, o que eu não gosto muito, mas está muito bem fixada e protegida pela caixa que como falei antes aguenta muita pancada. Só achei meio estranho o suporte da válvula que ficou ali pendurado por um sistema de encaixe que não acho muito seguro. A fábrica coloca um led vermelho por cima da válvula para brilhar e dar ênfase ao brilho da mesma.

Espero que não tenham feito isso para os leigos pensarem que o brilho todo vem da válvula. Tirei o led vermelho do meu e coloquei um azul que ressalta bem mais os filamentos da válvula que são de cor laranja, e não vermelha.
A única pisada de bola feia que encontei no pedal foi na entrada de alimentação. Originalmente o pedal vem com um conector de fonte metálico:

Como a entrada é em AC e o pedal funciona em DC, isolaram o encaixe com duas borrachinhas. Primeiro que isso é um perigo… As borrachas com o tempo secam e caem, sem contar que o conector não fica com um bom aperto no painel e toda hora fica frouxo. Se a fase do AC tocar na caixa pode queimar o transformador, o pedal e tudo fritar na hora. O furo da caixa também é grande demais e o conector fica sambando nele. No mesmo dia em que comprei já tirei e coloquei um de plástico que resolveu de vez o problema:

 Das duas uma…. Ou colocavam um conector de plástico de fábrica, ou então já faziam a entrada DC com a retificação dentro da caixa do transformador. Foi uma economia sem sentido, como trocar 6 por meia dúzia.
Uma coisa que me chamou a atenção foi o cuidado com o aterramento:

Circuitos com válvulas são muito sensíveis, e se o aterramento não for bem feito os ruídos e apitos tomam conta. A caixa foi raspada para fazer o aterramendo do pedal e também no aperto dos potenciômetros para ficar tudo devidamente blindado. Gostei muito do cuidado, ponto positivo!
Os potenciômetros ficam soldados em uma placa de fibra de vidro (aí é bonito) com terminais que encaixam na placa central do pedal. É uma solução robusta, que evita fios, mas ao abrir e principalmente ao fechar o pedal é preciso ter muito cuidado e se certificar que tudo encaixou perfeitamente:
Conclusão: É muito mais do que eu poderia esperar por apenas 300 reais. O pedal é bem completo, tem um timbre muito bacana e um calor e punch singular. Não é um pedal dos mais caros e apetrechados, mas pode ser melhorado e ter peças vitais substituídas. Pedal nacional, bem conseguido, melhor que muita coisa gringa mais cara e com som de abelha, ótimo custo/benefício e recomendo para todos que curtem do blues ao rock pesado!
Samples:

Pisando no terreno da discórdia: Maple x Rosewood

Bom dia, companheiros de guitarra!

Depois de um longo hiato estou de volta e chegando na voadora!

Pra começar, me considero um guitarrista amador, porém, um curioso voraz e leitor de fóruns de guitarra de longa data. Já sou dessa nova geração que aprendeu muita coisa através da internet, mas há uns 12 anos venho fuçando também com a mão na massa. Eu não costumo espalhar o senso comum na rede sem antes experimentar muito o que estou em dúvida. E essa dúvida do título me acompanha há muitos anos! Vamos a ela:

Quando eu comecei a tocar, eu não fazia a menor idéia das diferenças entre as diversas madeiras, captações, e até mesmo a diferença entre as guitarras, marcas, amplificadores, etc… Comprei a minha primeira guitarra, uma Squier Bullet, com base no valor que eu podia pagar. Essa guitarra foi passada pra frente não muito tempo depois, porque eu sentia que não tinha com ela o som que eu gostaria. Na época eu era cabeludo e queria fazer um som pesado! Nos rolos da vida consegui uma Jackson coreana com Floyd Rose, 2 humbuckers e 1 single coil no meio. Aprendi com ela a me divertir com a alavanca (tremolo bar) e fiz vários sons pesados, mas, com o tempo, também aprendi como é irritante não poder brincar em outras afinações devido ao tipo de ponte e suas condições. Por fim, voltei às origens e troquei a Jackson numa Tagima 635 (pra quem não conhece, ela é basicamente uma cópia das Fender Stratocaster) que me acompanha desde 2004 com o diferencial dessa última guitarra possuir escala clara, nesse caso, marfim.

Foi o meu primeiro contato com esse tipo de escala e, confesso, por motivos estéticos. Até então eu nunca havia pensado nos detalhes de uma guitarra e na diferença que isso provocava. Com o passar dos anos, a frescurice acaba nos afetando. Juntamente com a evolução tecnológica e a introdução de vários novos produtos no nosso mercado eu pulei de uma Zoom 505 II pra uma Zoom G1N, depois para pedais analógicos e depois entrei na busca de um timbre perfeito com um amplificador valvulado.

Com o equipamento mais refinado, você obviamente consegue prestar muito mais atenção aos detalhes e vai apurando os seus ouvidos. Enquanto que meu gosto musical também mudou e eu conseguia tirar com fidelidade vários sons do Pink Floyd eu sentia que a minha strato não era compatível com todo o tipo de som que eu ouvia das stratos. Pensei que os problemas pudessem estar nos captadores, inicialmente. O meu eterno camarada Frankli me trouxe uns captadores ativos da Schaller diretamente da Europa mas depois de instalados eu confesso que a diferença ainda não era grande e que o som que eu desejava não podia ser alcançado. Numa das minhas frustrações comuns eu botei fogo na minha Tagima. Embora esse experimento maluco tenha favorecido demais o timbre da minha guitarra, eu nunca cheguei ao som que eu ouvia em artistas como Stevie Ray Vaughn, John Frusciante ou Jeff Beck.

Bom, analisando os diversos vídeos e equipamentos desses artistas, eu reparei que todos eles usavam guitarras Stratocaster com escala de rosewood. Foi quando comecei a suspeitar que os muitos fóruns de guitarra que afirmam que apenas 10% de um pedaço de madeira não poderiam afetar tanto o timbre poderiam estar errados. Era tanta gente afirmando que a diferença era basicamente estética que eu demorei a desconfiar dessa possibilidade. Enfim, na minha busca louca pelo som desses guitarristas eu fui testar guitarras com escalas de rosewood e a minha grata surpresa foi a de que eu finalmente tinha como chegar no som deles bastando ajustar bem a altura dos captadores!

Acabou aí? Não… Existem inúmeras discussões que tentam minimizar a diferença entre as escalas e jogam a culpa no restante das madeiras. Alder, Ash, Swamp Ash, Basswood com maple top, Mogno, Marupá, compensado… Todas essas madeiras (ou agrupamentos) que podem compôr o corpo de uma guitarra de fato afetam algumas características de uma strato, mas eu testei vários modelos e garanto que aos meus ouvidos a diferença mais brusca está no material da escala, captação e modelo da ponte.

Ontem eu estava procurando ouvir a diferença entre captadores de alnico e captadores cerâmicos (discussão que pode aparecer em algum post em breve) e cheguei a um vídeo onde a diferença entre as escalas ficou muito evidente e com ele me inspirei a escrever esse post. O link pra análise agora é de vocês:

Pra mim é bastante evidente, mas muita gente acha que é algo subjetivo, que não se trata apenas das escalas, etc…

Ao meu ver: O som das escalas claras (com acabamento em verniz, normalmente) possuem um som mais estalado, com menos graves e menos sustain. É um som mais clássico e facilmente identificado nas performances de David Gilmour ou Eric Clapton.
Já o som da escala escura é mais focado, menos brilhante porém com mais graves e com sustain prolongado.

Uma explicação física simples consiste em afirmar que a mudança entre as madeiras da escala (com suas diferentes porosidades e durezas) faz com que a corda também vibre de maneira diferente quando você pressiona a corda contra a madeira, conferindo um som bastante diferente de acordo com a escala e seu acabamento.

A opinião agora é de vocês! Fiquem a vontade pra discutir e espalhar esse material!

Atualização: Sugiro que acessem os comentários e vejam a contribuição do leitor Rafael Ferrace na discussão! Ele compartilhou um material excelente para comparação e discussão do assunto.

Plugins VST

Sempre que começo o papo com algum colega amante das guitarras o assunto gira e sempre acabamos por falar sobre tecnologia e novas soluções para as guitarras. A conversa sempre acaba atravessando e chegando nos plugins. A maioria, para não dizer todos os guitarristas que converso, já tentou em algum momento utilizar plugins e são quase sempre as mesmas queixas como a latência, ruídos e qualidade do som que antes de qualquer coisa devemos lembrar que é simulado. Antes de chegar nos plugins temos que considerar dois aspectos fundamentais:

Interface: É logo aí que começam os problemas de latência. De nada adianta ter o plugin rodando bonitinho e ligar em uma placa convencional de computador. É fundamental ter uma placa que suporte a tecnologia ASIO para reduzir a latência a níveis que o ouvido humano não se importe muito (5ms a 11ms). Sem uma placa apropriada a latência dificilmente será menor que meio segundo, o que já faz do uso do plugin algo impraticável. A graça do plugin é tocar em tempo real. Já vi quem use o plugin depois da guitarra gravada limpa, mas não fica a mesma coisa pois ouvindo na hora você consegue por no toque a dinâmica que aquela simulação oferece. Dá para tapear mas não tem graça.
Uma placa que sempre recomendo para quem quer começar com os plugins é a M-Audio Fast Track USB:

Ela já suporta ASIO e tem também entrada para microfone balanceada e com 48+ para microfones de condensador. Só tem um canal, mas dá para fazer altas coisas com ela em um home studio. Ela também tem saídas de linha para monitores de estúdio. Em relação aos ruídos, não preciso dizer que além de uma boa interface é necessário utilizar bons cabos, o instrumento com a parte elétrica em dia e ter um sistema de aterramento bem feito ligado a todo o sistema.
Outra opção é comprar uma interface própria para estes plugins vendida pela empresa Native Instruments que desenvolve o Guitar Rig e que é bem compacta:

Existe ainda uma interface da mesma empresa que oferece a versatilidade de ligar a guitarra e tocar com plugins no seu iphone:

Quanto muito acho bem bacana, mas só para brincar mesmo. Nunca toquei em um, mas algo muito miniaturizado não me chama a atenção. Não sei se existe alguma restrição nesses hardwares para usar em plugins de outra marca, mas pela dúvida eu ainda fico com a M-Audio.

Qualidade do som: Os plugins são simulações de equipamentos clássicos que evoluíram muito e tiveram as contribuições de tecnologias como a de “convolução” que firmaram a sua posição no mercado. Os guitarristas normalmente são puristas e não conheci um que tenha dito que um plugin faz o mesmo que um equipamento real. Eu também sou bastante cabeça dura no assunto mas não nego o quanto facilitaram a minha vida. Uso muito para estudar, tocar sem atrapalhar os outros e gravações em que o foco não é o timbre perfeito ou ainda quando quero brincar com algum equipamento que não tenho a menor hipótese de ter em mãos. Não é a mesma coisa mas dá para ter uma noção de como é. Em estúdio facilita muito as coisas para gravar linhas limpas e efeitos de modulação. Os overdrives tapeiam, as distorções não convencem, principalmente as de alto ganho. Por enquanto não conheço nenhum plugin de guitarra realmente apetrechado. As marcas investem no desenvolvimento de ferramentas para produção musical em geral e chegam até a criar hardware próprio para processar os plugins e torná-los tão rápidos e fiéis quanto os equipamentos físicos:

Agora é esperar que invistam assim na guitarra, o que não deve faltar muito. 
 Não vou falar de todos os Plugins de guitarra que existem e certamente eu não conheço nem a metade, mas indico aqui o Guitar Rig e o Amplitube:
São os campeões de vendas. Gosto mais do amplitube e senti um cuidado maior na simulação dos amplificadores e pedais antigos. O Guitar Rig gosto muito das opções de reverb, delays e para tocar sons mais “pesados”, mas mesmo assim as simulações de ganho alto não me convencem como já falei antes.
Posso ficar dias falando sobre isso, mas recomendo aos interessados que tentem tocar em algum lugar com plugins e tirem as suas conclusões. Eu gosto e me resolve vários problemas. Moro em apartamento, amo os valvulados mas tenho a consciência que não sou o único morador do prédio e prefiro não comprar briga com os vizinhos. Para finalizar, vale lembrar que os plugins casam bem com pedais “de verdade” e dá para fazer altas coisas. Uso muito para gravar samples de guitarras e pedais sem esquentar muito a cabeça com microfone e tal.
Que tal um dia uma jam session virtual?
Um abraço!

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