Stratocaster Rewiring

Já fazia um bom tempo que uma das minhas guitarras pedia uma reforma na parte elétrica. Uma guitarra de 2002, que a última vez que lembro foi trocada a chave seletora em 2005 pois a original era muito fraquinha e já tinha entregado a alma ao criador. Como foi por muitos anos a minha única guitarra, nunca abri para cuidar da elétrica dela, confiando sempre aos luthiers por onde ela andou. É verdade que não fizeram um trabalho ruim, mas foram substituindo as coisas que iam estragando assim no escuro. O resultado foi uma elétrica genérica com potenciômetros diferentes entre si, bem como fios de cores e espessuras diferentes. Resumindo, um carnaval.

FullSizeRenderComo se passaram mais de 10 anos e a guitarra em questão também mudou de país, de casa várias vezes, meses atrás abri apenas afrouxando as cordas e colocando um limpa-contato na chave que já dava ruído ao trocar de captadores. Por fim resolvi refazer toda essa bagunça e por tudo novo da minha maneira. Como é possível ver na foto, além da inconsistência de componentes, aparecem pontos brancos parecidos com poeira na parte preta do escudo. São fungos. A umidade tomou conta de tudo e embora não apareça na foto, os potenciômetros e principalmente a chave seletora escureceram muito o metal por causa disso. Retirei tudo e fiz uma limpeza no escudo e também no interior da guitarra. Hoje moro em um lugar onde não sofro com esse problema, então sei que esta reforma vai durar.

Com as peças em mãos comecei a pesquisar a melhor maneira de montar tudo de uma forma caprichada e o mais limpa possível. Foi quando me deparei com um trabalho de elétrica de luxo do Emerson Custom:

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Muito interessante a qualidade das peças e também o capricho na construção. Um kit como o da foto “Plug and Play” custa em média 75 dólares. Como já tinha as peças e não estava disposto a dar nenhum centavo por algo montado me inspirei nesse rico trabalho e o resultado foi muito interessante.

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Para quem tem interesse em realizar esse procedimento ou apenas estudar, aqui fica o modelo de ligação para Stratocaster que usei:

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Dissecamos o Gamba!

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É sempre com alegria que coloco neste espaço produtos nacionais que trazem orgulho para o nosso país. Não é o primeiro e com toda a certeza não será o último. Hoje o blog traz o amplificador Gamba desenvolvido pela empresa Gato Preto Classics que aposta em produtos totalmente valvulados, com respeito e inspirado no antigo com projetos totalmente originais. Além da eletrônica ser toda de autoria própria, o design exterior também é pensado para ter uma identidade única.

Assim nasceu um dos produtos da GPC, o Gamba com as seguintes especificações:

30 Watts ou  15 watts

Válvulas de Potência: 2 x KT77 ou 2 x 6L6

Válvulas de Pré: 2 x ECC83S, 1 x EF-86

Entradas: Low e High – Saídas: 4 ohms / 8 ohms / 16 ohms

Voltagem: 110 ~127V / 220 ~ 240V

Controles: Volume, Bass, Mid, Treble, Freq.(Presence), Pepper (Gain)

Loop de Efeitos Valvulado com controle de MIX

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Uma das coisas mais bacanas é o desenho inspirado em um rádio valvulado antigo, com traços modernos arredondados e um acabamento em uma folha de madeira muito bem finalizada. Em um primeiro olhar parece antigo, mas rapidamente vê-se que é algo novo e com um acabamento contemporâneo impecável. O chassi recebe uma serigrafia bonita e divertida. Alguns controles possuem nomes pouco usuais, o que deixa o amplificador ainda mais descolado. Como exemplo o Stand By, que quando ativado não fica “on” e sim “fun”.

A chave 30w/15w é muito útil não apenas por uma questão de potência, mas a resposta sonora muda bastante, principalmente para quem tem a oportunidade de tocar o bichano bem alto.

A equalização é bastante sensível e te ajuda a encontrar uma gama enorme de combinações e sonoridades possíveis. O som limpo é um dos mais belos que já ouvi e faz jus à citação “entupido de harmônicos” presente no site da marca.

O drive é tímido, de baixo ganho, mas muito robusto. Bonito para solos de jazz e blues mas para bases não achei tão versátil e ainda prefiro um pedal de overdrive ou mesmo um clean boost para dar uma empurrada no do amplificador mesmo.

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Na parte traseira encontram-se as três saídas para alto-falante nas três impedâncias citadas anteriormente.

Os primeiros modelos vinham com uma saída de linha, que nesta versão mais recente foi eliminada e deu lugar ao footswitch que permite trocar entre limpo e o controle de ganho que gera o overdrive.

Um loop paralelo passivo com controle de MIX fecha a festa trazendo a possibilidade de utilizar efeitos moduladores como Delay e Reverb.

Bivolt, tem chave para escolher a tensão da rede e a conexão é feita por uma tomada tripolar de painel muito comum em computadores e que traz junto o fusível.

O amplificador não poderia passar pelo blog sem mostrar a sua alma e beleza interior.

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Construído com componentes de alta qualidade como Orange Drops, Silver Mica, Xicon Polypropylene, resistores Metal Oxide. As placas em fibra de vidro de alto padrão com todos os soquetes soldados diretamente fazem da montagem algo muito clean com poucos fios dentro do aparelho. É daqueles raros circuitos que você abre e diz “não tem nada para melhorar aqui” e volta a fechar. Uma produção de primeira que não só compete como bate muitos amplificadores importados que já passaram por aqui. Por ser uma construção toda baseada nas placas, ficou muito compacto e silencioso. O aterramento que se pode fazer em uma placa dupla-face dá um resultado incrível no nível de ruído natural de um amplificador. Quando não se toca nada o bicho fica mudo.

O danado conta ainda com mais uma particularidade. Feito com polarização catódica, dispensa o ajuste de bias. Qualquer um pode substituir rapidamente as válvulas de potência deste amplificador.

Para quem compra o conjunto Cabeçote + Gabinete recebe instalado o FAT12, um alto-falante projeto próprio da GPC.

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No conjunto vem tudo o que é necessário para o amplificador funcionar, menos a guitarra. 😛

Um cabo profissional Tecniforte para a conexão Head-Caixa faz a ligação campeã que deixa todo mundo feliz. A caixa pode ser utilizada fechada ou aberta, vai do gosto e necessidade de cada um. Por ter um acabamento tão bonito e delicado o amplificador fica sensível a batidas e quedas. A GPC produz e manda junto capinhas de nylon com zíper para facilitar o transporte.

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Conclusão: Um amplificador totalmente nacional, desenvolvido com bastante carinho e com uma sonoridade muito particular. Não dá para dizer som do quê ele tem. Tem som de Gamba, e é muito bom!

Para quem procura um amplificador parceiro para ensaios, gravações e shows este será um grande companheiro.

Que o mercado nacional continue acreditando, mesmo com tantas dificuldades, e oferecendo aos guitarristas brasileiros o melhor pois nós merecemos. glass

Para fechar um humilde vídeo do Gamba em ação:

Desafio Blues Junior

De todos os amplificadores que tive a oportunidade de montar este foi o primeiro que documentei. Os outros foram construídos muito antes da existência deste blog e infelizmente não fiquei com registros para publicação. Quando comprei o meu Blues Junior falei dele aqui e também das modificações possíveis para conseguir o máximo deste pequeno gigante. Na época em que fiz as modificações fiquei com aquela pulga atrás da orelha me perguntando se seria muita loucura construir um amplificador baseado neste fantástico projeto, só que totalmente “handmade”. Foi então que mergulhei no desafio e lentamente comecei um amplo estudo sobre o esquema. Dois motivos me impulsionaram. O desafio de conseguir fazer funcionar e a aquisição de conhecimento em eletrônica. Tive muitas dúvidas sobre o sucesso da missão e enquanto não vi tudo funcionando não publiquei nada. Hoje com o protótipo finalizado e funcionando resolvi colocar neste humilde espaço como um incentivo para quem quer aprimorar seus conhecimentos. Não é nenhum projeto impossível, mas os detalhes são determinantes pois as chances de dar errado ou funcionar com uma baita chiadeira são altíssimas no mundo das válvulas.

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Comecei por rabiscos no esquema. É preciso ter atenção nestes projetos pois tanto os amplificadores antigos como os modernos possuem várias versões que os fabricantes foram melhorando com o tempo. Em alguns casos as mudanças são drásticas e é preciso escolher apenas uma delas para montar. Tentar fundir o melhor de dois mundos pode dar muita dor de cabeça.

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O segundo ponto do desafio foi conseguir um chassi barato, no meu caso uma forma industrial para bolos. Dela saiu um delicioso amplificador. A parte que mais odeio de qualquer montagem é fazer os intermináveis furos das mais diversas espessuras e quando não se consegue o número desejado, vai na mão com uma lima mesmo. É trabalho para dias só furando e limando. O transformador de potência foi produzido em solo tupiniquim e bem dimensionado faz o seu papel com maestria. O de saída aproveitei o original do meu amplificador que removi após o conjunto de upgrades que fiz.

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A placa foi feita de forma artesanal. Depois de pronta o pepino que eu não previa…. Encontrar todos os componentes necessários. Foram meses de pesquisas e compras na internet para conseguir todos os valores ideais e assim o melhor resultado possível. Alguns componentes possuem valores nada comerciais e foi uma tortura para encontrar, mas tive a felicidade de não utilizar nenhum componente de valor aproximado. Todos bateram certinho e tive o cuidado de medir e escolher os que tinham o valor mais preciso. Sim, foi coisa de maluco.

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O sistema de reverb foi um dos mais chatinhos de acertar. Em vários pontos do circuito não utilizei cabos blindados como deveria ser. Foi proposital. Primeiro por ser um protótipo e eu queria fazer as coisas de forma rápida. Outro ponto que pesou foi a vontade de dar ao circuito as piores condições possíveis para ver como se comportava. E nisso incluiu até testes malucos no sistema de aterramento que mesmo assim funcionou bem e em momento algum tive problemas com ruídos.

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O único e mais comum problema que tive foi o da falta de atenção com as ligações. São muitos fios e uma ligação errada compromete tudo, ainda mais em um projeto jamais testado antes. Foi um tiro ao alvo na escuridão.

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Mas é com alegria que compartilho esse amplificador  “super-gambiarras” que no futuro passará por uma troca de casco e uma melhoria geral nos fios, soldas, soquetes e tudo mais que faltar para torná-lo um senhor de primeira grandeza.

Quero agradecer ao pessoal que deu força para essa pesquisa e assim como eu acreditou que ficaria perfeito. Em breve volto com ele em ação para a apreciação de todos.

Até lá 🙂

ATUALIZAÇÃO (28-05-2017)

Fiquei devendo uma amostra do amplificador, aqui vai:

Denmark Street – Londres

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No passeio que fiz para a Europa dei uma esticada até a Inglaterra para visitar a família. Jamais cometeria o crime de não dar um pulo na Denmark Street, o paraíso dos músicos, em especial dos guitarristas. Por ser uma rua repleta de lojas, tentei neste espaço colocar um sortido de fotos das mais variadas vitrines que encontrei. Um detalhe especial para o acervo de guitarras vintage presente nas lojas desta rua. Gostei também da diversidade de pedais e principalmente de marcas que não encontramos com facilidade no Brasil. Os amplificadores VOX estão por toda parte, dos novos aos antigos e cada loja parece um museu onde você se quiser (e puder) pode levar parte da história para casa. Normalmente faço postagens comentando as fotos, mas foram tantas fotos importantes que preferi colocar em uma galeria, caso contrário o post ficaria gigantesco. É só clicar em uma das fotos para abrir o slide com todas ampliadas. Deleitem-se com este paraíso guitarrístico na Denmark Street!

Lismúsica – Lisboa

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Para mim é impossível viajar e não passar por alguma loja de música. E sempre que posso registro para publicar no blog. Quem já leu a página “sobre” sabe que morei muitos anos em Portugal. Desde que voltei para o Brasil não tinha mais pisado em solo português. Felizmente este ano tive a alegria de voltar, encontrar amigos, tocar guitarra e fazer visitas nostálgicas como a que publico hoje. A Lismúsica é uma das principais lojas de instrumentos musicais e acessórios em Lisboa. Abriu suas portas 1998 e de lá para cá, mesmo com a pesada crise econômica que atingiu o país em 2008 continuou desenvolvendo suas atividades e prosperando. Na época em que vivi por lá era uma loja pequena e simples, mas já com ótimos produtos. Hoje é um espaço com dois andares e onde antigamente funcionava a loja agora é um depósito de mercadoria pois a empresa investiu nas vendas pela internet.

IMG_4289Logo na entrada a loja dedica o espaço para equipamentos de gravação, violões clássicos e folk, e como não podia faltar, a bela guitarra Portuguesa.

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Descendo as escadas existem logo em frente produtos de bateria e percussão. Mas o forte do andar subterrâneo são as…cordas!

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O que mais me chamou a atenção foi a quantidade e variedade de cordas e pedais.

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Além dos clássicos, encontrei por lá os novos mini pedais da Mooer com a sua coleção completa.

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Quem procura peças originais para Gibson ou Fender com certeza não sai decepcionado de lá.

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IMG_4252As opções de guitarras e amplificadores também são boas. Das guitarras mais simples aos modelos especiais, dos amplificadores transistorizados aos valvulados. É uma loja que atende bem todo o tipo de público.

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Os valvulados que encontrei por lá são quase todos modelos grandes de ótimas marcas como Orange, Peavey, Laney e Fender.

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IMG_4272Para quem for visitar o velho continente fica aqui uma sugestão de “passeio”. É dos locais com o acesso mais fácil pelo metrô de Lisboa e tem um universo de coisas legais para guitarra. Para mais informações é só acessar AQUI o site da loja. Além de me divertir e comprar algumas coisas, saí contente por ser reconhecido mesmo depois de tantos anos sem ir lá.

Cream Buffer

Como prometido na publicação anterior e também na última vez que falei em buffers aqui no blog, segue a explicação da segunda placa presente no Epic Boost que montei. Como já diz o título, trata-se de um buffer. Este é um assunto que tratei diversas vezes aqui no blog e prometi sempre que possível trazer novos circuitos para somar. No presente pedal, o buffer atua quando o pedal esta em bypass e também quanto está ligado. Ou seja, o meu Epic Boost não é True Bypass. Baseado no circuito LD-1 do Pete Cornish, além de ser vendido como um simples pedal de buffer, está presente em todos os pedais da marca na etapa de Bypass. Para mim um dos melhores, pois além de manter o som sem nenhuma alteração, ele foi desenvolvido para casar perfeitamente com pedais de fuzz e fazer também a guitarra casar com o amplificador como se não houvesse mais nada entre eles.

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O circuito já circula na internet faz tempo e sempre fui enrolando para montar. Até que na minha busca pelo Ep Boost acabei encontrando na mesma loja uma pequena placa do projeto. Como já tinha a intenção de colocar o Ep como primeiro pedal, achei divino agregar um circuito de buffer para que os demais pedais pudessem ser True Bypass sem problemas.

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A placa foi adquirida na mesma loja que a do post anterior, e recebe o nome de Cream Buffer. O único defeito que encontrei foi ser desenhada sem opção para fixação. O problema foi resolvido através de uma fita adesiva dupla-face chamada Fixa Forte VHB da 3M. Além de não ser condutora, cola muito bem e se quiser remover no futuro ela não deixa resíduos. Foi a opção perfeita para fixar a placa na caixa, já que ela não pesa quase nada.

3mA plaquinha vem no mesmo padrão de qualidade da outra. Recomendo a construção, seja ela em uma placa profissional ou protoboard. Até aqui foi o melhor buffer que já testei.

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EPic Boost

EpboostNa viagem que fiz esse ano para Miami levei na lista o nome deste pedal para testar pois havia lido e ouvido boas coisas sobre este pequenote. Testei e gostei. O pedal tem duas coisas muito bacanas. Como todo boost dá um ganho bom para a guitarra, e ele além de não modificar a tonalidade do instrumento traz um corpo incrível ao som. A segunda coisa boa é que o potenciômetro não zera o som. Mesmo no mínimo o pedal quando ligado já entrega um pouco mais de ganho e isso é audível. Muitos pedais de boost zeram o volume, e com isso perde-se quase metade do curso do knob até chegar em um ganho superior ao do instrumento em bypass. Por esse motivo muitos guitarristas utilizam dois, um como buffer com o knob no mínimo no início da cadeia de pedais e outro no final como boost geral. Quando fui testar já sabia que havia a possibilidade de montar um similar, então decidi poupar os 120 dólares que pediam por um e no futuro ter o meu personalizado. O primeiro passo foi analisar o esquema para fazer a lista de peças e começar a procurar no mercado.

ep

Em buscas pela internet vi que apesar de pequeno e simples, haviam dois componentes mais chatos de encontrar. O transístor 2N5457 e o potenciômetro 10kc. O transístor comprei pelo Ebay, e o potenciômetro estava confiante que conseguiria fazer uma gambiarra dessas aqui. Tentei de tudo e não deu. Sem crise, utilizei um 10k Log normal só que com a ligação invertida. O desempenho ficou idêntico ao original, com a mesma resposta, só que funcionando ao contrário. Queria montar algo definitivo para instalar no pedalboard e comecei a ver na internet se alguma loja tinha um projeto do gênero com venda de PCB. Achei esta loja que fica na Inglaterra, que além desse projeto possui vários outros de overdrives e fuzzes. A placa desenvolvida por eles recebeu o nome de Epic Boost e ao contrário do pedal original, não cabe em caixas pequenas como a Hammond 1550A. Para mim não foi um problema já que queria colocar umas coisas a mais no projeto e ia precisar de uma caixa maior de qualquer maneira. O pedal original possui dois microswitches internos onde você pode modificar o brilho e grave. As mudanças são muito sutis, e por isso e pela questão de espaço foi colocada internamente esta opção de chaveamento. No projeto da Uk Pedal Parts a placa recebe dois Toggles Switches que além de possibilitarem esse ajuste no painel, ficam responsáveis pela fixação da placa na caixa. Também é possível colocar na placa os microswitches originais de forma interna, mas cria uma dificuldade na fixação da placa na caixa. Para mim quanto mais opções com fácil acesso por parte do utilizador, melhor.

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Fiz questão de construir utilizando resistores de filme metálico. Em muitos testes que fiz e pedais que construí, notei a diferença ao utilizá-los. Além de silenciosos não sofrem variações com a temperatura. O famoso “sss” em altos volumes com esse tipo de resistor é quase imperceptível. Por ser um pedal com características limpas, escolhi as opções mais silenciosas.

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A placa tem padrão de qualidade industrial, em fibra de vidro dupla face, furos metalizados e trilhas envernizadas.

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A cara do bicho:

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Fiquei muito satisfeito com o resultado final, e o som aos meus ouvidos está idêntico ao original que toquei na loja. Já utilizei o pedal em gravações e shows. Assim ele ganhou um lugar no meu pedalboard. Um detalhe interessante é que alguns pedais que trabalham com ganho podem ter uma sensibilidade maior ao acionamento do led e isso acabar gerando um “pop” no chaveamento. Foi o que aconteceu, mas com esse artigo aqui resolvi em questão de minutos adicionando apenas dois componentes. Depois dessa correção passou de “barulhento” para o pedal com o chaveamento mais silencioso que tenho, por isso recomendo fazer esse esquema em todos os pedais de forma preventiva. No próximo post vou explicar o que é aquela plaquinha no canto “pendurada” dentro do pedal.

Um abraço!

 

 

Mad Professor – Sweet Honey Overdrive

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Olá amigos. Sempre que posso trago um overdrive diferente aqui no blog. E como amo overdrives. Depois que descobri o pedal deste post, o mesmo ficou fixo no meu set. Trata-se de um pedal de baixo/médio ganho. Eu diria que é um tubescreamer mais limpo e com mais médios, ainda que o circuito não lembre em nada um tubescreamer. Além de um overdrive super macio, o pedal tem uma resposta dinâmica incrível ao toque. É perfeito para solos. Não possui um ganho muito alto, por isso em alguns estilos é preciso algo com mais poder de fogo. Não é propriamente barato. Entra para a lista de pedais de boutique e recebe componentes de alta qualidade. Além de um som muito bem conseguido, os knobs possuem resposta perfeita em suas respectivas funções.

Costumo dizer que hoje em dia para todo produto caro existe o seu genérico no mercado, e como este pedal é um sucesso não demorou para surgir o seu semelhante:

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A chinesa Joyo lançou o seu exemplar. A principal diferença técnica entre os dois é que o modelo chinês é construído com micro-componentes (SMD) e o original com componentes normais.

No caso do Mad Professor, abri e registrei a qualidade de componentes e construção que o pedal tem:

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A marca usa material de primeira como placa em fibra de vidro com furos metalizados e resistores de filme metálico. Embora o esquema circule livremente na internet com os seus segredos desvendados, a marca insiste em manter “escondido” o modelo do circuito integrado com uma camada de resina epoxy. Nos primeiros exemplares a resina cobria toda a placa.

No passado mês de junho tive a oportunidade de ir na casa do meu companheiro de guitarradas Rafael Casagrande e comparar o Mad Professor com o Joyo.

A diferença que sentimos foi um nadinha a mais de brilho no modelo da Joyo. Mas a consistência, dinâmica, resposta sonora e de controles é a mesma nos dois modelos. Quem não pode dar 170 dólares no modelo original, pode encontrar com facilidade o Joyo por 30 dólares aproximadamente. No geral estes pedais chineses como os da Joyo e da Caline andam dando um banho de qualidade, tanto na construção como na sonoridade.

Para não faltar, segue uma amostra de um pequeno solo gravado com este simpático pedal. No exemplo usei com o ganho quase no máximo em uma stratocaster.

 

Achados do Gambiarras

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Quem não gosta de pedais? O achados deste mês traz um blog para quem é doente por pedais. Além de trazer matérias completas sobre pedais clássicos, também publica com frequência lançamentos com vídeos e entrevistas super interessantes. Para você que quer conhecer mais sobre pedais de marcas menos comuns em nossas lojas, este é o seu lugar.

Boa leitura 🙂

Pedal Timbrado e Plugado

Klon Buffer

Lá venho eu mais uma vez com um circuito de buffer. E se depender de mim outros virão no futuro aqui no blog. Um pedal com esta funcionalidade é de todos o que eu mais recomendo ter para garantir um sinal sempre bom, com cabos longos, muitos pedais e sem ruídos. Sempre incentivo até os mais iniciantes a montar um e ver como é legal. Já publiquei aqui no blog dois circuitos de buffer e o que eu trago hoje também é especial.

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O Klon Centaur é um dos pedais mais desejados do mundo, chegando aos milhares de dólares por um exemplar original. Mas além de um overdrive fantástico o pedal ficou conhecido por não utilizar um chaveamento true bypass na sua primeira edição e sim um circuito de buffer muito bem conseguido e que é adorado por muitos guitarristas. É cada vez mais comum “masterbuilders” rejeitarem o true bypass e adicionarem pequenos buffers no circuito de bypass. Existem sim desvantagens e é por isso que também os mais modernos recebem uma chave interna para desativar este buffer. Alguns guitarristas já possuem muitos pedais com buffer na cadeia e esta soma começa a ser prejudicial. Outros optam por desligar este recurso pois não casam muito bem com pedais de fuzz. O ideal é utilizar o pedal de fuzz sempre antes dos pedais que tenham buffer em seu sistema de bypass.

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Todos os componentes são muito fáceis de encontrar e todo o circuito não passa de uns 5 reais para montar. Por ser tão pequeno, mais vale montar em uma protoboard.

2015-04-19 16.31.47Tinha sobrando em casa uma caixa de alumínio pequena demais para montar um pedal. Muito baixa não cabia um footswitch sem tocar no fundo da caixa. Virou a opção perfeita para este circuito. Adicionei um led que fica sempre ligado e um switch lateral para bypass. O bypass coloquei com o intuito de comparar “com e sem” buffer e também ser possível desativar o buffer se algum pedal de fuzz se estranhar com ele.

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Como a intenção foi montar um circuito limpinho e sem perdas, no lugar do TL072 sugerido coloquei um OPA2604 que é um dos “opamps” mais silenciosos que existe.

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Não percebi nenhuma diferença audível entre os vários integrados que testei, e quem quiser pode fazer como eu fiz e colocar um suporte para ir trocando quantas vezes quiser sem precisar de soldas.

Até o próximo buffer!