Danelectro Tuna Melt Tremolo

Tremolo. Um efeito por vezes esquecido pelos guitarristas. Realmente são poucas as músicas que usam e abusam do tremolo. Sempre foi um efeito complementar, muito usado como cereja no topo do bolo em algumas mixagens. Eu vejo neste efeito um mundo de possibilidades onde podemos encrementar o feeling de nossas harmonias e até mesmo em solos e passagens. Com toda a tecnologia que dispomos hoje em dia, é natural ser inebriado por efeitos muito mais fáceis de usar e efetivos nos nossos objetivos musicais. Mas vamos falar de um brinquedinho amarelo capaz de grandes feitos e efeitos. Da série “mini effects” da Danelectro, este pedal está entre os melhores efeitos de tremolo que eu já usei. Um custo x benefício imbatível na minha humilde opinião.
O pedal inicialmente foi vendido em uma caixa de papelão, embrulhado em um plástico e acompanhava manual e um outro folheto mostrando os restantes pedais desta linha. Acompanhava também um protetor para os botões que podia ser encaixado em cima do pedal. Por sorte, foi assim que o meu chegou:

 Esta série sempre foi famosa pelo baixo custo, mas com o tempo a marca lançou o mesmo pedal de uma forma ainda mais barata, eliminando os acessórios e a caixa:

Pelo que pude apurar, “tuna melt” é uma expressão para um sanduíche de atum com queijo derretido, e vem daí a cor amarela do pedal. Se estiver enganado por favor me corrijam. A danelectro sempre colocou nomes engraçados e divertidos nos pedais, e com este aqui não poderia ser diferente.

Como falei no início, o pedal na primeira versão comercializada trazia uma proteção contra pisadas nos knobs e na chave no centro do painel. Aqui faço a minha primeira observação sobre o produto. Ele é frágil, e os controles do painel mais ainda. Mesmo com a mão podemos danificá-lo, imaginem com uma pisada desajeitada. Mas com um pouco de cuidado é só felicidade.
Vamos analisar o pequenote:
A caixa é de plástico, relativamente robusta e aguenta sem problemas o acionamento com o pé. O botão de bypass é muito macio e não requer muita força para ligar o pedal. A comutação também é silenciosa e não cria nenhum estalo ou ruído. Vou fazer uma pausa aqui só para falar deste ponto. O pedal é low-cost, então temos vários pontos negativos sobre acabamento e robustez. O bypass é feito de forma eletrônica com dois CMOS 4053 e 4019. São integrados que além de consumirem bastante energia, alteram bastante o sinal da guitarra. Mesmo em bypass existe uma perda audível na tonalidade do instrumento. Com dois ou mais pedais, esta perda começa a ser um incômodo e com alguma distorção ligada nota-se um início de ruído. Ponto muito negativo. Mais para o final do artigo vamos ver que nem tudo é um desastre e todos os pontos negativos deste pedal podem ser contornados. Os integrados de bypass atuam através de uma chave de pressão de plástico que é instalada de forma a interagir com o botão de metal que fica preso na carcaça com uma mola interna. Achei interessante a engenhoca:
 O pedal por dentro é muito limpo e você não encontra fios sobrando. Existem duas placas. Uma com a parte de alimentação e jacks soldados e outra com o circuito propriamente dito e o sistema de bypass.As placas se ligam por meio de um encaixe que agrega todos os fios. Foto retirada da internet:
Já desmontei completamente o pedal para redigir estas informações, mas na ocasião em que fiz isso não fotografei o processo, por isso recorri às imagens disponíveis na internet.
O circuito é clássico dos tremolos mais antigos. Utiliza um led e um ldr envolvidos em uma caixa plástica preta, que dão suavidade ao pulsar do tremolo. A base do pedal é de ferro bem grosso que leva uma borracha para o pedal não “patinar” no chão. Ela é grossa apenas para o pedal ter mais peso e não voar com uma puxada de cabo.
 Não vi nenhuma ligação para tentar dar alguma blindagem ao pedal que é inteiro de plástico. Uma coisa que não esperava ao desmontar o pedal, é ver que os potênciometros na verdade são micro potenciômetros, ou praticamente trimpots, que são soldados na placa e os knobs é que possuem um veio que encaixa no vão central deles. Ponto negativo pois com o tempo provavelmente estes trimpots se desgastam bastante e viram um problema sério. Conseguir estes componentes no mercado deve ser praticamente impossível. A chave que comuta no painel é pequena e também muito frágil. Aproveito e compartilho um mistério que ainda não resolvi. Esta chave denominada “hard/soft” comuta entre uma pulsação normal e pulsação cortada, onde o tremolo “muta” a guitarra entre as oscilações. A foto oficial do produto mostra um potênciometro no lugar desta chave, enquanto os produtos que estão circulando no mercado possuem uma chave. Eu nunca vi esta versão da foto por aí, mas seria interessante controlar a intensidade com um potenciômetro até chegar em um corte total, opção esta indisponível na versão com chave. Segue foto oficial:
Não sei também se por baixo do botão não se esconde também uma chave normal de comutação, e não um potênciometro como deduzi acima. Se alguém souber, por favor comunique!
Sabemos que uma caixa metálica e blindada é fundamental para não termos problemas com ruídos. Este pedal não tem como ser blindado, então a marca investiu em fazer uma blindagem na própria placa, onde todas as trilhas são envolvidas por trilhas externas de aterramento. Ajuda, mas não substitui uma blindagem de caixa. Nem por isso o pedal é ruidoso. É extremamente silencioso e nunca detectei problemas de interferências. Mas a utilização em palco ou outros lugares mais “hostis” pode oferecer riscos. Nada que o mundo da gambiarra não resolva. Quem faz mesmo questão de utilizar este efeito, que considero um primor, tem sempre a opção de fazer um “rehouse” e instalá-lo em uma nova casa e resolver todos os problemas que falei neste artigo. Caixa metálica, potenciômetros “de verdade” e true bypass. Foi o que vários apaixonados por este efeito fizeram:

 

Acho uma boa opção para quem quer “profissionalizar” este pedal. Para quem tem interesse, existe AQUI um tutorial completo para realizar esta manobra.
Mas será que vale tanto assim fazer isso tudo? Eu acho que vale. O pedal é simples, barato e único. Os comandos respondem super bem e o som é bonito, não altera a equalização nem o volume do instrumento como outros pedais que eu já vi por aí.
A grande sacada é o som. Recomendo!
Sample gravado com uma Fender Stratocaster Deluxe Players:
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