Amplificadores Bruschi

g40

Quem me conhece sabe que quando prometo algo eu faço, demora anos, mas eu faço! Devo esta publicação para vários amigos. Fui de carro até Blumenau-SC para conhecer os produtos Bruschi. Na época estava me desfazendo de um antigo amp e estava na pesquisa por um novo. Acabei não adquirindo um Bruschi, mas ficou como um item na ponta da minha “GAS List”.

Antes de falar do produto, quero falar da empresa. Fui recebido pelo criador da marca e dos amplificadores, o Edson. Um cara sensacional, profissional e com uma sinceridade magnífica. Não saí de lá sem ele me responder cada pergunta, cada detalhe. Eu como gosto de eletrônica levei uma chuva de perguntas e ele respondeu com grande paciência e sorriso no rosto. A empresa nasceu do conhecimento em eletrônica e amor pela guitarra que o Edson tem. Assim nasceu a Bruschi e o G40. Um amplificador com som próprio, um acabamento que nunca vi em lugar nenhum, e uma forma de pensar o circuito moderna sem esquecer dos traços que originaram a história e o timbre clássico dos valvulados pelo mundo.

bruschi

Além do acabamento personalizado e impecável, o amplificador já sai de fábrica Bivolt e com uma fonte DC dedicada só aos filamentos. Além de matar todo e qualquer ruído ou “hum”, ela protege e garante uma vida útil muito maior para as válvulas. Todos os componentes são selecionados e de altíssima qualidade. Placas em fibra produzidas industrialmente, transformadores desenhados especialmente para este modelo, soquetes belton, válvulas JJ. Outra coisa bacana são os falantes. Você pode escolher o que achar melhor, e a marca só trabalha com modelos de qualidade e grande nome no mercado.

O amplificador ainda conta com uma chave de SAG que cria o mesmo efeito de queda de tensão presente nas válvulas retificadoras que eram utilizadas nos amplificadores antigos.

Aqui um vídeo gravado na pressa com o celular só para não sair de lá sem um registro. A guitarra utilizada era do Edson, uma Walker com captação Fender Noiseless se bem me lembro:

 

Para mais informações: www.bruschiamps.com.br

 

 

Achados do Gambiarras

Um amigo e guitarrista recentemente me passou o site que hoje compartilho com vocês. O blog Guitarra Inteligente possui um conteúdo muito completo e totalmente autoral, atualizado semanalmente, com ótimas dicas que vão desde a regulagem à escolha de equipamento e curiosidades diversas do mundo da guitarra. Recomendo a leitura da recente publicação sobre retentores de cordas.

Divirtam-se

Guitarra Inteligente

Buffer + Boost

Feliz ano novo para todos, mega atrasado!

No blog sempre frisei a importância de um buffer no caminho do sinal da guitarra. Outro circuito que para mim é indispensável é um bom boost. Pensando nisso resolvi fazer um pedal “frankenstein” para ser o primeiríssimo na cadeia de pedais e suprir em um só aparelho a necessidade de um buffer para evitar perdas de sinal e um boost limpo que vai bem em qualquer equipamento.

Escolhi dois circuitos simples e muito conhecidos por todos. O buffer utilizado em todos os Ibanez Tubescreamer:

buffer

 

E o boost, circuito simples e clássico do Electro Harmonix LPB1:

lpb1

 

Como é um pedal para ser utilizado como o primeiro de todos para justamente evitar perdas de sinal, resolvi que não teria bypass, e sim uma comutação entre a saída do buffer e do boost. Então quando o pedal está “desligado”, na verdade está o buffer atuando no sinal:

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O circuito apresentado funcionou muito bem e o chaveamento é totalmente silencioso. No esquema está como OUT1 para o buffer e OUT2 para a saída do boost. Um esquema tão simples que não compensa desenhar e fazer uma placa. Uma protoboard é mais que suficiente. Pode ser alimentado sem problemas por uma bateria de 9v que dura meses.

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No pedal que montei para mim instalei um led que indica quando o boost está ligado. Quem vê pensa apenas que é um pedal de boost com True Bypass. O resultado não poderia ser melhor. O buffer atua muito bem e a guitarra não perde brilho mesmo utilizando vários pedais na sequência. O boost é limpo e com bastante ganho e empurra bem outros pedais e amplificadores valvulados.

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 ***Atualizado 30-01-2015***

Como disse, não é necessário criar uma placa para o circuito. Mas o meu grande amigo Fábio Luiz desenvolveu um PCI muito legal baseado no esquema que coloquei aqui. Como o potenciômetro é soldado diretamente na placa, elimina o problema de fazer um suporte para ela.

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*****Atualização 15/06/2019*****

Como surgiram algumas dúvidas sobre a ligação na chave DPDT, atualizo aqui com um diagrama simples como funciona. Lembrando que o jack de entrada vai ligado diretamente ao in do circuito e apenas é chaveada a saída entre buffer ou boost:

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Achados do Gambiarras

O Achados Do Gambiarras este mês está mais do que especial. Tive o prazer de descobrir o blog logo no início e fui sempre acompanhando, até o dia em que me chegou uma guitarra nacional antiga que num futuro próximo postarei aqui.  O site pertence ao camarada William de Oliveira, um colecionador de guitarras. Mas não é uma coleção qualquer. Ele coleciona stratocasters (!!!) e coloca no site muitas informações. Por ser colecionador, ele acabou garimpando os melhores modelos nacionais e desenterrando histórias e informações que muita gente desconhece. Eu falo do blog “Guitarras de um Strateiro”.

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No meio de tanta informação, entrei em contato com o William e começamos a conversar. Como resultado de tanta conversa, fica aqui uma entrevista muito bacana que fiz com ele:

Quando começou a sua coleção de guitarras?

Primeiramente, gostaria de agradecer a oportunidade de poder contar essa história e também parabenizar o Francisco por suas contribuições com seu blog de gambiarras e dicas. Eu comecei a coleção mais precisamente no início desse ano, quando me dei por conta que já tinha em torno de uns 5 instrumentos musicais adquiridos ao longo de 2013 e na maioria minha preferência era por adquirir as Fender Stratocaster, então me dei conta de que estava nascendo uma tendência: acumular Stratos! Eu confesso que fui levemente influenciado por alguns amigos colecionadores de instrumentos musicais, por ficar fascinado com as guitarras e por toda aquela devoção por suas coleções. O problema é que descobri que era praticamente impossível ser brasileiro e colecionador de Fender, por isso tive que abrir mão da ideia inicial (que era colecionar apenas Fender) e passei a adquirir outros instrumentos brasileiros e de outras nacionalidades. Eu procurei muitos sites e blogs pela internet e descobri vários colecionadores de Stratocasters no mundo inteiro, especialmente nos Estados Unidos, em sua maioria colecionadores de Fender.

Por que colecionar strato?

A Stratocaster é o modelo de maior influência (juntamente com a Les Paul e a Telecaster) entre os guitarristas nos quatro cantos do mundo. A Fender revolucionou ao fazer história nos anos 50 quando teve a ideia de inovar com a criação do conceito da Stratocaster, nascia assim um ícone da história do Rock. Com ela, grandes nomes de influência mundial fizeram com que a Stratocaster se tornasse imortal: de Jimmi Hendrix a Jeff Beck, Stevie Ray Vaughan a Yngwie Malmsteen, de David Gilmour a John Frusciante, de Mark Knopfler a John Mayer, entre muitos outros. A ideia de colecionar Stratos era muito tentadora, infelizmente nunca encontrei ninguém no Brasil que desse prioridade apenas as Stratos.

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Como surgiu o blog?

O Blog surgiu com a ideia de compartilhar as fotos e características de cada uma dessas guitarras e um pouco do que eu aprendi com esses instrumentos. Não me arrependo por ter criado, com ele ajudei muitas pessoas a garimpar informações sobre seus instrumentos pessoais, além de ter feito vários amigos. Eu já tinha um Blog sobre Fender que mantinha desde 2012, desativei para poder centrar esforços apenas nesse, criado em Março de 2014. É legal poder ver que pessoas de várias partes do mundo acessam minhas informações, inclusive publicando o blog em fóruns gringos. Surpreendentemente, as postagens de maior sucesso foram sobre a Dolphin da era Carlos Assale, a Golden Stratocaster dos anos 80 e a Fender Southern Cross.

Qual a guitarra preferida?

A minha Stratocaster preferida é a Fender Reissue 1957 – Made in Japan (1989). Posso dizer que se trata de um instrumento da época de ouro das Fenders construídas no Japão, incrível o timbre que consigo tirar com esse instrumento. A tocabilidade e conforto do braço são surpreendentes, uma réplica perfeita dos instrumentos construídos em solo americano em meados dos anos 50, sem dúvidas é a melhor guitarra dos instrumentos do meu acervo, pois apresenta o conceito mais nobre, puro e elevado de uma Stratocaster. Objeto de desejo pela maioria dos “Stratoboys”, a Fender reedição japonesa dos anos 80 faz parte da safra considerada por muitos como as melhores Stratos já produzidas pela Fujigen.

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 Qual a strato nacional preferida?

A Strato nacional preferida é sem dúvidas minha Golden 80’ Sunburst, ela é montada no Brasil, mas certamente as madeiras são orientais, ela tem o corpo em Alder oriental (inferior ao Alder Canadense) e braço em Maple também oriental. A construção dela foi bastante copiada da Fender, mas o hardware dela é bem simples, é preciso melhorar cada uma das peças para ela ficar apresentável. Além dela, a Tagima construída nos anos 80 em Mogno e escala em Jacarandá também é muito boa, o Seiji Tagima tinha uma Fender 60’ e não duvido nada que ele tenha buscado “inspiração” nesse modelo, nada dessas Tagimas em Marupá construídas nos anos 90 na fábrica, me refiro as primeiras que ele construía em sua oficina, ao melhor estilo “fundo de quintal”. As Fender Southern Cross construídas pela Giannini em Cedro e as Dolphin Stratocaster dirigidas pelo Carlos Assale e construídas em Mogno, também são legais.

 Qual o número máximo que você quer chegar de stratos na sua coleção?

Na verdade não tenho pretensão de atingir um número máximo, até porque é preciso ter espaço para poder armazenar essas preciosidades. Os cuidados necessários para manter a saúde dessas guitarras me custam a maior disponibilidade para dar atenção a cada um dos exemplares, me interesso muito por dicas de preservação e manutenção desses objetos. Confesso que, se fosse para chutar um número, gostaria de ter em torno de 100 instrumentos bem conservados e catalogados para poder algum dia montar e organizar uma exposição ao público.

Fica aqui a dica para quem gosta de uma strato:

Guitarras de um Strateiro

 

Controlador de pedais com Arduino – Clicks

Olá Amigos. Poisé, este projeto depois de 2 anos voltou para o blog. Infelizmente foi daquelas construções que foram para a gaveta e acabei passando um tempão só respondendo e-mails sem publicar nada sobre o tema. Mês passado tirei o pó das coisas e retomei a construção do controlador. Mas antes de partir para um post final, preciso fazer mais uma aparição para falar deles, os tão temidos Clicks e Pops da comutação com relés nos controladores. Já falei disso em outras duas postagens, mas com o tempo e o desenvolvimento prático do controlador, novos problemas surgiram, bem como novas soluções.

Como disse antes: Relés de qualidade não dão dor de cabeça. Mas… Isso para o caso de um pedal é uma verdade. E quando ligamos dois ao mesmo tempo? Aí a coisa pega.

Não temos como impedir o barulho, uma vez que o mesmo ocorre por um encontro “abrupto” entre dois circuitos com diferentes ganhos. E foi isso que eu não testei. Na primeira pisada para ligar dois pedais uma bomba atômica saiu do falante do meu amplificador. E agora?

O primeiro erro que cometi foi fazer uma ligação de bypass normal, onde a entrada do efeito quando não utilizada ficava “pendurada” sem nada para descarregar o capacitor de entrada.

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Comecei novas pesquisas e conversei com muita gente que também deu dicas de possíveis soluções. A primeira delas:

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Prefiro essa solução do que utilizar resistores de PullDown. Apenas utilizo na saída, se precisar. No caso dos pedais que tenho não foi necessário.

 

Ligando desta forma o problema foi quase totalmente resolvido. Eu diria uns 80%. Mesmo com essa solução inteligente o problema dos circuitos se encontrando parecia não ter nenhuma solução.

Eis que achei em alguns sites uma solução simples e arcaica que consiste em jogar o sinal de saída para o terra e mutar todo o som do controlador por alguns milisegundos toda vez que algum relé é ativado ou desativado. Algumas soluções incluem transístores, e outras optoacopladores:

schematic

 

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Tentei as duas versões, e para mim a que melhor funcionou foi a com o transistor 2N7000. Com apenas umas linhas a mais no código, calibrei o disparo deste circuito para cerca de 10ms antes do relé e aproximadamente 20ms depois, lembrando que um relé liga ou desliga em um tempo médio de 6ms. Com isso o problema passou para 90% resolvido.

Vem cá Chico, essa solução não afeta o timbre da guitarra?

Sim – Pelo osciloscópio notei mudanças nas frequências muito altas, mas estas nem sequer são utilizadas por uma guitarra(e algumas nem conseguimos ouvir). Li casos de pessoas que reclamaram desse sistema distorcer o som. Tive este problema, mas a causa era o transistor queimado/defeituoso. Com um transistor novo e em perfeitas condições o som é perfeito. Ainda assim, existindo alguma alteração, mesmo que inaudível, o controlador conta ainda com o circuito de buffer que adicionei justamente para compensar qualquer perda que o sinal tenha no caminho. Tem um post do controlador só sobre este tema aqui no blog.

Tá… Mas pendurando um transístor na saída ele deixa de ser true bypass?

Não – O que está em jogo em um controlador com relés é remover o caminho que o sinal faz. Cada pedal com bypass eletrônico tem normalmente dois buffers. Um na entrada, outro na saída. Até aí legal. E quem tem 5 pedais? O sinal passa por 10 buffers! O que deveria ser bom passa a ser nocivo para o som. Imagine o som recebendo esse “tratamento” mais de 10 vezes antes de chegar no amplificador, é óbvio que começa um corte de frequências audíveis bem relevante. Também tem um artigo sobre bypass eletrônico aqui no blog onde mostrei o resultado de alguns testes. Então temos que ver pela seguinte ótica:

O controlador elimina todo esse caminho. Coloca através dos relés a guitarra em contato com apenas um buffer e um circuito de mute na saída. Se você pensar bem vai ver que é melhor do que usar um pedal (ou mais) com bypass eletrônico.

Ainda sobre o circuito que mostrei, vale apontar que o capacitor C3 é responsável por uma volta suave do som. Se ele voltar de forma muito rápida o “pop” vai aparecer assim mesmo.  O ideal é brincar com os valores até ter uma resposta boa ao seu ouvido. O meu consegui uma boa curva de resposta com o capacitor indicado, mas em outros circuitos de controle que montei tive que subir o valor para a compensação ficar melhor. Essa foi a resposta ideal que consegui:

mute

O pico para baixo é o momento em que o som é desligado na saída, e a curva depois de subida para evitar os estouros. Tudo isso acontece muito rápido e o nosso ouvido não consegue notar o tempo em que o som ficou desligado, então não se preocupe. A única coisa que você vai notar é que os barulhos vão desaparecer toda vez que liga ou desliga algum pedal.

Você falou que ficou 90%. O que foi agora?

Dessa vez a culpa não é dos relés, muito menos dos pedais. Ainda assim, existia um pequeno barulho ao chavear os pedais. O problema agora era com a leitura das chaves. Sempre que pisamos nas chaves, elas mandam um pulso para a porta do microcontrolador que interpreta conforme o código e liga ou desliga os relés com os áudios dos nossos pedais. Mas nem tudo nessa vida é perfeito. Nenhuma chave é perfeita, muito menos as da china que eu comprei bem baratinhas. Quando pisamos, ela ao invés de dar um pulso perfeito, dá algo como podemos ver no gráfico:

bounce

O que era para ser um pulso único, com as imperfeições físicas das chaves acaba gerando um pulso ruidoso. Isso confunde o microcontrolador e podem acontecer duas coisas:

1 – Em uma pisada o pedal ligar e desligar várias vezes

2 – Clicks, clicks e mais clicks!

Tem cura? Tem, mas depende do tamanho do problema. Toda a chave, boa ou ruim tem esse problema. Só que as ruins são realmente péssimas nesse quesito. Para quem está trabalhando com chaves de boa procedência, fica AQUI um link com um texto muito bacana com toda a teoria para resolver o problema apenas por software.

A primeira solução é no código alterar os tempos de leitura da porta para enganar o microcontrolador. Na maioria dos casos isso resolve tanto o problema da oscilação como dos clicks. Mas em casos como o meu com chaves de péssima qualidade apenas resolveu o problema de oscilação. O barulho continuava.

Quando o problema é assim temos que partir para a ignorância, resolver o problema com hardware. Para isso existem milhares de circuitos de “Switch Debounce”. O que acabei utilizando foi o CD40106 que custa 1 real e cura até o problema de chaves chinesas. Segue o esquema e também um gráfico com a sua atuação:

Debounce

 

Se você pretende montar um controlador ou qualquer outra coisa com chaves e não quer esquentar a cabeça, esse circuito é uma belezinha. Aqui outra solução apresentada pelo site Geofex é utilizar ele para disparar os relés:

geofex

 

Também funciona e foi assim que montei no meu controlador. No meu caso são 3 relés e 6 chaves. Era muito mais fácil montar nos relés, e resolveu o meu problema. Graças ao alto poder de imunidade ao ruído do CD40106, consegue-se um ligar-desligar dos relés sem “voltagens transientes” provindas das chaves, e assim, zero clicks!

Se você é meticuloso pode usar dois. Um para as chaves, outro para os relés.

No próximo post sobre o tema vou mostrar fotos e um vídeo mostrando como ficou o aparelho.  A desculpa para a falta de tempo já não cola, mas acredite… Estou internado no escritório hoje para finalmente redigir esse texto. Falta pouco, até o próximo post! smile

Achados do Gambiarras

O site que indico este mês trata-se do Guitar FX Layouts. Mais direto impossível. O site tem muitos esquemas de pedais com layout para montar em protoboard. Facilita muito a vida de quem quer montar como um protótipo para ver se gosta e depois encarar a construção em uma placa mais profissional. É muito comum construir pedais definitivos nestas placas que são fáceis de encontrar e baratas. O site ainda conta com um Forum e loja com kits para montar diversos pedais.

Para você que gosta de montar ou de fuçar esquemas não tão “clássicos”: Guitar FX Layouts

Inox – A missão: o desafio do braço

Galera. Segue aqui a fantástica matéria que o meu amigo Fabrício Barbosa fez para o blog:

Esses dias estava falando com o Francisco, dono desse blog, sobre a minha intenção de trocar os trastes da minha “PRS” e como eu estava sendo surpreendido quanto a algumas coisas que estavam acontecendo. E num belo dia que fomos tomar uma bera com uma galera dos bons sons surgiu a idéia de fazermos um post relatando isso.

Depois de algumas idas e vindas, finalmente está aqui.

A história desse post começa há uns dois anos quando decidi fazer a troca de trastes da minha Strato frankenstein e pensei que uma retífica da escala seria uma boa, pois o braço já estava comigo há 15 anos e precisava de uma reforma.

Já tinha lido sobre as vantagens do traste inox e pesquisava quem faria isso até que um colega do finado, e de certa forma, saudoso Guitar Player Forum Brasil me sugeriu o Tom Castelli da Di Castelli´s aqui de Curitiba. Já conhecia o trabalho dele e resolvi pensar no assunto.

Para resumir uma longa história, fui lá e mandei fazer, e desde então tornei me um adepto convicto dos trastes inox, pela incrível tocabilidade e durabilidade que proporcionam. Some-se a isso o fato que o trabalho de instalação tinha sido primoroso.

Desta vez eu queria trocar os trastes de uma “PRS” feita por um outro luthier há uns 8 anos. Contudo havia um porém: a época que mandei fazê-la não prestei atenção na definição do raio da escala, e sem ter pesquisado devidamente deixei a cargo do luthier fazer do jeito que ele estava acostumado, e isso se provou um certo incômodo ao longo dos anos. Ela tinha escala totalmente flat, reta como uma tábua de mesa, com trastes jumbo, e desde então sempre senti que o braço do meio para o final da escala era meio difícil de tocar e por esse motivo houve épocas que eu não peguei nessa guitarra, somente na Strato Frank…

Este ano resolvi por os trastes inox nela, e fui falar com o luthier que a tinha construído. Para a minha imensa surpresa ele me disse que não dava para colocar pelo fato da escala ser plana. Isso disparou uma enorme curiosidade e resolvi pesquisar, consultando algumas pessoas e outros luthiers para saber como se comportariam diante desse fato.

Mais surpresas: o resultado foi que de 4 profissionais consultados, 2 disseram que não era possível fazer, 1 que aceitava, e outro que não disse que sim nem que não.

De posse desses dados consultei o mestre Mauro Tanaka Riyis, da Tanaka Luthieria de Sorocaba-SP, que não muito por acaso é membro do Boteco dos Guitralhas e conhecido de longa data do já citado Guitar Player Fórum Brasil.

A resposta dele foi: “claro que dá para fazer, vai ser um desafio, porém mudará a ação das cordas e a pegada vai dar uma diferença.” Só confirmou o que eu já tinha lido, mas o aval dele foi decisivo.

E como o trabalho do Tom Castelli´s tinha me impressionado na Strato Frank lá fui eu na oficina dele. Era para ser uma conversa de meia-hora e no final quase se estendeu por duas horas, tamanha é a quantidade de informações e atenção dispensada por ele.

Expliquei o lance de publicarmos no blog do Francisco e ele topou.

Então começou o trabalho e sugeri de registrarmos as etapas do processo.

1°) Da conversa inicial expliquei sobre o braço de inox da Strato e da minha preferência, que ele entendeu e novamente incentivou que fosse colocado, explicando e mostrando as diferenças entre os vários tipos de trastes existentes e como se comportariam.

Dessa conversa ficamos na dúvida se faríamos o raio em 10” ou em 12” polegadas. Ele sugeriu 12” que é o raio das Gibson e eu queria 10” pois tinha tocado numa PRS Mark Tremonti recentemente e o braço era inacreditavelmente confortável. Pesquisamos em alguns sites, houve várias ponderações por parte do Tom e então bati o martelo no raio 10”.

Isso tem consequências diretas devido ao processo de calandragem dos trastes, i.e., a definição da curvatura do raio com os quais serão inseridos no braço.

Literalmente calandrar é encurvar.

Conforme o Tom explicou é necessário calandrar os trastes antes de colocá-los no braço que vai estar bem assentado e retificado também no mesmo raio.

Nessa etapa já surgiu uma surpresa: retirar o nut de latão e colocar um de osso por sugestão do Tom, pois ele verificou que um nut da Graphtec, que era a minha preferência, não daria certo, pois a largura do braço era maior que o padrão da PRS…

2ª) Então começou o processo de instalação e retífica propriamente dito:

Como o braço dessa “PRS” é colado, foram retirados os captadores e a ponte, deixando o braço totalmente livre para poder trabalhar, sem correr o risco de bater em algum desses componentes.

3ª) Definido o raio da escala iniciou-se o processo de retirada dos trastes. Em seguida foram aquecidos os trastes para facilitar a retirada dos mesmos. Segundo o Tom explicou ele faz isso “um a um para que não aqueça muito a escala”.

4°) Aqui começou o processo de checagem do braço sem os trastes e novas surpresas começaram a aparecer.

Quando foi colocada a régua para checar a retidão do braço já apareceram dois pontos em que ele estava com defeito, com abaulamento da escala, também conhecidos por buracos. O Tom explicou que isso pode ter ocorrido por vários motivos, sendo os mais prováveis trabalho natural da escala em decorrência do clima, ou ainda quando foi construído não foi devidamente planificado. As fotos mostram os pontos marcados na escala e na foto em perfil mostra o abaulamento.

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Foto 01: braço com a régua e os buracos, percebe-se pela luz que atravessa entre a escala e a régua.

5°) Depois desse processo a guitarra descansa por uma semana na estufa para assentar, com o objetivo de estabilizar o braço e novamente faz-se outra checagem nele e ajusta-se o tirante. Isso serve para avaliar se está ou não empenado, caso contrário fica mais alguns dias assentando.

6°) Em seguida determina-se em definitivo os pontos onde existem as falhas e ajusta-se o tirante novamente, então volta para a estufa por mais alguns dias para assentar o braço. Esse tempo de descanso na estufa vai depender de cada instrumento, das condições que cada um se encontra e trabalha.

7°) Então inicia-se o processo de retificação com o raio novo de 10” da escala propriamente dita. Podem ver nas fotos que ele inicia o processo retirando aos poucos pelas bordas até acertar o raio uniformemente em toda a escala.

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Foto 02: início da retífica do braço. Notem as marcações das área com buracos mais evidentes. A parte mais clara é o que já foi lixado, e a escura é a diferença que “sobra” para corrigir a curvatura.

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Foto 03: Detalhe da marcação da falha na escala e da retífica do braço.

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Fotos 04 e 05: braço com mais retífica. Comparem com a foto 02 como foi mais trabalhado, fazendo o ajuste fino para o raio 10”.

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Foto 05: braço quase totalmente retificado.

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Foto 06: visão em perfil do braço, vejam como os vazios já não existem, somente a passagem da luz pelo lugar do traste ainda não colocado.

8°) A instalação propriamente dita dos trastes com a calandragem devida.

Notem pelas fotos que o braço já está totalmente retificado com o raio de 10”. Na foto 08 vão notar que há excessos(ou sobras) de trastes, que serão posteriormente cortados e limados nas bordas, para que não haja rebarbas.

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Foto 07: já podem ver o braço totalmente retificado e o gabarito do raio 10”.

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Foto 08: instalação dos trastes inox em raio 10” com a calandragem  feita anteriormente.

9°) Reinstalação da ponte, dos captadores e parte elétrica

Aqui houve uma troca de um potenciômetro push-pull que estava dando problemas por um novo.

Os captadores mantive os que já estavam anteriormente, os excelentes Mojo, recriações dos famosos PAF feito pela Sérgio Rosar Pickups de Florianópolis. Altamente recomendados para quem busca um timbre mais vintage, sendo que o da ponte é um dos meus captadores favoritos.

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Foto 09: montagem dos captadores e peças. Podem notar que os excessos dos trastes já foram retirados.

10°) Colocação das cordas e ajuste final.

Colocadas as cordas, acertadas as oitavas e altura e pronto!

Todo esse processo levou em torno de um mês, e como o Tom explicou ele ainda acompanha a reforma pelos próximos 6 meses seguintes.

Quanto a tocabilidade e avaliação do trabalho não poderia ter ficado mais contente, pois esse era o braço que eu tinha em mente, com facilidade de acesso do começo ao final, além do acabamento e a retífica que ficaram expecionalmente bem feitos.

Em relação ao timbre eu não notei muita diferença por causa dos trastes inox, para ser mais sincero muda mais a pegada por causa do raio da escala, pois as cordas ficaram com a ação um pouco mais alta, as cordas vibram mais e soam melhores.

A pegada do braço também melhora por causa dos trastes inox, fica a sensação que o braço fica mais macio.

O objetivo do post não foi mostrar a minha guitarra, mas simplesmente instruir  para aqueles que pensam em fazer esse tipo de intervenção na sua guitarra tenham noção que o processo nem sempre é tão fácil ou simples, que existem uma série de fatores que vão influenciar, e que quando forem discutir com o luthier (ou técnico de guitarra) tenham conhecimento das etapas e sejam bem sucedidos.

Outro ponto importante a destacar é para o fato que além das madeiras e peças numa guitarra, há que se valorizar o capricho e qualidade de construção de delas. No caso desta “PRS” deu um upgrade considerável…

Quero agradecer ao Francisco aqui do blog Guitarras e Gambiarras pelo espaço cedido, e ao Tom Castelli pelo tempo e paciência que teve comigo e com o Francisco explicando e mostrando todo o processo.

Um abraço a todos!

Ps: na foto abaixo vemos o Francisco prestando atenção na explicação sobre a construção de instrumentos pelo Tom Castelli.

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Achados do Gambiarras

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Passeando pela internet esses dias encontrei o blog Guitar Noize. Conteúdo muito atualizado, com foco nos lançamentos de diversos produtos para guitarra. Um site sem medo de mostrar a revolução que a tecnologia pode fazer no universo das 6 cordas . Vale a pena conferir AQUI.

MXR GT-OD

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Desta vez mais um pedal para o blog, mas com uma pegada diferente. Faz um bom tempo que não trago vídeos, e desejo que seja cada vez mais frequente aqui.

Para a criação deste novo artigo contei com a gentileza da loja Drumshop situada em Curitiba, que nos cedeu gentilmente o espaço e os equipamentos para o review.

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Foi uma das primeiras lojas que entrei desde que comecei a tocar. É hoje uma das lojas mais completas na cidade e conta com um espaço reservado só para as guitarras, onde podemos testar com calma e no volume desejado. smile

 

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O pedal escolhido é o que chamo de um TubeScreamer melhorado produzido pela MXR. Construído em alumínio injetado, segue o padrão de qualidade de todos os pedais da marca com bypass mecânico e componentes de qualidade. Não abri o pedal na loja, mas em uma rápida pesquisa na internet encontrei o seu “miolo” que segue sempre a mesma linha de produção:

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Como podemos ver, a placa é em fibra de vidro, o que confere durabilidade e resistência ao circuito. Ao contrário dos overdrives tradicionais, este foi construído todo em SMD que ocupa menos espaço. O circuito é simples e provavelmente a marca optou por este tipo de construção para agilizar a produção, uma vez que as máquinas CNC estão cada vez mais adaptadas para a microeletrônica do que para componentes convencionais. Outro motivo plausível é a tentativa de diminuir os clones, muito fáceis de serem feitos em pedais da marca como o antigo Distortion+.

Os potenciômetros são de boa qualidade assim como os presentes nos pedais da BOSS. Dificilmente um potenciômetro assim sofre com umidade ou sujeira, e a sua vida útil está sempre relacionada diretamente ao desgaste mecânico.

Na foto existe uma pequena chave na placa no canto superior esquerdo. Assim como marcas de computadores e outros eletrônicos, a MXR entrou na onda de utilizar a mesma “placa-mãe” para mais de um pedal. Segundo relatos na internet, pude apurar que esta chave muda o pedal para o modo ZW-44 que é outro overdrive da marca modelo Zakk Wylde. São pedais com circuitos muito próximos. A Ibanez lançou uma série de Ts em sua história com pequenas modificações no circuito. A MXR parece querer fazer o mesmo, mas lançando como pedais diferentes, com cores distintas e assim alcançando um público muito maior. Não restringe aos amantes dos sons mais calmos, ele também pode receber uma roupagem para os amantes do metal como um rico boost. Mais informações sobre estas semelhanças AQUI.

Sobre a construção não tenho muito a falar. Gosto do padrão que a MXR criou e compraria qualquer pedal deles sem me preocupar com isso. Tanto os pedais convencionais como os Wah-Wah. O único pedal até hoje que vi dar problemas foi um Distortion+ com o DPDT estragado após 20 anos de uso.

Para o teste utilizei duas guitarras. Uma Strato Fender Americana Standard com captação Custom Shop. Corpo em Ash e braço e escala em Maple.

A outra escolhida foi uma bonita Epiphone Les Paul Custom com captação em Alnico e um acabamento em Alpine White. A guitarra me surpreendeu muito pelo conforto do braço e som aveludado.

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Como já estou acostumado e gosto da pureza do som, escolhi um Blues Junior III para os testes. Procurei não alterar muitas coisas no amplificador e o painel acabou ficando assim, tudo pelo meio:

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Conclusão:

O que mais gostei no pedal foi a granulação do som. Ele tem o veludo de um TubeScreamer sem ser tão embolado o som. Isso permite ajustes muito mais fáceis com o ganho mais alto, algo difícil de se fazer com os Ts que no máximo já fica muito embolado. Além de ser um pedal Blues/Rock, pode ser usado sem medo para empurrar amplificadores mais gananciosos e com muita distorção. Com single é um clássico. Com humbuckers gostei deste pedal justamente pelo que falei no início. Ele casou bem com humbucker também. Tenho um Ts-9 em casa e sei bem as suas virtudes e limitações. Para quem quer um pedal nesta linha e não se decidiu ainda, vale testar este pequenino da MXR. Além de mais barato, possui uma grande qualidade de construção e traz uma versatilidade boa para quem toca mais de um estilo.

Limpo ou distorção?

Limpo ou distorção?  Eis a questão!

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Com a efervescente evolução tecnológica, tanto os sons que ouvimos como os equipamentos que temos acesso são forrados de recursos e efeitos. Criou-se uma ideia que guitarra só é guitarra quando se liga uma distorção.

É incontestável a importância que a saturação teve na história da guitarra e da música, mas o peso que teve o som limpo é ainda maior. Sem ele acordes, nuances e levadas rítmicas sincopadas não teriam o mesmo sabor. E isso não se limita ao terreno do Jazz ou do Blues. No Rock  até nas variações mais pesadas o som limpo sempre se fez presente.

O guitarrista aprende a tocar com o som limpo, não é mesmo? Bem, ao menos é assim que deveria aprender e nem sempre acontece.

Através do som limpo podemos conhecer o instrumento, como dominá-lo, compreender a duração das suas notas, a noção de afinação, e claro, descobrir o seu verdadeiro som.

Costumo dizer que uma guitarra só precisa de duas virtudes para me encantar. Uma afinação precisa e constante,  um som limpo bonito, equilibrado em toda a escala sem perder as características básicas do seu corte e construção.

Não é preciso abdicar de forma alguma da distorção ou dos leves e aveludados overdrives, mas na busca pelo timbre perfeito é preciso abrir um pouco mão do ganho para se chegar onde deseja. É muito mais cômodo para os ouvidos e fácil para as mãos o sustain e envolvência que a saturação traz, mas esse exagero mascara muito o potencial do instrumento e também a habilidade do músico.

Muitos guitarristas virtuosos que usam e abusam das distorções pesadas também precisam do som limpo na hora de calibrar o som. É aí que entra uma dica antiga e muito útil. A utilização de dois amplificadores. Um com distorção, outro limpo. A mistura destes dois sons, ajustada pelo ouvido do guitarrista, traz como resultado um som brilhante, cheio de detalhes e engana o ouvido tirando aquela sensação de distorção embolada. Isso também enaltece o timbre natural do instrumento, que como disse anteriormente é muito mais evidente quando tocamos com o som limpo.

Como a vida não está fácil pra ninguém, comprar dois amplificadores de qualidade para fazer essa brincadeira é algo fora de questão para a maioria dos guitarristas. Existem pedais de distorção e overdrive que trazem a função “mix clean”, mas também pode-se obter um resultado muito aproximado com outros pedais de mistura de efeitos como o Morley Twin Mix:

twin mixPara quem curte sons mais calmos, fica a dica de tocar mais vezes tudo o que você já toca, mas desta feita com pouca ou até nenhuma saturação. Você vai se descobrir outro músico, com outro instrumento. É uma evolução do fim para o começo.

Não se boicote, não mascare a sua arte.

Limpe um pouco a sua mente, um pouquinho mais o seu som e redescubra a sua música! like